{"id":7566,"date":"2025-05-30T20:38:06","date_gmt":"2025-05-30T23:38:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7566"},"modified":"2025-05-30T20:38:06","modified_gmt":"2025-05-30T23:38:06","slug":"a-educacao-profissional-tecnologica-frente-aos-desafios-midiaticos-atuais-e-a-uberizacao-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7566","title":{"rendered":"A Educa\u00e7\u00e3o Profissional Tecnol\u00f3gica Frente aos Desafios Midi\u00e1ticos Atuais e a Uberiza\u00e7\u00e3o do Trabalho"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover alignfull has-custom-content-position is-position-bottom-right\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\" style=\"background-color:#6c716b\"><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1012\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-7710\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02.jpg 1920w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1024x540.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-768x405.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1536x810.jpg 1536w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1568x826.jpg 1568w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p><strong>Fabiane Santana Previtali*<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores s\u00e3o, ao mesmo tempo, as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem dos estudantes<\/em>. (HIRSCH at al, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo resulta de palestra proferida na aula inaugural no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica \u2013 PPGET e no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica \u2013 PROFEPT ambos do IFTM em 3 de abril de 2025. Nossos agradecimentos aos organizadores da atividade, em especial aos colegas Professor Doutor Adriano Eur\u00edpedes Medeiros Martins que nos honrou com o convite.&nbsp; O objetivo \u00e9 explorar a quest\u00e3o das M\u00eddias virtuais ou redes sociais e do trabalho uberizado e trazer algumas hip\u00f3teses de como esse cen\u00e1rio est\u00e1 impactando o trabalho docente na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica p\u00fablica, considerando-se que o p\u00fablico-alvo desta exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 formado por professores\/as em forma\u00e7\u00e3o inicial (licenciaturas) ou continuada (P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o). Os\/as trabalhadores\/as da educa\u00e7\u00e3o enfrentam os mesmos problemas que o conjunto dos\/as trabalhadores\/as em n\u00edvel mundial, mas est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o particular porque s\u00e3o, ao mesmo tempo formados\/as e formadores no sistema educacional, experimentando uma educa\u00e7\u00e3o coisificada e mercadol\u00f3gica, cuja media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica torna-se fulcral para melhor controlar o trabalho e para enfraquecer as resist\u00eancias. Nosso foco de an\u00e1lise \u00e9 o Brasil, mas sem deixar de pensar as transforma\u00e7\u00f5es mundiais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chaves<\/strong>: Uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho; Forma\u00e7\u00e3o de Professores; Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho; M\u00eddias Sociais.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Abstract:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>This article is the result of a lecture delivered during the opening class of the Graduate Program in Technological Education (PPGET) and the Graduate Program in Professional and Technological Education (PROFEPT), both at IFTM, on April 3, 2025. Our thanks go to the organizers of the event, especially to Professor Dr. Adriano Eur\u00edpedes Medeiros Martins, who honored us with the invitation. The aim is to explore the issue of virtual media or social networks and uberized work, and to propose some hypotheses on how this scenario is impacting teaching work in public basic education, considering that the target audience of this presentation consists of teachers in initial training (undergraduate licensure programs) or continuing education (graduate level). Education workers face the same problems as workers globally but are in a particular situation because they are, at the same time, both learners and educators within the educational system. They experience a commodified and objectified education, in which technological mediation becomes central to better control labor and weaken resistance. Our analytical focus is on Brazil, while also considering global transformations.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Uberization of Work; Teacher Training; Education and Work; Social Media.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Boa tarde, senhoras e senhores. Gostaria inicialmente de cumprimentar as autoridades acad\u00eamicas presentes, os\/as colegas da mesa e parabenizar todas as pessoas envolvidas na organiza\u00e7\u00e3o dessa importante atividade. \u00c9 uma grande honra para mim estar aqui hoje, proferindo a aula-inaugural, parte das atividades de recep\u00e7\u00e3o dos\/as estudantes ingressastes no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica \u2013 PPGET e no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica \u2013 ProfEPT no IFTM. Desde j\u00e1 o meu muito obrigada por essa oportunidade de di\u00e1logo, de troca de ideias, atividade essencialmente humana que nenhuma intelig\u00eancia artificial, penso eu, poder\u00e1 substituir. No nosso modo de entender, a m\u00e1quina, por mais sofisticada, sempre ter\u00e1 a determina\u00e7\u00e3o humana. <strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando o tema proposto, qual seja: A Educa\u00e7\u00e3o Profissional Tecnol\u00f3gica Frente aos Desafios Midi\u00e1ticos Atuais e a Uberiza\u00e7\u00e3o do Trabalho, eu busquei organizar minha fala a partir da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva dos anos 1970 por ser um marco importante para pensarmos as mudan\u00e7as e a crise atual que vivenciamos. Em seguida, problematizamos a quest\u00e3o da tecnologia e qual o seu papel na sociedade de classes. Aqui o objetivo \u00e9 explorar a quest\u00e3o das M\u00eddias virtuais e das redes sociais e do trabalho uberizado, temas centrais do debate. E, por fim, gostaria de trazer algumas hip\u00f3teses de como esse cen\u00e1rio todo impactado o trabalho docente na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica p\u00fablica. Muitos\/as aqui j\u00e1 s\u00e3o ou ser\u00e3o profissionais da EB. E os\/as trabalhadores\/as da educa\u00e7\u00e3o enfrentam os mesmos problemas que o conjunto dos\/as trabalhadores\/as em n\u00edvel mundial, mas est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o particular porque s\u00e3o, ao mesmo tempo formados\/as e formadores no sistema educacional, experimentando uma educa\u00e7\u00e3o coisificada e mercadol\u00f3gica, cuja media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica torna-se fulcral para melhor controlar o trabalho e para enfraquecer as resist\u00eancias. Nosso foco de an\u00e1lise \u00e9 o Brasil, mas sem deixar de pensar as transforma\u00e7\u00f5es mundiais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1 &#8211; O contexto do Capitalismo Atual: como chegamos at\u00e9 aqui?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No capitalismo do s\u00e9culo XXI, o aumento das desigualdades econ\u00f4micas \u00e9 acompanhado por um recrudescimento das tend\u00eancias autorit\u00e1rias na dimens\u00e3o pol\u00edtica, incluindo-se os pa\u00edses dominantes do Norte global, como Estados Unidos e Reino Unido. Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o fim da URSS nos anos 1990, o modo de vida capitalista foi se espraiando pelo mudo, tornando-se efetivamente global.