{"id":7591,"date":"2025-05-30T20:30:11","date_gmt":"2025-05-30T23:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7591"},"modified":"2025-05-30T20:30:11","modified_gmt":"2025-05-30T23:30:11","slug":"a-literatura-como-documento-historiografico-cem-anos-de-solidao-uma-representacao-da-america-latina-e-ferramenta-para-construcao-do-pensamento-decolonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7591","title":{"rendered":"A literatura como documento historiogr\u00e1fico: Cem anos de solid\u00e3o uma representa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e ferramenta para constru\u00e7\u00e3o do pensamento decolonial"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover alignfull has-custom-content-position is-position-bottom-right\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"763\" height=\"425\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-7640\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Literatura-GGM-002.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Literatura-GGM-002.jpg 763w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Literatura-GGM-002-300x167.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-right has-large-font-size\"><strong>Marcia Alves Dos Santos Cavalcante*<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Fuente de la imagen: El sol de Morelia. (Foto: Cortes\u00eda |&nbsp;Fonoteca Nacional<\/em>) (06\/03\/2023)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo deste artigo \u00e9 demonstrar como a obra liter\u00e1ria <em>Cem anos de solid\u00e3o, <\/em>de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, publicada em 1967, pela editora Sudamericana, em Buenos Aires, pode ser um objeto de an\u00e1lise historiogr\u00e1fica. Ao tratar de Garc\u00eda M\u00e1rquez, buscaremos tamb\u00e9m apontar a import\u00e2ncia do movimento liter\u00e1rio denominado Realismo M\u00e1gico, tido como a escola liter\u00e1ria que melhor representa a literatura latino-americana e cujo representante \u00e9 o pr\u00f3prio M\u00e1rquez. Nesta breve an\u00e1lise, apontamos que este movimento liter\u00e1rio pode ser considerado uma ferramenta de resist\u00eancia contra o pensamento euroc\u00eantrico vigente, fruto do processo colonizat\u00f3rio, e que pode ser caminho \u00e0 um entendimento do pensamento decolonial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, ser\u00e3o demonstrados argumentos te\u00f3ricos que respaldem a an\u00e1lise at\u00e9 aqui desenvolvida, a partir de levantamentos sobre fatos hist\u00f3ricos, por meio da leitura da obra de Garc\u00eda M\u00e1rquez, respaldado pela hist\u00f3ria cultural, pela qual abre-se a possibilidade para um di\u00e1logo entre a arte e a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo da obra considerada a que melhor representa a Am\u00e9rica Latina, que emerge o percurso da hist\u00f3ria t\u00e3o bem descrita por Gabo, o texto abre caminhos para se compreender ainda melhor os fatos hist\u00f3ricos e a um autorreconhecimento do ser latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-Chave: <\/strong>literatura; Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez; Cem anos de solid\u00e3o; Hist\u00f3ria cultural; Am\u00e9rica Latina<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>The objective of this article is to demonstrate how Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez&#8217;s literary work <em>One Hundred Years of Solitude<\/em>, published in 1967 by Sudamericana Publishing House in Buenos Aires, can be the subject of historiographical analysis. In discussing Garc\u00eda M\u00e1rquez, we will also seek to highlight the importance of the literary movement known as Magical Realism, considered the literary school that best represents Latin American literature and whose representative is M\u00e1rquez himself. In this brief analysis, we point out that this literary movement can be considered a tool of resistance to the prevailing Eurocentric thought, a fruit of the colonization process, and that it can be a path to understanding decolonial thought.<\/p>\n\n\n\n<p>To this end, we will present theoretical arguments that support the analysis developed thus far, based on surveys of historical facts, through a reading of Garc\u00eda M\u00e1rquez&#8217;s work, supported by cultural history, which opens the possibility of a dialogue between art and history. As an example of the work considered the most representative of Latin America, which reveals the course of history so well described by Gabo, the text opens paths to an even deeper understanding of historical events and self-recognition of the Latin American being.