{"id":7651,"date":"2025-05-30T20:09:40","date_gmt":"2025-05-30T23:09:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7651"},"modified":"2025-05-30T20:09:40","modified_gmt":"2025-05-30T23:09:40","slug":"o-chalaca-a-subversao-do-historico-para-o-literario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7651","title":{"rendered":"O CHALA\u00c7A: A SUBVERS\u00c3O DO HIST\u00d3RICO PARA O LITER\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover alignfull has-custom-content-position is-position-bottom-right\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"675\" height=\"522\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-7652\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/O-Chalaca-01-e1748557659487.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/O-Chalaca-01-e1748557659487.jpg 675w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/O-Chalaca-01-e1748557659487-300x232.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p><strong>Alanna Costa da Silva*<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Resumo:<\/strong> O romance produzido por Jos\u00e9 Roberto Torero, intitulado <em>Galantes mem\u00f3rias e admir\u00e1veis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chala\u00e7a<\/em> (1994), concentra-se na personagem que fora deixado de lado na historiografia por n\u00e3o ter seu nome ligado a grandes feitos, isto \u00e9, digno de ser lembrado. Contudo, desvelou, no citado, uma rela\u00e7\u00e3o muito afinca, pr\u00f3xima, \u00edntima com aquele que foi imperador do Brasil, D. Pedro I. Ademais, era o seu conselheiro e pode-se dizer o protagonista dos encontros e sa\u00eddas de D. Pedro com as mais belas mulheres. Para tanto, o presente artigo delineia-se no marco hist\u00f3rico da Independ\u00eancia do Brasil, o qual, Gomes, narra esses acontecimentos demonstrando pontos dos bastidores desse momento, deixados em seu suposto di\u00e1rio. Todavia, a ideia de escrita desse di\u00e1rio foi de maneira consciente, pois tomando consci\u00eancia de que n\u00e3o seria digno de lembrado, resolve escrever para, assim, ter contribu\u00eddo para o entendimento da Hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Brasil. O presente estudo tem por base essa rela\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria com a Literatura, que a partir do s\u00e9culo XIX desenvolve-se o romance hist\u00f3rico em que estreita o encadeamento dessas duas grandes \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> O Chala\u00e7a. Romance. Historiografia. Literatura. Independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Abstract:<\/strong> The novel produced by Jos\u00e9 Roberto Torero, entitled Galantes mem\u00f3rias e admir\u00e1veis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chala\u00e7a (1994), focuses on the character who had been left out in the historiography for not having his name linked to great deeds, i.e. it is worthy of being remembered. However, he revealed, in the aforementioned, a very close, intimate relationship with the one who was emperor of Brazil, D. Pedro. Furthermore, he was his adviser and, one might say, the protagonist of D. Pedro encounters and departures with te most beautiful women. The present article is outlined in the historical landmark of the Independence of Brazil, which, Gomes, narrates these events demonstrating backstage points of that moment, left in his supposed diary. However, the idea of writing this diary was consciously, as he became aware that he would not be worthy of being remembered, he decided to write in order to have contributed to the undestanding of the history of the formation of Brazil. The present study is based on this relationship between History and Literature, which from the 19th century onwards develops the historical novel in which it narrows the link between these two great areas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords<\/strong>: O Chala\u00e7a. Romance. Historiography. Literature. Independence.