{"id":7642,"date":"2025-05-30T20:12:40","date_gmt":"2025-05-30T23:12:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7642"},"modified":"2025-05-30T20:12:40","modified_gmt":"2025-05-30T23:12:40","slug":"literatura-pintura-e-eurocentrismo-na-obra-de-sarmiento-e-dos-pintores-raymond-quinsac-de-montvoison-e-leon-ambroise-gauthier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7642","title":{"rendered":"Literatura, pintura e eurocentrismo na obra de Sarmiento e dos pintores Raymond Quinsac de Montvoison e Leon Ambroise Gauthier"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover alignfull has-custom-content-position is-position-bottom-right\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\" style=\"background-color:#70523c\"><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1613\" height=\"893\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-7649\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960.jpg 1613w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960-300x166.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960-1024x567.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960-768x425.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960-1536x850.jpg 1536w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1-e1748556675960-1568x868.jpg 1568w\" sizes=\"auto, (max-width: 1613px) 100vw, 1613px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p><strong>Ival de Assis Cripa*<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong>: O artigo relaciona literatura e pintura, a partir da an\u00e1lise do livro \u201cFacundo, Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie\u201d e da an\u00e1lise de algumas telas sobre a Am\u00e9rica do Sul, produzidas pelos pintores europeus Raymond Quinsac de Montvoison e Leon Ambroise Gauthier. Objetiva-se compreender como a literatura e a pintura contribu\u00edram com a constru\u00e7\u00e3o de alguns estigmas sobre a Argentina e a cultura do \u00abga\u00facho do Sul.\u00bb&nbsp; O artigo toma como refer\u00eancia a no\u00e7\u00e3o de \u201ccomunidades imaginadas\u201d de Benedict Anderson e a obra de Edward Said e busca compreender como a literatura, a pintura e a escrita da hist\u00f3ria foram usadas para legitimar a constru\u00e7\u00e3o de determinados discursos com forte conota\u00e7\u00e3o euroc\u00eantrica.&nbsp; O artigo aborda as rela\u00e7\u00f5es de di\u00e1logo e de m\u00fatua influ\u00eancia entre a literatura e a pintura, a partir da constru\u00e7\u00e3o de um certo paradigma interpretativo sobre a Am\u00e9rica Latina, cujo principal precursor foi o escritor argentino Domingos Faustino Sarmiento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras chave: Am\u00e9rica do Sul, Literatura, Pintura, S\u00e9culo XIX, Hist\u00f3ria Latino-Americana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Literature, Painting and Eurocentrism In The Work Of Sarmiento And The Painters Raymond Quinsac de Montvoison and Leon Ambroise Gauthier<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abstract:<\/strong> The article relates literature and painting, based on the analysis of the book \u201cFacundo, Civilization and Barbarism\u201d (Facundo, Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie) as well as the analysis of some canvases about South America, produced by European painters Raymond Quinsac de Montvoison and Leon Ambroise Gauthier. The aim is to understand how literature and painting contributed to the construction of some stigmas about Argentina and the culture of the \u00abSouthern Gaucho.\u00bb The article takes Benedict Anderson&#8217;s notion of imagined communities and the work of Edward Said as a reference point and seeks to understand how literature, painting and the writing of history were used to legitimize the construction of certain discourses with a strong Eurocentric connotation. The article addresses the relationships of dialogue and mutual influence between literature and painting, based on the construction of a certain interpretative paradigm about Latin America, whose main precursor was Argentine writer Domingos Faustino Sarmiento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords: South America, Literature, Painting, 19th Century, Latin American History.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" style=\"list-style-type:upper-roman\">\n<li><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>I. <strong>Possiblidades de Abordagens de Temas Latino-Americanos Sob a Perspectiva da Cr\u00edtica ao Orientalismo de Edward Said&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo pretende explorar as possibilidades de abordagem de temas latino-americanos sob a perspectiva da cr\u00edtica ao \u201cOrientalismo. Segundo Edward Said <a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[1]<\/a>, o orientalismo pode ser definido como: 1-Um estilo de dominar a partir de uma distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica entre o Ocidente e Oriente; 2- Uma rela\u00e7\u00e3o de poder e domina\u00e7\u00e3o; 3- Um discurso que se diz \u201cver\u00eddico\u201d sobre o poder da Europa sobre o Oriente:<\/p>\n\n\n\n<p>O orientalismo \u00e9 um estilo de pensamento baseado em uma distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica e epistemol\u00f3gica feita entre \u00abo Oriente\u00bb e (a maior parte do tempo) \u00abo Ocidente\u00bb. Assim, um grande n\u00famero de escritores, entre os quais poetas, romancistas, fil\u00f3sofos, te\u00f3ricos pol\u00edticos, economistas e administradores imperiais, tem aceitado a distin\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entre Leste e Oeste como o ponto de partida para teorias elaboradas, epopeias, romances, descri\u00e7\u00f5es sociais e relatos pol\u00edticos a respeito do Oriente, dos seus povos, costumes, \u00abmentalidade\u00bb, destino e assim por diante. (SAID: 2007, p. 29)<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Said, o Oriente \u00e9 muito mais valioso para o Ocidente como signo de poder europeu-atl\u00e2ntico sobre o Oriente. O discurso orientalista pressup\u00f5e uma consci\u00eancia geopol\u00edtica; est\u00e9tica; econ\u00f4mica; hist\u00f3rica e&nbsp;&nbsp; filol\u00f3gica que separa o mundo em partes diferentes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c\u00c9 antes uma distribui\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia geopol\u00edtica em textos est\u00e9ticos, eruditos, econ\u00f4micos, sociol\u00f3gicos, hist\u00f3ricos e filol\u00f3gicos: \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de uma distin\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica b\u00e1sica (o mundo \u00e9 composto de duas metades, o Ocidente e o Oriente), como tamb\u00e9m de toda uma s\u00e9rie de \u201cinteresses\u00bb que, atrav\u00e9s de meios como a descoberta erudita, a reconstru\u00e7\u00e3o filol\u00f3gica, a an\u00e1lise psicol\u00f3gica e a descri\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica e sociol\u00f3gica, o Orientalismo n\u00e3o apenas cria, mas igualmente mant\u00e9m; <em>\u00e9<\/em>, mais do que expressa, uma certa vontade ou inten\u00e7\u00e3o de entender, e em alguns casos controlar, manipular e at\u00e9 incorporar, o que \u00e9 um mundo&nbsp; manifestamente diferente (ou alternativo e novo).