<\/p>\n\n\n\n<p>A prevalecia dos interesses das empresas privadas no ordenamento social foi, pouco a pouco, desmantelando as organiza\u00e7\u00f5es coletivas que impedem a l\u00f3gica do mercado, como os sindicatos e as estruturas pol\u00edtico-jur\u00eddicas que defendem os direitos sociais e os servi\u00e7os p\u00fablicos no contexto do Estado Social. Em nome dos lucros dos capitais, imp\u00f4s-se o neoliberalismo, o Estado M\u00ednimo e a austeridade financeira \u00e0 classe-que-vive-do-trabalho que, por sua vez, passou a vivenciar a exacerba\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, da subordina\u00e7\u00e3o e da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se houve um per\u00edodo hist\u00f3rico em que a classe burguesa foi obrigada a incluir as demandas do trabalho, estabelecendo uma via de compromisso democr\u00e1tico mediada pelo Estado para difus\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em massa taylorista-fordista, a partir do final da d\u00e9cada de 1970, esse quadro come\u00e7a a apresentar sinais de crise (BIHR, 1998; HARVEY, 2018). O Brasil entra atrasando nesse movimento porque q nossa hist\u00f3ria \u00e9 marcada por golpes. O mais recente em 2016. N\u00e3o satisfeitos, houve tentativa de golpe em 08 de janeiro de 2023, cujos respons\u00e1veis est\u00e3o indo \u00e0 julgamento agora. Mas nos anos 1970 est\u00e1vamos no auge do regime militar-civil e s\u00f3 voltamos \u00e0 democracia em fins dos anos 1980, com a constitui\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>As crises do capital refletem as suas contradi\u00e7\u00f5es internas, causadas pela superprodu\u00e7\u00e3o e subconsumo, concentra\u00e7\u00e3o de capital e aumento das desigualdades essas crises n\u00e3o s\u00e3o apenas c\u00edclicas, mas inerentes a esse modo de produ\u00e7\u00e3o fundado nos antagonismos de classe. S\u00e3o estruturais. A crise do modo de produ\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o do capital que se instaura nos anos 1970 marca a ascens\u00e3o da Nova Direita em pa\u00edses ber\u00e7o da Socialdemocracia, como a Inglaterra, e traz consigo a ideologia neoliberal e da Nova Gest\u00e3o P\u00fablica como novo receitu\u00e1rio a ser seguido. Nesse contexto, servi\u00e7os p\u00fablicos, como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, \u00e1gua, que at\u00e9 ent\u00e3o eram tidos como direitos inalien\u00e1veis do ser humano, tornam-se nichos de neg\u00f3cios a serem explorados pelo capital e seus trabalhadores\/as tornam-se produtores de mais-valor para o capital.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que a ideologia neoliberal de extrema direita de caracter\u00edsticas neofascistas vem promovendo o que estamos chamando de \u201cObsolesc\u00eancia Humana\u201d, isto \u00e9, a descartabilidade de pessoas por se tornarem in\u00fateis e desnecess\u00e1rias, um entrave mesmo, ao pleno desenvolvimento do modo de vida sob o capital. Estamos diante da ascens\u00e3o do neofascismo sob o neoliberalismo. Um exemplo que evidencia seu crescimento e for\u00e7a pode ser visto no crescimento de for\u00e7as pol\u00edticas de extrema direita, como Orb\u00e1n (2010 \u2013 at\u00e9 os dias atuais) na Hungria, Trump (2917 \u2013 2022 e agora novamente eleito), nos Estados Unidos e fazendo exatamente o que disse que faria! Bolsonaro (2019-2022) no Brasil, Milei (2023) na Argentina tratando as manifesta\u00e7\u00f5es sociais como casos de pol\u00edcia e sob o comando de uma mulher, Patr\u00edcia Bullrich.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso vivenciamos hoje, ao lado de um enorme avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, aquilo que Dejours (2000) denomina de \u201cbanaliza\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a social\u201d, ou ainda banaliza\u00e7\u00e3o da vida. E isso, sob o capital, n\u00e3o \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a tecnologia tem a ver com isso? Ao longo da hist\u00f3ria, as revolu\u00e7\u00f5es industriais ou tecno-sociais marcaram profundas transforma\u00e7\u00f5es na forma como os seres humanos produzem, vivem e se relacionam com o trabalho e a natureza, desde a introdu\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina \u00e0 vapor no processo de trabalho at\u00e9 a era da biotecnologia que vivenciamos hoje (Figura 1).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 1 \u2013 As Quatro Revolu\u00e7\u00f5es T\u00e9cnico-Sociais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"489\" height=\"182\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7568\" style=\"width:596px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.jpeg 489w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-300x112.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 489px) 100vw, 489px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando a Figura 1 temos que os intervalos de uma revolu\u00e7\u00e3o tecno-social a outra v\u00e3o sofrendo uma redu\u00e7\u00e3o progressiva: da primeira, em 1750, at\u00e9 a segunda, em 1880, decorreram 130 anos; da segunda \u00e0 terceira, em 1970, foram 90 anos; e da terceira para a quarta, em 2011, apenas 41 anos. Tal encurtamento temporal revela um fen\u00f4meno significativo: o avan\u00e7o da tecnologia sob a l\u00f3gica do capital torna-se cada vez mais veloz, promovendo uma intensifica\u00e7\u00e3o do processo destrutivo das for\u00e7as produtivas, trabalho humano e do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a diminui\u00e7\u00e3o dos intervalos entre as revolu\u00e7\u00f5es industriais evidencia a acelera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da t\u00e9cnica subordinada \u00e0s determina\u00e7\u00f5es do capital, isto \u00e9, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do mais-valor, da mercadoria. Essa acelera\u00e7\u00e3o, longe de trazer progresso, intensifica a destrui\u00e7\u00e3o do trabalho como v\u00ednculo social e da Natureza como condi\u00e7\u00e3o de vida. Trata-se, portanto, de um processo que n\u00e3o \u00e9 neutro, mas profundamente condicionado pelas contradi\u00e7\u00f5es inerentes ao pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que nada tem de sustent\u00e1vel, seja do ponto de vista ambiental, seja da vida humana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 &#8211; A Fal\u00e1cia da Neutralidade Tecnol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para discutir a tecnologia, \u00e9 essencial entender que tudo o que o ser humano cria em sua intera\u00e7\u00e3o com o meio ambiente \u00e9 atrav\u00e9s do trabalho. Trabalho \u00e9, conforme Marx (2013), meio pelo qual os seres humanos produzem coisas \u00fateis, transformam suas vidas material e subjetivamente, criam cultura e atribuem significados aos objetos ao seu redor. Nenhum outro animal, a n\u00e3o ser o animal social humano d\u00e1 significado ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o sociocultural, o aparato pol\u00edtico-jur\u00eddico, a religi\u00e3o, a linguagem, a educa\u00e7\u00e3o, as tecnologias resultam, em \u00faltima inst\u00e2ncia das determina\u00e7\u00f5es das condi\u00e7\u00f5es materiais da vida. Com o surgimento do capitalismo, a ci\u00eancia e as inven\u00e7\u00f5es humanas v\u00e3o assumindo centralidade, especialmente a partir da Primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1760). \u00c9 com a maquinaria e a grande ind\u00fastria que Marx (2013) ir\u00e1 afirmar que o \u201chomem se torna ap\u00eandice da m\u00e1quina\u201d, isto \u00e9, o trabalho pode ser simplificado e determinado pelo ritmo e intensidade da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a tecnol\u00f3gicas e organizacionais promovida pelos capitalistas resulta no aumento da produtividade, porque ocorre a substitui\u00e7\u00e3o do trabalho vivo, ser humano, por trabalho morto, isto \u00e9, maquin\u00e1rio, criando assim uma popula\u00e7\u00e3o excedente que Marx (2013) chamou de ex\u00e9rcito de reserva de desempregados. Assim, o capitalista substitui o trabalho por m\u00e1quinas e faz dos seres humanos ap\u00eandices &nbsp;das m\u00e1quinas ao mesmo tempo que lan\u00e7a grande parte dos trabalhadores ao desemprego e ao subemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marx (2013), o processo de trabalho no capitalismo consiste em um processo de valoriza\u00e7\u00e3o do capital, com vistas ao aumento da produ\u00e7\u00e3o do mais valor. A quest\u00e3o que se coloca para o capital \u00e9 a de como aumentar a produ\u00e7\u00e3o da mais valia independentemente do prolongamento da jornada de trabalho. Esse processo torna-se poss\u00edvel atrav\u00e9s da introdu\u00e7\u00e3o das inova\u00e7\u00f5es, que levam \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio &#8211; a parte do tempo que o trabalhador utiliza para si mesmo &#8211; e aumento do mais trabalho, que corresponde ao tempo de trabalho para o capitalista. Com a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o capital controla melhor o trabalho e produz mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9, para Marx, n\u00e3o apenas a m\u00e1quina, mas todo um sistema de conhecimentos e estruturas organizacionais, que assume import\u00e2ncia crescente no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Portanto, os processos de inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o ao acaso, mas promovidos pelas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o sob a determina\u00e7\u00e3o do capital, isto \u00e9, para a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da valoriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio capital. A tecnologia traz em si uma determina\u00e7\u00e3o de classe. A melhor tecnologia ser\u00e1 aquela que melhor produzir, controlar e expropriar o trabalho vivo \u00e0 fim de produzir mais valor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por esse motivo que, embora \u201ctecnicamente\u201d seja poss\u00edvel reduzir a jornada de trabalho, n\u00e3o necessariamente isso ocorre. A t\u00e9cnica em si n\u00e3o traz menos trabalho para as pessoas que trabalham. Assim, numa aparente contradi\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho mediante o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, tem-se, atualmente, a sua amplia\u00e7\u00e3o. Vejam como \u00e9 fundamental estarmos ao lado da luta pela mudan\u00e7a da escala de trabalho 6&#215;1, liderada pela deputada \u00c9rica Hilton, do Partido Socialismo e Liberdade &#8211; PSOL.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho foi \u2013 e continua sendo \u2013 uma luta hist\u00f3rica, assim como s\u00e3o resultantes das lutas sociais os direitos do trabalho, como as f\u00e9rias, a assist\u00eancia social e a aposentadoria.A jornada de trabalho de 8h foi uma conquista hist\u00f3rica e a extens\u00e3o da jornada de trabalho, assim como a extens\u00e3o do tempo para aposentadoria que observamos atualmente via reforma trabalhista e previdenci\u00e1ria, consistem, portanto, em um retrocesso hist\u00f3rico do ponto de vista da classe trabalhadora. O que est\u00e1 realmente em jogo neste contexto \u00e9 o conflito entre controle do capital e resist\u00eancia do trabalho. \u00c9 essa din\u00e2mica hist\u00f3rica e contradit\u00f3ria que est\u00e1 na base da mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 seletiva (qual \u00e9 seu custo e qual \u00e9 seu benef\u00edcio para o capitalista) e a cada passo dado para a introdu\u00e7\u00e3o da tecnologia no processo de trabalho h\u00e1 uma oportunidade para a destrui\u00e7\u00e3o de formas de resist\u00eancia ao controle do trabalho e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para os ide\u00f3logos da burguesia o desenvolvimento tecnol\u00f3gico \u00e9 sempre c algo positivo e imperativo. Toda a explica\u00e7\u00e3o da vida em sociedade passa a orbitar sobre a ideologia do progresso. N\u00e3o h\u00e1 media\u00e7\u00f5es aqui. No linguajar atual, \u201cos desafios\u201d, devem ser transpostos com a for\u00e7a da pr\u00f3pria tecnologia \u00e0 fim de que a sociedade e as institui\u00e7\u00f5es sociais se ajustem a nova ordem. O maior progresso \u00e9 identificado com a mais avan\u00e7ada e sofisticada maquinaria, independentemente dos efeitos que possa ter, quer na esp\u00e9cie humana, quer no mundo natural como um todo (WALLIS, 2001). Schumpeter (1997) acerca da centralidade da tecnologia, fator chave para ele, falava em Destrui\u00e7\u00e3o Criativa. Prefiro M\u00e9sz\u00e1ros (2011) que ao fazer sua cr\u00edtica dir\u00e1: Cria\u00e7\u00e3o Destrutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a ci\u00eancia burguesa, isso se chama \u201cgest\u00e3o eficiente\u201d ou \u201ccient\u00edfica\u201d, conforme Braveman (1981), para quem arruinar as habilidades dos\/as trabalhadores\/as \u00e9 uma das caracter\u00edsticas fundamentais do desenvolvimento capitalista. Por isso n\u00e3o importa ao capitalista o que produzir, mas produzir para vender! Como diz Harvey (2018, p. 24), os capitalistas \u201cS\u00e3o indiferentes \u00e0s mercadorias que produzem. Se h\u00e1 mercado para g\u00e1s venenoso, eles produzir\u00e3o g\u00e1s venenoso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os autores liberais e neoliberais, a tecnologia tem um papel independente e aut\u00f4nomo<strong> <\/strong>sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais e institucionais, o que d\u00e1 um car\u00e1ter determinista ao processo tecnol\u00f3gico. H\u00e1 uma naturaliza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica, como se ela ocorresse independentemente da explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano. Esse discurso \u00e9 falacioso e ideol\u00f3gico. O pensamento liberal burgu\u00eas obscurece o fato da tecnologia ser express\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o social espec\u00edfica, ou seja, da explora\u00e7\u00e3o do trabalho. A tecnologia \u00e9 um produto das rela\u00e7\u00f5es sociais determinadas pelo capital e, enquanto mercadoria, pertence ao capital. Por isso, a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sob o capitalismo sempre ser\u00e1 uma forma de domina\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho e ir\u00e1 produzir centralmente destrui\u00e7\u00e3o humana e devasta\u00e7\u00e3o ambiental. N\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento sustent\u00e1vel sob o capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Antunes (2000, p. 122),<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c(&#8230;) o conhecimento social gerado pelo progresso cient\u00edfico tem seu objetivo restringido pela l\u00f3gica da reprodu\u00e7\u00e3o do capital (&#8230;). Profundamente vinculadas aos condicionantes sociais do sistema de capital, a ci\u00eancia e a tecnologia n\u00e3o t\u00eam l\u00f3gica aut\u00f4noma e nem um curso independente, mas t\u00eam v\u00ednculos s\u00f3lidos com o seu movimento reprodutivo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegamos ao s\u00e9culo XXI, no bojo da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ou a Ind\u00fastria 4.0, o progresso se mostra como um fen\u00f4meno amplamente contradit\u00f3rio. Sob o est\u00e1gio mais avan\u00e7ado da t\u00e9cnica, permanece um certo mal-estar: a promessa de um mundo melhor n\u00e3o se efetivou. Em plena era digital, \u00e1pice do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, vivenciamos o retrocesso dos direitos sociais e das garantias da vida humana em sociedade. Para Previtali (2009, p. 146-147):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cAgora a ci\u00eancia como tecnologia aplicada ao processo de produ\u00e7\u00e3o demonstra todo seu car\u00e1ter de classe, sendo o seu desenvolvimento pautado na extra\u00e7\u00e3o de sobre valor do trabalho humano, seja por meio do controle e expropria\u00e7\u00e3o do saber fazer, seja como meio do empobrecimento do sujeito que realiza trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A queda dos rendimentos da classe trabalhadora \u00e9 um fen\u00f4meno mundial, mesmo para os profissionais mais qualificados de forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel superior, os quais \u201csupostamente\u201d realizam as atividades mais tecnol\u00f3gicas e complexas. Hassard e