{"id":7535,"date":"2025-05-30T20:46:34","date_gmt":"2025-05-30T23:46:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7535"},"modified":"2025-06-04T20:32:16","modified_gmt":"2025-06-04T23:32:16","slug":"as-polemicas-entre-ruy-mauro-marini-e-fernando-henrique-cardoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7535","title":{"rendered":"As pol\u00eamicas entre Ruy Mauro Marini e Fernando Henrique Cardoso"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover alignfull has-custom-content-position is-position-bottom-right\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"589\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-7616\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/FondoAT-001-1024x589.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/FondoAT-001-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/FondoAT-001-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/FondoAT-001-768x442.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/FondoAT-001.jpg 1134w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Maria Goreti Juvencio Sobrinho* <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-large-font-size\"><strong>e Ivan Cotrim**<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Ilustraci\u00f3n: Trabajo digital de Carolina Crisorio <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo traz \u00e0 tona as pol\u00eamicas entre dois grandes expoentes do pensamento latino-americano, Ruy Mauro Marini e Fernando Henrique Cardoso, travadas em torno da <em>Di\u00e1letica da depend\u00eancia<\/em>, ao longo da d\u00e9cada de 1970. Mostra que, embora utilizem o conceito de <em>depend\u00eancia<\/em>, ambos os autores analisam a realidade latino-americana, e brasileira em particular, sob perspectivas de classe distintas. Enquanto Cardoso empreende uma cr\u00edtica liberal\/politicista \u00e0 ditadura militar, enaltecendo a moderniza\u00e7\u00e3o da perspectiva do capital e defendendo uma democratiza\u00e7\u00e3o estritamente no \u00e2mbito das formas pol\u00edtico-institucionais, Marini op\u00f5e-se \u00e0 ditadura militar com base na perspectiva do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>&nbsp; Marini, Cardoso, depend\u00eancia, superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>The Controversies between Ruy Mauro Marini and Fernando Henrique Cardoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>This article brings to light the controversies between two great exponents of Latin American thought, Ruy Mauro Marini and Fernando Henrique Cardoso, which took place over the <em>Dialectic of Dependency<\/em> during the 1970s. It shows that, although they use the concept of dependency, both authors analyze the Latin American reality, and Brazilian reality in particular, from different class perspectives. While Cardoso undertakes a liberal\/politician critique of the military dictatorship, praising the modernization of the capitalist perspective and defending a democratization strictly within the scope of political-institutional forms, Marini opposes the military dictatorship based on the perspective of labor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Marini, Cardoso, dependency, overexploitation of the labor force<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>As pol\u00eamicas entre Ruy Mauro Marini e Fernando Henrique Cardoso<\/strong><strong> <\/strong><a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presente trabalho discute as teses de Ruy Mauro Marini e Fernando Henrique Cardoso, cujas pol\u00eamicas, ao longo da d\u00e9cada de 1970, lan\u00e7aram luzes sobre a forma de acumula\u00e7\u00e3o do capital no Brasil. Em <em>Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia<\/em>, Marini demarca dois trac\u0327os distintivos do capitalismo latino-americano: a sua subordinac\u0327\u00e3o constitutiva e a superexplorac\u0327\u00e3o da forc\u0327a de trabalho, que deriva desta, ambos determinados pelo processo de reproduc\u0327\u00e3o material particular e insepar\u00e1vel dos pa\u00edses centrais. Ao analisar as func\u0327\u00f5es que as economias dependentes cumprem na divis\u00e3o internacional do trabalho e as determina\u00e7\u00f5es do interc\u00e2mbio desigual e da transfer\u00eancia de valor, a favor das economias centrais, Marini constata que o mecanismo da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho foi posto em pr\u00e1tica pelas economias dependentes para compensar a parcela de sua mais-valia abocanhada pelos pa\u00edses centrais. A obra em tela, publicada em 1973, foi objeto da cr\u00edtica de Fernando Henrique Cardoso, que deu in\u00edcio \u00e0 pol\u00eamica entre os dois autores. Estas ser\u00e3o discutidas na segunda parte deste artigo, que principia destacando a an\u00e1lise de Marini<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte I<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marini busca elucidar a maneira pela qual a lei geral da acumula\u00e7\u00e3o de capital incide na economia dependente\/subordinada, para a qual se coloca a incontorn\u00e1vel quest\u00e3o: qual \u00e9 a \u201cforma como o trabalhador \u00e9 explorado e, portanto, a forma como se d\u00e1 o processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d (MARINI, 1972)? A resposta n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Essa se expressa pelo pagamento da for\u00e7a de trabalho abaixo do valor real, e se vale de tr\u00eas mecanismos, que podem ser utilizados de forma isolada ou combinada: amplia\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, aumento da intensidade do trabalho e redu\u00e7\u00e3o salarial. Nos dois primeiros mecanismos \u00e9 imposto ao trabalhador um desgaste prematuro de sua for\u00e7a de trabalho, sem uma remunera\u00e7\u00e3o correspondente a esse desgaste<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[3]<\/a>. No terceiro caso, o trabalhador \u00e9 impedido, pela redu\u00e7\u00e3o salarial, de consumir o necess\u00e1rio \u00e0 reposi\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho em condi\u00e7\u00f5es normais (MARINI, 2000a)<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, nos seus momentos iniciais, produz bens que entram de modo muito restrito no consumo da classe trabalhadora, logo, as condic\u0327\u00f5es de sal\u00e1rios desta n\u00e3o contavam para a produc\u0327\u00e3o daquela. Isso ocorre em dois sentidos, conforme Marini. Primeiro, porque \u201co valor das manufaturas n\u00e3o determina o valor da forc\u0327a de trabalho\u201d, por conseguinte, a desvalorizac\u0327\u00e3o daquelas n\u00e3o influencia a taxa de mais-valia, de modo que o industrial n\u00e3o se ve\u0302 impelido a aumentar a produtividade do trabalho, mas procura aumentar a massa de mais-valia por meio da superexplorac\u0327\u00e3o da forc\u0327a de trabalho (intensiva e extensiva, assim como pela redu\u00e7\u00e3o salarial), agora, realimentada pelo excedente de m\u00e3o de obra produzido pela crise agroexportadora. Em segundo lugar, na medida em que a evolu\u00e7\u00e3o da oferta de mercadorias ocorre \u00e0s custas do poder de compra dos trabalhadores, n\u00e3o se coloca para o \u201ccapitalista o problema na esfera da circula\u00e7\u00e3o\u201d, j\u00e1 que o trabalhador conta apenas como produtor n\u00e3o como consumidor (MARINI, 2000a, p. 142).<\/p>\n\n\n\n<p>A superexplora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 intensificada com o avan\u00e7o da industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1950, na quadra de acirramento do imperialismo e sob uma nova divis\u00e3o internacional do trabalho, portanto, submetida aos interesses do capital produtivo e financeiro internacional. Nestas condi\u00e7\u00f5es, e sem ter desenvolvido ou completado o setor de bens de produ\u00e7\u00e3o, que, em parte, ser\u00e3o importados dos pa\u00edses centrais, a expans\u00e3o industrial ocorre por meio do setor de bens suntu\u00e1rios e dos insumos e bens de capitais vinculados \u00e0queles, aprofundando assim sua subordina\u00e7\u00e3o e, pois, a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho. Na medida em que essa expans\u00e3o n\u00e3o prioriza os setores produtores dos meios de subsist\u00eancia da classe trabalhadora, mas os setores suntu\u00e1rios, que s\u00f3 podem ser consumidos pelas esferas altas da circula\u00e7\u00e3o (consumo de mais-valia n\u00e3o acumulada e dos setores da classe m\u00e9dia, cuja renda deriva daquela e da compress\u00e3o salarial da classe trabalhadora), ela n\u00e3o somente n\u00e3o colabora para a redu\u00e7\u00e3o do valor da for\u00e7a de trabalho, por meio da redu\u00e7\u00e3o dos custos de sua reprodu\u00e7\u00e3o, como se sustenta no rebaixamento do n\u00edvel de reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, consolida, assim, um aparato produtivo divorciado das necessidades de consumo das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme os investimentos v\u00e3o se direcionando aos setores produtores de bens suntu\u00e1rios e as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas v\u00e3o se concentrando nestes e nos setores de bens de capital que os atendem, e n\u00e3o nos setores vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens de subsist\u00eancia da classe trabalhadora, o que provoca a hipertrofia daqueles, vai se obstruindo, na economia dependente, sobretudo pela preval\u00eancia da superexplora\u00e7\u00e3o e da mais-valia extraordin\u00e1ria, a emerg\u00eancia da forma de extra\u00e7\u00e3o do valor pela via relativa, como forma dominante na rela\u00e7\u00e3o capital e trabalho (MARINI, 2000a, p165). A mais-valia extraordin\u00e1ria, que \u00e9 \u201co fato por excel\u00eancia\u201d pelo qual o capitalista individual se lan\u00e7a ao aumento de produtividade ou o impele ao \u201cprogresso t\u00e9cnico\u201d (MARINI, 1979a), assume um car\u00e1ter mais exacerbado na economia dependente\/subordinada, que sofre transfer\u00eancias de valores, quer nas suas rela\u00e7\u00f5es com o mercado mundial, quer no \u00e2mbito interno, no