\u201d (SAID: 1990, p. 24)<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Ocidente e Oriente, segundo a perspectiva de Said, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o e poder, ou uma proje\u00e7\u00e3o Ocidental sobre o Oriente, express\u00e3o da vontade de govern\u00e1-lo. Trata-se de um \u201cdiscurso erudito\u201d que se metamorfoseia em <a>\u201cuma <\/a><a href=\"#_msocom_1\">[AS1]<\/a>&nbsp;institui\u00e7\u00e3o imperial\u201d, ou um sistema de pensamento sobre o Oriente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPois, se \u00e9 verdade que historiadores como Michelet, Ranke, Tocqueville e Burckhardt <em>tramam<\/em> suas narrativas \u00abcomo uma hist\u00f3ria de um tipo particular\u00bb, o mesmo vale para os orientalistas que delinearam a hist\u00f3ria, o car\u00e1ter e o destino oriental por centenas de anos. Durante os s\u00e9culos XIX e XX, os orientalistas se tornaram uma grandeza mais s\u00e9ria, porque a essa altura o alcance da geografia imaginativa e real havia encolhido, porque a rela\u00e7\u00e3o oriental-europeia era ent\u00e3o determinada por uma expans\u00e3o europeia incontrol\u00e1vel em busca de mercados, recursos e col\u00f4nias, e, finalmente porque o Orientalismo realizara a sua pr\u00f3pria metamorfose, de um discurso erudito para uma institui\u00e7\u00e3o imperial.\u201d (SAID: 1990, p. 104).<\/p>\n\n\n\n<p>Sarmiento e outros escritores, poetas pintores e intelectuais cuja obra iremos analisar, constru\u00edram um modelo euroc\u00eantrico para pensar a Am\u00e9rica Latina como um signo de poder europeu, um paradigma de intepreta\u00e7\u00e3o semelhante ao discurso orientalista, ou o olhar colonialista europeu sobre o Oriente e sobre a Am\u00e9rica Latina. Trata-se de um \u201cdiscurso ficcional no sentido foucaultiano do termo\u201d, um \u201carquivo do tempo\u201d, uma \u201cpr\u00e1xis cultural e intelectual\u201d (SAID: 1996, p. 139). S\u00e3o textos de especialistas com autoridade de acad\u00eamicos e institui\u00e7\u00f5es que com seu prest\u00edgio n\u00e3o s\u00f3 criam conhecimento, mas tamb\u00e9m criaram a realidade que parecem descrever. Trata-se, para Said (SAID: 1996, p. 144), de uma \u201cproje\u00e7\u00e3o ocidental sobre o Oriente e a vontade de govern\u00e1-lo.\u201d Sob nosso ponto de vista, proje\u00e7\u00f5es semelhantes foram produzidas sobre a Am\u00e9rica Latina, tal como iremos discutir nesse artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o Oriente, diz Said, n\u00e3o \u00e9 uma fantasia. \u00c9 um lugar onde as pessoas vivem e onde as coisas acontecem. Ou seja, nem o Oriente para Said, nem a Am\u00e9rica Latina, sob nosso ponto de vista, s\u00e3o regi\u00f5es paradas no tempo. Pretendemos relacionar essa distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica do orientalismo, que separa rigidamente \u201cOcidente\u201d e \u201cOriente\u201d, com as dicotomias estabelecidas por Sarmiento (1996: p. 118), entre a cidade de Buenos Aires, considerada a cidade \u201cmais poderosa na capacidade de conter elementos de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o europeia\u201d, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cignor\u00e2ncia\u201d e a \u201cpobreza\u201d das prov\u00edncias do interior:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cA ignor\u00e2ncia e a pobreza, que \u00e9 a consequ\u00eancia, est\u00e3o como aves de rapina esperando que as cidades do interior deem o suspiro para devorar sua presa, para transform\u00e1-la em campo, est\u00e2ncia. Buenos Aires pode voltar a ser o que foi, porque a civiliza\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 t\u00e3o forte ali que apesar das brutalidades do governo, h\u00e1 de sustenta-se. (&#8230;) Perguntam-nos agora por que combatemos? Combatemos para trazer as cidades de volta \u00e0 vida pr\u00f3pria.\u201d (SARMIENTO: 1996, p 118)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sarmiento opunha o interior da Argentina com seu \u201cn\u00edvel barbarizador\u201d, fruto do isolamento e da miscigena\u00e7\u00e3o com as popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones, <em>versus<\/em> Buenos Aires, considerado por ele como o <em>l\u00f3cus<\/em> mais forte da civiliza\u00e7\u00e3o europeia na regi\u00e3o do Prata. Tais dicotomias entre a cidade e o campo, a civiliza\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie, na obra de Sarmiento, contribu\u00edram com a constru\u00e7\u00e3o de uma determinada \u201cpr\u00e1xis intelectual\u201d que inspirou a produ\u00e7\u00e3o de imagens e discursos carregados de interpreta\u00e7\u00f5es euroc\u00eantricas e estigmatizantes sobre a forma\u00e7\u00e3o cultural e hist\u00f3rica argentina e latino-americana. Segundo Maria L\u00edgia Prado, Domingos Faustino Sarmiento \u201cconstruiu uma interpreta\u00e7\u00e3o carregada de ideias, imagens e s\u00edmbolos, compartilhados, na mesma \u00e9poca, por contempor\u00e2neos brasileiros, ocupados com id\u00eantica tarefa de compreender o pr\u00f3prio pa\u00eds (&#8230;) animando controv\u00e9rsias e contribuindo para a cristaliza\u00e7\u00e3o de certos estere\u00f3tipos sobre o continente.\u201d (PRADO: 1999, p. 152)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A obra de Sarmiento e as telas a serem discutidas nesse artigo tamb\u00e9m podem ser compreendidas como um \u201carquivo do tempo\u201d, segundo a defini\u00e7\u00e3o de Michel Foucault.<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[2]<\/a> O arquivo \u201c\u00e9 o que define o modo de atualidade do enunciado-coisa; \u00e9 o sistema de seu funcionamento\u201d (FOUCAULT: 2008, p. 147). A no\u00e7\u00e3o foucaultiana de \u201carquivo do tempo\u201d compreende uma infinidade de pr\u00e1ticas que permitem aos discursos subsistirem e se modificarem. O \u201carquivo do tempo\u201d se concretiza em uma \u201cpr\u00e1xis intelectual\u201d que, ainda nos dias de hoje, \u00e9 utilizada para justificar pol\u00edticas repressivas contra ind\u00edgenas, negros, mesti\u00e7os, pobres, entre outros exclu\u00eddos do modelo ideal de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o latino-americana\u201d europeizada.&nbsp; Segundo Foucault,&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c&#8230;o arquivo define um n\u00edvel particular: o de uma pr\u00e1tica que faz surgir uma multiplicidade de enunciados como tantos acontecimentos regulares, como tantas coisas oferecidas ao tratamento e \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem o peso da tradi\u00e7\u00e3o; n\u00e3o constitui a biblioteca sem tempo nem lugar de todas as bibliotecas, mas n\u00e3o \u00e9, tampouco, o esquecimento acolhedor que abre a qualquer palavra nova o campo de exerc\u00edcio de sua liberdade; entre a tradi\u00e7\u00e3o e o esquecimento, ele faz aparecerem as regras de uma pr\u00e1tica que permite aos enunciados subsistirem e, ao mesmo tempo, se modificarem regularmente. \u00c9 o sistema geral da forma\u00e7\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o dos enunciados.\u201d (FOUCAULT: 2008 148).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II. <strong>Trajet\u00f3ria Intelectual e Pol\u00edtica de Domingos Faustino Sarmiento e o Seu Contexto<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" style=\"list-style-type:upper-roman\">\n<li><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Sarmiento nasceu numa aldeia na Prov\u00edncia de San Juan, em 1811. &nbsp;Veio de um lar humilde, foi professor, jornalista e escritor. Lutou contra o tirano Rosas, chegou \u00e0 patente de General e foi presidente da Argentina. Seu principal livro foi \u201cFacundo, Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie\u201d. Trata-se de um texto liter\u00e1rio, uma biografia, escrita contra um inimigo pol\u00edtico de Sarmiento, Facundo Quiroga, que segundo Sarmiento representava a Argentina corro\u00edda pelo colonialismo e barbarizada pelo atraso. \u00c9 uma biografia de um caudilho.