Morris (2018), chamam a aten\u00e7\u00e3o para aqueles segmentos mais jovens da classe trabalhadora, com maior n\u00edvel de escolaridade e mais profissionalizados academicamente, que viam na educa\u00e7\u00e3o escolar e na escolha profissional garantias de um futuro assegurado, mas agora se encontram \u00e0 merc\u00ea da instabilidade e da inseguran\u00e7a. No Brasil, segundo o Dieese (2023), o n\u00famero de ocupados com ensino superior completo aumentou 15,5% entre 2019 e 2022. Por\u00e9m, o rendimento m\u00e9dio real das ocupa\u00e7\u00f5es com ensino superior completo diminuiu 8,7% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio evidencia que a educa\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o garante ascens\u00e3o social e tampouco est\u00e1 isenta das din\u00e2micas do mercado e das desigualdades de classe. A expans\u00e3o do ensino superior nos \u00faltimos anos, embora positiva do ponto de vista do acesso, ocorreu em um contexto de desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es laborais. O aumento do n\u00famero de diplomados n\u00e3o foi acompanhado pela cria\u00e7\u00e3o de empregos qualificados ou pela valoriza\u00e7\u00e3o salarial correspondente. A posse de um diploma superior j\u00e1 n\u00e3o assegura vantagens competitivas ou mobilidade social \u2014 especialmente em um mercado saturado e cada vez mais desigual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o discurso meritocr\u00e1tico que afirma que \u00abbasta estudar para vencer\u00bb ignora as estruturas sociais determinantes da organiza\u00e7\u00e3o social. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 atravessada por rela\u00e7\u00f5es de classe, g\u00eanero, \u00e9tnico-raciais e regionais de forma que nem todos acessam a mesma qualidade de ensino, e nem todos os diplomas t\u00eam o mesmo valor no mercado. E mesmo para aquelas pessoas que conseguem superar essas barreiras, a inser\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho continua subordinada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es estruturais de classe (Gr\u00e1fico 1).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1 &#8211; Distribui\u00e7\u00e3o dos ocupados (em %) com ensino superior completo, segundo faixa de renda domiciliar per capita e tipo de ocupa\u00e7\u00e3o (2019-2022)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"526\" height=\"233\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7571\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-3.jpeg 526w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-3-300x133.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Fonte: Dieese (2023) a partir de dados do IBBE\/Pnad cont\u00ednua.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Nota: Foram consideradas mais pobres as pessoas com rendimento domiciliar per capita de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo; os mais ricos com rendimento domiciliar per capita de mais de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos; e o intermedi\u00e1rio, entre meio e tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Gr\u00e1fico 1, as pessoas de baixa renda estavam em menor propor\u00e7\u00e3o nas ocupa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas, mesmo com ensino superior completo. Entre os ocupados de domic\u00edlios mais pobres, com ensino superior completo, 38,8% deles estavam em ocupa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas para essa escolaridade e outros 61,2% estavam em atividades n\u00e3o t\u00edpicas. J\u00e1 entre os de domic\u00edlios mais ricos, 71,5% dos ocupados com ensino superior completo estavam em ocupa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas e 28,5% em atividades n\u00e3o t\u00edpicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a ideia amplamente propagada pelos neoliberais e pelas M\u00eddias, de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o precisa ser qualificada. A educa\u00e7\u00e3o tem potencial transformador, mas esse potencial s\u00f3 pode ser realizado efetivamente quando acompanhado por mudan\u00e7as estruturais nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e nas pol\u00edticas p\u00fablicas. \u00c9 preciso repensar n\u00e3o apenas o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m sua articula\u00e7\u00e3o com um projeto societal mais justo e igualit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa feita pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) publicada no jornal Folha de S\u00e3o Paulo (30\/03\/2024), corrobora os dados do Dieese (2023). A pesquisa mostra que o segmento de profissionais mais qualificados e com ensino superior, envolvendo atividades profissionais cient\u00edficas e t\u00e9cnicas, tais como engenharia, arquitetura, publicidade e consultoria jur\u00eddica e cont\u00e1bil, embora acima da m\u00e9dia salarial 1<a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[i]<\/a>, tiveram queda nos rendimentos de 2,89 em 2012 para 2,14 em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As M\u00eddias \u201cSociais\u201d e a Uberiza\u00e7\u00e3o do Trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a Intelig\u00eancia Artificial (IA) adentrando esferas do trabalho cognitivo-criativo, imp\u00f5e-se aos\/\u00e0s profissionais a perda de conte\u00fado formativo e de autonomia quanto aos conte\u00fados e metodologias pr\u00f3prios da profiss\u00e3o, assim como a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es laborais. O capital n\u00e3o pergunta a quem trabalha como a tecnologia, a IA, como a inova\u00e7\u00e3o vai melhorar o seu trabalho, diminuir o seu esfor\u00e7o, aumentar o seu tempo livre de fato. O capital imp\u00f5e a tecnologia, intensifica o trabalho e aumenta a produtividade. Quero aqui dar o exemplo de toda a parafern\u00e1lia tecnol\u00f3gica que foi sendo introduzida na esfera dom\u00e9stica para facilitar o trabalho das mulheres. Passou a exigir menos esfor\u00e7o f\u00edsico muitas vezes, mas tamb\u00e9m intensificou o trabalho dom\u00e9stico e o mais importante: n\u00e3o alterou a divis\u00e3o sexual do trabalho. S\u00e3o as mulheres que permanecem majoritariamente na esfera do trabalho dom\u00e9stico e dos cuidados.<\/p>\n\n\n\n<p>A era digital traz consigo o teletrabalho, modalidade laboral em que a rela\u00e7\u00e3o entre contratado e contratante envolve, primordialmente, transfer\u00eancias de informa\u00e7\u00f5es via tecnologias informacionais e de comunica\u00e7\u00e3o, sob a forma de plataformas digitais (Apps) e a uberiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a burla rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Para Antunes (2020, p. 11), \u201c(&#8230;) a uberiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo no qual as rela\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o crescentemente individualizadas e invisibilizadas, assumindo assim, a apar\u00eancia de \u2018presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os\u2019 e obliterando as rela\u00e7\u00f5es de assalariamento e de explora\u00e7\u00e3o\u201d. O trabalho uberizado em expans\u00e3o se funda numa aparente rela\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-trabalho e, portanto, de n\u00e3o explora\u00e7\u00e3o dada a indetermina\u00e7\u00e3o entre o tempo do trabalho e o tempo do n\u00e3o-trabalho sob a apar\u00eancia de mais liberdade e menos controle e imposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>E as M\u00eddias e as redes sociais est\u00e3o dizendo que isso \u00e9 o bacana! Nos \u00faltimos anos, as M\u00eddias e as redes sociais t\u00eam promovido a ideia de que o trabalhador \u00abaut\u00f4nomo\u00bb, como o motorista de aplicativo, o entregador de bicicleta, ou mesmo o freelancer precarizado, \u00e9 na verdade, um empreendedor de si mesmo. \u00c9 preciso dizer que essa narrativa oculta a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, que \u00e9 marcada por aus\u00eancia de direitos trabalhistas, inseguran\u00e7a econ\u00f4mica e jornadas exaustivas ao mesmo tempo que responsabiliza a pessoa por seu sucesso ou fracasso, ignorando desigualdades estruturais. Cria, portanto, uma falsa imagem de liberdade e autonomia, quando na realidade esses trabalhadores\/as est\u00e3o subordinados \u00e0 l\u00f3gica do controle dos algoritmos que imp\u00f5e metas inating\u00edveis e remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1024x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7710\" style=\"width:689px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1024x540.