{"id":7232,"date":"2022-07-12T20:26:00","date_gmt":"2022-07-12T23:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7232"},"modified":"2023-06-27T11:38:12","modified_gmt":"2023-06-27T14:38:12","slug":"o-grupo-folha-e-a-ditadura-empresarial-militar-de-1964-fernando-sergio-damasceno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7232","title":{"rendered":"O Grupo Folha e a Ditadura Empresarial-Militar de 1964"},"content":{"rendered":"\n<p>Fernando S\u00e9rgio Damasceno*  Ant\u00f4nio Pereira de Oliveira**<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"602\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-1024x602.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7306\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-1024x602.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-300x176.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-768x451.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-1536x902.jpg 1536w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-2048x1203.jpg 2048w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/o-grupo-01-02-1568x921.jpg 1568w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O golpe civil-militar de 1964 instaurou no Brasil uma ditadura que perdurou 21 anos, pondo fim a um per\u00edodo de parca democracia burguesa no pa\u00eds, per\u00edodo esse em que as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e camponesas se constru\u00edam e se fortaleciam em todo territ\u00f3rio nacional. Como em toda ditadura, a ditadura civil-militar brasileira contou com o apoio da grande imprensa, que, por meio de seu colaboracionismo, legitimava em suas p\u00e1ginas as maiores atrocidades cometidas pelo governo, a persegui\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as sindicais e o aumento da taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, que ao reivindicarem suas pautas passaram a ser retratados nas p\u00e1ginas da imprensa como subversivos e amea\u00e7a \u00e0 p\u00e1tria. O presente artigo visa \u00e0 discuss\u00e3o desse apoio da imprensa brasileira \u00e0 ditadura, debatendo essa quest\u00e3o a partir das interven\u00e7\u00f5es do Grupo Folha na cidade de Santos, por meio de seus \u00f3rg\u00e3os <em>A Tribuna <\/em>da Cidade de Santos (fundado em 1894) e <em>Folha da Tarde<\/em>, (1967).<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Palavras chave<\/strong>: Grupo Folha; Colaboracionismo, Golpe civil-militar de 1964.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Abstract:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>The civic-military coup of 1964 established a dictatorship in Brazil that lasted 21 years, putting an end to a period of meager bourgeois democracy in the country, a period in which worker and peasant organizations were built and strengthened throughout the national territory. As in any dictatorship, the Brazilian civil-military dictatorship had the support of the mainstream press, which, through its collaborationism, legitimized in its pages the greatest atrocities committed by the government, the persecution of union leaders and the increase in the exploitation rate. of the workers, who, by vindicating their guidelines, began to be portrayed in the pages of the press as subversives and a threat to the homeland. This article aims to discuss the support of the Brazilian press for the dictatorship, debating this issue from the interventions of Grupo Folha in the city of Santos, through its organs A Tribuna da Cidade de Santos (founded in 1894) and Folha da Tarde, (1967).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords<\/strong>: Folha Group; Collaborationism, Civic-military coup of 1964.