<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a trajet\u00f3ria e a obra de Sarmiento \u00e9 preciso recuperar um pouco da hist\u00f3ria do Vice-Reinado do Rio da Prata, ap\u00f3s a Independ\u00eancia que, para Le\u00f3n Pomer, tratava-se de \u201cuma diversidade sem unidade\u201d. N\u00e3o havia, ali, nem v\u00ednculos administrativos, nem la\u00e7os mercantis capazes de unificar regi\u00f5es separadas por enormes dist\u00e2ncias quase desertas. De um lado, havia as pra\u00e7as comerciais como Buenos Aires e Montevid\u00e9u, de outro, as cidades do interior de pequena import\u00e2ncia. Nem todas as regi\u00f5es do Prata estavam aptas para produzir produtos export\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Europa interessava os couros e os gados da Argentina. Do Peru e do Chile interessava a prata. Tratava-se de uma regi\u00e3o como uma enorme heterogeneidade das estruturas produtivas e com estruturas sociais d\u00edspares e singulares de regi\u00e3o para regi\u00e3o. No Noroeste e Centro Oeste do Vice-Reinado da Prata havia uma presen\u00e7a maci\u00e7a de m\u00e3o de obra ind\u00edgena organizada num complexo esquema de divis\u00e3o do trabalho. Com o decl\u00ednio da minera\u00e7\u00e3o no Alto do Peru tais sociedades declinam em sua estrutura produtiva para a agricultura e o artesanato e suas economias retornam, de uma economia monet\u00e1ria, para uma economia natural baseada na troca. A m\u00e3o de obra foi vendida ou alugada para mineiros chilenos e bolivianos.<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Argentina, recostada sobre a Cordilheira dos Andes, se fixou mais solidamente. Nesse pa\u00eds, a popula\u00e7\u00e3o nativa diminuiu rapidamente e a atividade predominante era a cria\u00e7\u00e3o do gado. Nas plan\u00edcies pr\u00f3ximas a Buenos Aires, Santa F\u00e9 e Entre Rios praticou-se a cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado com pouca necessidade de m\u00e3o de obra. O trabalho utilizado era livre e tinha como sal\u00e1rio alimentos, couro, alojamento e \u00e0s vezes dinheiro, afirma Leon Pomer. Essa sociedade rural, baseada na pecu\u00e1ria extensiva, \u00e9 a sociedade desagregada que descreve Sarmiento. Uma sociedade em que predominam os vaqueiros ou ga\u00fachos que desenvolvem habilidades de guerra: o manejo da faca, a cavalgadura e o porte de armas. Os vaqueiros s\u00e3o ao mesmo tempo trabalhadores na lida com o gado e um ex\u00e9rcito a servi\u00e7o dos caudilhos na luta pela Independ\u00eancia da Argentina. Esse universo \u00e9 a \u201cbarb\u00e1rie\u201d para Sarmiento:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cEsta \u00e9 a hist\u00f3ria das cidades argentinas. Todas elas t\u00eam que reivindicar gl\u00f3rias, civiliza\u00e7\u00e3o e notabilidade. Agora o n\u00edvel barbarizador pesa sobre elas. A barb\u00e1rie do interior chegou a penetrar at\u00e9 as ruas de Buenos Aires. De 1810 a 1840 as prov\u00edncias que encerravam em suas cidades tanta civiliza\u00e7\u00e3o foram demasiado b\u00e1rbaras para destruir com seu impulso a obra colossal de revolu\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia. Agora que nada lhes resta do que tinham em homens, luzes e instru\u00e7\u00e3o, o que ser\u00e1 delas? A ignor\u00e2ncia e a pobreza, que \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia, est\u00e3o como as aves de rapina esperando que as cidades do interior d\u00eaem o \u00faltimo suspiro para devorar sua presa, para transform\u00e1-lo em campo, est\u00e2ncia. Buenos Aires pode voltar a ser o que foi, porque a civiliza\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 t\u00e3o forte ali que, apesar das brutalidades do governo, h\u00e1 de sustentar-se. Mas as prov\u00edncias se apoiar\u00e3o em qu\u00ea?\u201d (SARMIENTO: 1996, p. 125).<\/p>\n\n\n\n<p>Sarmiento e os membros da gera\u00e7\u00e3o de 1837 concordavam de forma quase un\u00e2nime com a ideia da inadequa\u00e7\u00e3o dos grupos \u00e9tnicos da Argentina, ou suas \u201cra\u00e7as\u201d, afirma Shumway (2008, p. 189), como eram chamados. Em uma passagem de \u201cO Facundo\u201d Sarmiento afirma:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cAl\u00e9m do mais, da fus\u00e3o destas tr\u00eas fam\u00edlias [espanhola, africana e ind\u00edgena], resultou um todo homog\u00eaneo, que se distingue por seu amor \u00e0 ociosidade e incapacidade industrial, quando a educa\u00e7\u00e3o e as exig\u00eancias de uma posi\u00e7\u00e3o social n\u00e3o lhe d\u00e3o esporadas e o tiram de seu ritmo habitual. Muito deve ter contribu\u00eddo para produzir este resultado infeliz a incorpora\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas feita pela coloniza\u00e7\u00e3o. As ra\u00e7as americanas vivem na ociosidade e se mostram incapazes, mesmo pela coa\u00e7\u00e3o, de se dedicarem a um trabalho duro e cont\u00ednuo. Isto sugeriu a id\u00e9ia de introduzir negros na Am\u00e9rica, que t\u00e3o fatais resultados produziram. Mas n\u00e3o se mostrou melhor dotada de a\u00e7\u00e3o a ra\u00e7a espanhola quando se viu, nos desertos americanos, abandonada a seus pr\u00f3prios instintos.\u201d (SARMIENTO: 1996, p. 73).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie: a constru\u00e7\u00e3o de um paradigma por Sarmiento e \u201cGera\u00e7\u00e3o de 1837\u201d&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como vencer a barb\u00e1rie? Segundo Sarmiento, a educa\u00e7\u00e3o seria o ant\u00eddoto para neutralizar os v\u00edcios do homem rural, al\u00e9m de uma pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o que estimulasse a vinda de uma elite mais culta para a Argentina! Seria preciso, tamb\u00e9m, para vencer a barb\u00e1rie, acabar com o latif\u00fandio. \u201cCivilizar\u201d a Argentina para Sarmiento significava incorporar os usos e costumes norte-americanos e europeus. As cidades eram, para ele, o ref\u00fagio da civiliza\u00e7\u00e3o e o seu centro irradiador: \u201cO homem da cidade veste o traje europeu, vive a vida civilizada tal como conhecemos em toda parte; ali est\u00e3o as leis, as ideias de progresso, os meios de instru\u00e7\u00e3o, alguma organiza\u00e7\u00e3o municipal, o governo regular etc\u201d (SARMIENTO: 1996, p. 75). Buenos Aires seria, para ele, um tent\u00e1culo da Europa no Prata: a melhor de todas as cidades, com homens de fraque, que eram cultos. Buenos Aires, diz Sarmiento, a mais europeizada e adiantada cidade da regi\u00e3o do Prata.<\/p>\n\n\n\n<p>Sarmiento pertenceu \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de intelectuais conhecida como Gera\u00e7\u00e3o de 1837. Dela faziam parte: Juan Batista Alberdi, Juan Maria Gutierrez, Vicente Fidel Lopes, Esteban Echeverria. Inspirados na filosofia iluminista, essa gera\u00e7\u00e3o propunha que, para uma sociedade \u201catrasada\u201d, a solu\u00e7\u00e3o era uma democracia restrita para poucos, ou seja, um governo aristocr\u00e1tico. A Gera\u00e7\u00e3o de 1837 prov\u00e9m de um Sal\u00e3o Liter\u00e1rio organizado em maio de 1837, diz Nicolas Shumway, em uma livraria de Buenos Aires, onde se reuniam para ler, discutir e conversar. Essa associa\u00e7\u00e3o tinha como fonte de inspira\u00e7\u00e3o as jovens sociedades revolucion\u00e1rias que despontavam em toda a Europa e ficou conhecida como La Asociaci\u00f3n de Mayo, como refer\u00eancia ao movimento de Independ\u00eancia de maio de 1810 (SHUMWAY: 2008; 172).