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords<\/strong>: Literature; Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez; <em>One Hundred Years of Solitude<\/em>; Cultural History; Latin America<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Cem anos de solid\u00e3o: representa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Que os textos liter\u00e1rios e hist\u00f3ricos t\u00eam em comum o uso da palavra como principal ferramenta de linguagem e registro, isso \u00e9 conhecido. No entanto, o uso documental dos textos ficcionais como fonte para os estudos historiogr\u00e1ficos \u00e9 relativamente novo e desafiador. Por essa raz\u00e3o, propomos uma reflex\u00e3o breve sobre o uso da literatura como ferramenta historiogr\u00e1fica no tema de pesquisa em desenvolvimento proposto: <em>Cem anos de solid\u00e3o: Macondo, a cidade fant\u00e1stica como representa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e ferramenta para constru\u00e7\u00e3o do pensamento decolonial<\/em>, afim de contribuir para os estudos historiogr\u00e1ficos da Am\u00e9rica Latina. Neste estudo utilize-se a literatura como objeto de an\u00e1lise para o levantamento de fatos hist\u00f3ricos ocorridos na Col\u00f4mbia contempor\u00e2nea a Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez e \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria objeto desta an\u00e1lise, sendo assim a literatura um registro do real e instrumento de apreens\u00e3o hist\u00f3rico como met\u00e1fora epistemol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo a literatura uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, e a arte resultado representa\u00e7\u00e3o dos valores e costumes de uma cultura, cabe ao historiador captar do narrador a experi\u00eancia dos fatos vividos (BENJAMIN, 1985) e com esta narrativa captar a realidade por meio de sua produ\u00e7\u00e3o para interpretar os textos. J\u00e1 o m\u00e9todo \u00e9 o de fazer uma fus\u00e3o entre o texto e o contexto, ou seja, usar a linguagem para interpretar contextos, como representa\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia hist\u00f3rica, na tentativa de se perceber como se apresentou uma dada realidade (AVELINO, 2012, in: LACAPRA, 1991).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O autor e sua obra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, nasceu em Aracataca, na Col\u00f4mbia, em 06 de mar\u00e7o de 1927, e faleceu em 17 de abril de 2014, na Cidade do M\u00e9xico. Gabo, como \u00e9 conhecido em sua terra natal, foi um jornalista, escritor, editor e ativista colombiano. Sua obra mais conhecida e comentada, dentre os mais de 30 t\u00edtulos publicados pelo autor, \u00e9 <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>, publicada em 1967, pela editora Sudamericana, em Buenos Aires, Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro conta a hist\u00f3ria de um povoado fict\u00edcio chamado Macondo, que \u00e9 de repente assolado pela peste da ins\u00f4nia. Enquanto as pessoas buscam pela cura, os sintomas pioram, o que faz com que elas passem a sofrer tamb\u00e9m de \u201cuma amn\u00e9sia coletiva\u201d, chegando ao ponto de n\u00e3o se lembrarem sequer de seus nomes, dos nomes dos objetos a sua volta, e de sua pr\u00f3pria identidade. No final a cura \u00e9 trazida por um s\u00e1bio, chamado Mequ\u00edades.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se pode apontar no decorrer da leitura da obra \u00e9 que Garc\u00eda M\u00e1rquez mescla elementos ficcionais com fatos hist\u00f3ricos vividos por toda a latino-am\u00e9rica, por meio da constru\u00e7\u00e3o de suas alegorias. O que faz desta narrativa um objeto de estudo atual, como instrumento que pode levar o historiador a adentrar um mundo transcendente e ao mesmo tempo, refletir sobre os fatos ocorridos no processo de coloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, <em>Cem anos de solid\u00e3o <\/em>\u00e9 considerada uma obra prima. A mesma rendeu ao autor reconhecimento internacional, como um embaixador da voz latino-americana para o mundo. Garc\u00eda M\u00e1rquez recebeu muitos pr\u00eamios, dentre eles o Pr\u00eamio Nobel de Literatura, em 1982. E a obra em quest\u00e3o \u00e9 a segunda obra mais importante de literatura hisp\u00e2nica, estando a sua frente apenas <em>Dom Quixote de la Mancha<\/em>, de Miguel de Cervantes. A obra de Garc\u00eda M\u00e1rquez simboliza o movimento liter\u00e1rio latino-americano conhecido como Realismo M\u00e1gico, que, segundo Alejo Carpentier, trata-se de um patrim\u00f4nio da Am\u00e9rica inteira (CARPENTIER, 2009, p.10).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Realismo M\u00e1gico: ferramenta de den\u00fancia contra o eurocentrismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Realismo M\u00e1gico surge em um momento de diferentes crises de questionamento a uma l\u00f3gica que teve in\u00edcio no processo de coloniza\u00e7\u00e3o, que subsume os valores origin\u00e1rios das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e afrodescendentes a um novo modo de vida, questionamentos esses reconhecidos como decoloniza\u00e7\u00e3o. Observa-se este questionamento nos diferentes autores que analisam os m\u00faltiplos da sociabilidade, desde o da religiosidade, por exemplo, at\u00e9 sobre o entendimento da din\u00e2mica do desenvolvimento latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">            \u201cA Am\u00e9rica era um vasto imp\u00e9rio do Diabo, de reden\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel e duvidosa, mas a fan\u00e1tica miss\u00e3o contra a heresia dos nativos se confundia com a febre que, nas hostes da conquista, era causada pelo brilho dos tesouros do Novo Mundo.