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Resumen:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>El golpe c\u00edvico-militar de 1964 instaur\u00f3 en Brasil una dictadura que dur\u00f3 21 a\u00f1os, poniendo fin a un per\u00edodo de exigua democracia burguesa en el pa\u00eds, per\u00edodo en el que se construyeron y fortalecieron organizaciones obreras y campesinas en todo el territorio nacional. Como en toda dictadura, la dictadura c\u00edvico-militar brasile\u00f1a cont\u00f3 con el apoyo de la gran prensa, que, a trav\u00e9s de su colaboracionismo, legitim\u00f3 en sus p\u00e1ginas las mayores atrocidades cometidas por el gobierno, la persecuci\u00f3n de los l\u00edderes sindicales y el aumento de la tasa de explotaci\u00f3n. de los trabajadores, quienes, al reivindicar sus lineamientos, comenzaron a ser retratados en las p\u00e1ginas de la prensa como subversivos y una amenaza a la patria. Este art\u00edculo tiene como objetivo discutir ese apoyo de la prensa brasile\u00f1a a la dictadura, debatiendo esta cuesti\u00f3n a partir de las intervenciones del Grupo Folha en la ciudad de Santos, a trav\u00e9s de sus \u00f3rganos A Tribuna da Cidade de Santos (fundada en 1894) y Folha da Tarde, (1967).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palabras llave<\/strong>: Grupo folha; colaboracionismo, golpe c\u00edvico-militar de 1964.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O golpe civil-militar que se imp\u00f4s no Brasil a partir de 31 de mar\u00e7o 1964, e vai at\u00e9 1985, teve diversos apoiadores. O presente trabalho de pesquisa tem por objetivo discutir esse apoio no espa\u00e7o da imprensa brasileira, especialmente por parte do <em>Grupo Folha<\/em>, que \u00e0 \u00e9poca possu\u00eda alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o, dentre eles <em>Cidade de Santos <\/em>e<em> Folha da Tarde<\/em>, fundados em 1967. Esses jornais foram colaboracionistas com a ditatura assassina e entreguistas do patrim\u00f4nio p\u00fablico que se instalou em 1964. Aqui, se realizar\u00e1 esta discuss\u00e3o abordando material da \u00e9poca. Tamb\u00e9m queremos trazer \u00e0 discuss\u00e3o o jornal <em>A Tribuna<\/em>, da cidade de Santos-SP, fundado em 1894, que teve um papel importante no apoio \u00e0 ditadura desde o dia 1\u00ba de abril de 1964, quando ela se instala nos principais centros do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Este di\u00e1logo \u00e9 muito importante para estabelecer uma mem\u00f3ria ver\u00eddica sobre a \u00e9poca, uma vez que, ao carregarmos no presente partes do passado, desfigurar o passado \u00e9 desfigurar a n\u00f3s mesmos. O <em>Grupo Folha<\/em> objetiva desfigurar o passado, tentando construir uma narrativa de que n\u00e3o realizou apoio algum \u00e0 ditadura civil-militar de 1964, a partir de seus meios de imprensa. Narrativa essa que n\u00e3o se comprova nos fatos, como queremos discutir nas p\u00e1ginas a seguir. At\u00e9 porque j\u00e1 existe uma robusta pesquisa que mostra essa colabora\u00e7\u00e3o, e em especial queremos nos apoiar na obra de Beatriz Kushnir, <em>C\u00e3es de Guarda<\/em>, que aborda muito bem esse per\u00edodo e a imprensa da \u00e9poca, especialmente o jornal <em>Folha da Tarde<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de adentrar propriamente nas fontes e desenvolvimento do trabalho, \u00e9 pertinente demarcar alguns elementos conceituais. O <em>colaboracionismo<\/em> seria o primeiro deles, que seriaa atividade, o comportamento de colaboracionista, que o dicion\u00e1rio: <em>diz<\/em>&#8211;<em>se de ou pessoa que colabora com ou apoia o inimigo que ocupa, total ou parcialmente, o territ\u00f3rio de seu pa\u00eds<\/em> (HOUAISS, 2009. p. 490). Nesse sentido, a imprensa brasileira hegem\u00f4nica se enquadra nesse perfil, principalmente os donos desses meios de imprensa, que colaboraram assiduamente com a ditadura civil-militar de 1964: dando uma conota\u00e7\u00e3o positiva \u00e0 ditadura, censurando, elogiando os algozes, desclassificando pejorativamente aqueles que se opunham ao golpe, realizando uma cruzada contra o suposto comunismo, e sempre a favor da p\u00e1tria e da liberdade que os militares supostamente traziam. Kushnir faz uma oportuna ressalva de que, no caso dos jornalistas, estes tiveram posi\u00e7\u00f5es as mais distintas, desde apoio aberto, at\u00e9 atua\u00e7\u00e3o militante contra a ditadura, ou seja, houve aqueles trabalhadores dentro do jornalismo brasileiro que deram a vida contra o <em>colaboracionismo<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro conceito importante de se discutir \u00e9 o de <em>censura<\/em>, uma vez que o mesmo perpassa por todo per\u00edodo ditatorial, sendo nos jornais a \u00e2ncora mestre. Para Kushnir, o objetivo da censura \u00e9 criar uma <em>harmonia social<\/em> ainda que imagin\u00e1ria. Assim, ela postula que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Arrazoar a a\u00e7\u00e3o de proibir e censurar, de negar ao outro o direito de acesso a determinados temas; vigiar pessoas, ditar normas de conduta, excluir palavras do vocabul\u00e1rio; forjar de maneira brutal uma nova realidade, essas s\u00e3o algumas das indaga\u00e7\u00f5es centrais e das preocupa\u00e7\u00f5es acerca das estrat\u00e9gias do interdito. (KUSHNIR, 2012, p. 36)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a autora observa que censurar \u00e9 \u201cum ato pol\u00edtico\u201d, e com ela temos pleno acordo: a ditadura de 1964 usou com toda for\u00e7a esse ato pol\u00edtico para permitir dizer somente aquilo que lhe interessava, criar um mundo ideal paralelo. Enquanto isso, pessoas eram assassinadas, injusti\u00e7adas, e principalmente a classe trabalhadora em seu conjunto era impingida a vender sua for\u00e7a de trabalho a um reduzid\u00edssimo valor, pois foi a principal coagida no processo ditatorial e impedida de reclamar seus parcos direitos trabalhistas e sociais. Para se ampliar a ideia a respeito do que j\u00e1 discorremos, \u00e9 oportuno apresentar o <em>Manual distribu\u00eddo em S\u00e3o Paulo<\/em>, assinado pelo General Silvio de Correia de Andrade, estabelecendo o que os jornais poderiam publicar, quando a ditatura apertou ainda mais seu cerco repressivo com o AI-5, em 13\/12\/68:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li class=\"has-small-font-size\">Manter o respeito \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de 1964;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o permitir not\u00edcias referentes a movimentos de padres e assuntos pol\u00edticos referente aos mesmos;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o comentar problemas estudantis;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o permitir cr\u00edticas aos Atos Institucionais, \u00e0s autoridades e \u00e0s FFAA;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">As not\u00edcias devem ser precisas, versando apenas sobre fatos consumados;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o permitir informa\u00e7\u00f5es falsas, supostas, d\u00favidas ou vagas;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o permitir not\u00edcias sobre movimento oper\u00e1rio e greves;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o permitir aos cassados escrever sobre pol\u00edtica;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o publicar os nomes dos cassados a fim de n\u00e3o coloc\u00e1-los em evid\u00eancia, mesmo quando se trate de reuni\u00f5es sociais, batizados, banquetes, festas de formatura. A pris\u00e3o dos cassados poder\u00e1 ser noticiada, desde que confirmada oficialmente;<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-small-font-size\"><em>&nbsp;<\/em>N\u00e3o publicar not\u00edcias sobre atos de terrorismo, explos\u00e3o de bombas, assaltos a bancos, roubos de dinamite, roubos de armas, exist\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o ou prepara\u00e7\u00e3o de guerrilhas em qualquer ponto do territ\u00f3rio nacional, ou sobre movimento subversivo, mesmo quando se trate de fato consumado e provado. (KUSHNIR, 2012. p. 109)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante deixar claro que todo ato de censura e penalidades criadas pelo Estado brasileiro partia do Executivo por meio do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Assim, cabe conceber de forma clara o que \u00e9 o Estado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Para Marx, o Estado \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o de classe, um \u00f3rg\u00e3o de submiss\u00e3o de uma classe por outra: \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cordem\u201d que legalize e consolide essa submiss\u00e3o, amortecendo a colis\u00e3o das classes (L\u00caNIN, 2007. p. 27).