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Gera\u00e7\u00e3o de 1837 foi formada por um grupo de jovens entusiastas, quase todos entre vinte e trinta anos, que organizaram uma sociedade liter\u00e1ria e estabeleceram uma atitude cr\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o ao seu pa\u00eds. O grupo, afirma Shumway, produziu algumas \u201cfic\u00e7\u00f5es diretrizes\u201d das mais duradouras na Argentina e assumiu a responsabilidade de duas importantes tarefas: \u201cidentificar, sem idealizar, os problemas enfrentados pela Argentina e criar um programa de a\u00e7\u00e3o que faria dela uma na\u00e7\u00e3o moderna. Ao descrever os problemas nacionais, criou o que se tornou um g\u00eanero pouco feliz da literatura argentina: a explica\u00e7\u00e3o do seu fracasso.\u201d (SHUMWAY: 2008, p. 157). Tal obsess\u00e3o pelo fracasso dava-se em fun\u00e7\u00e3o de que durante os anos de sua forma\u00e7\u00e3o todos os membros desse grupo testemunharam o insucesso das prov\u00edncias em formar a unidade, uma incapacidade dos liberais portenhos em criar uma pol\u00edtica inclusiva, o fracasso das massas em eleger pol\u00edticos respons\u00e1veis, afirmar Shumway.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Maria L\u00edgia Prado (1999), o contexto p\u00f3s-independ\u00eancia foi um momento em que a Argentina estava dividida politicamente entre os que defendiam um governo centralizado, campo de Sarmiento e da Gera\u00e7\u00e3o de 1837, os Unit\u00e1rios, contra os Federalistas, defensores da autonomia radical das prov\u00edncias, campo de Ju\u00e1n Manuel Rosas e outros caudilhos. A hist\u00f3ria da Gera\u00e7\u00e3o de 1837 e a identidade do grupo como um todo est\u00e1 paradoxalmente associada \u00e0 hegemonia de Juan Manoel Rosas, um ditador que dominou a Argentina entre 1829 e 1852. Durante a ditadura de Rosas, os membros da Gera\u00e7\u00e3o de 1837 foram obrigados a refletir sobre os motivos que levaram seu pa\u00eds a instituir uma ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado a import\u00e2ncia da pol\u00eamica, s\u00f3 podemos falar em Estado Nacional organizado na Argentina ap\u00f3s 1862, quando Bartolomeu Mitre assumiu a presid\u00eancia nacional. E segundo Nicolas Shumway, \u201cApesar do s\u00e9culo e meio que nos separa de seus primeiros textos, pode-se dizer que a Gera\u00e7\u00e3o de 1837 continua sendo o grupo intelectual mais reputado do pa\u00eds.\u201d (SHUMWAY: 2008, p. 157). Os escritos dos membros da Gera\u00e7\u00e3o de 1837 uma caracter\u00edstica dos escritores hispano-americanos que se mant\u00e9m at\u00e9 os dias atuais, pois suas obras, afirma Shumway, t\u00eam um acabamento imperfeito, \u201ccomo p\u00e3o retirado do forno na \u00faltima hora\u201d, para usar uma express\u00e3o de A. Reyes. Isso se deve ao fato de que estamos falando da produ\u00e7\u00e3o intelectual de homens de a\u00e7\u00e3o, que vivendo em uma sociedade ca\u00f3tica, seus escritos n\u00e3o s\u00e3o um fim em si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Gera\u00e7\u00e3o de 1837 n\u00e3o pode ser avaliada sem o pano de fundo da ditadura de Rosas. Em Buenos Aires, o estancieiro Juan Manuel Rosas chegou ao governo provincial em 1829 e permaneceu no poder at\u00e9 1842, quando foi derrotado na batalha de Caseros pelos unitaristas. Rosas governou Buenos Aires e toda a Argentina a partir de uma s\u00e9rie de pactos com outros governadores, caudilhos locais e sempre com m\u00e3o de ferro. Conseguiu respaldo popular, atendendo \u00e0s demandas dos setores pecuaristas, pois legalizou a propriedade da terra e disciplinou as for\u00e7as de trabalho, atendendo algumas reivindica\u00e7\u00f5es populares. Foi um per\u00edodo de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de guerras civis intermitentes entre os Federalistas (Rosas e Facundo Quiroga) <em>versus<\/em> os Unitaristas (grupo de Sarmiento).<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o assustar seus inimigos, Rosas preferiu usar seu poder com prud\u00eancia durante o primeiro mandato. Passou a defender a propriedade \u201cliberando\u201d ou desapropriando mais terras ind\u00edgenas e fortificou a defesa contra poss\u00edveis rea\u00e7\u00f5es desses ind\u00edgenas. Conseguiu impor um m\u00ednimo de responsabilidade fiscal para conter a d\u00edvida alta do governo e impressionou at\u00e9 os ingleses com sua gest\u00e3o, diz Shumway. Aprofundou as rela\u00e7\u00f5es com os ingleses, restringiu a liberdade de imprensa, negligenciou a educa\u00e7\u00e3o, apoiou o clero conservador, fortaleceu o ex\u00e9rcito e conteve seus cr\u00edticos, mandando os membros da Gera\u00e7\u00e3o de 1837 e Sarmiento para o ex\u00edlio, principalmente no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 1832, no prazo prescrito, Rosas renunciou ap\u00f3s restituir \u00e0 C\u00e2mara os poderes \u201cextraordin\u00e1rios\u201d que havia recebido. Mas ap\u00f3s o fracasso de duas r\u00e1pidas administra\u00e7\u00f5es, diz Shumway, a c\u00e2mara voltou a nomear Rosas governador que, ap\u00f3s forte press\u00e3o da burguesia latifundi\u00e1ria, sua principal base pol\u00edtica, concordou em aceitar o cargo, desde que lhe fosse outorgada a \u201ctotalidade do poder p\u00fablico\u201d. Segundo Nicolas Shumway, come\u00e7ava assim a ditadura Rosas, uma ditadura que n\u00e3o foi imposta pela for\u00e7a, nem por um golpe militar, mas contou com o consentimento dos legisladores e da sociedade argentina que estavam exauridos pela guerra. (Ver SHUMWAY: 2008, p. 164). Embora fosse oficialmente governador de Buenos Aires, nos dezessete anos seguintes Rosas dominou a pol\u00edtica argentina. Rosas se manteve no poder at\u00e9 1852 sem realizar elei\u00e7\u00f5es, pois para efeito de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, afirma Shumway, realizava elei\u00e7\u00f5es, mas sem candidato opositor. Rosas costumava enviar rotineiramente sua ren\u00fancia ao congresso que ele mesmo havia composto e que por isso rejeitava seu pedido, fazendo com que ele voltasse ao cargo. Tanto que mesmo Sarmiento, que era seu inimigo mais conhecido, chegou a afirmar que \u201cpor respeito \u00e0 verdade hist\u00f3rica [que] nunca houve um governo mais popular, mais desejado ou mais apoiado pela opini\u00e3o p\u00fablica\u201d (SARMIENTO, pag. 30, APUD SHUMWAY, p. 164).<\/p>\n\n\n\n<p>Rosas tamb\u00e9m era apoiado pelos pobres, que foram seduzidos pelo seu carisma paternalista e imperial, que falava e cavalgava como um ga\u00facho, mas ostentava ares de realeza. Rosas n\u00e3o era um intelectual, mas foi influenciado pelo seu primo Tom\u00e1s Manuel Anchorena, um reacion\u00e1rio inspirado no pensamento conservador de Edward Burke e Joeph de Maistre, cr\u00edticos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Embora desfrutasse de grande popularidade, Rosas n\u00e3o era um \u201cverdadeiro populista\u201d, diz Shumway: \u201cRosas assim revelou o outro lado, o lado antipopular, do federalismo argentino: uma no\u00e7\u00e3o aristocr\u00e1tica de autoridade e privil\u00e9gio que podia beneficiar os pobres por apenas um impulso paternalista, mas que nunca considerava os de ber\u00e7o humilde como cidad\u00e3os iguais a todos os outros em um governo pluralista. O que ele fez foi restaurar a sociedade hierarquizada dos monarcas espanh\u00f3is\u201d (SHUMWAY, 2008, p. 166).