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No romance produzido por Jos\u00e9 Roberto Torero, apresenta-se um anti-her\u00f3i chamado Francisco Gomes da Silva, conhecido como <em>O Chala\u00e7a<\/em>. O referido foi conselheiro de D. Pedro e a partir da obra <em>Galantes mem\u00f3rias e admir\u00e1veis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes<\/em>,<em> o Chala\u00e7a <\/em>(1994) delineia-se um dos principais momentos hist\u00f3ricos do Brasil, a Independ\u00eancia. Nessa perspectiva, o intuito \u00e9 notar o qu\u00e3o esse personagem hist\u00f3rico foi deixado na Hist\u00f3ria por n\u00e3o ter sido um grande nome para ser lembrado pela historiografia, embora tenha tido uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com D. Pedro (1798-1834).<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, tem-se o retrato da trajet\u00f3ria de Gomes, que viveu um dos momentos da hist\u00f3ria oficial do Brasil referente a sua forma\u00e7\u00e3o. Ademais, o destaque da releitura de um marco hist\u00f3rico por uma personagem que resolveu percorrer as linhas de di\u00e1rio e narrar o que ocorreu no Brasil em 1922. Coloca, ent\u00e3o, o leitor diante dos bastidores da Independ\u00eancia do Brasil, al\u00e9m de citar situa\u00e7\u00f5es e ocorr\u00eancias da vida pessoal do pr\u00f3prio Imperador.<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, a partir do espa\u00e7o s\u00f3cio-hist\u00f3rico de um momento de suma import\u00e2ncia para a na\u00e7\u00e3o brasileira, o escritor Jos\u00e9 Roberto Torero traz a leitura da hist\u00f3ria oficial para a literatura, demonstrando o qu\u00e3o pr\u00f3ximas est\u00e3o. Pois, levando em considera\u00e7\u00e3o as palavras de Esteves (2010, p.13), \u201cbasta um passeio pela historiografia ou pela hist\u00f3ria da literatura para se confirmar que a literatura e a hist\u00f3ria sempre caminharam lado a lado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, o presente estudo dar-se-\u00e1 na perspectiva dessas duas \u00e1reas. Propondo-se, tamb\u00e9m, conhecer as nuances do romance hist\u00f3rico e o qu\u00e3o no s\u00e9culo XIX esse g\u00eanero estava t\u00e3o presente. O que favorece uma amplia\u00e7\u00e3o maior para os estudos e a import\u00e2ncia que a Historiografia exerce dentro da Hist\u00f3ria e Literatura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discursos hist\u00f3ricos e narrativa ficcional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa em quest\u00e3o relaciona-se com a Literatura e a Hist\u00f3ria, justamente por seus discursos ao que compete ao \u00e2mbito ficcional e o outro para um fato hist\u00f3rico. Nesse vi\u00e9s, Esteves (2010, p. 14) assevera que \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a verdade liter\u00e1ria \u00e9 uma e a verdade hist\u00f3rica \u00e9 outra. [\u2026]. Os exageros da literatura servem para expressar verdades profundas e inquietantes que s\u00f3 dessa forma poderiam vir \u00e0 luz\u201d. Desse modo, Lacowicz corrobora que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cfocalizando o campo da Literatura, sua rela\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria \u00e9 considerada como uma das mais fundamentais e fecundas para ambas, devido ao fato de que seus discursos s\u00e3o inerentemente perme\u00e1veis. As rela\u00e7\u00f5es entre literatura e hist\u00f3ria t\u00eam sido substancialmente problematizadas, em especial no que tange aos limites que separam ambas; o romance hist\u00f3rico, surgido no s\u00e9culo XIX, bem como o novo romance hist\u00f3rico latinoamericano, real\u00e7aram estas quest\u00f5es, tornando ainda mais t\u00eanues as fronteiras entre discurso hist\u00f3rico e discurso ficcional\u201d. (LACOWICZ, 2010, p. 267).