qual o capital monop\u00f3lico tamb\u00e9m abocanha mais-valia dos setores com baixa composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Marini destaca que a mais-valia extraordin\u00e1ria \u201cn\u00e3o modifica o grau de explora\u00e7\u00e3o do trabalho na economia ou no ramo considerado, isto \u00e9, n\u00e3o incide na cota de mais-valia\u201d, ela apenas \u201caltera a reparti\u00e7\u00e3o geral da mais-valia entre os diversos capitalistas, ao traduzir-se em lucro extraordin\u00e1rio\u201d (MARINI, 2000a, p. 114). Caso a nova taxa de produtividade for adotada pelas demais empresas do ramo, seu efeito ser\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o do valor social do produto proporcional ao aumento da produtividade, isto \u00e9, elimina-se a diferen\u00e7a entre o valor individual das mercadorias e seu valor social. Neste caso, a mais-valia extraordin\u00e1ria individual ou intrasetorial desaparece (n\u00e3o h\u00e1 incremento da mais-valia, mas sua redu\u00e7\u00e3o). Por\u00e9m, se isso ocorrer no setor IIb<a href=\"#_edn5\" id=\"_ednref5\">[5]<\/a>, isto \u00e9, se o aumento de produtividade acima da m\u00e9dia social se generalizar nos ramos produtores de bens suntu\u00e1rios tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 alterado o grau de explora\u00e7\u00e3o do trabalho no conjunto da economia, mas ser\u00e1 modificada a distribui\u00e7\u00e3o da mais-valia, dada a concentra\u00e7\u00e3o da mais-valia extraordin\u00e1ria no referido setor. Para que ocorra a extra\u00e7\u00e3o do mais-valor pela via relativa \u00e9 necess\u00e1rio que o aumento da for\u00e7a produtiva incida sobre os bens necess\u00e1rios \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. O aumento de produtividade do trabalho somente pode afetar, assim, o conjunto da economia, isto \u00e9, modificar seu grau de explora\u00e7\u00e3o (alterar a rela\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de distribui\u00e7\u00e3o entre tempo necess\u00e1rio e tempo excedente) se ele incidir nos ramos produtores dos meios de subsist\u00eancia (no subsetor IIa) \u2013 o que inclui o setor de bens de capital necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o daqueles -, isto \u00e9, nos ramos que determinam o valor da for\u00e7a de trabalho, alterando, pela redu\u00e7\u00e3o do valor desta, a propor\u00e7\u00e3o, favor\u00e1vel ao capital, entre os dois tempos de trabalho: trabalho necess\u00e1rio e trabalho excedente, generalizando, portanto, a mudan\u00e7a na taxa de mais-valia no conjunto da economia. Logo, o aumento da for\u00e7a produtiva do trabalho<a href=\"#_edn6\" id=\"_ednref6\">[6]<\/a> n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de mais-valia relativa, aquele \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para essa, mas n\u00e3o suficiente (MARINI, 1979b; 2000a).<\/p>\n\n\n\n<p>Se a ind\u00fastria brasileira acabou se consolidando por meio da expans\u00e3o do setor de bens suntu\u00e1rios &#8211; que n\u00e3o fazem parte do consumo da classe trabalhadora, n\u00e3o determinam, pois, o valor da sua for\u00e7a de trabalho &#8211; o aumento de produtividade do trabalho induzido pelas inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas desses ramos \u201cn\u00e3o p\u00f4de traduzir-se em maiores lucros por meio da eleva\u00e7\u00e3o da taxa de mais-valia, mas t\u00e3o somente mediante o aumento da massa de valor realizado\u201d (MARINI, 2000a, p.148). A introdu\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas na economia dependente provoca, de um lado, a amplia\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de reserva, de outro, uma grande heterogeneidade tecnol\u00f3gica (distintos n\u00edveis de composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica dos capitais), o que permite aos setores monop\u00f3licos se apropriarem de uma mais-valia extraordin\u00e1ria, enquanto os setores de baixa composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica lan\u00e7am m\u00e3o da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho<a href=\"#_edn7\" id=\"_ednref7\">[7]<\/a> para compensar sua perda de mais-valia. Portanto, o progresso t\u00e9cnico na economia dependente, \u201cbaseada na maior explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\u201d, permitiu ao capitalista \u201cintensificar o ritmo de trabalho do oper\u00e1rio, elevar a sua produtividade e, simultaneamente, manter a tend\u00eancia a remuner\u00e1-lo em propor\u00e7\u00e3o inferior ao seu valor real\u201d (MARINI, 2000a, p.147).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da ditadura militar, as contradi\u00e7\u00f5es e limites do capitalismo brasileiro foram intensificados, com o aprofundamento de sua subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo. Em conformidade com o eixo de acumula\u00e7\u00e3o que acabou prevalecendo (baseado na superexplora\u00e7\u00e3o), em todos os setores da economia, a \u201cditadura do grande capital\u201d &#8211; que de chofre beneficiou as grandes empresas, nacionais e estrangeiras (de bens intermedi\u00e1rios, de consumo dur\u00e1vel e de equipamentos destinados sobretudo a esses, cujos investimentos foram superiores aos direcionados para as pequenas e m\u00e9dias ind\u00fastrias, vinculadas, em geral,&nbsp; \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens de subsist\u00eancia) -, ampliou as pol\u00edticas de atrac\u0327\u00e3o para os investimentos externos e facilitou a remessa de lucros, ao mesmo tempo em que excluiu o segmento da classe trabalhadora, que fora relativamente contemplado pelo estado no pr\u00e9-64, o que exigiu a institucionalizac\u0327\u00e3o e a intensificac\u0327\u00e3o da superexplora\u00e7\u00e3o da forc\u0327a de trabalho: conter pela forc\u0327a o movimento reivindicativo das massas, determinar a fixac\u0327\u00e3o do reajuste salarial e substituir a estabilidade no emprego pelo Fundo de Garantia por Tempo de Servic\u0327o (FGTS), que ampliou a rotatividade do emprego e, pois, colaborou para a fixac\u0327\u00e3o do sal\u00e1rio abaixo do seu real valor<a href=\"#_edn8\" id=\"_ednref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa forma de acumula\u00e7\u00e3o, baseada na superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, gera limites para a acumula\u00e7\u00e3o ampliada do capital, cria, pois, graves problemas de realiza\u00e7\u00e3o, uma vez que a amplia\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, facultada, em especial, pelo aumento de produtividade do setor suntu\u00e1rio, esbarra na capacidade interna de consumo. A grande ind\u00fastria choca-se, assim, com a estreiteza do mercado interno que ela mesma acentua<a href=\"#_edn9\" id=\"_ednref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais constrangimentos (que derivam da contradi\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e consumo\u2026) levar\u00e3o, por exemplo, \u00e0 crise do capitalismo brasileiro, que eclode com o final do chamado milagre. Essa crise de acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 o pano de fundo do texto que Marini elabora em 1979b, <em>Plusval\u00eda extraordinaria y acumulaci\u00f3n de capital<\/em>, que \u00e9 considerado pelo autor como complemento de <em>Dial\u00e9tica da depend\u00eancia<a href=\"#_edn10\" id=\"_ednref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em>. No texto de 1979b, Marini critica algumas interpreta\u00e7\u00f5es<a href=\"#_edn11\" id=\"_ednref11\">[11]<\/a> que tamb\u00e9m se debru\u00e7am sobre o padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o, o desequil\u00edbrio intersetorial e a crise da economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Marini explica a estrutura produtiva do capitalismo brasileiro, que chegara aquela fase exibindo o not\u00f3rio desequil\u00edbrio intersetorial, expresso pela hipertrofia do setor IIb (ramos suntu\u00e1rios), trazendo \u00e0 tona n\u00e3o apenas o controle do capital monop\u00f3lico nesse setor, mas, sobretudo, as raz\u00f5es de fundo que tornam esse setor promissor \u00e0s invers\u00f5es de capital. Para tanto, discute, primeiramente, as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias desse setor na economia capitalista, ressaltando que, \u201cpara Marx, o subsetor de produ\u00e7\u00e3o espec\u00edfico (IIb) tem seus pr\u00f3prios problemas de produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o, participa dinamicamente da reprodu\u00e7\u00e3o, tanto pela acumula\u00e7\u00e3o que a\u00ed se realiza, sob a forma c + v, quanto pela circula\u00e7\u00e3o de mercadorias que ela engendra, o que implica a circula\u00e7\u00e3o da mais-valia ali produzida\u201d. A primeira especificidade refere-se \u00e0 maior elasticidade de sua demanda, uma vez que ela tem origem na mais-valia n\u00e3o acumulada, de modo que \u201cquanto mais a mais-valia aumenta na economia, maior a elasticidade dessa demanda\u201d. Tanto em decorr\u00eancia da mais-valia ampliada no pr\u00f3prio setor quanto pelos demais ocorrer\u00e1 uma demanda maior pelos produtos de IIb. Por conseguinte, \u201ca possibilidade de que a mais-valia extraordin\u00e1ria de IIb se traduza em lucro extraordin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 limitada em princ\u00edpio pelo mercado, mas apenas pela competi\u00e7\u00e3o entre os capitais e sua emigra\u00e7\u00e3o de ramo para ramo\u201d<a href=\"#_edn12\" id=\"_ednref12\">[12]<\/a>. Dessa forma, a explica\u00e7\u00e3o para o lucro extraordin\u00e1rio do setor IIb n\u00e3o deve ser buscada, como pensam alguns autores, na estrutura monop\u00f3lica, que pode existir tamb\u00e9m nos demais setores, mas \u201cna pr\u00f3pria din\u00e2mica do mercado\u201d (MARINI, 1979b).