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-768x405.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1536x810.jpg 1536w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02-1568x826.jpg 1568w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Delivery-01-02.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Ilustracion: Delivery. Trabajo digital de Carolina Crisorio. 2025. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>1Importa lembrar que a educa\u00e7\u00e3o escolar n\u00e3o est\u00e1 alheia \u00e0s mudan\u00e7as no mundo do trabalho. As reformas educacionais recentes, orientadas por organismos financeiros multilaterais como o Banco Mundial (BM) ou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) que trazem consigo o incentivo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o empreendedora j na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Vimos esse movimento no Novo Ensino M\u00e9dio (NEM) que, retira conte\u00fados espec\u00edficos e introduz em seu lugar os chamados \u201cProjetos de Vida\u201d, voltados para o \u201cempreendedorismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\/as professores\/as, juntamente com seus sindicatos, t\u00eam feito uma cr\u00edtica contundente a esse processo e t\u00eam negado a naturaliza\u00e7\u00e3o da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, sobretudo no discurso do empreendedorismo individual. Ao mesmo tempo, est\u00e3o defendendo a escola como espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, que permita aos\/\u00e0s estudantes compreenderem criticamente a realidade e n\u00e3o apenas se adaptarem a ela. \u00c9 por isso que \u00e9 t\u00e3o importante o controle do trabalho docente, conforme veremos mais a frente dessa exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, presenciamos nas plataformas digitais, como <em>Instagram,<\/em> TikTok ou YouTube, um n\u00famero enorme de pessoas chamadas \u201cinfluenciadores\u201d que vendem uma ideia glamourosa do sucesso individual atrav\u00e9s do empreendedorismo. Literalmente vendem porque essas redes n\u00e3o s\u00e3o nada \u201csociais\u201d. Vejamos como as palavras n\u00e3o s\u00e3o neutras. S\u00e3o grandes empresas que controlam e manipulam. Essas plataformas e aplicativos propagam a ideia de liberdade financeira com pouca ou nenhuma escolariza\u00e7\u00e3o, de riqueza r\u00e1pida, com slogans como \u201cn\u00e3o dependa de ningu\u00e9m\u201d, \u201cn\u00e3o perca tempo com faculdade\u201d, ou ainda, \u201cseja seu pr\u00f3prio chefe\u201d e promovem um estilo de vida baseado no consumo e na ostenta\u00e7\u00e3o, como prova de que o \u201cempreendedorismo de si\u201d compensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse discurso \u00e9 envolvente e sedutor, principalmente para os\/as jovens que convivem com a vulnerabilidade &#8211; inclusive alimentar &#8211; e a inseguran\u00e7a do futuro, com a falta de perspectivas profissionais e um mundo onde estar empregado com direitos m\u00ednimos j\u00e1 \u00e9 um \u201cprivil\u00e9gio\u201d, conforme Antunes (2019). &nbsp;E tudo \u00e9 permeado pela gamefica\u00e7\u00e3o e premia\u00e7\u00e3o! A gamefica\u00e7\u00e3o por que passam as rela\u00e7\u00f5es de trabalho uberizadas s\u00e3o treinadas e testadas nesses apps. Eles moldam uma&nbsp;subjetividade limitada, pobre, altamente individualizada, autorit\u00e1ria e, portanto, propensa \u00e0 cometer atos muito violentos. Finalmente agora os celulares foram proibidos nas escolas. Porque n\u00e3o servem \u00e0 atividades pedag\u00f3gicas mas para deixarem os\/as jovens como zumbis nas redes \u201csociais\u201d, expostos ao <em>bulling<\/em> mundial e por isso sem chance de rea\u00e7\u00e3o cognitiva, mediada pela raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica de mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas segue a l\u00f3gica da obsolesc\u00eancia programada, ou seja, mercadorias s\u00e3o deliberadamente projetadas para se tornarem obsoletas, quebrar ou se tornarem in\u00fateis, incentivando a compra de novos produtos. A descartabilidade das mercadorias reflete a descartabilidade do pr\u00f3prio trabalho humano, que para o capital \u00e9 apenas for\u00e7a de trabalho, um fator de produ\u00e7\u00e3o, conforme a teoria do capital humano e que tamb\u00e9m embasa o NEM (FRIGOTTO; MOTTA, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>A tecnologia n\u00e3o tem vida em si.&nbsp; \u00c9 uma mercadoria, n\u00e3o vamos aqui cair no fetiche da mercadoria como j\u00e1 nos ensinou Marx (2013). O que ela tem \u00e9 vetor de classe. Sob o referencial socialista, ter\u00edamos uma outra tecnologia, voltada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas. N\u00e3o \u00e9 o caso sob o capital e ainda mais sob o capital neoliberal gerencialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista do acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos pelos\/as trabalhadores\/as temos observado a exclus\u00e3o digital ao inv\u00e9s de inclus\u00e3o, aumentando a vulnerabilidade daqueles\/as j\u00e1 vulner\u00e1veis sob a fal\u00e1cia da melhoria dos servi\u00e7os. A melhoria e efici\u00eancia sob a l\u00f3gica do setor privado que invade os servi\u00e7os p\u00fablicos se apoiam na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos trabalhadores p\u00fablicos (Gr\u00e1fico 2).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gr\u00e1fico 2 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o dos Servidores P\u00fablicos Federais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"475\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7569\" style=\"width:589px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1.jpeg 475w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1-300x95.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: Dieese (2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Gr\u00e1fico 2, entre 2017, primeiro ano sob o teto dos gastos p\u00fablicos sob o governo de Michel Temer (2016-2917) at\u00e9 2023, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 78.621 servidores\/as no servi\u00e7o p\u00fablico federal, o que pode ser atribu\u00eddo em grande medida, aos processos de informatiza\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os, bem como \u00e0s reestrutura\u00e7\u00f5es envolvendo terceiriza\u00e7\u00f5es.