\u201d (GALEANO, 2010, p. 31)<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo colonizat\u00f3rio fez com que os povos latino-americanos deste per\u00edodo passassem por um processo de apagamento cultural, religioso e social, com isso essas popula\u00e7\u00f5es tiveram sua identidade colocada em xeque e consequentemente inferiorizada, frente \u00e0s mortes e aos castigos aos que se recusassem a aderir ao novo modo de vida, tendo a Am\u00e9rica como um grande neg\u00f3cio europeu. (GALEANO, 2015, p. 45)<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da leitura da obra, e como continuidade da an\u00e1lise, pretende-se observar o per\u00edodo e contexto entre os anos 1960 \u2013 1970, que contempla os anos de auge do Realismo M\u00e1gico, de sua expans\u00e3o e maior propaga\u00e7\u00e3o. No entanto, a an\u00e1lise tra\u00e7ar\u00e1 um paralelo com momentos hist\u00f3ricos do per\u00edodo colonial, ilustrando desse modo o contraponto proposto pelo autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo o Realismo M\u00e1gico como uma das express\u00f5es mais fortes da literatura da Am\u00e9rica Latina. A partir da qual Garc\u00eda M\u00e1rquez cria alegorias em sua obra <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>, que representam a pr\u00f3pria Am\u00e9rica Latina, materializada na obra pela cidade de Macondo: \u201c[&#8230;] Eram ciganos novos. Homens e mulheres jovens que s\u00f3 conheciam a sua pr\u00f3pria l\u00edngua [&#8230;]\u201d (GARC\u00cdA M\u00c1RQUEZ, 2002, p. 21), tem-se, por exemplo, um trecho em que o autor sugere semelhan\u00e7as entre os ciganos, no momento da funda\u00e7\u00e3o de Macondo, e os povos latino-americanos no per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro trecho muito interessante, que cabe exemplificar, \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">   \u201c[&#8230;] Era a peste da ins\u00f4nia [&#8230;]. [&#8230;] o esquecimento. Queria dizer que quando o doente se acostumava ao seu estado de vig\u00edlia, come\u00e7avam a apagar-se da sua mem\u00f3ria as lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia, em seguida o nome e a no\u00e7\u00e3o das coisas, e por \u00faltimo a identidade das pessoas e ainda a consci\u00eancia do pr\u00f3prio ser, at\u00e9 se afundar numa esp\u00e9cie de idiotice do passado.\u201d (GARC\u00cdA M\u00c1RQUEZ, 2002, pp. 47-48)<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui \u00e9 poss\u00edvel levantar a hip\u00f3tese de que a coloniza\u00e7\u00e3o, por meio da domina\u00e7\u00e3o do colonizador, o processo de anula\u00e7\u00e3o cultural, a constru\u00e7\u00e3o de uma ideia de incapacidade de se autogovernar, fez com que os povos latino-americanos padecessem de uma \u201camn\u00e9sia coletiva\u201d, esquecendo-se da pr\u00f3pria identidade enquanto na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoriza\u00e7\u00e3o sobre o Realismo M\u00e1gico a partir da segunda metade do s\u00e9culo 20, ensejam rupturas com as normas art\u00edsticas e a est\u00e9tica de origem europeia, como o dada\u00edsmo, surrealismo, cubismo, o que faz com que escritores latino-americanos passem a produzir seus textos segundo novas regras (FIGUEIRA, 2016). Isso aponta segundo o autor Lauro Figueira, <a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[1]<\/a>, citando Ram\u00f3n Xirau,<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[2]<\/a> uma \u201ccrise no realismo\u201d. Isso posto, o realismo m\u00e1gico surge em um momento de diferentes crises de questionamento a uma l\u00f3gica que teve in\u00edcio no processo de coloniza\u00e7\u00e3o, que subsume os valores origin\u00e1rios das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e afrodescendentes a um novo modo de vida, questionamentos esses reconhecidos como decoloniza\u00e7\u00e3o. Observa-se este questionamento nos diferentes autores que analisam os m\u00faltiplos da sociabilidade, desde o da religiosidade, por exemplo, at\u00e9 sobre o entendimento da din\u00e2mica do desenvolvimento latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">                   \u201cA Am\u00e9rica era um vasto imp\u00e9rio do Diabo, de reden\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel e duvidosa, mas a fan\u00e1tica miss\u00e3o contra a heresia dos nativos se confundia com a febre que, nas hostes da conquista, era causada pelo brilho dos tesouros do Novo Mundo.\u201d (GALEANO, 2010, p.31)<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse aspecto, o movimento do Realismo M\u00e1gico se apresenta como uma ferramenta de den\u00fancia contra o eurocentrismo e de resist\u00eancia ao assumir uma posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica em defesa de tudo que havia sido perdido no processo de coloniza\u00e7\u00e3o: a terra, a identidade, as cren\u00e7as, ou seja, este \u00e9 um movimento liter\u00e1rio que incorpora no real a magicidade. Desse modo, tem-se uma an\u00e1lise da fun\u00e7\u00e3o social da Literatura latino-americana que traz caracter\u00edsticas do real em sua dimens\u00e3o emp\u00edrica, que representa a Am\u00e9rica Latina, trazendo dimens\u00f5es do real contidas nas subjetividades e que se expressam pelos signos, s\u00edmbolos componentes da cultura daquela sociedade, conforme Carpentier:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">             \u201c[&#8230;] o maravilhoso come\u00e7a a s\u00ea-lo de maneira inequ\u00edvoca quando surge de uma altera\u00e7\u00e3o da realidade (o milagre), de uma revela\u00e7\u00e3o privilegiada da realidade, de uma ilumina\u00e7\u00e3o inabitual ou especialmente favorecedora das inadvertidas riquezas da realidade [&#8230;].