<\/p>\n\n\n\n<p>Outra especificidade do setor IIb \u00e9 que ele \u201cexerce um efeito depressivo sobre a taxa geral de lucro, que \u00e9 rigorosamente a contrapartida do lucro extraordin\u00e1rio que nele ocorre\u201d, j\u00e1 que a transfer\u00eancia dos aumentos de produtividade para os pre\u00e7os ocorre nele de forma mais lenta que nos setores I e IIa, o que implica uma \u201ctransfer\u00eancia intersetorial de mais-valia, via pre\u00e7os, que vai al\u00e9m do que corresponderia estritamente os mecanismos de nivelamento da taxa de lucro e que os violam\u201d, consequentemente \u201ca massa de lucro cai para I e IIa (\u2026) e empurra para baixo sua participa\u00e7\u00e3o nos lucros\u201d<a href=\"#_edn13\" id=\"_ednref13\">[13]<\/a> (MARINI, 1979b).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marini, essas especificidades do setor IIb s\u00e3o acentuadas na economia dependente, cujas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais favor\u00e1veis ao referido setor. Dada a preval\u00eancia da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e ante o setor IIa, \u201cque n\u00e3o oferece um est\u00edmulo significativo ao aumento da produtividade\u201d, os investimentos e aumentos de produtividade s\u00e3o canalizados para o setor IIb (ramos suntu\u00e1rios), e n\u00e3o para os setores produtores dos meios de subsist\u00eancia. De sorte que \u201cS\u00e3o os aumentos de produtividade n\u00e3o canalizados nessa dire\u00e7\u00e3o que, ao influenciar a esfera de circula\u00e7\u00e3o, levam ao desequil\u00edbrio setorial\u201d, com a hipertrofia do setor IIb \u201ce dos ramos que para ele produzem\u201d (MARINI, 1979b). Ressalte-se que s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de mercado da economia dependente que permitem que o aumento de produtividade do setor IIb seja mais facilmente traduzido em lucros extraordin\u00e1rios, j\u00e1 que a produtividade m\u00e9dia dos demais setores \u00e9 baixa. O escoamento de mais-valia para o setor IIb e as diferen\u00e7as de composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre IIb e IIa, \u201cenviesam toda a estrutura produtiva\u201d (a expans\u00e3o desproporcional do setor IIb em rela\u00e7\u00e3o aos demais setores, causando a hipertrofia do primeiro, e subordina\u00e7\u00e3o do setor I ao setor IIb e n\u00e3o ao setor IIa), o que se traduz, segundo Marini, \u201cno plano da circula\u00e7\u00e3o, na crescente diferencia\u00e7\u00e3o entre sua esfera superior e sua esfera inferior, ou seja, aquela que corresponde ao consumo de mais-valia e aquela que corresponde ao consumo de sal\u00e1rios. Mais uma vez, se expressa como um problema de realiza\u00e7\u00e3o o que s\u00f3 se compreende \u00e0 luz dos mecanismos de produ\u00e7\u00e3o\u201d (MARINI, 1979b).<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que os investimentos, em particular os estrangeiros, tendem para este setor, sua composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica \u201caumenta em ritmo mais acelerado do que nos demais, inclinando a seu favor o mecanismo de nivelamento da taxa de lucro\u201d. De forma que \u201ca drenagem da mais-valia, que resulta do nivelamento dos lucros em um setor com alta composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, e a que deriva do lucro extraordin\u00e1rio\u201d, que, por sua vez, diz respeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de mercado, \u201cdeprimem a taxa de lucro nos demais setores\u201d, exceto nos setores produtores de bens de capital que atendem o setor IIb. Nesse sentido, e somente nesse sentido, ressalta Marini, \u00e9 que a hipertrofia do setor IIb corresponde \u00e0 atrofia nos setores I e IIa. Nesse n\u00edvel de an\u00e1lise se explicita, ent\u00e3o, o fen\u00f4meno do desequil\u00edbrio setorial ou da hipertrofia do setor IIb, que apenas pode ser explicado, partindo \u201cdas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o da mais-valia\u201d, n\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que, afora determinadas circunst\u00e2ncias, os problemas da circula\u00e7\u00e3o devem ser entendidos \u00e0 luz do que ocorreu na produ\u00e7\u00e3o. Desse modo, \u201cComo em qualquer outro campo observado, aqui tamb\u00e9m a economia dependente, baseada na superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho, sofre de forma ampliada com as leis gerais do regime capitalista de produ\u00e7\u00e3o\u201d (MARINI, 1979b).<\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas de circula\u00e7\u00e3o, determinados pela estrutura e din\u00e2mica produtiva, v\u00e3o se manifestar nos limites do mercado de consumo interno da economia dependente. De um lado, a aus\u00eancia de est\u00edmulo ao aumento de produtividade nos setores de bens-sal\u00e1rios, cujas taxas de crescimento s\u00e3o bem inferiores \u00e0s exibidas pelos ramos suntu\u00e1rios, mant\u00e9m elevado o valor de tais bens, sem que seja necess\u00e1rio o aumento salarial compat\u00edvel, j\u00e1 que esse n\u00e3o \u00e9 o segmento que lidera a acumula\u00e7\u00e3o de capital, que se vale da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, que, por sua vez, restringe o consumo popular. Disso resulta que os ramos de bens-sal\u00e1rios tendem \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o ou \u00e0 expans\u00e3o com base no mercado externo. Por outro, na medida em que o dinamismo do mercado interno \u00e9 dado pela demanda dos bens suntu\u00e1rios, que est\u00e1 restrita aos capitalistas e camadas m\u00e9dias altas e n\u00e3o pode se estender aos trabalhadores, cuja capacidade de consumo \u00e9 obstru\u00edda pela superexplora\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o choca-se com um restrito mercado interno, que n\u00e3o pode ser ampliado, inclusive, pelo fato de que a remessa ao exterior de parte da mais-valia n\u00e3o acumulada, pelas filiais estrangeiras, impede que esta seja transferida ao consumo suntu\u00e1rio local<a href=\"#_edn14\" id=\"_ednref14\">[14]<\/a>. De sorte que a oposi\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o e mercado interno for\u00e7a a ind\u00fastria a buscar a realiza\u00e7\u00e3o de parte de sua mercadoria no mercado exterior (MARINI, 1979a; 2000b).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marini, a resposta do capital, da burguesia, \u00e0 crescente oposi\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o e mercado interno, da economia dependente, estaria \u201cconfigurando um novo modelo de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica\u201d, cuja forma \u201cmais avan\u00e7ada\u201d se expressaria no \u201csubimperialismo brasileiro\u201d (1971). Uma das respostas para contornar esta oposi\u00e7\u00e3o consiste em operar na esfera da circula\u00e7\u00e3o, para fomentar o mercado interno para a ind\u00fastria, por meio da \u201cpol\u00edtica salarial e de cr\u00e9dito, e usando a mola da infla\u00e7\u00e3o\u201d (MARINI, 1972), que transfere recursos das camadas inferiores para a classe m\u00e9dia e superior, o que aumenta o consumo suntuoso dessas classes. Por\u00e9m, esse mecanismo tem limites. Aquela camada privilegiada de consumo n\u00e3o pode crescer indefinidamente, uma vez que ela \u201cpressup\u00f5e uma for\u00e7a de trabalho altamente explorada e desapropriada. N\u00e3o se pode permitir que setores dessa for\u00e7a de trabalho participem da \u2018sociedade de consumo\u2019 sem desencadear um processo de reivindica\u00e7\u00e3o em toda a massa trabalhadora, o que colocaria em risco a acumula\u00e7\u00e3o baseada na superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d (MARINI, 1972). O segundo mecanismo empregado pelo capital \u00e9 criar um mercado por meio da atua\u00e7\u00e3o do estado \u2013 aumentar a demanda estatal para a ind\u00fastria, obras de infraestrutura e ind\u00fastria b\u00e9lica. Contudo, ainda que esse mecanismo abra possibilidades no curto prazo ele tamb\u00e9m tem limites, visto que a acumula\u00e7\u00e3o de capital n\u00e3o pode se sustentar apenas no consumo estatal, portanto \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que haja um campo de acumula\u00e7\u00e3o de capital real e um campo real de circula\u00e7\u00e3o de mercadorias\u201d (1972). O terceiro \u00e9 o esfor\u00e7o exportador n\u00e3o apenas de alimentos e mat\u00e9rias primas, mas tamb\u00e9m de manufaturados, isto \u00e9, daquela parcela da \u201cprodu\u00e7\u00e3o industrial que n\u00e3o pode ser realizada totalmente no mercado interno e que precisa crescer constantemente em decorr\u00eancia da mesma acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d (1972). Face aos limites dos anteriores, este terceiro mecanismo se torna o mais importante, ao menos a longo prazo, para manter a taxa de acumula\u00e7\u00e3o, que implica, ademais, intensificar a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho para enfrentar a concorr\u00eancia no mercado internacional. De forma que, com o refor\u00e7o de sua alian\u00e7a com o latif\u00fandio (ren\u00fancia \u00e0 reforma agr\u00e1ria) e de sua integra\u00e7\u00e3o ao imperialismo (2000c), especialmente a partir da ditadura militar, a burguesia brasileira n\u00e3o p\u00f4de contar com a amplia\u00e7\u00e3o do mercado interno para seus produtos. Resta-lhe, ent\u00e3o, a alternativa de expandir-se para o exterior: o subimperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A superexplora\u00e7\u00e3o, presente na economia exportadora e reproduzida com o avan\u00e7o da industrializa\u00e7\u00e3o, determina, assim, os limites para a realiza\u00e7\u00e3o do valor na economia dependente, dado que a capacidade de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre superior ao que o trabalhador pode consumir, \u201craz\u00e3o pela qual a economia n\u00e3o pode desenvolver a produ\u00e7\u00e3o interna al\u00e9m de certo limite sem enfrentar problemas de realiza\u00e7\u00e3o\u201d (MARINI, 1972). Uma das tentativas para contornar esses limites \u00e9, como mencionado, o \u201csubimperialismo\u201d. N\u00e3o vem ao caso adentrar no car\u00e1ter pol\u00eamico ou inadequado dessa no\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, \u201csubimperialismo\u201d parece se configurar, na vis\u00e3o do pr\u00f3prio Marini, como uma sa\u00edda que aprofunda a depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o do capitalismo brasileiro. Para o autor, a burguesia do capitalismo dependente sempre busca resolver as contradi\u00e7\u00f5es e problemas que lhes s\u00e3o pr\u00f3prios aprofundando a depend\u00eancia, se submetendo ainda mais ao capital externo, o que intensifica a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Apenas dessa forma \u00e9 \u201cposs\u00edvel pensar em manter seu processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d, o que significa que \u201ca acumula\u00e7\u00e3o de capital nos pa\u00edses dependentes acarreta necessariamente a desnacionaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds dependente, acarreta necessariamente a impossibilidade de desenvolvimento capitalista aut\u00f4nomo\u201d (MARINI, 1972).