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos recuperar agora, alguns dados da biografia de Sarmiento. Em 1827, lutou contra os caudilhos Jos\u00e9 F\u00e9lix Ald\u00e3o e Juan Facundo Quiroga, o que fez com que fosse obrigado a emigrar para o Chile, em 1831, com vinte anos de idade. Para escapar da repress\u00e3o, muitos dos advers\u00e1rios de Rosas foram para o ex\u00edlio, no Uruguai ou no Chile, onde se organizavam para lutar contra Rosas. Em 1852, em Montevid\u00e9u, se alistou nas tropas do General Urquiza que derrotou Juan Manuel Rosas. Em 1855, Sarmiento era redator do jornal \u201cEl nacional\u201d, em Buenos Aires, e, em 1857, foi eleito Senador Provincial. Em 1852, foi eleito Governador da Prov\u00edncia de San Juan. Em 1864, embaixador argentino nos EUA. Em 1868, recebeu o t\u00edtulo de doutor honoris causa pela Universidade do Michigan. Nos EUA, foi eleito presidente da Argentina em 1868, onde ficou no poder at\u00e9 1874. Como Presidente, ajudou a combater o Paraguai comandado por Jos\u00e9 Gaspar Rodrigues Francia. Incomodava lhe a reforma agr\u00e1ria e a pol\u00edtica protecionista de Francia. Sarmiento considerava o Paraguai um pa\u00eds guarani e \u201cb\u00e1rbaro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer que apesar do atraso e da crueldade, o governo de Rosas teve a seu favor algumas realiza\u00e7\u00f5es: a economia cresceu de forma significativa e novas terras foram liberadas, indo para as m\u00e3os dos latifundi\u00e1rios. Rosas conseguiu negociar a d\u00edvida argentina com os credores ingleses de forma habilidosa, assegurando-se de que os gastos com a d\u00edvida n\u00e3o prejudicassem o pagamento dos militares e dos funcion\u00e1rios (ver: Shumway, 2008, p. 167). Passamos, agora, para a discuss\u00e3o da obra, \u201cFacundo, Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie\u201d, a partir da an\u00e1lise de Maria L\u00edgia Prado em, \u201cPara ler O Facundo de Sarmiento\u201d. Segundo a autora, o livro de Sarmiento \u00e9 considerado um cl\u00e1ssico do pensamento pol\u00edtico latino-americano. \u201cO Facundo, Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie na Argentina\u201d foi publicado em 1845, mas s\u00f3 foi editado em portugu\u00eas em 1923. Esse atraso deve-se, como afirma Maria L\u00edgia Prado, \u00e0s dif\u00edceis rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Sarmiento, diz a autora, no af\u00e3 de entender a Argentina, construiu uma interpreta\u00e7\u00e3o carregada de ideias, imagens e s\u00edmbolos compartilhados na mesma \u00e9poca por seus contempor\u00e2neos brasileiros, tamb\u00e9m ocupados em compreender o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Maria L\u00edgia Prado, para Sarmiento, na linha da tradi\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica, o homem aparecia como produto do meio. Na primeira parte do livro de Sarmiento elabora uma an\u00e1lise do meio geogr\u00e1fico da Argentina. Para Sarmiento, um grande mal do territ\u00f3rio argentino era a sua vastid\u00e3o e a regi\u00e3o dos pampas despovoada criava o terreno prop\u00edcio para as tend\u00eancias autorit\u00e1rias dominantes (Prado, 1999, p. 162). Dessa paisagem brotava a originalidade e a especificidade de um povo, diz Sarmiento, as quais permitiram o surgimento de tipos: o cantor, o baqueano, o rastreador e o ga\u00facho. Sobre a maneira como o meio forma o homem, Sarmiento afirma em \u201cO Facundo\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cSe das condi\u00e7\u00f5es da vida pastoril, tal como a constitu\u00edram a coloniza\u00e7\u00e3o e a inc\u00faria, nascem graves dificuldades para uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica qualquer e muitas mais para o triunfo da civiliza\u00e7\u00e3o europeia, de suas institui\u00e7\u00f5es, (&#8230;) \u00e9 sobretudo da luta entre civiliza\u00e7\u00e3o europeia e barb\u00e1rie ind\u00edgena, entre a intelig\u00eancia e a mat\u00e9ria; luta imponente na Am\u00e9rica, e que d\u00e1 lugar a cenas t\u00e3o peculiares, t\u00e3o caracter\u00edsticas e t\u00e3o fora do c\u00edrculo&nbsp; de ideias em que foi educado o esp\u00edrito europeu\u201d (SARMIENTO: 1996, p. 85).<\/p>\n\n\n\n<p>O meio geogr\u00e1fico, na perspectiva de Sarmiento, foi respons\u00e1vel pelo surgimento de outro tipo na Argentina, <em>o ga\u00facho mau<\/em>:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c(&#8230;.) Chamam-no Ga\u00facho Mau sem que esse ep\u00edteto lhe seja totalmente desfavor\u00e1vel. A justi\u00e7a o persegue h\u00e1 muitos anos; seu nome \u00e9 temido, pronunciado em voz baixa, mas sem \u00f3dio e quase com respeito. \u00c9 um personagem misterioso; mora na pampa, seu albergue s\u00e3o as moitas de cardos, vive de perdizes e mulitas, quando quer se regalar com uma l\u00edngua, la\u00e7a uma vaca, derruba-a sozinho, mata-a tira seu bocado predileto e abandona o resto \u00e0s aves silvestres.\u201d (SARMIENTO, 1996: p. 95).<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda parte do livro, depois de discutir o meio natural e os tipos que surgem nesse meio, Sarmiento dedica-se \u00e0 biografia propriamente dita de Facundo, para mostrar que ele era um produto natural da sociedade argentina em um determinado ponto de sua evolu\u00e7\u00e3o. Facundo seria um tipo de primitivo barbarismo, com seu instintivo \u00f3dio \u00e0s leis e sua vida de perigos e ferocidade, os quais o aproximavam de um animal selvagem (Prado, 1999, p. 162). Maria L\u00edgia Prado levanta a seguinte quest\u00e3o sobre o livro de Sarmiento: como Facundo serviu como arma ideol\u00f3gica para dois campos pol\u00edticos em disputa? Considerado um dos fundadores do Estado Nacional argentino, Sarmiento recebeu aplausos daqueles que apoiavam o regime pol\u00edtico idealizado pelos liberais depois da queda de Rosas. At\u00e9 mesmo os socialistas, como o fundador do partido, Juan B. Justo, colocava Sarmiento na galeria dos grandes homens argentinos, da qual Rosas n\u00e3o fazia parte. Mas quando, nos anos 30 do s\u00e9culo XX, ganhou for\u00e7a a corrente que fazia a cr\u00edtica do Estado Liberal, a partir de uma \u00f3tica nacionalista, Rosas assumiu o papel de \u201cverdadeiro\u201d representante da argentinidade e o ga\u00facho tornou-se express\u00e3o do ser nacional, diz Prado (PRADO: 1999, p. 166).<\/p>\n\n\n\n<p>Sarmiento e a gera\u00e7\u00e3o de 1837 passaram a ser considerados os ide\u00f3logos da imposi\u00e7\u00e3o de ideias estranhas e importadas, que pretendiam desnaturalizar a Argentina. Vale considerar, ainda, a partir do texto de L\u00edgia Prado que, tanto Sarmiento, como os membros da gera\u00e7\u00e3o de 1837, tinham clareza da import\u00e2ncia da escrita da hist\u00f3ria para a constru\u00e7\u00e3o da nacionalidade. A tarefa de construir a na\u00e7\u00e3o se associava \u00e0 tarefa de escrever a hist\u00f3ria. Com tais objetivos, Sarmiento escreveu o \u201cFacundo\u201d. Em sua \u00faltima obra importante, \u201cConflictos Y Armon\u00edas de las Razas em Am\u00e9rica\u201d, Sarmiento retornou \u00e0s explica\u00e7\u00f5es raciais para o fracasso da Argentina diz Shumway (SHUMWAY: 2008, p. 190). O livro foi escrito em 1883, quando Sarmiento tinha 75 anos e ele o considerava um \u201cFacundo envelhecido\u201d.