<\/p>\n\n\n\n<p>Pois, como afirma Esteves (2010, p. 16), \u201co s\u00e9culo XIX, com sua \u00e2nsia de aproximar-se da verdade, elevou o discurso hist\u00f3rico \u00e0 categoria de ci\u00eancia, afastando-o de seu parente pr\u00f3ximo, a narrativa ficcional\u201d. Contudo, o autor acrescenta, j\u00e1 com a vis\u00e3o em meados do s\u00e9culo XX, que \u201c\u00e9 quase consenso generalizado que a Hist\u00f3ria e a Literatura t\u00eam algo em comum: ambas s\u00e3o constitu\u00eddas de material discursivo, permeado pela organiza\u00e7\u00e3o subjetiva da realidade feita por cada falante\u201d (ESTEVES, 2010, p. 13).<\/p>\n\n\n\n<p>Nigris (2008, p. 411) em seu artigo <em>A express\u00e3o do riso em O Chala\u00e7a<\/em> articula o c\u00f4mico na obra de Torero e elucida uma narrativa que brinca com o seu intertexto com a Hist\u00f3ria oficial. Uma vez que a obra citada partilha o di\u00e1rio do Conselheiro Gomes como uma suposta fonte. Dessa forma, a autora assevera que na narrativa a personagem hist\u00f3rica de Gomes da Silva possui \u201csua tessitura textual permeada pelo riso\u201d. O que a princ\u00edpio j\u00e1 inicia com o pr\u00f3prio significado do nome Chala\u00e7a, isto \u00e9, zombeteiro, gracejo e etc..<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, Nigris (2008, p. 411) destaca que \u201ca figura do Chala\u00e7a constitui-se n\u00e3o s\u00f3 como elemento participativo de nosso Imp\u00e9rio e, portanto, de parte fundamental de nossa hist\u00f3ria, mas como modelo de comportamento para os brasileiros\u201d. Logo, \u201ca partir dessa perspectiva d\u00e1-se a desconstru\u00e7\u00e3o de imagens cristalizadas dos eventos hist\u00f3ricos protagonizados pelo imperador D. Pedro e, por meio dessa \u00f3tica, possibilita-se, pois, a releitura da figura do Imperador brasileiro, D. Pedro I\u201d (LACOWICZ, 2010, p. 270).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Esteves (2010, p.31) o per\u00edodo do ano de 1922 apropriou-se muito bem do \u201cevento\u201d at\u00e9 ent\u00e3o mais importante da hist\u00f3ria do Brasil \u2013 a Independ\u00eancia. Embora tenham destinado um espa\u00e7o de rememora\u00e7\u00e3o desse grande feito para a na\u00e7\u00e3o brasileira, a inaugura\u00e7\u00e3o do Monumento da Independ\u00eancia e o museu. O ponto marcante desse epis\u00f3dio foi, tamb\u00e9m, segundo as palavras do autor, o relato \u201ca\u00e7ucarado e apimentado\u201d de Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), sendo, esta, \u201ca futura marquesa de Santos, amante do primeiro imperador brasileiro e, mais tarde, esposa do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (1785-1857), patrono da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O epis\u00f3dio do imperador com sua amante rendeu v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es em que colocaram em evid\u00eancia a protagoniza\u00e7\u00e3o de Domitila e do Imperador. O que denota dessa forma a banaliza\u00e7\u00e3o da vida \u00edntima de Dom Pedro I, o que de certa forma o aproximava da popula\u00e7\u00e3o, destitu\u00edndo-se de uma figura s\u00e9ria e, ao mesmo tempo, o grande protagonista da hist\u00f3ria oficial. Levantando temas sobre a liberdade sexual, bem como, a exalta\u00e7\u00e3o da infidelidade conjugal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Excertos de um