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marini, o ciclo do capital na economia dependente\/subordinada tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, sempre deslindadas pelo autor em compara\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento do capitalismo nos pa\u00edses centrais. Uma delas \u00e9 o papel central assumido pelo capital externo nas tr\u00eas fases do ciclo. Afora o movimento pelo qual a economia dependente vai repondo e aprofundando sua subordina\u00e7\u00e3o ao capital externo, inclusive na fase denominada por Marini de subimperialismo, vale destacar mais alguns aspectos diretamente relacionados a superexplora\u00e7\u00e3o, que, inclusive, explicitam as ra\u00edzes da crise de acumula\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto nos pa\u00edses centrais a industrializac\u0327\u00e3o come\u00e7ou pela ampliac\u0327\u00e3o do mercado interno, pela expans\u00e3o dos setores produtores de bens oper\u00e1rios, o que facultou a internaliza\u00e7\u00e3o dos dois momentos do ciclo do capital: produc\u0327\u00e3o e circulac\u0327\u00e3o, a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, como mencionado, se desenvolveu sem contar com o consumo da classe trabalhadora, e sustentada na superexplora\u00e7\u00e3o, o que exacerba e torna mais violenta a contradi\u00e7\u00e3o, inerente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o capitalista, entre produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e consumo, produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o. Essa contradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 se verificara na economia exportadora, que n\u00e3o dependia do mercado interno, j\u00e1 que sua produ\u00e7\u00e3o era destinada ao consumo das trabalhadoras e trabalhadores e da classe que vive de mais-valia nos pa\u00edses centrais. De sorte que a classe trabalhadora brasileira jamais contou como consumidora, mas apenas como produtora, como for\u00e7a a ser explorada. \u00c9 esse div\u00f3rcio que cria, segundo Marini, as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o da superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho. Enquanto nos pa\u00edses centrais, o consumo dos trabalhadores \u00e9 fundamental na fase da circula\u00e7\u00e3o, para que o capital reassuma sua forma dinheiro e, assim, retorne \u00e0 fase da produ\u00e7\u00e3o, na economia dependente, dado o car\u00e1ter mais exacerbado daquela contradi\u00e7\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho n\u00e3o pode de forma alguma ser minorada. A explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho no Brasil n\u00e3o encontra, pois, limites \u201cna necessidade de realizar o produto (\u2026) Por conseguinte, o car\u00e1ter que assume o ciclo do capital numa economia desse tipo n\u00e3o coloca nenhuma trava \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalhador, ao contr\u00e1rio, a leva a configurar-se como uma superexplora\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, enquanto nos pa\u00edses centrais, a acumula\u00e7\u00e3o est\u00e1 baseada no aumento da capacidade produtiva do trabalho, nas economias dependentes o eixo da acumula\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 baseado diretamente no aumento da for\u00e7a produtiva, mas na superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Portanto, ao contr\u00e1rio do que pensam alguns autores, que consideram que a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho seja uma forma de explora\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria do capitalismo dependente que possa \u201cdar lugar a outra em que a introdu\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos voltados ao aumento da produtividade permite a generaliza\u00e7\u00e3o da mais-valia relativa\u201d, Marini sustenta: \u201cO recurso \u00e0 produtividade do trabalho, como m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia, n\u00e3o \u00e9 algo que ainda est\u00e1 por vir, quando se esgota a possibilidade de extra\u00ed-la com base na superexplora\u00e7\u00e3o\u201d, precisamente porque \u201cj\u00e1 \u00e9 amplamente utilizada que a superexplora\u00e7\u00e3o no Brasil se agravou\u201d (1979b). Argumentando, ainda, na linha do que j\u00e1 fora anunciado por Marx: as formas superiores de acumula\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o implicam na elimina\u00e7\u00e3o de suas formas inferiores, ademais, diante de uma ampla disponibilidade de m\u00e3o de obra, o capital n\u00e3o titubeia em lan\u00e7ar m\u00e3o de formas \u201cpret\u00e9ritas\u201d de explora\u00e7\u00e3o do trabalho, de extra\u00e7\u00e3o de excedente. O aumento da for\u00e7a produtiva do trabalho na economia dependente, que \u00e9 baseada na superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, tem como efeito justamente a intensifica\u00e7\u00e3o desta. A amplia\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito industrial de reserva \u201cviabiliza a press\u00e3o do capital sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. O fato de que, junto a isso, a burguesia recorra ao estado para quebrar a resist\u00eancia do trabalhador e tornar mais efetiva a a\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito de reserva (eliminando, por exemplo, a estabilidade do emprego, fixando tetos salariais, elimina\u00e7\u00e3o do direito de greve etc.) n\u00e3o modifica o problema, em sua ess\u00eancia\u201d (1979b). Por conseguinte, a supera\u00e7\u00e3o da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho n\u00e3o depende da introdu\u00e7\u00e3o de modernos m\u00e9todos que aumentem a produtividade do trabalho, mas do aniquilamento da economia dependente e, pois, do capitalismo, pelos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta apenas pontuar outros aspectos acerca da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, que n\u00e3o podem ser desdobrados no presente texto. Marini ressalta que a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do campo, dos desempregados e subempregados, assim como do trabalho feminino e do menor de idade, diz respeito ao conjunto da classe trabalhadora, donde a an\u00e1lise acerca da \u201cforma de explora\u00e7\u00e3o e da taxa geral de explora\u00e7\u00e3o\u201d deve ser feita \u201cdo ponto de vista do conjunto da massa trabalhadora\u201d, o que significa, por exemplo, \u201cque a classe oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 uma classe privilegiada, mas uma classe superexplorada, justamente pela exist\u00eancia de setores miser\u00e1veis e mais negligenciados na sociedade\u201d. \u00c9 precisamente essa situa\u00e7\u00e3o \u201cque cria as condi\u00e7\u00f5es sob as quais o capital pode operar e impor um regime de explora\u00e7\u00e3o muito mais violento \u00e0 classe trabalhadora\u201d (MARINI, 1972). Essa afirma\u00e7\u00e3o de Marini recobre-se de import\u00e2ncia para a an\u00e1lise do racismo, embora nosso autor n\u00e3o tenha tratado especificamente da racializa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no Brasil, que, no entanto, tamb\u00e9m \u00e9 uma das principais condi\u00e7\u00f5es sob as quais o capital imp\u00f5e a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Como elucidado por Marx, e nessa trilha por Cl\u00f3vis Moura e outros, o racismo n\u00e3o \u00e9 uma subjetiva\u00e7\u00e3o ou pr\u00e1tica social apartada das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, mas resultado das rela\u00e7\u00f5es materiais desse modo de produ\u00e7\u00e3o. O objetivo da classe dominante no Brasil \u00e9 ver as trabalhadoras negras e os trabalhadores negros marginalizados\/subalternizados para baixar os sal\u00e1rios do conjunto da classe trabalhadora (MOURA, 2021). A discuss\u00e3o acerca das bases de sustenta\u00e7\u00e3o do capitalismo brasileiro \u2013 as bases materiais do racismo, assim como do patriarcado, de sua funcionalidade na reprodu\u00e7\u00e3o do capital e, pois, da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho \u2013 \u00e9 crucial para reposi\u00e7\u00e3o da perspectiva de supera\u00e7\u00e3o desse modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte II<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo da tese de Cardoso residia na ideia de que a realidade socioecon\u00f4mica brasileira se desenvolveria por via dependente e associada ao capital imperialista. Perspicaz, ele interfere nas pautas das esquerdas que defendiam a ruptura com o capital imperialista, contr\u00e1rias ao que, na pr\u00e1tica, vinha ocorrendo: jun\u00e7\u00e3o de capitais nacionais e externos, levando \u00e0 perda de autonomia nacional no plano do capitalismo geral. Por\u00e9m, no entendimento de FHC, tais rela\u00e7\u00f5es trariam vantagens para o Brasil, especialmente na capta\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e acesso ao capital financeiro imperialista, j\u00e1 que conhecia e aceitava a natureza francamente permissiva dos setores dominantes dessas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos relevantes das an\u00e1lises de FHC, que o diferencia radicalmente da de Marini, \u00e9 a ditadura militar, que \u00e9 explicada por Cardoso como um processo de moderniza\u00e7\u00e3o do estado brasileiro e aprofundamento da industrializa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m com restri\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Cardoso entende que a moderniza\u00e7\u00e3o do estado executada pelos militares p\u00f4s fim ao percurso pol\u00edtico manipulat\u00f3rio populista, cuja \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o se deu no governo Goulart. De maneira que Cardoso se orienta por esse conceito, populismo, de forma acr\u00edtica, assimilando-o como se fosse categoria emergente do real.