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse livro, diz Shumway (SHUMWAY: 2008, p. 190), Sarmiento argumenta que apesar da Constitui\u00e7\u00e3o ilustrada, de uma aparente democracia, da prosperidade, do transporte modernizado, das escolas, das academias e das universidades, e de todos os recursos do progresso, \u201ca sociedade argentina de 1883, ainda melhor vestida e mais educada que no tempo de Rosas, continua prejudicada pela corrup\u00e7\u00e3o, o personalismo e um desprezo generalizado pelas institui\u00e7\u00f5es. (&#8230;) Sugere que o fracasso da democracia na Am\u00e9rica espanhola pode ser explicado simplesmente levando-se em conta a inadequa\u00e7\u00e3o dos povos latinos para se governarem, especialmente quando combinados com \u2018ind\u00edgenas b\u00e1rbaros\u2019. ( SHUMWAY: 2008, p. 190).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Sarmiento, todos os l\u00edderes latino-americanos eram considerados b\u00e1rbaros: Rosas, Francia, no Paraguai, e Artigas proviriam de uma \u201cmistura infeliz\u201d de sangue latino e ind\u00edgena. No ensaio \u201cEl Constitucionalismo em la Am\u00e9rica del Sur\u201d, um de seus \u00faltimos textos, Sarmiento voltou ao tema da incapacidade pol\u00edtica da ra\u00e7a ao afirmar que \u201cde todos os povos crist\u00e3os, s\u00f3 as ra\u00e7as latinas da Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o foram capazes, por mais de setenta anos, de organizar um governo efetivo e duradouro\u201d (SARMIENTO, pag. 273, APUD SHUMWAY: 2008, p. 191). Para Sarmiento, a Argentina s\u00f3 estaria em melhor situa\u00e7\u00e3o porque, diferente dos outros pa\u00edses hispano-americanos, tinha uma popula\u00e7\u00e3o branca mais numerosa. Todos os escritores do grupo de 1837, de um modo geral, concordavam com esses argumentos de Sarmiento.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IV A Pintura Orientalista e a Iconografia do Gaucho&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Roberto Amigo (2007) no artigo intitulado \u201cApuntes sobre la imagen del gaucho y el orientalismo de los pintores franceses\u201d, afirma que durante o s\u00e9culo XIX alguns pintores franceses, ao passarem uma estadia na regi\u00e3o do Rio da Prata, contribu\u00edram com a implanta\u00e7\u00e3o de um \u201cmodo de representa\u00e7\u00e3o dos tipos rurais sob a perspectiva do discurso orientalista.\u201d A \u201cmirada orientalista\u201d foi determinante na constru\u00e7\u00e3o de toda uma iconografia do \u201cga\u00facho\u201d, ao relacionar esse personagem com os \u201cbedu\u00ednos\u201d, povos n\u00f4mades que viviam no norte da \u00c1frica (conhecidos tamb\u00e9m como \u201cpovos da tenda\u201d, habitantes de terras abertas). Segundo R. Amigo, a pintura de Raymond Quinsac de Montvoison, Le\u00f3n Ambroise Gauthier, Le\u00f3n Palli\u00e8re y Marie-Gabriel Biessy, est\u00e1 intimamente relacionada com a obra liter\u00e1ria de Domingo F. Sarmiento, \u201ca la vez que se indican las variaciones de la pintura costumbrista desde la literatura gauchesca hasta el impacto de la literatura de follet\u00edn.\u201d (AMIGO, 2007, p. 25)<\/p>\n\n\n\n<p>O pintor August Raimond Quinsac Montvoison nasceu em Bord\u00e9us em 1790 e foi disc\u00edpulo de Delacroix. Montvoison exp\u00f4s sua obra em Paris e entre os anos de 1827 e 1842, empreendeu uma viagem \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, convidado pelo governo do Chile para fundar uma academia de arte em Santiago. Montvoison permaneceu apenas tr\u00eas meses em Buenos Aires e tomou contato com a obra de Sarmiento. Apesar do pouco tempo que permaneceu na Argentina, ele produziu v\u00e1rias telas sobre o pa\u00eds, passando depois pelo Peru e Brasil. Entre 1848 e 1857, Montvoison se instalou no Chile uma segunda vez e pintou uma tela Intitulada \u201cAli Pasha com sua Esposa Favorita, Kira Vassilki\u201d (1846). A tela \u00e9 uma imagem de Mehemer Ali, um sult\u00e3o do Egito (1740-1822) com sua \u201cesposa favorita\u201d, que era grega:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"826\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-826x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7645\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-826x1024.jpg 826w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-242x300.jpg 242w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-768x952.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1240x1536.jpg 1240w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki-1568x1943.jpg 1568w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ali-Pasha-con-favorita-Kira-Vassilki.jpg 1614w\" sizes=\"auto, (max-width: 826px) 100vw, 826px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Imagem 1: Ali Pasha (1740 &#8211; 1822) with his favourite mistress Kira Vassilki. Tela de Raymond Auguste Quinsac Monvoisin.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sarmiento em \u201cO Facundo\u201d, cita a tela sobre \u201cAli Pasha&#8230;\u201d de Montvoison e tra\u00e7a algumas semelhan\u00e7as entre a express\u00e3o do sult\u00e3o do Egito e a de Facundo, \u201c&#8230;porque Facundo nunca olhava de frente e por h\u00e1bito, por arte, por desejo de se fazer sempre tem\u00edvel, tinha sempre a cabe\u00e7a inclinada e olhava por entre as sombrancelhas como o Ali-pach\u00e1 de Montvoisin\u201d (SARMIENTO: 1996, p. 131). Uma nota de Sarmiento faz uma compara\u00e7\u00e3o entre o \u00e1rabe e um tipo contru\u00eddo por ele, o ga\u00facho cantor, express\u00e3o da luta entre a barb\u00e1rie, o \u201cfeudalismo\u201d do campo contra o brilho \u201ccivilizado\u201d das cidades: \u201cO ga\u00facho cantor \u00e9 o pr\u00f3prio bardo, o vate, o trovador da Idade m\u00e9dia, que se move na mesma cena, entre as lutas da cidade e do feudalismo dos campos, (&#8230;) O cantor anda de pago em pago,\u2019da tapera ao galp\u00e3o\u2019 cantando seus her\u00f3is do pampa perseguidos pela justi\u00e7a\u201d (SARMIENTO: &nbsp;1996, p.96). Em uma nota de rodap\u00e9, na edi\u00e7\u00e3o do \u201cFacundo\u201d de 1851 (na p\u00e1gina seguinte ao framento citado acima), Sarmiento tra\u00e7a algumas semlhan\u00e7as entre o \u00e1rabe ao <em>gaucho cantor<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cN\u00e3o \u00e9 fora de prop\u00f3sito lembrar aqui as semelhan\u00e7as not\u00e1veis entre os argentinos e os \u00e1rabes. Em Argel, em Or\u00e1n, em Mascara e nos aduares do deserto vi sempre \u00e1rabes reunidos em caf\u00e9s, por lhes ser completamente proibido o uso dos licores, apinhados em redor do cantor, geralemente dois, que s\u00e3o acompanhados pela viola a dois, recitando can\u00e7\u00f5es nacionais, chorosas como nossos tristes. A tenda dos \u00e1rabes \u00e9 tecida de couro e com a\u00e7oiteira, como as nossas; o freio que usamos \u00e9 o freio \u00e1rabe, e muitos costumes nossos revelam o contato de nossos pais com os mouros de Andaluzia. Das fisionomias, nem se fale: conheci alguns \u00e1rabes que jurara t\u00ea-los visto em meu pa\u00eds.\u201d (SARMIENTO: 1996, Nota do autor, p.97)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra tela de Montvoison, de 1842, intitulada \u201cSoldado de Rosas\u201d, pode ter inspirado a representa\u00e7\u00e3o que Montvoison faz do sult\u00e3o do Egito \u201cAli-pacha\u201d. A caracteriza\u00e7\u00e3o que Sarmiento faz dos tra\u00e7os f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos do gaucho e em especial de Facundo Quiroga, \u00e9 bem semelhante com a representa\u00e7\u00e3o de Montovoison sobre os \u00e1rabes e sobre o \u201cSoldado de Rosas\u201d:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"837\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-837x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7647\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-837x1024.jpg 837w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-245x300.jpg 245w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-768x939.