\u201d&nbsp; (CARPENTIER, 2009, p. 9)<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo a narrativa ultrapassa a barreira do que \u00e9 real por meio de for\u00e7as aleat\u00f3rias e imanentes que tamb\u00e9m expressam aspectos da concretude social dado que, \u201co real maravilhoso se encontra em cada passo nas vidas de homens que inscreveram datas na hist\u00f3ria do Continente e deixaram nomes ainda lembrados\u201d. (CARPENTIER, p. 10)<\/p>\n\n\n\n<p>Uma literatura cujo objeto \u00e9 o real maravilhoso que expressa os acontecimentos latino-americanos em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es culturais do fazer-se hist\u00f3rico que, ainda segundo Carpentier, traduz-se em uma sensa\u00e7\u00e3o do maravilhoso que pressup\u00f5e uma f\u00e9, uma f\u00e9 coletiva. (CARPENTIER, p.9-p.10)<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no transcorrer dos anos 1930, segundo Iegelski (2021)<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[3]<\/a>, que a cr\u00edtica considerava o surgimento de um novo na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria latino-americana em que os ficcionistas de diferentes pa\u00edses passaram a tratar em suas obras, com profundidade e amplitude, a heran\u00e7a colonial e a viol\u00eancia da realidade hist\u00f3rica e social do continente, trazendo temas como as revolu\u00e7\u00f5es, as disputas religiosas, a luta pela terra, incorporando nessa literatura a magicidade enquanto uma dimens\u00e3o da resist\u00eancia e que a obra de Garcia M\u00e1rquez expressa muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ao mencionarmos o Realismo M\u00e1gico n\u00e3o podemos deixar de expor ainda que de modo breve uma ideia de sua poss\u00edvel origem. Existem algumas explica\u00e7\u00f5es para a origem do termo, segundo Iegelski (2121, p. 3), em <em>O reino deste mundo<\/em>, Carpentier recriou acontecimentos extraordin\u00e1rios que, entre 1750 e 1830, precederam e seguiram \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o haitiana e que a partir de mem\u00f3rias das popula\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hisp\u00e2nicas, narraram a evolu\u00e7\u00e3o e a luta ente as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas contra os invasores estrangeiros. Lauro Figueira tamb\u00e9m aponta uma poss\u00edvel origem no final da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo 20, quando os escritores latino-americanos passaram a propor uma nova po\u00e9tica ap\u00f3s experi\u00eancias com os surrealistas franceses e a esse novo estilo chamam de \u201crealismo maravilhoso americano\u201d (FIGUEIRA, 2000, p.23).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Maria Ram\u00edrez Ferreira<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[4]<\/a>, esta origem do termo Realismo M\u00e1gico ser europeia tamb\u00e9m \u00e9 citada na produ\u00e7\u00e3o do cr\u00edtico liter\u00e1rio alem\u00e3o Franz Roh utiliza, que a associa igualmente para descrever um estilo de pintura que emerge em 1925. O que corrobora com Figueira que tamb\u00e9m aponta que o termo aparece pela primeira vez no livro de Franz Roth, intitulado <em>Realismo m\u00e1gico \u2013 post expressionismo<\/em>. Mas Figueira vai al\u00e9m de Ferreira porque ele aponta que Roth fala sobre uma dial\u00e9tica em que vive o homem, e que n\u00e3o aparece somente na pintura pr\u00e9-expressionista, o que abre a possibilidade de identific\u00e1-la na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de forma geral (FIGUEIRA, 2000, p. 22).<\/p>\n\n\n\n<p>Para se entender melhor este debate, buscando objetivar o conceito, ser\u00e1 necess\u00e1rio mencionar, ainda que preliminarmente, a exist\u00eancia de uma distin\u00e7\u00e3o entre os termos \u201crealismo m\u00e1gico\u201d e \u201crealismo maravilhoso\u201d. Os autores que trabalham com essa distin\u00e7\u00e3o, apontam que a express\u00e3o \u201crealismo m\u00e1gico\u201d explica uma est\u00e9tica de uma \u201cnova vis\u00e3o\u201d da realidade (Irlemar Champi, in: FIGUEIRA, 2000, p. 22). Outros entendem que o realismo m\u00e1gico \u00e9 uma est\u00e9tica narrativa que antecede o realismo maravilhoso, segundo a leitura feita por Jorge Quiroga do texto de <em>Alejo Carpentier <\/em>(1984) (in: idem, p. 23). J\u00e1 o realismo maravilhoso demonstra uma nova express\u00e3o da po\u00e9tica latino-americana, apresentando-se o termo maravilhoso como um complemento ao realismo m\u00e1gico (FIGUEIRA, 2000, p. 24). Para Champi, ainda segundo Figueira, a acep\u00e7\u00e3o da palavra \u201cmaravilha\u201d, que vem do latim <em>mirabilia<\/em>, com sentido de \u201ccoisas admir\u00e1veis\u201d, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>naturalia<\/em>, coisas comuns. Assim, para Champi, o maravilhoso preserva algo de humano e a escolha desse termo se d\u00e1 por uma perspectiva estritamente liter\u00e1ria. J\u00e1 o termo m\u00e1gico, segundo ela, pertence a uma outra esfera cultural, a uma esfera que pretende controlar o que \u00e9 sobrenatural.