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele acolhe o golpe ditatorial como condi\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o dos limites postos pelo populismo, que ele trata por revoga\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, ou desvio de uma tend\u00eancia cont\u00ednua (CARDOSO, 1971, p. 53). Considerou, tamb\u00e9m, a ditadura como uma inser\u00e7\u00e3o \u201ccir\u00fargica\u201d, de m\u00e9dia dura\u00e7\u00e3o, para solucionar, ajustando, os andamentos pol\u00edtico-econ\u00f4micos descontrolados.&nbsp; Ele define o papel da ditadura militar, utilizando a no\u00e7\u00e3o de poder autorit\u00e1rio-corporativo, exaltando a estrutura\u00e7\u00e3o feita por esse regime, de cria\u00e7\u00e3o de um mercado supranacional, que resolveria os problemas de economia de escala e de mercado de sociedades, em que a participa\u00e7\u00e3o no consumo \u00e9 restringida. A ditadura militar buscou os meios para facilitar e ampliar as invers\u00f5es do capital externo, interferindo para que se marginassem os setores populares do sistema de decis\u00f5es, como condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para acelerar a forma\u00e7\u00e3o interna de capitais e assegurar seu controle por meio de grandes unidades produtivas monop\u00f3licas: estrangeiras, nacionais e estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa associa\u00e7\u00e3o entre capitais teve seu ponto de partida no governo JK, configurando-se no que foi tratado por trip\u00e9 desenvolvimentista, formado por capital nacional, externo e estatal, demovendo a burguesia de sua oposi\u00e7\u00e3o ao antigo estado. Cardoso afirma que, para que a burguesia investisse em pa\u00edses de capitalismo dependente, era necess\u00e1rio que o estado ou o capital externo se lan\u00e7assem em conjunto. Com a ditadura militar foi aprofundada e complementada a segunda condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a ditadura militar cumpriu fun\u00e7\u00f5es decisivas na \u00e1rea pol\u00edtica, ao reprimir e excluir a for\u00e7a de trabalho, para que a burguesia, por sua debilidade cong\u00eanita, pudesse mover-se com tranquilidade no campo econ\u00f4mico, o que, de fato, ocorreu, a burguesia brasileira aproveitou a conjuntura cumprindo um papel subordinado na associa\u00e7\u00e3o de capitais \u201ccomo caudat\u00e1ria dos grandes grupos monop\u00f3licos, ou como dependente do setor p\u00fablico\u201d (CARDOSO,1969, p. 184). H\u00e1, na ditadura militar, caracter\u00edsticas que possibilitaram uma emers\u00e3o econ\u00f4mica, pois, conforme Cardoso, a ditadura militar soube introduzir no Brasil as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a transforma\u00e7\u00e3o dos empreendimentos capitalistas, por meio das associa\u00e7\u00f5es, aproximando o pa\u00eds das formas pr\u00f3prias do capitalismo desenvolvido. Nisto consiste o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do governo militar, que \u201cnecessitava da pr\u00e9via desarticula\u00e7\u00e3o dos instrumentos de press\u00e3o e defesa das classes populares\u201d (CARDOSO, 1971, p. 55).<\/p>\n\n\n\n<p>A ditadura militar conquistou \u201ca estabilidade relativa na alian\u00e7a entre militares, burguesia e classes m\u00e9dias\u201d, por meio de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d que tornou compat\u00edveis \u201cas diversas fac\u00e7\u00f5es (\u2026) em face de inimigos maiores, estes sim, antag\u00f4nicos, representados pela amea\u00e7a de uma pol\u00edtica favor\u00e1vel \u00e0s classes populares\u201d (CARDOSO, 1971, p. 68). O car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do estado militar consistiu, em \u00faltima an\u00e1lise, no aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-econ\u00f4micas do Brasil com o imperialismo, que teria passado a oferecer condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Esse processo de desenvolvimento e moderniza\u00e7\u00e3o dos militares, pela exclus\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores, pela conten\u00e7\u00e3o salarial e restri\u00e7\u00e3o pol\u00edtica geral, conduziu Cardoso a denomin\u00e1-lo de revolu\u00e7\u00e3o conservadora, ou moderniza\u00e7\u00e3o conservadora.<\/p>\n\n\n\n<p>O coroamento desse processo de restri\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se d\u00e1 com a elei\u00e7\u00e3o de Garrastazu M\u00e9dici. Assim, \u201cCom a Institui\u00e7\u00e3o Armada, como corpora\u00e7\u00e3o, assumindo em forma crescente o controle do estado, implantava-se um modelo relativamente est\u00e1vel de domina\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica\u201d (CARDOSO, 1971, p. 78). De maneira que, para o autor, as for\u00e7as armadas cumpriram um papel decisivo na renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e no desenvolvimento econ\u00f4mico. \u201cTrata-se da capacidade reguladora de um estado cada vez mais forte\u201d (CARDOSO,1975, p. 48).<\/p>\n\n\n\n<p>De forma que a posi\u00e7\u00e3o de Cardoso sobre os movimentos do mundo do trabalho reflete, em grande parte, seu acolhimento do processo de interven\u00e7\u00e3o no modelo econ\u00f4mico pela ditadura, como tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o do estado ditatorial nessa esfera social. Ele afirma que os atos ditatoriais n\u00e3o s\u00f3 \u201croubaram a pr\u00e1xis prolet\u00e1ria\u201d, como transformaram, \u201cde fato, o movimento oper\u00e1rio num tipo de a\u00e7\u00e3o perfeitamente enquadrada na esfera racionalizada da atividade social\u201d (CARDOSO, 1969, p. 213), pois \u201chouve o reconhecimento social do direito do trabalhador reivindicar, e criaram-se os canais institucionais para que a a\u00e7\u00e3o do operariado pudesse exprimir-se legitimamente nos quadros definidos pela ordem social global\u201d (CARDOSO, 1969, pp. 213-214).<\/p>\n\n\n\n<p>Observemos, de entrada, que o conceito de depend\u00eancia ganha destaque te\u00f3rico na d\u00e9cada de 1960 com a constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica por FHC, embora essa rubrica viesse sendo utilizada espontaneamente nas discuss\u00f5es pol\u00edticas. A teoriza\u00e7\u00e3o do conceito, que n\u00e3o deve ser confundido com categoria social, resulta de sua reflex\u00e3o sobre os debates entre as v\u00e1rias perspectivas e vertentes pol\u00edticas, que desde finais da d\u00e9cada de 1950 e in\u00edcios de 1960, buscavam compreender a realidade brasileira daquele per\u00edodo, para traduzi-la teoricamente na busca de uma trajet\u00f3ria mais congruente com a especificidade capitalista perif\u00e9rica. FHC justifica sua ado\u00e7\u00e3o do conceito, em seu trabalho com Faletto de 1967 (CARDOSO; FALETTO, 1981), afirmando ter se orientado pela formula\u00e7\u00e3o leniniana, que distinguia pa\u00edses coloniais, semicoloniais e dependentes dominados pelo imperialismo e que revelavam graus de desenvolvimento tanto mais elevados quanto mais distantes do formato colonial origin\u00e1rio. Ele afirmava que Lenin projetara sua an\u00e1lise a partir do polo externo desses pa\u00edses, enquanto ele buscava completar aquele caminho analisando seu polo interno.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu ensaio intitulado <em>Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia<\/em> (2000a) Ruy Mauro Marini tece considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas \u00e0s formula\u00e7\u00f5es sobre a realidade latino-americana, promovendo uma an\u00e1lise distinta de Cardoso\/Faletto. Essa publica\u00e7\u00e3o suscitou em Cardoso a necessidade de enfrentar e contradit\u00e1-la teoricamente, pois os fundamentos que a orientavam n\u00e3o correspondiam \u00e0s concep\u00e7\u00f5es que esbo\u00e7ara com Faletto, al\u00e9m do fato de supor que seria sua a paternidade do conceito de depend\u00eancia. A pol\u00eamica que nasce entre Cardoso e Marini, consubstanciada em artigos pol\u00edtico-te\u00f3ricos, atravessou praticamente toda a d\u00e9cada de 70, sem qualquer possibilidade de concilia\u00e7\u00e3o, visto tratar-se de posi\u00e7\u00f5es originariamente diversas, de concep\u00e7\u00f5es excludentes que, embora examinando a mesma realidade hist\u00f3rica, foram projetadas a partir de perspectivas opostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>Dial\u00e9tica<\/em> (2000a), Marini procura mostrar que o conceito de depend\u00eancia expressa a singularidade do capitalismo brasileiro, ou seja, uma rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses formalmente independentes, rela\u00e7\u00e3o essa forjada pelos pa\u00edses europeus na Am\u00e9rica Latina, na fase colonial, com apoio do capital comercial. Segundo Marini, a subordina\u00e7\u00e3o inicial tomou forma com a estrutura\u00e7\u00e3o do modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico internalizado na Am\u00e9rica Latina, de maneira a assegurar a reprodu\u00e7\u00e3o ampliada das condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de depend\u00eancia, e seus corol\u00e1rios pol\u00edtico-econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde logo, Marini demarca-se de Cardoso e Faletto, pois, ao contr\u00e1rio destes, concebe a depend\u00eancia como subordina\u00e7\u00e3o. Estes \u00faltimos, embora indiquem a exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia nos planos tecnol\u00f3gicos e financeiros, entendem, apoiados em um expl\u00edcito politicismo, que, pela esfera da pol\u00edtica, se forjariam as condi\u00e7\u00f5es para suplantar os elos de subordina\u00e7\u00e3o e a ruptura com o subdesenvolvimento no interior das rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dando sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua argumenta\u00e7\u00e3o, Marini observa que a diferencia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica centro\/periferia \u00e9 explicada n\u00e3o pelas rela\u00e7\u00f5es mercantis propriamente, em que os concorrentes for\u00e7am a queda dos pre\u00e7os, mas pelo crescimento lento da produtividade na Am\u00e9rica Latina, que n\u00e3o p\u00f4de acompanhar as press\u00f5es da concorr\u00eancia no mercado, dada a fragilidade de sua organiza\u00e7\u00e3o produtiva, pois reproduzia-se de forma extensiva sem assimilar os padr\u00f5es tecnol\u00f3gicos necess\u00e1rios, tanto para efeito concorrencial, quanto para garantia de extra\u00e7\u00e3o do valor excedente da for\u00e7a de trabalho, sob determina\u00e7\u00e3o mais adequada, sob a forma relativa da mais-valia.