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-1256x1536.jpg 1256w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-1675x2048.jpg 1675w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MonvoisinRay.-Gauchofederal-BuenosAires1842-02-1568x1917.jpg 1568w\" sizes=\"auto, (max-width: 837px) 100vw, 837px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Imagem 2: (TELA: <em>Soldado de Rosas. <\/em>Auguste Raymond Quinsac de Monvoisin, 842)<\/p>\n\n\n\n<p>Basta lermos o fragmento e compararmos com a tela acima, para notarmos a semelhan\u00e7a. Provavelmente Montvoison se inspirou na obra de Sarmiento para produzir as duas telas que citamos. Sarmiento caracteriza da seguinte e maneira os tra\u00e7os f\u00edsicos, expressivos e psicol\u00f3gicos de Facundo Quiroga:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cFacundo era de estatura baixa e robusto; suas costas largas sustinham sobre um pesco\u00e7o curto uma cabe\u00e7a bem formada, coberta de cabelo muito espesso, negro e crespo. Seu rosto, um pouco ovalado, estava afundado no meio de um bosque de pelo, uma barba igualmente espessa, igualmente crespa e negra, que subia at\u00e9 os p\u00f4mulos, bastante pronunciados, para descobrir uma vontade firme e tenaz.\u201d (SARMIENTO, 1996: p. 131)<\/p>\n\n\n\n<p>Montvoison tamb\u00e9m representa o soldado de Rosas de forma \u201cmelanc\u00f3lica\u201d, associando-o com a indol\u00eancia, a ociosidade e a \u201cpregui\u00e7a\u201d, tra\u00e7os associados aos preconceitos comuns com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no s\u00e9culo XIX:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c&#8230;la cabeza ennegrecida apoyada sobre el pu\u00f1o, las piernas cruzadas, el aislamiento de la figura. Este temperamento estaba asociado tradicionalmente a lo femenino, aunque en el siglo XIX tales bagajes simb\u00f3licos se utilizaban con discreta libertad, sumado a que la melancol\u00eda era asociada con la desidia, es decir, con el pecado cat\u00f3lico de la pereza.\u201d (AMIGO: 2007, p. 4)<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo R. Amigo, a liga\u00e7\u00e3o entre o relato liter\u00e1rio de Sarmiento e a tela converteu esse personagem em um \u201ctipo ideal\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cRecostado su cuerpo con indolencia, el soldado federal inclina su cabeza y nos mira entre la espesura de sus cejas renegridas al igual que el Facundo de Sarmiento. No sorprende la similitud descriptiva entre <em>Soldado de Rosas<\/em> y el pasaje citado al inicio \u2013posterior tres a\u00f1os a esta obra de Monvoisin\u2013; comparten, adem\u00e1s, la operaci\u00f3n de convertir la figura en un tipo conceptual.\u201d (AMIGO: 2007, p. 20)<\/p>\n\n\n\n<p>Montvoison representa ainda o ga\u00facho com uma imagem sensual, \u201cen el sentido de la sexualidad b\u00e1rbara e irracionalidad atribuida por los europeos a los hombres \u00e1rabes\u201d. (AMIGO: 2007, p. 6) A tela \u201cSoldado de rosas\u201d se inspirou no \u201cFacundo\u201d de Sarmiento, associando a figura do ga\u00facho \u00e0 indol\u00eancia e \u00e0 pregui\u00e7a. Uma outra tela que tamb\u00e9m caracteriza de forma semelhante o ga\u00facho dos pampas argentinos \u00e9 a tela \u201cLe gaucho cantor, barde de la r\u00e9publique argentine\u201d<em> de <\/em>Le\u00f3n Ambroise Gauthier:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"568\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/El-gaucho-cantor-1856.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7643\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/El-gaucho-cantor-1856.jpg 1000w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/El-gaucho-cantor-1856-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/El-gaucho-cantor-1856-768x436.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Imagem 3: (Gauthier. Le gaucho cantor, 1856; \u00f3leo sobre tela, 83 x 120 cm. Colecci\u00f3n privada)<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma tela que tem a Cordilheira dos Andes ao fundo, enquanto um ga\u00facho toca um instrumento de cordas montado em seu cavalo, sendo ouvido por um grupo de mulheres, idosos e crian\u00e7as, que est\u00e3o deitados em almofadas dispostas numa cobertura de um rancho. As telas de Gauthier reproduzem, de certa maneira, os estigmas orientalistas sobre as mulheres, sempre representadas de forma passiva, sensual e \u201cindolentes\u201d, diz R. Amigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Roberto Amigo, a tela \u00e9 complexa e inclui inclusive pequenos epis\u00f3dios pitorescos, tais como um menino brincando com um cachorro, uma mulher negra apoiada em um jarro de \u00e1gua e um casal conversando ao fundo. Temos, ainda, as figuras dos ga\u00fachos que s\u00e3o centrais na pintura. Trata-se de uma obra de grande envergadura, \u201c&#8230;.de mayor tama\u00f1o y mayor complejidad que las realizadas por su compa\u00f1ero de estudios Le\u00f3n Palli\u00e8re, aunque posiblemente realizada con el mismo m\u00e9todo: la uni\u00f3n compositiva de diversos apuntes y est\u00fadios tomados a lo largo del viaje.\u201d (AMIGO: 2007, p. 9) Ao que tudo indica, Gauthier foi leitor do \u201cFacundo\u201d de Sarmiento, pois utiliza os mesmos termos do escritor, tais como \u201cga\u00facho cantor\u201d e \u201cga\u00facho mau.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de hist\u00f3ria mundial, afirma Benedict Anderson, as burguesias foram as primeiras classes a consumar solidariedades numa base essencialmente \u201cimaginada\u201d, ou na\u00e7\u00f5es como comunidades imaginadas e que operam sempre pela exclus\u00e3o do outro. Na Am\u00e9rica Latina, no contexto ap\u00f3s as independ\u00eancias dos pa\u00edses da regi\u00e3o no s\u00e9culo XIX, diz Anderson, \u201cbrotaram estas realidades imaginadas: Estados na\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es republicanas, cidadania universal, soberania popular, bandeiras e s\u00edmbolos nacionais\u201d (ANDERSON: 1989, p. 92), sob as quais se criaram modelos, conceitos e projetos de forma\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais latino-americanos. Em nome desses conceitos, guerras foram justificadas, massacres e execu\u00e7\u00f5es foram e continuam sendo justificados em nome do \u201cprogresso\u201d e da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento das na\u00e7\u00f5es latino-americanas, pensadas \u201ccomunidades imaginadas\u201d, exigiu por parte dos grupos dominantes a elimina\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias formas de express\u00e3o da \u201cbarb\u00e1rie\u201d narrada por Sarmiento. Tais como a repress\u00e3o de movimentos ind\u00edgenas, movimentos sociais como o de Canudos no Brasil e o movimento de Tom\u00f3chic no M\u00e9xico no final do s\u00e9culo XIX. O paradigma inventado por Sarmiento, principal precursor da reflex\u00e3o sobre a \u201cbarb\u00e1rie-latino-americana\u201d e o imagin\u00e1rio constru\u00eddo pelas classes dominantes sobre a barb\u00e1rie latino-americana, continua a legitimar discursos e representa\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas em defesa da elimina\u00e7\u00e3o dos diferentes, dos \u201coutros\u201d considerados \u201cinimigos\u201d de um determinado projeto hegem\u00f4nico e excludente de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o.