<a href=\"#_edn5\" id=\"_ednref5\">[5]<\/a> (FIGUEIRA, 2000, p. 25)<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para o escritor e cr\u00edtico cubano, Leonardo Padura, tamb\u00e9m citado por Figueira, o realismo maravilhoso complementa a realidade tematizada pelo realismo m\u00e1gico. Tem-se que a f\u00e9, tida como um dos elementos para suscitar o maravilhoso causa uma certa confus\u00e3o nas caracter\u00edsticas do realismo maravilhoso com o realismo m\u00e1gico quanto \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica est\u00e9tica de cada um, pois acreditar nos acontecimentos misteriosos se constitui como ess\u00eancia para a vis\u00e3o m\u00e1gico-realista, segundo Padura, citado por Figueira. (FIGUEIRA, 2000, p. 25)<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, consideramos as concep\u00e7\u00f5es sobre realismo m\u00e1gico desenvolvida pelos principais expoentes latino-americanos denotam um outro conceito, pois incorpora \u00e0 racionalidade humana dimens\u00f5es da percep\u00e7\u00e3o que a l\u00f3gica cartesiana europeia separa quando desconsidera que comp\u00f5e essa racionalidade a intui\u00e7\u00e3o, as percep\u00e7\u00f5es extra-sensoriais e a capta\u00e7\u00e3o de energias que circundam na sociabilidade humana. Trata-se da objetiva\u00e7\u00e3o da identidade latino-americana e suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es e conex\u00f5es que comp\u00f5em sua din\u00e2mica hist\u00f3rica. Esta dimens\u00e3o do Realismo M\u00e1gico se torna mais clara \u00e0 medida que analisamos os conceitos de sobre a decolonialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se que, at\u00e9 meados do s\u00e9culo 20, os escritores latinos baseavam-se nas tend\u00eancias europeias para criar suas produ\u00e7\u00f5es. Mas aos poucos, a necessidade de um distanciamento do paradigma europeu, tendo as marcas hist\u00f3ricas deixadas pelo processo colonizat\u00f3rio entre os anos de 1492 e 1519 na Am\u00e9rica Latina, que se formou a partir do fomento de um pensamento e voz pr\u00f3pria dadas aos povos latinos se fizesse presente em suas cria\u00e7\u00f5es. Assim, o movimento Realismo M\u00e1gico passa a ser uma ferramenta de resist\u00eancia para demonstrar este mundo real e simb\u00f3lico apagado pelo processo colonizat\u00f3rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">         \u201cOs reis cat\u00f3licos da Espanha decidiram financiar a aventura do acesso direto \u00e0s fontes, para livrar-se da onerosa cadeia de intermedi\u00e1rios de revendedores que monopolizavam o com\u00e9rcio das especiarias e das plantas tropicais [&#8230;]\u00bb&nbsp; (GALEANO, 2010, p.30) [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">          \u00abA Am\u00e9rica era um vasto imp\u00e9rio do Diabo, de reden\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel ou duvidosa, mas a fant\u00e1stica miss\u00e3o contra a heresia dos nativos se confundia com a febre que, nas hostes da conquista, era causada pelo brilho dos tesouros do Novo Mundo.\u201c (GALEANO, 2010, p.31)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A literatura como documento hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A literatura, assim como a hist\u00f3ria, s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es humanas, que a partir da linguagem revelam fatos, ideias, necessidades e experi\u00eancias. Por essa raz\u00e3o, ao confrontar o tema proposto como objeto de pesquisa abre a possibilidade para que se possa estabelecer um di\u00e1logo entre a narrativa de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, a teoria de Sandra Jatahy Pesavento, sobre Hist\u00f3ria Cultural, e o pensamento de Nestor Canclini, sobre Culturas H\u00edbridas, pois temos na obra de Gabo um exemplo de uma obra de fic\u00e7\u00e3o, cujos registros de uns momentos hist\u00f3ricos e culturais que podem ser utilizados como uma fonte historiogr\u00e1fica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao iniciar a leitura da obra de Pesavento, temos uma explana\u00e7\u00e3o sobre a vertente francesa da hist\u00f3ria dos <em>Analles<\/em>, que, segundo a autora, vem como um impulso de renova\u00e7\u00e3o e ruptura dos paradigmas e posturas historiogr\u00e1ficas presentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20. O que n\u00e3o representa uma ruptura completa com as matrizes originais da historiografia, mas que resulta na abertura de uma nova corrente historiogr\u00e1fica a que chamamos de Hist\u00f3ria Cultural. (PESAVENTO, 2014, p. 10)<\/p>\n\n\n\n<p>Esta nova corrente historiogr\u00e1fica trata de pensar a cultura como um conjunto de significados partilhados e constru\u00eddos pelos homens para explicar o mundo. Ou seja, a partir de uma concretude social, repudiara-se a an\u00e1lise classista e houve a busca de uma alternativa ao Marxismo, que explicava a Hist\u00f3ria a partir dos acontecimentos e que tinha a cultura como mero reflexo da infraestrutura, ou como manifesta\u00e7\u00e3o superior do esp\u00edrito humano e, portanto, como dom\u00ednio das elites, enquanto que nesta nova proposta, a Hist\u00f3ria tamb\u00e9m pode ser explicada a partir de uma realidade social, relegando a cultura a uma terceira inst\u00e2ncia, como um conjunto de significados partilhados e constru\u00eddos pelos homens para explicar o mundo (PESAVENTO, 2014, p. 13,14,15).