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, ele p\u00f5e em relevo a exist\u00eancia de uma contradi\u00e7\u00e3o que de nenhuma forma poderia se p\u00f4r nos pa\u00edses europeus. Trata-se da separa\u00e7\u00e3o, presente at\u00e9 1930, entre duas esferas da circula\u00e7\u00e3o. Uma interna e outra externa, que corresponde \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de troca entre bens prim\u00e1rios para exporta\u00e7\u00e3o, bens suntu\u00e1rios e meios de produ\u00e7\u00e3o, ambos importados. A outra, limitada ao plano interno, \u00e9 restrita \u00e0 for\u00e7a de trabalho num padr\u00e3o assemelh\u00e1vel \u00e0 autossubsist\u00eancia. Aqui, ao contr\u00e1rio, o dinamismo interno esteve submetido a rela\u00e7\u00f5es de troca tais que impediam a forma\u00e7\u00e3o de um mercado interno consistente. Essa dicotomia \u2013 estabelecida pela forma de organiza\u00e7\u00e3o produtiva aqui desenvolvida \u2013 entre a produ\u00e7\u00e3o que se externaliza e a que se volta para o mercado interno foi favorecida por uma abundante reserva social de m\u00e3o de obra. De forma que a realiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no Brasil, at\u00e9 o per\u00edodo inicial da industrializa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o dependeu de capacidade interna de consumo, pois ao dinamismo das importa\u00e7\u00f5es correspondia o dinamismo de uma produ\u00e7\u00e3o para fora, o que confirma a formula\u00e7\u00e3o esbo\u00e7ada por Marini, de que o consumo individual total estava posto em esferas contrapostas, enquanto a produ\u00e7\u00e3o dos bens da for\u00e7a de trabalho \u00e9 interna, limitada \u00e0 subsist\u00eancia e a um restrito assalariamento fragilizando este mercado, os bens capitalistas dependiam da produ\u00e7\u00e3o externa, compensada por uma produ\u00e7\u00e3o extensiva, monocultora para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Marini, o processo de industrializa\u00e7\u00e3o brasileiro inicia-se na fase de crise agr\u00e1ria, a partir de 1930, sob forma substitutiva e atinge um ritmo acelerado somente ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 50. Por\u00e9m, a industrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o elimina ou supera as contradi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas presentes na fase agroexportadora, ao contr\u00e1rio, implanta-se e desenvolve-se de forma comprometida com a j\u00e1 indicada cis\u00e3o no bojo da circula\u00e7\u00e3o, o que impediu a implanta\u00e7\u00e3o de uma economia industrial consistente e completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, com o impulso internacional visando a expans\u00e3o produtiva e de mercado, a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira dinamizou-se com base num polo moderno da ind\u00fastria internacional, implantando aqui, com base na exporta\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios e de capital externo, o setor produtivo de bens suntu\u00e1rios destinados aos setores de alta renda. Com a moderniza\u00e7\u00e3o industrial criou-se, diz Marini, uma nova separa\u00e7\u00e3o na esfera de circula\u00e7\u00e3o do capital afastando, ainda mais, o setor de alta renda dos segmentos populares e do trabalho, agora n\u00e3o mais pela dicotomia mercado nacional e mercado externo, mas no \u00e2mbito do pr\u00f3prio mercado interno.<\/p>\n\n\n\n<p>A forte demarca\u00e7\u00e3o no entendimento sobre as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o aqui desenvolvidas foi a base sobre a qual se erigiram as pol\u00eamicas entre os autores indicados, mormente no plano da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, especialmente quando se tem em vista a categoria de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardoso abre as pol\u00eamicas (1976) observando que a forma\u00e7\u00e3o da mais-valia relativa na Europa, particularmente na Inglaterra, n\u00e3o dependeu da produ\u00e7\u00e3o latino-americana na propor\u00e7\u00e3o enfatizada por Marini, pois a cesta b\u00e1sica da for\u00e7a de trabalho contava com produtos industrializados tamb\u00e9m, e quando se trata de pa\u00edses centrais, desenvolvidos, \u00e9 necess\u00e1ria a inclus\u00e3o dos EUA, cuja importa\u00e7\u00e3o \u00e9 sensivelmente mais reduzida que a da Europa. Cardoso afirma tamb\u00e9m que a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho na Am\u00e9rica Latina contou com uma combina\u00e7\u00e3o de formas, mas que de maneira alguma chegou a uma situa\u00e7\u00e3o irrefreada, como sup\u00f4s Marini, pois tal tend\u00eancia descaracterizaria o capitalismo industrial. E, para sustentar sua afirma\u00e7\u00e3o, faz uma analogia com as an\u00e1lises de Lenin sobre a penetra\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia, destacando que esse sistema desempenhou um papel progressista no desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e na dinamiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o russas.<\/p>\n\n\n\n<p>Reduzindo a import\u00e2ncia e significado das abordagens de Marini, pondera que o que de fato importaria, antes de tudo e concretamente, seria verificar na periferia o desenvolvimento sob a \u00f3tica do capital, do investimento, muito mais que dos poss\u00edveis requisitos dos pa\u00edses centrais sobre a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho na periferia, tema que estaria em aberto para futura explora\u00e7\u00e3o. Em resposta \u00e0 reitera\u00e7\u00e3o de Marini de que o capitalismo dependente, pelo \u00e2ngulo econ\u00f4mico, se mostra insuficiente tanto no sentido de estruturar-se como capitalismo aut\u00f4nomo, quanto no que concerne \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, que se veria sujeita a uma explora\u00e7\u00e3o excessiva, Cardoso apenas nega tal situa\u00e7\u00e3o, como uma impossibilidade mesmo para um pa\u00eds dependente.<\/p>\n\n\n\n<p>Cardoso se alia teoricamente a J. Serra para contestar as concep\u00e7\u00f5es de Marini, em um artigo denominado <em>As Desventuras da Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia<\/em> (CARDOSO; SERRA, 1980). Iniciam contrapondo-se \u00e0 ideia de que a presen\u00e7a do capital imperialista promoveria a descapitaliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses dependentes \u2013 entendimento que os autores consideram pr\u00f3prio do pensamento nacional-desenvolvimentista e ortodoxo de esquerda criticado por eles \u2013 cujo suposto seria a supera\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia pela revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, posi\u00e7\u00e3o essa atribu\u00edda a Marini e, tomando como mote a cr\u00edtica a esse pensamento, o texto prossegue lembrando que Cardoso indicara antes do golpe ditatorial, em 1963, que a burguesia nacional optara pela ordem, de forma que desse setor jamais emergiria um procedimento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Marini responde \u00e0s \u201cNotas\u2026\u201d de FHC (1976) com o artigo <em>Em Torno da Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia<\/em> (1973), repondo seus argumentos com os quais mostra que a determina\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o do capital comercial na subordina\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, no per\u00edodo colonial, e a continuidade da produ\u00e7\u00e3o agroexportadora na fase de desenvolvimento industrial dos pa\u00edses centrais caracterizam a organiza\u00e7\u00e3o produtiva que aqui vai se instalando como funcional em rela\u00e7\u00e3o ao capital imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Disto resulta, para a acumula\u00e7\u00e3o na periferia, um tratamento diferenciado da for\u00e7a de trabalho, que Marini designa sinteticamente, com base em <em>O Capital<\/em> de Marx, como superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. A condi\u00e7\u00e3o para esse tratamento diferenciado, mesmo quando se inicia aqui a industrializa\u00e7\u00e3o sob a forma substitutiva, reside na diferen\u00e7a de composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de capital, respons\u00e1vel pela desigualdade nas rela\u00e7\u00f5es de troca, na medida em que estas se estabelecem pelo pre\u00e7o m\u00e9dio forjando uma transfer\u00eancia de valor da periferia para o centro. Com baixa composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, a acumula\u00e7\u00e3o de capital no Brasil encontra como \u00fanica alternativa de sua acumula\u00e7\u00e3o a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, inclusive ap\u00f3s a presen\u00e7a da mais-valia relativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Marini destaca, tamb\u00e9m, outro argumento de \u201c<em>As Desventuras\u2026<\/em>\u201d (1980) para indicar a insufici\u00eancia te\u00f3rica de Cardoso e Serra, mostra que ao compararem as condi\u00e7\u00f5es de vida na Argentina e no Uruguai, para afirmar que eram piores do que as do Brasil, n\u00e3o consideraram que aquelas condi\u00e7\u00f5es p\u00e9ssimas de vida resultaram, tamb\u00e9m, da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho ou, no m\u00ednimo, a revelam.