&nbsp; Sob o neoliberalismo e a NGP a tecnologia \u00e9 um forte instrumento de precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos com vistas a sua mercantiliza\u00e7\u00e3o e de controle do trabalho com vistas \u00e0 coibir as formas de resist\u00eancia a esse processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A NGP e seus Impactos no Trabalho Docente na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o ligadas \u00e0 reforma do Estado sob a ideologia neoliberal, especialmente por meio da NGP, cujo objetivo \u00e9 garantir e ampliar os meios de acumula\u00e7\u00e3o do capital. A NGP surge nos anos 1970, com a derrota dos movimentos sindicais e ganhando for\u00e7a nos governos de Thatcher (1979-1982), Major (1982-1997) no Reino Unido e Reagan (1981-1989) nos Estados Unidos. Desde ent\u00e3o vem sendo refor\u00e7ada, ainda que com tens\u00f5es, a depender da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em cada pa\u00eds e sua posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica. Alguns estudiosos j\u00e1 apontam para uma fase p\u00f3s-NGP, marcada pela amplia\u00e7\u00e3o de seus princ\u00edpios com o uso intensivo de tecnologias digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Clark e Newman (1997), a NGP se baseia na ado\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do mercado dentro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, transformando os servi\u00e7os p\u00fablicos em atividades mercantis. Para Hall e Gunter (2015), essa l\u00f3gica introduz conceitos empresariais como efici\u00eancia, desempenho individual e competitividade no setor p\u00fablico, justificando ideologicamente privatiza\u00e7\u00f5es e terceiriza\u00e7\u00f5es em preju\u00edzo da classe trabalhadora e da universalidade dos direitos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo onde os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o totalmente privatizados, a NGP se imp\u00f5e por meio de metas r\u00edgidas, controle de custos e uso de indicadores gerenciais que ignoram a fun\u00e7\u00e3o social dos servi\u00e7os. Carvalho (2006) aponta que essa l\u00f3gica se materializa, por exemplo, no controle financeiro informatizado, na avalia\u00e7\u00e3o punitiva de desempenho, no enfraquecimento dos direitos trabalhistas coletivos e na crescente flexibiliza\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a NGP come\u00e7ou a ser implementada no governo Collor (1990-1992) e se aprofundou durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1992-2002), com destaque para a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Administra\u00e7\u00e3o Federal e Reforma do Estado (MARE), inspirado na experi\u00eancia brit\u00e2nica e mantem-se at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica p\u00fablica \u00e9 um caso significativo do desfinanciamento e desmonte do servi\u00e7o p\u00fablico sob a NGP. Para Hill (2003), a escola sofre press\u00f5es do capital nacional e internacional para adotar metas e padr\u00f5es mercadol\u00f3gicos, o que leva \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 distor\u00e7\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A necessidade de torn\u00e1-la a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica um nicho de neg\u00f3cio para o capital impinge ao trabalho profissional docente novas formas de controle, que alteram o saber-fazer e as rela\u00e7\u00f5es laborais. Ball (2022) destaca o aparecimento de uma nova performatividade, centrada em metas e resultados, que afeta diretamente a subjetividade dos\/as professores\/as, esvaziando sua identidade profissional, tornando o trabalho mais individualista e utilit\u00e1rio, e enfraquecendo a dimens\u00e3o \u00e9tica, coletiva e cultural da doc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a NGP neoliberal tecnologizada ou ainda, como temos afirmado, sob o neoliberalismo-gerencialista-informacional, o trabalho docente vai sendo (trans)formado em tr\u00eas dimens\u00f5es articuladas: no processo de trabalho, nas rela\u00e7\u00f5es laborais e na forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada. Conforme afirmamos em Previtali e Fagiani (2020, p. 228):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cA constru\u00e7\u00e3o do novo perfil do profissional interage diretamente com as mudan\u00e7as na sua forma\u00e7\u00e3o. Por sua vez, os elementos que comp\u00f5em a forma\u00e7\u00e3o, traduzidos em saberes e pr\u00e1ticas sistematizados, n\u00e3o est\u00e3o alheios \u00e0s demandas do mundo do trabalho e seu patamar s\u00f3cio t\u00e9cnico. No entanto, cabe ressaltar que a rela\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia rec\u00edproca n\u00e3o ocorre de maneira horizontalizada. Ao contr\u00e1rio, elas formam, como diz M\u00e9sz\u00e1ros (2011, p. 16), \u201cum todo estruturado, com uma ordem interna adequada e uma hierarquia determinada e deve ser apreendida como din\u00e2mica e em constante muta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m analisar mais detalhadamente cada uma dessas dimens\u00f5es de modo a se apreender a totalidade das mudan\u00e7as em toda a sua complexidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange o processo de trabalho, este \u00e9 historicamente alterado pelas mudan\u00e7as t\u00e9cnica e\/ou organizacionais (BRAVERMAN, 1981). Na era digital, a Pandemia Covid-19, em 2020, representou um grande laborat\u00f3rio de experimenta\u00e7\u00e3o para essas inova\u00e7\u00f5es que envolveram a difus\u00e3o das plataformas digitais e o teletrabalho diversas \u00e1reas. &nbsp;Na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica os\/as professores\/as o teletrabalho significou a extens\u00e3o da jornada, intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho e adoecimento docente (GATTI; 2022; PREVITALI; FAGIANI, 2022). Para Previtali e Fagiani (2022, p. 161):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201cO teletrabalho colocou em causa o argumento disseminado pelas empresas educacionais e ide\u00f3logos liberais, assim como pela grande m\u00eddia corporativa, de que o ensino remoto possibilita maior tempo livre ao trabalho docente. Contrariamente, a nova racionaliza\u00e7\u00e3o do trabalho trouxe consigo o aumento da jornada e a indetermina\u00e7\u00e3o entre o tempo do trabalho e o tempo do n\u00e3o-trabalho, agora realizado na esfera dom\u00e9stica, implicando na redu\u00e7\u00e3o do tempo de descanso e intensifica\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que causava estranhamento e adoecimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es laborais, sob a Pandemia, ao mesmo tempo que as horas trabalhadas aumentam e as condi\u00e7\u00f5es laborais se tornam ainda mais precarizadas, os governos municipais e estaduais, impuseram redu\u00e7\u00e3o salarial e encerraram contratos de trabalhos dos\/as docentes (PREVITALI; FAGIANI, 2022). Vale ressaltar que os contratos de trabalho tempor\u00e1rios sempre fizeram parte da realidade do trabalho docente na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. No entanto, eles suplantaram o n\u00famero de efetivos a partir de 2022 em toda rede p\u00fablica estadual no Brasil (Gr\u00e1fico 3)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gr\u00e1fico 3 &#8211; <\/strong><strong>Quantidade de docentes da rede estadual no Brasil, por tipo de contrata\u00e7\u00e3o (em milhares) &#8211; 2013 a 2023<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"459\" height=\"219\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7570\" style=\"width:612px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.jpeg 459w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2-300x143.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fonte: INEP\/Sinopse Estat\u00edstica da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (2024)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando-se as rela\u00e7\u00f5es laborais por estado, temos que a grande maioria deles adota contratos tempor\u00e1rios em 2023, chegando a mais de 80% dos docentes no caso de Minas Gerais (Gr\u00e1fico 5).