\u201d&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cr\u00e9dito das Imagens:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Imagem 2: (TELA: <em>Soldado de Rosas. <\/em>Auguste Raymond Quinsac de Monvoisin, 1842) IN: <a href=\"https:\/\/www.latitud-argentina.com\/blog\/peintres-francais-argentine-xixeme-siecle\/\">Les peintres fran\u00e7ais en Argentine au XIX\u00e8me si\u00e8cle (latitud-argentina.com)<\/a>. Acesso: 10\/04\/3024, 15:40.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagem 3: (Gauthier. Le gaucho cantor, 1856; \u00f3leo sobre tela, 83 x 120 cm. Colecci\u00f3n privada)<\/p>\n\n\n\n<p>In: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Le_gaucho_cantor,_1856;_Le%C3%B3n_Ambroise_Gauthier,_%C3%B3leo_sobre_tela,_83_x_120_cm.jpg\">Arquivo:O cantor ga\u00facho, 1856; Le\u00f3n Ambroise Gauthier, \u00f3leo sobre tela, 83 x 120 cm.jpg &#8211; Wikimedia Commons<\/a>. Acesso: 10\/04\/3024, 15:45.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ANDERSON, Benedict. <em>Na\u00e7\u00e3o e Consci\u00eancia Nacional.<\/em> S\u00e3o Paulo, \u00c1tica, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>AMIGO, Roberto. <em>Beduinos en la Pampa Apuntes sobre la imagen del Ga\u00facho y el orientalismo de los pintores franceses. HISTORIA Y SOCIEDAD<\/em> NO. 13, MEDELL\u00cdN, COLOMBIA, NOVIEMBRE, PP. 25\u20134. 3<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel, (2008).<em>A arqueologia do saber.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Felipe Baeta Neves, Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 7ed., 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>POMER, Leon. (org). <em>Sarmiento: Pol\u00edtica.<\/em> (1983) S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, (cole\u00e7\u00e3o Grandes cientistas sociais).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PRADO, Maria L\u00edgia Coelho. <em>A Am\u00e9rica Latina do S\u00e9culo XIX. Tramas, Telas e Textos.<\/em> S\u00e3o Paulo: ESUSC\\EDUSP, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>SARMIENTO, Domingos Faustino.&nbsp; <em>Facundo: Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie. <\/em>Petr\u00f3polis: Vozes, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>SAID, Edward. <em>Orientalismo, O Oriente como Inven\u00e7\u00e3o do Ocidente.<\/em> S\u00e3o Paulo, CIA Das Letras, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>SHUMWAY, Nicolas. <em>A Inven\u00e7\u00e3o da Argentina, Hist\u00f3ria de Uma Ideia.<\/em>S\u00e3o Paulo, EDUSP, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>* Ival de Assis Cripa es Doutor em Teoria e Hist\u00f3ria Liter\u00e1ria pela UNICAMP. Mestre em Hist\u00f3ria Social pela USP. Professor da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Centro Universit\u00e1rio UNIFIEO\/BRASIL\/S\u00e3o Paulo. Pos-doutorado em andamento sob a supervis\u00e3o da professora Dra Vera Lucia Vieira, no Centro de Estudos sobre a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEHAL) na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[1]<\/a> Edward W. Said nasceu em Jerusal\u00e9m em 1935. Era de fam\u00edlia de \u00e1rabes-crist\u00e3o, foi educado no Cairo e depois em Nova York, onde foi professor de Literatura na Universidade de Columbia. Tornou-se um dos mais importantes cr\u00edticos liter\u00e1rios dos EUA publicou dezenas de artigos sobre a quest\u00e3o palestina. Morreu em 2003. IN: SAID, Edwar W. Orientalismo&gt; o Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente, S\u00e3o Paulo, CIA Das Letras, 2007, p. 523.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[2]<\/a> Sobre o uso da no\u00e7\u00e3o de \u201carquivo do tempo\u201d de Foucault sobre o orientalismo, ver Edward Said, \u201cOrientalismo, O Oriente como Inven\u00e7\u00e3o do Ocidente.\u201d S\u00e3o Paulo, CIA Das Letras, 2007, p. 187.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\">[3]<\/a> Parte dos dados sobre a biografia de Sarmiento e sobre o contexto argentino foi extra\u00edda do ensaio de autoria de Le\u00f3n Pomer sobre Sarmiento IN<a>: POMER, Leon. (org). <em>Sarmiento: Pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, (cole\u00e7\u00e3o Grandes cientistas sociais), 1983.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[4]<\/a> Ver: Apresenta\u00e7\u00e3o da obra e da biografia de Sarmiento em: POMER, Leon. (org). <strong>Sarmiento: Pol\u00edtica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, (cole\u00e7\u00e3o Grandes cientistas sociais), 1983.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a href=\"#_msoanchor_1\">[AS1]<\/a>Repete a palavra uma<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"796\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7543\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-768x597.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1.jpg 1325w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><\/tr><tr><td>ATRLA N\u00ba 15\/16 &#8211; Enero 2023 &#8211; Marzo 2025<\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><strong><em>N\u00fameros anteriores <\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=7505&amp;action=edit\">ATRLA N\u00ba 13\/14 Marzo 2019 &#8211; Diciembre 2022<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6275\">ATRLA N\u00ba 11\/12 Marzo 2016 &#8211; Febrero 2019<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6270\">ATRLA N\u00ba 10 Marzo 2015 &#8211; Febrero 2016<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6200\">ATRLA N\u00ba 9 Marzo 2014 &#8211; Febrero 2015<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6186\">ATRLA N\u00ba 8 Marzo 2013 &#8211; Febrero 2014<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6177\">ATRLA N\u00ba 7 Marzo 2012 &#8211; Febrero 2013<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6159\">ATRLA N\u00ba 6 Marzo 2011 &#8211; Febrero 2012<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6138\">ATRLA N\u00ba 5 Marzo 2010 &#8211; Febrero 2011<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=5921\">ATRLA N\u00ba 1 a 4 2006 &#8211; 2009<\/a><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6661\">Qui\u00e9nes somos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=809\">Normas de publicaci\u00f3n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: O artigo relaciona literatura e pintura, a partir da an\u00e1lise do livro \u201cFacundo, Civiliza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie\u201d e da an\u00e1lise de algumas telas sobre a Am\u00e9rica do Sul, produzidas pelos pintores europeus Raymond Quinsac de Montvoison e Leon Ambroise Gauthier. Objetiva-se compreender como a literatura e a pintura contribu\u00edram com a constru\u00e7\u00e3o de alguns estigmas &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7642\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abLiteratura, pintura e eurocentrismo na obra de Sarmiento e dos pintores Raymond Quinsac de Montvoison e Leon Ambroise Gauthier\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[560],"tags":[668,671,255,669,670],"class_list":["post-7642","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-letras-literatura","tag-america-do-sul","tag-historia-latino-americana","tag-literatura","tag-pintura","tag-seculo-xix","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7642"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7642\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7726,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7642\/revisions\/7726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}