<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo II, ainda da obra de Pesavento, um aspecto chama a aten\u00e7\u00e3o, quando a autora traz o que ela denomina \u201cagente sem rosto\u201d, trazido por Michelet, e que seria a representa\u00e7\u00e3o do povo, das massas, estes como personagem da Hist\u00f3ria e como protagonista dos acontecimentos, al\u00e9m de resgatar os sentimentos e as sensibilidades dessas pessoas (PESAVENTO, p. 19). Sobre este aspecto, fazendo uma rela\u00e7\u00e3o com um dos grupos de personagens de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, os ciganos formam um n\u00facleo de personagens protagonistas daquele momento hist\u00f3rico colombiano de \u201cagentes sem rosto\u201d, representando um aspecto cultural a ser analisado na hist\u00f3ria daquele local, e \u00e9 isso o que a Literatura nos permite, tonando-se uma fonte em potencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se afirmar, neste sentido, que a Hist\u00f3ria Cultural permite realizar a hist\u00f3ria daqueles que n\u00e3o tinham hist\u00f3ria (PESAVENTO, 2014). E que segundo Paul Ricceur, o texto do historiador tem, pois, uma pretens\u00e3o \u00e0 verdade e refere-se a um passado real, mas toda estrat\u00e9gia narrativa de refigurar essa temporalidade j\u00e1 transcorrida envolve representa\u00e7\u00e3o, que, segundo ele, a fic\u00e7\u00e3o \u00e9 quase hist\u00f3rica, assim como a Hist\u00f3ria \u00e9 quase uma fic\u00e7\u00e3o (PESAVENTO, 2014, p. 34-35 e 37).<\/p>\n\n\n\n<p>Para citar mais um aspecto, uma outra corrente historiogr\u00e1fica, a da <em>micro-hist\u00f3ria<\/em>, que \u00e9 apresentada pela autora a partir de Carlo Ginzburg. Por meio desta vertente, \u00e9 poss\u00edvel reduzir a escala de an\u00e1lise, o que permite que, a partir do fragmento, se consiga obter um aspecto mais amplo de possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o (PESAVENTO,2014). Assim, tendo a literatura latino-americana como objeto de an\u00e1lise pela vertente da Hist\u00f3ria Cultural, existe a possibilidade da an\u00e1lise do que seria considerado sobrenatural, onde o microcosmo do cotidiano latino-americano e das pequenas a\u00e7\u00f5es revelam individualidades pessoais, atitudes, h\u00e1bitos valores, costumes, ou seja, a din\u00e2mica da vida, uma identidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E para estabelecer mais di\u00e1logo, o autor Nestor Garc\u00eda Canclini, prop\u00f5e que a quest\u00e3o do h\u00edbrido, dentro do desenvolvimento hist\u00f3rico, cuja fun\u00e7\u00e3o mais importante \u00e9 a de descrever processos inter\u00e9tnicos e de descoloniza\u00e7\u00e3o (CANCLINI, 2003, p. XVIII).<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto bastante interessante que deve ser levado em conta \u00e9 que a hibrida\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de fus\u00f5es sem contradi\u00e7\u00f5es, mas, sim, que essas contradi\u00e7\u00f5es podem ajudar a dar conta de formas particulares de conflito geradas na interculturalidade (CANCLINI, 2003). O que nos leva a refletir sobre uma transmuta\u00e7\u00e3o cultural, ou seja, ressignificando o espa\u00e7o das pr\u00e1ticas coletivas das culturas dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, ao se voltar ao tema da pesquisa, h\u00e1 que se pensar no processo de coloniza\u00e7\u00e3o pelo qual a Am\u00e9rica Latina passou. Um processo que incluiu uma imposi\u00e7\u00e3o cultural. Uma vez que, segundo Pesavento, a Hist\u00f3ria Cultural nos permite que a hist\u00f3ria seja explicada a partir de uma realidade cultural, com Canclini isso se materializa quando ele afirma que a hibrida\u00e7\u00e3o funde estruturas ou pr\u00e1ticas sociais discretas para gerar novas estruturas e novas pr\u00e1ticas (CANCLINI, 2003), ocorrendo em muitos momentos de modo n\u00e3o planejado. Assim, ao tocarmos na obra de Garc\u00eda M\u00e1rquez, a partir do momento hist\u00f3rico que sua obra apresenta, \u00e9 poss\u00edvel detectar uma resist\u00eancia dos colonizadores em de fundir com as culturas locais existentes, tendo isso ocorrido por meio de um processo violento contra os povos latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, estudar os processos culturais \u00e9 mais do que levar-nos a afirmar identidades autossuficientes, serve para conhecer formas e entender como se produzem as hibrida\u00e7\u00f5es, que em detrimento de uma \u201cmodernidade\u201d n\u00e3o se pode perder a identidade, segundo Canclini.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, ao tratar o tema da hibrida\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma conex\u00e3o com o texto de Pesavento no que tange a Hist\u00f3ria Cultural, pois Canclini traz a ideia de que com a <em>multiculturalidade<\/em> \u00e9 poss\u00edvel evitar a segrega\u00e7\u00e3o e converter em <em>interculturalidade<\/em> (CANCLINI, 2003, p. XXVII), pois as pol\u00edticas de hibrida\u00e7\u00e3o prop\u00f5em trabalhar democraticamente com as diverg\u00eancias, para que a hist\u00f3ria n\u00e3o se reduza a guerras entre culturas, mas que seja um convite para entender as mudan\u00e7as pelas quais as sociedades passam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, Garc\u00eda M\u00e1rquez comp\u00f5e uma narrativa \u201chist\u00f3rico fant\u00e1stica\u201d ou \u201cliter\u00e1ria real\u201d (se assim podemos chamar), pois se utiliza de dados da pr\u00f3pria hist\u00f3ria para problematiz\u00e1-la por meio de Macondo e de seus habitantes, que encontram