di\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lacowicz (2013, p. 14) pontua que a obra <em>O Chala\u00e7a<\/em> parte da marginaliza\u00e7\u00e3o da personagem de Gomes da Silva em que \u00e9 efetuada no discurso hist\u00f3rico hegem\u00f4nico e \u2018finge\u2019 ser seu verdadeiro di\u00e1rio e autobiografia, \u201cutilizando-se do recurso e tamb\u00e9m o mito liter\u00e1rio do \u2018manuscrito perdido\u2019, para justificar uma vers\u00e3o ap\u00f3crifa dos textos\u201d. Desse modo, partindo do pressuposto que a obra liter\u00e1ria constr\u00f3i-se a partir de di\u00e1logos em que apropria-se de v\u00e1rios elementos que se imbricam no processo de sua composi\u00e7\u00e3o, a obra de Torero \u00e9 composta de trechos de di\u00e1rio, bilhetes.<\/p>\n\n\n\n<p>O que denota recursos da linguagem, tais como a carnavaliza\u00e7\u00e3o, a par\u00f3dia entre outros que possibilitam a subvers\u00e3o das imagens discursivas consolidadas. Os excertos do di\u00e1rio sempre aparecem em it\u00e1lico e com t\u00edtulos longos de modo a situar o leitor para o que abordar\u00e1 naquela determinada parte. Nesse caso, inicia as primeiras p\u00e1ginas do seu di\u00e1rio com o t\u00edtulo \u201cMem\u00f3rias para servir \u00e0 grandeza da humanidade onde se relata o in\u00e9dito nascimento que teve Francisco Gomes e dos ensinamentos que se tiraram desse mesmo fato\u201d (TORERO, 1994, p. 59).<\/p>\n\n\n\n<p>Cidad\u00e3os, come\u00e7arei a minha biografia contestando uma lei que, at\u00e9 o presente s\u00e9culo, tem sido aplicada indistintamente a todas as obras dessa natureza que se t\u00eam publicado nas melhores partes desse mundo, ou seja, a de que uma biografia deve come\u00e7ar do momento do nascimento do biografado, detalhando-se as condi\u00e7\u00f5es materiais e espirituais da fam\u00edlia do mesmo, bem como do seu pa\u00eds, estado e cidade. Ainda que corra o risco de ser considerado uma vox clamantis in deserto, sustentarei nesta obra a tese de que o verdadeiro ponto de partida da vida de qualquer homem n\u00e3o \u00e9 o seu nascimento f\u00edsico, mas \u2013 vamos denominar assim provisoriamente \u2013 o seu nascimento metaf\u00edsico. Adotando esse procedimento, estou certo de que pouparei os meus futuros leitores de enfadonhos relatos sobre os meus primeiros passos, minhas notas no semin\u00e1rio, meu primeiro contato com uma mulher e outras coisas assim irrelevantes. Passemos ent\u00e3o \u00e0 descri\u00e7\u00e3o do meu nascimento metaf\u00edsico, que se deu no Imp\u00e9rio do Brasil, no ano da gra\u00e7a de 1809 (TORERO, 1994, p. 59).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como o pr\u00f3prio t\u00edtulo j\u00e1 acorda para o que o leitor ir\u00e1 ler, nele a personagem faz a refer\u00eancia para o in\u00edcio da sua autobiografia. Ilustra como discorrer\u00e1 em seu di\u00e1rio os assuntos relevantes sobre o per\u00edodo do imp\u00e9rio no Brasil. Dessa maneira, Chala\u00e7a parte do seu nascimento metaf\u00edsico, quando a sua vida ganha grandeza ao conhecer o Imperador e tornar-se o seu conselheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No trecho em que revela o in\u00edcio da amizade entre Chala\u00e7a e o Pr\u00edncipe, \u00e9 descrita sob o t\u00edtulo \u201cOnde se relata com muita propriedade a inaugura\u00e7\u00e3o da leal e permanente amizade do Pr\u00edncipe D. Pedro e de seu fiel escudeiro Francisco Gomes da Silva\u201d(TORERO, 1994, p. 67).