<\/p>\n\n\n\n<p>O centro nevr\u00e1lgico do conceito de capitalismo dependente de Cardoso, por sua vez, funda-se nas associa\u00e7\u00f5es entre capitais de origem nacional e externa que, na vida privada, v\u00e3o sendo estabelecidas. Repondo seu arraigado politicismo, Cardoso argumenta que as rela\u00e7\u00f5es associativas dever\u00e3o ir controlando o fluxo de capitais que est\u00e3o na base daquelas rela\u00e7\u00f5es associativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu lado, Marini toma a forma\u00e7\u00e3o das distintas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, nos pa\u00edses centrais e nos perif\u00e9ricos, para ressaltar que o processo de reprodu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em ambos rep\u00f5e-se sempre no interior do desenvolvimento geral do capitalismo internacional, onde as devidas particularidades devem ser mantidas ou mesmo aprofundadas.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma que a distin\u00e7\u00e3o entre eles, geradora das pol\u00eamicas, repousa, a nosso ver, em dois pontos evidenciados por Marini: a identifica\u00e7\u00e3o que faz entre depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o, e a inextric\u00e1vel conex\u00e3o com o outro ponto, a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho como determina\u00e7\u00e3o e continuidade das rela\u00e7\u00f5es entre a depend\u00eancia e o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, queremos observar que Cardoso e Serra perderam a compostura intelectual no decorrer das pol\u00eamicas, como demonstra Marini em seu texto-resposta (2000b). Eles n\u00e3o pouparam sarcasmo em suas v\u00e1rias refer\u00eancias a Marini, como por exemplo: \u201cMarini, <em>en bon marxisme<\/em>, procurou fazer a revolu\u00e7\u00e3o copernicana\u201d, ou \u201cse Marini tivesse aproveitado bem os textos cepalinos\u201d, ou \u201cMarini prop\u00f4s uma bizarra teoria do interc\u00e2mbio desigual\u201d, ou \u201cconfunde alhos com bugalhos\u201d, ou \u201cAssim, ao contr\u00e1rio do Senhor que fez das trevas luz, Marini (&#8230;) fez do que era claro escurid\u00e3o\u201d (CARDOSO; SERRA, 1980). Esses exemplos s\u00e3o suficientes para indicar os motivos das observa\u00e7\u00f5es de Marini logo no in\u00edcio do seu texto (2000b).<\/p>\n\n\n\n<p>Marini assinala a postura te\u00f3rica de Cardoso e Serra nos seguintes termos: \u201cAs Desventuras(\u2026), em seu conjunto, constitui um texto desalinhado e truculento, que deforma quase sempre minhas an\u00e1lises para poder critic\u00e1-las, manipula os dados que utiliza (ou n\u00e3o utiliza) e que brilha pela falta de rigor, pela torpeza e inclusive pelo descuido no manejo de fatos e conceitos\u201d (MARINI, 2000b, p. 168). Al\u00e9m disso, embora Marini tivesse aberto sua Revista de Sociologia Mexicana para acolher os argumentos de Cardoso e Serra, seu texto-resposta n\u00e3o foi aceito por eles para publica\u00e7\u00e3o na Revista do CEBRAP demonstrando uma indecorosa postura acad\u00eamica. Esse debate no qual polemizam Cardoso e Marini, consubstancia-se em artigos pol\u00edtico-te\u00f3ricos, que atravessaram, praticamente, toda a d\u00e9cada de 70. Um dos m\u00e9ritos da pol\u00eamica reside em explicitar a objetividade socioecon\u00f4mica brasileira, cuja origem hist\u00f3rica, distinta da dos pa\u00edses europeus, percorreu vias que impossibilitaram a reprodu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas daqueles pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marini buscou, a partir de um posicionamento de classe notoriamente oposto ao de Cardoso e Serra, apreender o capitalismo dependente\/subordinado com base nas determina\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de Marx, com o que explicita o conservadorismo e a estreiteza da op\u00e7\u00e3o te\u00f3rica (weberiana) daqueles. Embora utilizem o conceito de depend\u00eancia, FHC e Marini analisam a realidade latino-americana, e brasileira em particular, sob perspectivas de classe distintas. Enquanto Cardoso empreende uma cr\u00edtica liberal\/politicista \u00e0 ditadura militar, enaltecendo a moderniza\u00e7\u00e3o da perspectiva do capital e defendendo uma democratiza\u00e7\u00e3o estritamente no \u00e2mbito das formas pol\u00edtico-institucionais, Marini busca se opor \u00e0 ditadura militar com base na perspectiva do trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CARDOSO, Fernando Henrique. <em>Mudan\u00e7as sociais na Am\u00e9rica Latina<\/em>. S\u00e3o Paulo: Difel, 1969.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>O modelo pol\u00edtico brasileiro e outros ensaios<\/em>. S\u00e3o Paulo: Difel, 1971.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. <em>Autoritarismo e democratizac<\/em><em>\u0327<\/em><em>\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro: Paz &amp; Terra, 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. \u201cNotas sobre o estado atual dos estudos de depend\u00eancia\u201d. In: SERRA, Jos\u00e9 (coord.). <em>Am\u00e9rica Latina \u2013 Ensaios de interpreta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/em>. Rio de Janeiro: Paz &amp; Terra, 1976.<\/p>\n\n\n\n<p>CARDOSO, Fernando Henrique; FALETTO, Enzo. <em>Depend\u00eancia e desenvolvimento na Am\u00e9rica Latina \u2013 Ensaios de interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica<\/em>, Rio de Janeiro: Zahar Editores, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>CARDOSO, Fernando Henrique; SERRA, Jos\u00e9. As desventuras da Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia. <em>Revista Mexicana de Sociologia<\/em>. M\u00e9xico, n\u00ba 40, 1980 \u2013 Edi\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p>MARINI, Ruy Mauro. El subimperialismo brasile\u00f1o. 1971. Dispon\u00edvel em: https:\/\/marini-escritos.unam.mx\/?p=1207<\/p>\n\n\n\n<p>__________.La acumulaci\u00f3n capitalista dependiente y la superexplotaci\u00f3n del trabajo. Intervenci\u00f3n en el Encuentro de Economistas Latinoamericanos e Italianos, Roma, septiembre 1972.&nbsp; Dispon\u00edvel em: https:\/\/marini-escritos.unam.mx\/?p=1221<\/p>\n\n\n\n<p>__________. \u201cEm torno da Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia\u201d. In: <em>Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia<\/em>, M\u00e9xico, Ediciones Era, Serie Popular Era, 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. El ciclo del capital en la econom\u00eda dependiente. In: Mercado y dependencia. OSWALD, \u00da. (Coord.), M\u00e9xico: Nueva Imagen, 1979a, pp. 37-55. Dispon\u00edvel em:&nbsp; https:\/\/marini-escritos.unam.mx\/?p=1332.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. Pl\u00fasval\u00eda extraordinaria y acumulaci\u00f3n de capital. Cuadernos Pol\u00edticos n. 20, Ediciones Era, M\u00e9xico, abril-junio de 1979b, pp. 18-39. Dispon\u00edvel em https:\/\/marini-escritos.unam.mx\/?p=1326<\/p>\n\n\n\n<p>__________. Dial\u00e9tica da Depende\u0302ncia. In: SADER, E. (org.) Dial\u00e9tica da depende\u0302ncia: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Petr\u00f3polis: Vozes, 2000a.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. As raz\u00f5es do neodesenvolvimentismo (resposta a Fernando Henrique Cardoso e a Jos\u00e9 Serra). In: SADER, E. (org.) <em>Dial\u00e9tica da Depende<\/em><em>\u0302<\/em><em>ncia: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2000b.<\/p>\n\n\n\n<p>__________. Dial\u00e9tica do desenvolvimento capitalista no Brasil. In: SADER, E. (org.) <em>Dial\u00e9tica da Depende<\/em><em>\u0302<\/em><em>ncia: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2000c.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTINS, Carlos Eduardo. \u201cSuperexplora\u00e7\u00e3o do trabalho e acumula\u00e7\u00e3o de capital: reflex\u00f5es te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas para uma economia pol\u00edtica da depend\u00eancia\u201d, 1999. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.pampalivre.info\/superexploracao_do_trabalho_e_acumulacao_de_capital.htm\">https:\/\/www.pampalivre.info\/superexploracao_do_trabalho_e_acumulacao_de_capital.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MOURA, Cl\u00f3vis. <em>Dial\u00e9tica radical do Brasil negro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Anita Garibaldi, 2021.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>* Maria Goreti Juvencio Sobrinho Doutorado em Ci\u00eancias Sociais PUC\/SP e Pesquisadora do N\u00facleo de Estudos de Hist\u00f3ria: Trabalho, Ideologia e Poder &#8211; NEHTIPO PUC\/SP<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan Cotrim P\u00f3s Doutorado em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica PUC\/SP.&nbsp; Centro Universit\u00e1rio Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9. Brasil<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[1]<\/a> Trabalho apresentado no IV Congresso Internacional da Adhilac Brasil, Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, 26 a 30 de novembro, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> As Partes I e II foram redigidas, respectivamente, por Juvencio Sobrinho e Cotrim.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Vale lembrar que, para Marx, \u201c\u2019Toda varia\u00e7\u00e3o na magnitude, extensiva ou intensiva, do trabalho afeta (\u2026) o valor da for\u00e7a de trabalho, na medida em que acelera seu desgaste\u2019\u201d (<em>apud<\/em> MARINI, 2000a, p. 126).