o paralelo perfeito com o substrato cultural o inerente \u00e0 realidade latino-americana, e essa \u00e9 a quest\u00e3o do real relatado segundo Pereira<a href=\"#_edn6\" id=\"_ednref6\">[6]<\/a>. Uma realidade historiogr\u00e1fica que a Europa n\u00e3o consegue analisar, e que faz com que esta din\u00e2mica seja vista de forma diminu\u00edda, como bruxaria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">                 \u201cA Am\u00e9rica de Voltaire, habitada por \u00edndios pregui\u00e7osos e est\u00fapidos, tinha porcos com o umbigo \u00e0s costas e le\u00f5es calvos e covardes. Bacon, De Maistre, Montesquieu, Hume e Bodin negaram-se a reconhecer \u201chomens degradados\u201d do Novo Novo mundo como seus semelhantes. Hegel falou da impot\u00eancia f\u00edsica e espiritual da Am\u00e9rica e que os ind\u00edgenas tinham perecido ao receber o sopro da Europa.\u201d (GALEANO, p. 66)<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se, portanto que <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em> deixa de ser somente uma narrativa ficcional, mas converte-se em um texto reflexivo, que, segundo PESAVENTO<sup>4<\/sup>, torna-se uma fonte em potencial aos estudos hist\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">       \u201c\u00c9 ainda nesta corrente que se insere a discuss\u00e3o sobre a fic\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria e do potencial das fontes como documento de uma \u00e9poca, que permite, ou n\u00e3o, estabelecer verdades sobre o passado. Por outro lado, \u00e9 ainda por esse campo que se coloca o estatuto espec\u00edfico da narrativa hist\u00f3rica, onde ela se aproxima e se afasta do discurso liter\u00e1rio.\u201d (PESAVENTO, 2014, 71)<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, acreditamos que a obra <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, seja um objeto s\u00f3lido de an\u00e1lise e de como a Literatura pode ser uma potente fonte historiogr\u00e1fica. Como exemplo de uma obra que melhor representa a Am\u00e9rica Latina, que emerge o percurso da hist\u00f3ria t\u00e3o bem descrita por Gabo, o texto abre caminhos para se compreender ainda melhor os fatos hist\u00f3ricos e leva a um autorreconhecimento de ser latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALBANO, Gleydson Pinheiro. <em>Multinacionais e neocolonialismo<\/em>: a atua\u00e7\u00e3o da <em>United Fruit Company <\/em>na Am\u00e9rica Latina no s\u00e9culo XX. 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Bogot\u00e1: Editorial Pontificia Universidad Javeriana e Editorial Universidad des Rosario, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>LLOSA, Mario Vargas<em>. <\/em><em>Cien a\u00f1os de soledad<\/em>: realidad total, novela total. In: M\u00c1RQUEZ, Gabriel Garc\u00eda. Cien a\u00f1os de soledad. Espa\u00f1a: Printer Industria Gr\u00e1fica, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00c1RQUEZ, Gabriel Garc\u00eda. <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em>. 102 ed. Tradu\u00e7\u00e3o: Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Record, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>________. <em>Cien a\u00f1os de soledad<\/em>. Buenos Aires: Sudamericana, 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>MELO, Jo\u00e3o de. <strong>Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez e o Realismo M\u00e1gico Latino-Americano<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cvc.instituto-camoes.pt\/conhecer\/biblioteca-digital-camoes\/revistano02-ibero-americanas\/1283-1283\/file.html&gt;. Acesso em 19 de mar\u00e7o de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>MENTON, Seymour. <em>Historia verdadera del realismo m\u00e1gico<\/em>. California, EUA: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica USA, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>PEREIRA, A. S. <em>A representa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria colombiana em Cien a\u00f1os de soledad, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez. <\/em>Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Universidade Federal do Paran\u00e1, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>PESAVENTO, Sandra Jatahy. <em>Hist\u00f3ria &amp; Historia Cultural. <\/em>Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidad y modernidad\/racionalidad.&nbsp;<strong>Per\u00fa ind\u00edgena<\/strong>, v. 13, n. 29, p. 11-20, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>______________. Ensayos en torno a la colonialidad del poder. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>REIS, Jos\u00e9 Carlos. <em>Tempo, hist\u00f3ria e Evas\u00e3o. <\/em>Campinas: Papirus Editora, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>REIS, Jos\u00e9 Carlos. <em>Tempo e hist\u00f3ria<\/em>. S\u00e3o Paulo: FGV, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>RODRIGUES, Aline Santos Pereira. A representa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria colombiana em Cien a\u00f1os de soledad, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Curitiba: Universidade Federal do Paran\u00e1, p. 219, 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>RODRIGUES, Selma Calasans. Macondoam\u00e9rica: a par\u00f3dia em Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez. Rio de Janeiro: Leviat\u00e3 Publica\u00e7\u00f5es, 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>SAID, Edward W. Orientalismo:O Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>TRAUMANN, Andrew. <em>Os Colombianos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>VIEIRA, Felipe de Paula G\u00f3is. Cien a\u00f1os de soledad: Macondo-Am\u00e9rica de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez como representa\u00e7\u00e3o latino-americano. In: Revista Eletr\u00f4nica da APHLAC, n. 12, p.254-279, jan.