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dez anos em que trabalhei no pa\u00e7o, a amizade e a favor do Pr\u00edncipe nunca me faltaram. Tornamo-nos verdadeiramente \u00edntimos. [\u2026]. Quanto a mim, mais particularmente, coube-me a gra\u00e7a de ter sido escolhido como favorito do Pr\u00edncipe D. Pedro no que diz respeito \u00e0 intermedia\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o espirituais com as filhas do belo sexo, servi\u00e7o que as pessoas de menor instru\u00e7\u00e3o, na falta de conhecimentos mais sutis sobre essa arte, denominam alcoviteiro. [\u2026]. O que mudou, depois da partida de D. Jo\u00e3o VI, \u00e9 que eu fui, por assim dizer, oficializado nessa fun\u00e7\u00e3o, ou seja, passava os meus dias a levar e trazer recados, marcar encontros, distrair maridos e coisas outras\u201d (TORERO, 1994, p. 67-68).<\/p>\n\n\n\n<p>A amizade entre Gomes da Silva e D. Pedro ocorreu de maneira inusitada, ap\u00f3s uma briga em um bar. Desde ent\u00e3o passou a acompanhar o Pr\u00edncipe afirmando que esse encontro seria o seu <em>nascimento metaf\u00edsico<\/em>. Portanto, \u201co desvelamento dos di\u00e1rios de Gomes da Silva aponta para um texto cujas perip\u00e9cias\u00b4implicam uma s\u00e9rie de subvers\u00f5es: fatos hist\u00f3ricos s\u00e3o subvertidos e readequados ao gosto do Chala\u00e7a, que chega, inclusive, a casar-se com sua maior advers\u00e1ria, a vi\u00fava de D. Pedro I\u201d (NIGRIS, 2008, p. 413).<\/p>\n\n\n\n<p>Quadros e Sorensem (2009, p. 104) discorrem em seu trabalho que \u201ch\u00e1 apropria\u00e7\u00e3o de um discurso hist\u00f3rico oficial e, por meio da subvers\u00e3o, um outro discurso \u00e9 criado. O grito de independ\u00eancia deu-se ao acaso, num momento um tanto vexat\u00f3rio e divertido, segundo a narrativa\u201d. Concluindo que n\u00e3o houve hero\u00edsmo. Os autores fazem men\u00e7\u00e3o a uma linguagem humorada que se apresenta na obra, articulada por meio da ironia e da par\u00f3dia que \u201cproblematiza os conceitos de hist\u00f3ria oficial e ficcional e conta a hist\u00f3ria factual do Primeiro Imp\u00e9rio sob o olhar da fic\u00e7\u00e3o sob a expectativa do liter\u00e1rio\u201d (QUADROS; SORENSEM, 2009, p. 105).<\/p>\n\n\n\n<p>Como fora dito anteriormente sobre os excertos do di\u00e1rio, o Chala\u00e7a situa o leitor para essa parte da Independ\u00eancia com o t\u00edtulo \u201cOnde se conta como viveu no pa\u00e7o Francisco Gomes at\u00e9 que foi chamado a fazer parte de uma alt\u00edssima empresa\u201d (TORERO, 1994, p. 85).<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que, naqueles dias, a na\u00e7\u00e3o brasileira estava cada vez mais seduzida pelo sentimento de independ\u00eancia. Depois que D. Jo\u00e3o se foi, as Cortes Portuguesas foram tirando pouco a pouco os v\u00e1rios privil\u00e9gios concedidos ao Brasil na \u00e9poca em que a fam\u00edlia real aqui se achava. Os brasileiros abominavam a ideia de voltarem a ter o tratamento de col\u00f4nia. [\u2026]. Naqueles idos de 22 meus pensamentos n\u00e3o andavam em vias muito diferentes. Era um ajudante, mas tinha um tratamento de nobre. Nada me apavorava mais do que a possibilidade de voltar \u00e0 minha modesta vida de criado. [\u2026]. Entre os brasileiros este sentimento manifestava-se em tumultos e subleva\u00e7\u00f5es nas diferentes prov\u00edncias, e a na\u00e7\u00e3o corria o risco de ser sepultada num abismo de sangue caso as autoridades \u2013 digo, o Pr\u00edncipe \u2013 n\u00e3o tomassem uma atitude\u201d (TORERO, 1994, p. 85-86).