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gr\u00e1fico 5 &#8211; <\/strong><strong>Quantidade de docentes da rede estadual no Brasil, por tipo de contrata\u00e7\u00e3o (em milhares) em 2023<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"409\" height=\"524\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7572\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-4.jpeg 409w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-4-234x300.jpeg 234w\" sizes=\"auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fonte: INEP\/Sinopse Estat\u00edstica da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (2024)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No que concerne a forma\u00e7\u00e3o profissional inicial, observamos a sua precariza\u00e7\u00e3o com a difus\u00e3o dos cursos particulares e \u00e0 dist\u00e2ncia, ao mesmo tempo que as Diretrizes Nacionais para forma\u00e7\u00e3o de professores\/as nas licenciaturas (DCN- Forma\u00e7\u00e3o) t\u00eam enfatizado o aumento de horas de est\u00e1gio em detrimento dos conte\u00fados filos\u00f3ficos, epistemol\u00f3gicos e pedag\u00f3gicos e forte media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que inibi a autonomia docente quanto aos processos formativos em sala de aula (GATTI; 2020; REGO; PREVITALI, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma forma\u00e7\u00e3o precarizada, desprovida de conte\u00fado e forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 um dos fatores que contribuem para a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente na escola. \u00c9 nesse sentido que argumentamos sobre o crescente processo de (tras) forma\u00e7\u00e3o docente sob uma nova profissionalidade, marcada pela precariza\u00e7\u00e3o do trabalho com intensifica\u00e7\u00e3o das atividades e acumulo de tarefas sob intensa media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica-digital, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es da infraestrutura escolar, forma\u00e7\u00e3o desprovida de conte\u00fado e aligeirada, desmonte da carreira e a imposi\u00e7\u00e3o de formas flex\u00edveis de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que fazer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de alternativas para esse quadro est\u00e1 fortemente nas m\u00e3os dos\/as jovens profissionais da doc\u00eancia. Se voc\u00eas est\u00e3o sendo forjados numa nova realidade, se imp\u00f5e a voc\u00eas a dif\u00edcil tarefa de encontrar as novas bases da resist\u00eancia. Desenvolver estrat\u00e9gias e criar condi\u00e7\u00f5es para uma transforma\u00e7\u00e3o social, constitu\u00edda na teoria e na experi\u00eancia vivida, uma luta radical, orientada para emancipa\u00e7\u00e3o humana, com tempo livre genu\u00edno, criatividade e individualidades genu\u00ednas que visem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de tecnologias socialmente referenciadas, com a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os dispostos, aptos e com tempo para participar diretamente das delibera\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es de interesse da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Construir uma pauta que una diversos segmentos e inclua terceirizados\/as. &nbsp;Lutar por direitos hoje \u00e9 important\u00edssimo. Ach\u00e1vamos que iriamos lutar pelo fim do trabalho alienado e hoje temos que lutar pelo trabalho digno. Penso que \u00e9 necess\u00e1rio recuperar a defesa intransigente de direitos sociais e de uma democracia mais ampla, que incorpore justi\u00e7a social, de g\u00eanero, racial e ambiental sem perder de vista a constru\u00e7\u00e3ode um projeto de transforma\u00e7\u00e3o social que coloque fim ao capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 nossa utopia!<\/p>\n\n\n\n<p>Marx (1867), escreveu em \u201cInstru\u00e7\u00f5es aos delegados da I Internacional<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[ii]<\/a>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c(&#8230;) n\u00e3o existe outro m\u00e9todo de o fazer sen\u00e3o atrav\u00e9s de leis gerais impostas pelo poder do Estado. Impondo tais leis, a classe oper\u00e1ria n\u00e3o fortifica o poder governamental. Pelo contr\u00e1rio, eles transformam esse poder, agora usado contra eles, em seu pr\u00f3prio agente. Eles efetuam por uma medida [act] geral aquilo que em v\u00e3o tentariam atingir por uma multid\u00e3o de esfor\u00e7os individuais isolados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Termino com as palavras de Francisco Goya (1746 \u2013 1828):<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O sono da utopia desperta monstros<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Referencias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antunes, R. (2000). <em>Os Sentidos do Trabalho<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Antunes, R. (2019). <em>O Privil\u00e9gio da Servid\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ball, S. (2020). <em>Educa\u00e7\u00e3o Global S.A<\/em>. Ponta Grossa: Editora UEPG.<\/p>\n\n\n\n<p>Bihr, A. (n.d.). <em>Da Grande Noite \u00e0 Alternativa<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Braverman, H. (1981). <em>Trabalho e Capital Monopolista<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar.<\/p>\n\n\n\n<p>Canzian, F. (2025, March 30). Mercado de trabalho aquecido esconde precariza\u00e7\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o em vagas. <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, A17.<\/p>\n\n\n\n<p>Carvalho, M. T. G. (2006). <em>A nova gest\u00e3o p\u00fablica, as reformas no sector da sa\u00fade e os profissionais de enfermagem com fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o em Portugal<\/em> (Tese de doutoramento). Universidade de Aveiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Clarke, J., &amp; Newman, J. (1997). <em>The Managerial State: Power, politics and ideology in the remaking of social welfare<\/em>. London: Sage.<\/p>\n\n\n\n<p>DIEESE. (2023). <em>Boletim Emprego em Pauta<\/em>. Retrieved from <a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimempregoempauta\/2023\/boletimEmpregoemPauta26.html\">https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimempregoempauta\/2023\/boletimEmpregoemPauta26.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Gatti, B. A. (2022). Duas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI: e a forma\u00e7\u00e3o de professores? <em>Revista Internacional de Forma\u00e7\u00e3o de Professores, 7<\/em>, e022009. Retrieved from <a href=\"https:\/\/periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br\/index.php\/rifp\/article\/view\/763\">https:\/\/periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br\/index.php\/rifp\/article\/view\/763<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Hall, D., &amp; Gunter, H. (2015). A nova gest\u00e3o p\u00fablica na Inglaterra: a permanente instabilidade da reforma neoliberal. <em>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade, 36<\/em>(132), 743\u2013758. Retrieved from <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/wTdg5CVwhqfT4kj5LNrPxtD\/?format=pdf\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/wTdg5CVwhqfT4kj5LNrPxtD\/?format=pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Harvey, D. (2018). <em>A Loucura da Raz\u00e3o Econ\u00f4mica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hassard, J., &amp; Morris, J. (2018). Contrived competition and manufactured uncertainty: Understanding managerial job insecurity narratives in large corporations. <em>Work, Employment and Society, 32<\/em>(3), 564\u2013580. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/0950017017751806\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/0950017017751806<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Hill, D. (2003). O neoliberalismo global, a resist\u00eancia e a deforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. <em>Curr\u00edculo sem Fronteiras, 3<\/em>(2), 24\u201359. Retrieved from <a href=\"https:\/\/www.curriculosemfronteiras.org\/vol3iss2articles\/hill.pdf\">https:\/\/www.curriculosemfronteiras.org\/vol3iss2articles\/hill.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Hirsch, E., et al. (2007). <em>Teacher Working Conditions Are Student Learning Conditions: A Report on the 2006 North Carolina Teacher Working Conditions Survey<\/em>. Center for Teaching Quality. Retrieved from <a href=\"https:\/\/eric.ed.gov\/?id=ED498770\">https:\/\/eric.ed.gov\/?id=ED498770<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira \u2013 INEP. (2024). <em>Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica<\/em>. Retrieved from <a href=\"https:\/\/download.inep.gov.br\/publicacoes\/institucionais\/estatisticas_e_indicadores\/notas_estatisticas_censo_da_educacao_basica_2024.pdf\">https:\/\/download.inep.gov.br\/publicacoes\/institucionais\/estatisticas_e_indicadores\/notas_estatisticas_censo_da_educacao_basica_2024.