\/jun.2012a.<\/p>\n\n\n\n<p>______. Hist\u00f3ria e Literatura: A Constru\u00e7\u00e3o do Passado Hispano-Americano nos Romances de Alejo Carpentier e Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez. In: Anais Eletr\u00f4nicos do X Encontro Internacional da ANPHLAC. S\u00e3o Paulo, 2012c.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>* <\/strong>Mestranda em Hist\u00f3ria pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo\u2013 PUC-SP,<\/p>\n\n\n\n<p>sob a orienta\u00e7\u00e3o da Dra. Professora Vera L\u00facia Vieira. Formada em Letras &#8211; Licenciatura Portugu\u00eas e Espanhol pela PUC-SP. Atualmente bolsista CAPES.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[1]<\/a> FIGUERA, Lauro. Realismo m\u00e1gico ou realismo maravilhoso. Paran\u00e1: Universidade Federal do Paran\u00e1, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[2]<\/a> XIRAU, Ram\u00f3n. A crise do realismo. In: MORENO, Cesar Fernandez (Coord.) <em>Am\u00e9rica Latina em sua literatura. <\/em>S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\">[3]<\/a> IGELKI, Francine. Artigo: Hist\u00f3ria conceitual do realismo m\u00e1gico \u2013 a busca pela modernidade e elo tempo presente na Am\u00e9rica Latina. Universidade Federal Fluminense. Niter\u00f3i \u2013 Rio de Janeiro \u2013 Brasil.<em> <\/em><em>Almanack<\/em>, Guarulhos, n. 27, ep00121, 2021. http:\/\/doi.org\/10.1590\/2236-463327ep00121<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[4]<\/a> FERRERA, Mar\u00eda Ram\u00edrez. La identidade latnoamericana y el realismo m\u00e1gico. Madrid: Universidad Pontificia de Comillas. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\">[5]<\/a> CHAMPI, Irlemar. <em>O realismo maravilhoso. <\/em>S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 1987.p. 44.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"796\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7543\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-768x597.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1.jpg 1325w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><\/tr><tr><td>ATRLA N\u00ba 15\/16 &#8211; Enero 2023 &#8211; Marzo 2025<\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><strong><em>N\u00fameros anteriores <\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=7505&amp;action=edit\">ATRLA N\u00ba 13\/14 Marzo 2019 &#8211; Diciembre 2022<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6275\">ATRLA N\u00ba 11\/12 Marzo 2016 &#8211; Febrero 2019<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6270\">ATRLA N\u00ba 10 Marzo 2015 &#8211; Febrero 2016<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6200\">ATRLA N\u00ba 9 Marzo 2014 &#8211; Febrero 2015<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6186\">ATRLA N\u00ba 8 Marzo 2013 &#8211; Febrero 2014<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6177\">ATRLA N\u00ba 7 Marzo 2012 &#8211; Febrero 2013<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6159\">ATRLA N\u00ba 6 Marzo 2011 &#8211; Febrero 2012<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6138\">ATRLA N\u00ba 5 Marzo 2010 &#8211; Febrero 2011<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=5921\">ATRLA N\u00ba 1 a 4 2006 &#8211; 2009<\/a><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6661\">Qui\u00e9nes somos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=809\">Normas de publicaci\u00f3n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fuente de la imagen: El sol de Morelia. (Foto: Cortes\u00eda |&nbsp;Fonoteca Nacional) (06\/03\/2023) Resumo O objetivo deste artigo \u00e9 demonstrar como a obra liter\u00e1ria Cem anos de solid\u00e3o, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, publicada em 1967, pela editora Sudamericana, em Buenos Aires, pode ser um objeto de an\u00e1lise historiogr\u00e1fica. Ao tratar de Garc\u00eda M\u00e1rquez, buscaremos tamb\u00e9m &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7591\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abA literatura como documento historiogr\u00e1fico: Cem anos de solid\u00e3o uma representa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e ferramenta para constru\u00e7\u00e3o do pensamento decolonial\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[560],"tags":[9,659,660,658,661,255],"class_list":["post-7591","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-letras-literatura","tag-america-latina","tag-cem-anos-de-solidao","tag-cien-anos-de-soledad","tag-gabriel-garcia-marquez","tag-historia-cultural-2","tag-literatura","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7591"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7728,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7591\/revisions\/7728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}