<\/p>\n\n\n\n<p>Haja vista as amea\u00e7as de voltarem a serem col\u00f4nia, j\u00e1 que os brasileiros vinham ganhando liberdade, o Brasil quase uma \u201cmetr\u00f3pole\u201d, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o queria mais perder o que havia conquistado. Logo, o Chala\u00e7a descreve esse sentimento de n\u00e3o voltar ao que era antes: uma col\u00f4nia. No corpus desse trecho do di\u00e1rio intitulado \u201cQue trata do regresso da viagem a Santos e de grandes obras que naquele percurso se fizeram\u201d<em> (<\/em>TORERO, 1994, p. 109), t\u00eam-se a narrativa do grito da independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, \u00e9 poss\u00edvel observar nesse dado fragmento o qu\u00e3o foi abrupta o grito que deu a liberdade real para os brasileiros. Dessa maneira, atrav\u00e9s de uma carta, Leopoldina comunica a D. Pedro que Lisboa queria transferir de vez a sede do governo brasileiro. Ademais, enfatiza que a corte portuguesa ordenava a sua partida imediata do Brasil, amea\u00e7ando-o. Uma vez que, com o comando do pr\u00edncipe no Brasil, Portugal tornava-se uma col\u00f4nia e o territ\u00f3rio brasileiro obtinha mais autonomia, pois tudo era feito nesse pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento de leitura da carta torna-se um momento c\u00f4mico na obra, pois retrata um mal-estar digestivo tanto em Chala\u00e7a quanto para o Imperador. Dessa forma o Conselheiro descreve que quando estavam na colina, ambas precediam \u201cao despejamento, chegou [&#8230;] o oficial da Corte trazendo as cartas da Princesa e de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio. D. Pedro inquietou-se com o movimento e, diante da ansiedade em que se encontrava, subiu afobadamente o cal\u00e7\u00e3o\u201d (TORERO, 1994, p. 111). Logo, discorre sobre a rea\u00e7\u00e3o do pr\u00edncipe ao ler as cartas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cPor elas D. Pedro estaria destitu\u00eddo do cargo de Pr\u00edncipe Regente, perderia o poder de nomear ministros e ainda recebia amea\u00e7as: uma tropa de sete mil pra\u00e7as estava a caminho para restabelecer a ordem na parte do Reino que ele governava. Conhecendo o esp\u00edrito ind\u00f4mito do Pr\u00edncipe D. Pedro como eu conhecia, n\u00e3o era dif\u00edcil prever a resposta que ele daria a esse pux\u00e3o de orelha das Cortes [\u2026], estava subindo no meu cavalo, quando ouvi um grito: \u2018La\u00e7os fora, soldados!\u2019 [\u2026]. O Pr\u00edncipe ent\u00e3o montou numa besta baia, desembainhou a espada e foi para o meio do agrupamento. [\u2026]. animou-se e deu outro grito, agora erguendo a espada em posi\u00e7\u00e3o vertical: \u2018Viva a independ\u00eancia e a separa\u00e7\u00e3o do Brasil!\u2019 Todos gritamos: \u2018Viva!\u2019 Ele voltou-se ent\u00e3o para a guarda de honra: \u2018Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil!\u2019 [\u2026]. D. Pedro voltou-se para o nosso grupo, ergueu a espada e gritou novamente: \u2018Independ\u00eancia ou morte!\u2019.\u201d (TORERO, 1994, p. 111-112).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o trecho, pode-se concluir que as amea\u00e7as que D. Pedro I, vinha sofrendo foram motivos para o caminho da Independ\u00eancia. E de maneira abrupta consolidou a independ\u00eancia do pa\u00eds que j\u00e1 clamava por isso. Por\u00e9m, a liberdade pela autonomia do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Portugal foi de maneira gradual, com muitos conflitos e acordos, ocorrendo de maneira lenta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lido destacar tamb\u00e9m o quanto Chala\u00e7a tinha um tra\u00e7o de influ\u00eancia muito grande. Considerado um dos principais amigos de farra do Imperador. Pode-se dizer que foi a \u00fanica afei\u00e7\u00e3o certa que D. Pedro I possu\u00eda. A partir da obra \u00e9 not\u00f3rio o qu\u00e3o h\u00e1 comicidade, riso no texto. Acentua o tratamento diferencial aos romances hist\u00f3ricos, na qual primava por uma releitura do que j\u00e1 estar cristalizado e coloc\u00e1-la nas lentes da personagem que n\u00e3o teve destaque na hist\u00f3ria