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Marx, K. (1866). <em>Instru\u00e7\u00f5es para os Delegados do Conselho Geral Provis\u00f3rio<\/em>. Retrieved from <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1866\/08\/instrucoes.htm\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1866\/08\/instrucoes.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Marx, K. (2013). <em>O Capital: Livro 1<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Motta, V., &amp; Frigotto, G. (2017). Por que a urg\u00eancia da reforma do ensino m\u00e9dio? <em>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade, 38<\/em>(139), 355\u2013372. Retrieved from <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/8hBKtMRjC9mBJYjPwbNDktk\/?format=pdf\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/8hBKtMRjC9mBJYjPwbNDktk\/?format=pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Newman, J., &amp; Clarke, J. (2012). Gerencialismo. <em>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Realidade, 37<\/em>(2), 353\u2013381. Retrieved from <a href=\"http:\/\/educa.fcc.org.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-31432012000200003\">http:\/\/educa.fcc.org.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-31432012000200003<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Previtali, F. S., &amp; Fagiani, C. C. (2020). Trabalho e trabalho docente na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em tempos de precariza\u00e7\u00e3o no Brasil. <em>Controversias y Concurrencias Latinoamericanas, 11<\/em>(20). Retrieved from <a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=588663787013\">https:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=588663787013<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Previtali, F. S. (2009). O controle do trabalho pelo discurso da qualifica\u00e7\u00e3o do trabalhador no contexto da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva do capital. <em>Publicatio UEPG: Ci\u00eancias Humanas, Lingu\u00edstica, Letras e Artes, 17<\/em>, 141\u2013155. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5212\/publicatiohum.v.17i2.141155\">https:\/\/doi.org\/10.5212\/publicatiohum.v.17i2.141155<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Previtali, F. S., &amp; Fagiani, C. C. (2020). Trabalho digital e educa\u00e7\u00e3o no Brasil. In R. Antunes (Org.), <em>Uberiza\u00e7\u00e3o, trabalho digital e Ind\u00fastria 4.0<\/em> (pp. 217\u2013236). S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Previtali, F. S., &amp; Fagiani, C. C. (2022). Trabalho docente na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil sob ind\u00fastria 4.0. <em>Kat\u00e1lysis<\/em>. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1982-0259.2022.e82504\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1982-0259.2022.e82504<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Rego, T. C. F., &amp; Previtali, F. S. (2023). Falando em forma\u00e7\u00e3o docente: perfil dos estudantes de licenciaturas em Minas Gerais. <em>SciELO Preprints<\/em>. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/SciELOPreprints.7042\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/SciELOPreprints.7042<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Schumpeter, J. (1997). <em>Teoria do Desenvolvimento Econ\u00f4mico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Wallis, V. (2001). Progresso ou progresso? Definindo uma tecnologia socialista. <em>Cr\u00edtica Marxista, 8<\/em>(12), 133\u2013146. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.53000\/cma.v8i12.19641\">https:\/\/doi.org\/10.53000\/cma.v8i12.19641<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>* Fabiane Santana Previtali: Professora Titular na Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), atuando junto ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o (PPGED) e ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais (PPGCS). Graduada em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho. Mestre em Sociologia e Doutora em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com doutorado sandu\u00edche na Universidade de Manchester (Apoio Capes). P\u00f3s-doutorado em Hist\u00f3ria Social pelo Instituto de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea da Universidade Nova de Lisboa (IHC\/INL), Portugal (Apoio Capes). P\u00f3s-doutorado em Educa\u00e7\u00e3o pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo (FEUSP). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade (GPTES\/UFU). Pesquisa os temas: Reestrutura\u00e7\u00e3o Produtiva; Trabalho e Mudan\u00e7as Tecnol\u00f3gicas; Nova Gest\u00e3o P\u00fablica; Trabalho-Educa\u00e7\u00e3o; Trabalho Docente na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. \u00c9 pesquisadora CNPq.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[i]<\/a> O estudo considera o rendimento m\u00e9dio das profiss\u00f5es e dos setores analisados iguais a 1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[ii]<\/a> Karl Marx escreveu esse texto em 1866, para orientar os representantes da Primeira Internacional (a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores) na proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento do movimento oper\u00e1rio durante seu Congresso em Genebra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"796\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7543\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-768x597.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1.jpg 1325w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><\/tr><tr><td>ATRLA N\u00ba 15\/16 &#8211; Enero 2023 &#8211; Marzo 2025<\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><strong><em>N\u00fameros anteriores <\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=7505&amp;action=edit\">ATRLA N\u00ba 13\/14 Marzo 2019 &#8211; Diciembre 2022<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6275\">ATRLA N\u00ba 11\/12 Marzo 2016 &#8211; Febrero 2019<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6270\">ATRLA N\u00ba 10 Marzo 2015 &#8211; Febrero 2016<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6200\">ATRLA N\u00ba 9 Marzo 2014 &#8211; Febrero 2015<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6186\">ATRLA N\u00ba 8 Marzo 2013 &#8211; Febrero 2014<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6177\">ATRLA N\u00ba 7 Marzo 2012 &#8211; Febrero 2013<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6159\">ATRLA N\u00ba 6 Marzo 2011 &#8211; Febrero 2012<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6138\">ATRLA N\u00ba 5 Marzo 2010 &#8211; Febrero 2011<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=5921\">ATRLA N\u00ba 1 a 4 2006 &#8211; 2009<\/a><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6661\">Qui\u00e9nes somos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=809\">Normas de publicaci\u00f3n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores s\u00e3o, ao mesmo tempo, as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem dos estudantes. (HIRSCH at al, 2007). Resumo O artigo resulta de palestra proferida na aula inaugural no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica \u2013 PPGET e no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica \u2013 PROFEPT ambos do IFTM em &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7566\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abA Educa\u00e7\u00e3o Profissional Tecnol\u00f3gica Frente aos Desafios Midi\u00e1ticos Atuais e a Uberiza\u00e7\u00e3o do Trabalho\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[624,57],"tags":[651,650,652,648,649],"class_list":["post-7566","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ariadna-tucma","category-ciencias-sociales","tag-educacao-e-trabalho","tag-formacao-de-professores","tag-midias-sociais","tag-trabajo-on-demand","tag-uberizacao-do-trabalho","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7566"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7716,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7566\/revisions\/7716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}