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Marini adverte: \u201co conceito de superexplora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico ao de mais-valia absoluta, j\u00e1 que inclui tamb\u00e9m uma modalidade de produ\u00e7\u00e3o de mais-valia relativa \u2013 a que corresponde o aumento de intensidade do trabalho\u201d (2000a). Ademais, a mais-valia absoluta n\u00e3o implica, necessariamente, que a for\u00e7a de trabalho seja remunerada abaixo do seu valor real. Para que ocorra a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, mediante o prolongamento da jornada de trabalho (amplia\u00e7\u00e3o do trabalho excedente), \u00e9 necess\u00e1rio que a for\u00e7a de trabalho seja remunerada abaixo do seu valor real, isto \u00e9, que n\u00e3o receba uma remunera\u00e7\u00e3o equivalente ao seu desgaste. Marini lembra que Marx, ao conceituar mais-valia absoluta como resultado do prolongamento do tempo de trabalho excedente, \u201cindependentemente de que se mantenha igual o tempo de trabalho necess\u00e1rio dentro da jornada de trabalho\u201d, parte do suposto \u201cde que a for\u00e7a de trabalho seja remunerada de acordo com seu valor\u201d (MARINI, 1972).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Setor I refere-se aos ramos produtores de meios de produ\u00e7\u00e3o; setor II refere-se aos setores dedicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de meios de consumo, que, por sua vez, s\u00e3o subdivididos em IIa (bens-sal\u00e1rios ou bens de subsist\u00eancia) e IIb (bens suntu\u00e1rios ou artigos de luxo).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\" id=\"_edn6\">[6]<\/a> O aumento da for\u00e7a produtiva do trabalho permite ao trabalhador produzir uma quantidade maior de produtos (de valores de uso) no mesmo tempo, n\u00e3o mais valor.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref7\" id=\"_edn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> O pagamento da for\u00e7a de trabalho abaixo do seu valor tende a se estender tamb\u00e9m aos setores monop\u00f3licos, que, inclusive, j\u00e1 se beneficiam dos efeitos da superexplora\u00e7\u00e3o operada nos ramos produtores de mat\u00e9rias primas e insumos (MARINI, 1979a).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref8\" id=\"_edn8\">[8]<\/a> A moderniza\u00e7\u00e3o enaltecida por Cardoso ocorreu sob maior espolia\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Enquanto os sal\u00e1rios foram reduzidos quase pela metade, o valor da for\u00e7a de trabalho cresceu, n\u00e3o apenas no que se refere \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em outros itens como equipamento dom\u00e9stico, transporte, educa\u00e7\u00e3o e recrea\u00e7\u00e3o, que correspondem \u00e0queles gastos \u201cque Marx chama de valor hist\u00f3rico-moral\u201d. Mais membros da fam\u00edlia oper\u00e1ria foram obrigados a ingressar no mercado de trabalho: as mulheres, que chegaram a receber \u201csal\u00e1rios inferiores aos dos homens em 57%\u201d, e os menores de idade, para os quais a ditadura do grande capital \u201cdecidiu reduzir legalmente em 50% o sal\u00e1rio-m\u00ednimo\u201d. Com isso, \u201cO capital n\u00e3o s\u00f3 compra com menos dinheiro uma massa maior de trabalho, mas aumenta consideravelmente a taxa de explora\u00e7\u00e3o\u201d, de sorte que, \u201cem fun\u00e7\u00e3o da queda do sal\u00e1rio-m\u00ednimo e da explora\u00e7\u00e3o sem miseric\u00f3rdia da mulher e do menor\u201d, a renda familiar diminuiu, \u201capesar de ter duplicado o n\u00famero de membros da fam\u00edlia que trabalham\u201d (MARINI, 2000b, pp. 220-23).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref9\" id=\"_edn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> O mercado interno restrito foi tamb\u00e9m acentuado pela hist\u00f3rica concilia\u00e7\u00e3o da burguesia industrial com o setor agr\u00e1rio. A manuten\u00e7\u00e3o da estrutura agr\u00e1ria do pa\u00eds (latif\u00fandio, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola voltada para o exterior, superexplora\u00e7\u00e3o, entre outros) significou a conserva\u00e7\u00e3o dos limites que esta estrutura imp\u00f4s \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do mercado interno de consumo para os produtos industriais (MARINI, 2000a; 2000c).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref10\" id=\"_edn10\">[10]<\/a> Conforme MARTINS (1999).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref11\" id=\"_edn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>&nbsp; Especialmente a tese de TAVARES, Maria da Concei\u00e7\u00e3o. <em>Acumula\u00e7\u00e3o de capital e industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/em>, Campinas, Editora da Unicamp, 1986, e o trabalho de OLIVEIRA, Francisco de. Padr\u00f5es de acumula\u00e7\u00e3o, oligop\u00f3lios e Estado no Brasil (1950-1976). In: <em>A economia da depend\u00eancia imperfeita<\/em>. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Graal, 1989. Trata-se de interpreta\u00e7\u00f5es distintas, mas ambas, segundo Marini, limitam-se ao universo da circula\u00e7\u00e3o. Vale observar que traremos \u00e0 tona apenas alguns aspectos da an\u00e1lise desenvolvida por Marini em <em>Plusval\u00eda<\/em> (1979b), por\u00e9m, cabe destacar que o autor faz uma rica discuss\u00e3o, por exemplo, dos esquemas de reprodu\u00e7\u00e3o do livro II de <em>O capital<\/em>. Alerta que, para an\u00e1lise de situa\u00e7\u00f5es concretas (como a economia dependente), \u00e9 necess\u00e1rio \u201cmodificar os pressupostos que Marx utilizou, especialmente o da produtividade constante\u201d.&nbsp; Marx \u201cao buscar estabelecer as propor\u00e7\u00f5es em que as mercadorias s\u00e3o trocadas, tomada como unidade de valor e valor de uso\u201d, precisou\u201cdescartar as mudan\u00e7as na produtividade ou na magnitude intensiva do trabalho, bem como, em geral, no grau de explora\u00e7\u00e3o\u201d (MARINI, 1979b). S\u00e3o justamente essas mudan\u00e7as relativas ao progresso t\u00e9cnico que Marini introduz em sua discuss\u00e3o sobre os esquemas de reprodu\u00e7\u00e3o e, pois, em sua an\u00e1lise da estrutura produtiva da economia dependente, sem perder de vista o corpo te\u00f3rico armado por Marx.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref12\" id=\"_edn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Podem afetar negativamente o lucro extraordin\u00e1rio em IIb: \u201cuma escala de acumula\u00e7\u00e3o t\u00e3o rapidamente ascendente que freia a expans\u00e3o do consumo individual criado pela mais-valia; atrativos excepcionais de poupan\u00e7a; crises setoriais em I ou IIa; etc.\u201d (MARINI, 1979b).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref13\" id=\"_edn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Marini acrescenta que esse efeito depressivo \u201cpode ser contrariado por diversos mecanismos, entre os quais se destaca a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho, principalmente no subsetor IIa. Mas, especialmente neste caso, a consequ\u00eancia desse efeito depressivo \u00e9 a atrofia do subsetor IIa e a hipertrofia do IIb, com a correspondente distor\u00e7\u00e3o do setor I\u201d (MARINI, 1979b).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref14\" id=\"_edn14\">[14]<\/a> A parte da mais-valia que se acumula no pa\u00eds \u00e9 deduzida da \u201cparte da mais-valia que sai da esfera da economia nacional sob diversas formas: remessa de lucros, pagamento de juros, amortiza\u00e7\u00e3o, royalties, etc\u201d (MARINI, 1979a).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"796\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7543\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-1024x796.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1-768x597.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ATRL-Logo-2025-bloque-1.jpg 1325w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><\/tr><tr><td>ATRLA N\u00ba 15\/16 &#8211; Enero 2023 &#8211; Marzo 2025<\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><strong><em>N\u00fameros anteriores <\/em><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><tr><td><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=7505&amp;action=edit\">ATRLA N\u00ba 13\/14 Marzo 2019 &#8211; Diciembre 2022<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6275\">ATRLA N\u00ba 11\/12 Marzo 2016 &#8211; Febrero 2019<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6270\">ATRLA N\u00ba 10 Marzo 2015 &#8211; Febrero 2016<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6200\">ATRLA N\u00ba 9 Marzo 2014 &#8211; Febrero 2015<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6186\">ATRLA N\u00ba 8 Marzo 2013 &#8211; Febrero 2014<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6177\">ATRLA N\u00ba 7 Marzo 2012 &#8211; Febrero 2013<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6159\">ATRLA N\u00ba 6 Marzo 2011 &#8211; Febrero 2012<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6138\">ATRLA N\u00ba 5 Marzo 2010 &#8211; Febrero 2011<\/a><\/td><\/tr><tr><td>\ufeff<\/td><\/tr><tr><td><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=5921\">ATRLA N\u00ba 1 a 4 2006 &#8211; 2009<\/a><\/td><\/tr><tr><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=6661\">Qui\u00e9nes somos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?page_id=809\">Normas de publicaci\u00f3n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustraci\u00f3n: Trabajo digital de Carolina Crisorio Resumo O artigo traz \u00e0 tona as pol\u00eamicas entre dois grandes expoentes do pensamento latino-americano, Ruy Mauro Marini e Fernando Henrique Cardoso, travadas em torno da Di\u00e1letica da depend\u00eancia, ao longo da d\u00e9cada de 1970. Mostra que, embora utilizem o conceito de depend\u00eancia, ambos os autores analisam a realidade &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7535\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abAs pol\u00eamicas entre Ruy Mauro Marini e Fernando Henrique Cardoso\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[624,57,3],"tags":[626,625,627,628],"class_list":["post-7535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ariadna-tucma","category-ciencias-sociales","category-historia","tag-cardoso","tag-dependencia-2","tag-marini","tag-superexploracao-da-forca-de-trabalho","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7535"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7795,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7535\/revisions\/7795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}