oficial, exceto como aquele que contribu\u00eda para as rela\u00e7\u00f5es extraconjugais do Pr\u00edncipe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A obra com alus\u00e3o a fatos hist\u00f3ricos da na\u00e7\u00e3o brasileira, principalmente, a independ\u00eancia do Brasil. Revela a personagem que, embora, pr\u00f3xima daquele que foi Imperador do Brasil, teve sua figura afastada do destaque desse momento \u00fanico para os brasileiros. Pode-se dizer que por n\u00e3o ter sido t\u00e3o aclamado pois, n\u00e3o fez nenhum feito que pudesse consagr\u00e1-lo de alguma forma, ficou a margem da historiografia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O romance de Torero (1994) constitui, por sua vez, um di\u00e1logo produtivo entre Hist\u00f3ria e Literatura. Ao fazer uma releitura da hist\u00f3ria oficial e coloc\u00e1-la no vi\u00e9s liter\u00e1rio, proporciona que a linguagem se manifeste de modo a colocar um novo olhar para a hist\u00f3ria. De modo que o escritor possa brincar com os recursos lingu\u00edsticos e o leitor a partir de suas observa\u00e7\u00f5es e conhecimento de um momento hist\u00f3rico avaliar e distinguir o que \u00e9 fic\u00e7\u00e3o e o que realmente ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Roberto, desse modo, recorre aos recursos da linguagem para fazer esses malabarismos liter\u00e1rios que a pr\u00f3pria literatura permite que aconte\u00e7a, tais como a par\u00f3dia, o riso, o dialogismo entre outros. Pode-se observar o que fora dito&nbsp; no trabalho de Quadros e Soerensen (2009) os quais discorreram sobre as novas perspectivas de ficcionalizar grandes acontecimentos hist\u00f3ricos, sob o olhar liter\u00e1rio, na obra, aqui, trabalhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conseguinte, tem-se o romance hist\u00f3rico com vistas a prover novas abordagens de momentos j\u00e1 cristalizadas, ocorrendo, dessa forma, novas leituras e reescritas. No caso de O Chala\u00e7a, observou-se a carnavaliza\u00e7\u00e3o, a comicidade em v\u00e1rios epis\u00f3dios por ele descrito, em que a hist\u00f3ria oficial, por vezes, interage de maneira mais objetiva e direta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ESTEVES, Ant\u00f4nio R.. <em>O romance hist\u00f3rico contempor\u00e2neo (1975-2000)<\/em>. Ed. UNESP, S\u00e3o Paulo, 2010. ISBN. 978-85-393-0019-8.<\/p>\n\n\n\n<p>LACOWICZ, Stanis David. \u201cA carnavaliza\u00e7\u00e3o no romance o Chala\u00e7a (1994) e sua reprodu\u00e7\u00e3o na miniss\u00e9rie televisiva o quinto dos infernos\u201d. Revista de Literatura, Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria. vol. 6. n. 7. UNIOESTE. Cascavel. 2010. p. 265-278.<\/p>\n\n\n\n<p>LACOWICZ, Stanis David. \u201cMitos hisp\u00e2nicos no romance hist\u00f3rico brasileiro: uma leitura de O Chala\u00e7a (1994) e de O feiti\u00e7o da ilha do Pav\u00e3o (1997)\u201d. S\u00e3o Paulo. Cultura Acad\u00eamica. 2013. Reposit\u00f3rio UNESP. https:\/\/repositorio.unesp.br\/bitstream\/handle\/11449\/99634\/lacowicz_sd_me_assis.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y.<\/p>\n\n\n\n<p>NIGRIS, M\u00f4nica \u00c9boli de. \u201cA express\u00e3o do riso em o Chala\u00e7a\u201d. Revista Interc\u00e2mbio. v. XVII. 410-419. S\u00e3o Paulo. LAEL\/PUC-SP. 2008. p. 410-419.<\/p>\n\n\n\n<p>QUADROS, Deisily; SOERENSEN, Claudiana. \u201cMalabarismos liter\u00e1rios em Galantes e admir\u00e1veis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chala\u00e7a\u201d. Revista de Literatura, Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria. vol. 5. n. 5. UNIOESTE. Cascavel. 2009. p. 99-105.<\/p>\n\n\n\n<p>TORERO, Jos\u00e9 Roberto. <em>Galantes mem\u00f3rias e admir\u00e1veis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, o Chala\u00e7a.<\/em> C\u00edrculo do Livro. S\u00e3o Paulo. 1994. ISBN 85-332-0817-0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>* <\/strong>Alanna Costa da Silva. Licenciada em Letras &#8211; L\u00edngua Portuguesa e suas respectivas Literaturas, pela Universidade Estadual do Maranh\u00e3o (UEMA)\/ Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC). Especializa\u00e7\u00e3o Lato Sensu em Literatura e Ensino, pela Universidade Estadual do Maranh\u00e3o\/N\u00facleo de Tecnologias para Educa\u00e7\u00e3o (UEMANet). Especializa\u00e7\u00e3o Lato Sensu em Linguagens, suas tecnologias e o mundo do trabalho (CEAD\/UFPI). Mestrado em Literatura e Cultura, pela Universidade Estadual do Piau\u00ed (UESPI). Membro do grupo de pesquisa: Literatura, Arte e M\u00eddias (LAMID\/CNPq).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"796\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7543\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-768x597.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1.jpg 1325w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><\/tr><tr><td>ATRLA N\u00ba 15\/16 &#8211; Enero 2023 &#8211; Marzo 2025<\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><strong><em>N\u00fameros anteriores <\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=7505&amp;action=edit\">ATRLA N\u00ba 13\/14 Marzo 2019 &#8211; Diciembre 2022<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6275\">ATRLA N\u00ba 11\/12 Marzo 2016 &#8211; Febrero 2019<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6270\">ATRLA N\u00ba 10 Marzo 2015 &#8211; Febrero 2016<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6200\">ATRLA N\u00ba 9 Marzo 2014 &#8211; Febrero 2015<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6186\">ATRLA N\u00ba 8 Marzo 2013 &#8211; Febrero 2014<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6177\">ATRLA N\u00ba 7 Marzo 2012 &#8211; Febrero 2013<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6159\">ATRLA N\u00ba 6 Marzo 2011 &#8211; Febrero 2012<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6138\">ATRLA N\u00ba 5 Marzo 2010 &#8211; Febrero 2011<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=5921\">ATRLA N\u00ba 1 a 4 2006 &#8211; 2009<\/a><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6661\">Qui\u00e9nes somos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=809\">Normas de publicaci\u00f3n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: O romance produzido por Jos\u00e9 Roberto Torero, intitulado Galantes mem\u00f3rias e admir\u00e1veis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chala\u00e7a (1994), concentra-se na personagem que fora deixado de lado na historiografia por n\u00e3o ter seu nome ligado a grandes feitos, isto \u00e9, digno de ser lembrado. Contudo, desvelou, no citado, uma rela\u00e7\u00e3o muito afinca, pr\u00f3xima, &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7651\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abO CHALA\u00c7A: A SUBVERS\u00c3O DO HIST\u00d3RICO PARA O LITER\u00c1RIO\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[560],"tags":[37,674,255,672,673],"class_list":["post-7651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-letras-literatura","tag-historiografia","tag-independencia-2","tag-literatura","tag-o-chalaca","tag-romance","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7651"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7651\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7725,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7651\/revisions\/7725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}