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a sociedade j\u00e1 se dividiu em classes sociais antag\u00f4nicas e inconcili\u00e1veis, e desse modo o Estado sempre ser\u00e1 o da classe economicamente e politicamente dominante. Nesse contexto, quanto mais acirrado se torna o choque entre as classes sociais de explorados e exploradores, a classe dominante necessita, para manter sua condi\u00e7\u00e3o de classe exploradora, intensificar seu <em>modus operandi<\/em> repressivo para recompor seu poder de coer\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que vamos ver com o golpe militar de 1964 e a ditadura civil-militar que da\u00ed surge at\u00e9 1985.&nbsp; Desse modo, para nossa pesquisa n\u00e3o resta nenhuma d\u00favida de que a classe trabalhadora foi a mais prejudicada com a ditadura, embora outros setores, como, por exemplo, a classe m\u00e9dia, tenham sido reprimidos, mas a classe trabalhadora e em espec\u00edfico os setores oper\u00e1rios foram superexplorados, mortos e torturados e, para que isso se transcorresse sem sobressaltos, a imprensa brasileira colaborou sobremaneira. \u00c9 o que vamos ver a seguir nas p\u00e1ginas dos jornais A <em>Tribuna <\/em>de Santos e <em>Cidade de Santos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Desenvolvimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Em uma breve localiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Brasil no in\u00edcio dos anos de 1960 (SILVA, 1975), o que se pode ver \u00e9 um per\u00edodo rico de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e setores camponeses. N\u00e3o podemos esquecer aqui da quest\u00e3o de terras no Brasil, j\u00e1 que a lei sobre o assunto, que datava de 1850, inviabilizava o acesso \u00e0 terra aos pobres e camponeses, pois de acordo com essa lei a \u00fanica terra que poderia ser ocupada era a terra que fosse mercadoria, ou seja, comprada. Isso inviabilizou o acesso \u00e0 terra no pa\u00eds, lembrando que o fim da escravid\u00e3o, em 1888, n\u00e3o trouxe nenhuma repara\u00e7\u00e3o aos negros escravizados, e nem a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 1889 nem a Rep\u00fablica Nova de 1930 modificaram a realidade de um grande pa\u00eds pobre e agr\u00e1rio sem direitos sociais. Na d\u00e9cada de 1950 se inicia um movimento campon\u00eas t\u00edmido no Brasil, mas j\u00e1 nos idos de 1960 esse movimento popular pela terra tem uma express\u00e3o forte de luta, principalmente no nordeste, onde o latif\u00fandio e o coronelismo eram mais acentuados. Esse movimento culminou na cria\u00e7\u00e3o das <em>Ligas Camponesas<\/em>, tendo como express\u00e3o mais conhecida a figura de Francisco Juli\u00e3o Arruda de Paula no nordeste. Contudo, o movimento pela terra tem atua\u00e7\u00e3o praticamente no pa\u00eds todo, com outras organiza\u00e7\u00f5es de luta e dirigentes com o mesmo objetivo de acesso \u00e0 terra aos pobres e camponeses.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado dos trabalhadores urbanos, temos um crescimento elevado do movimento oper\u00e1rio com a industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a partir dos anos 1930 e a ades\u00e3o do Brasil \u00e0s multinacionais automobil\u00edsticas que se instalaram no pa\u00eds na d\u00e9cada de 1950. Desse modo, na d\u00e9cada de 1960 o Brasil vivia uma singularidade interessante: ainda era de maioria populacional agr\u00e1ria, mas com o campo politizado ou se politizando pela quest\u00e3o do acesso a terra. Nas cidades, os principais centros urbanos em crescimento se industrializavam de forma r\u00e1pida, e ao mesmo tempo as cidades n\u00e3o industriais do centro-sul sofriam influ\u00eancia do processo industrial intenso. Isso contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o de uma classe trabalhadora urbana mais aglomerada, consciente e com esp\u00edrito associativo, se desdobrando na constitui\u00e7\u00e3o de Associa\u00e7\u00f5es, Sindicatos, Movimentos Sociais e Centrais, coisa in\u00e9dita no pa\u00eds at\u00e9 aquele per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito externo, t\u00ednhamos naquele momento um mundo polarizado entre o capitalismo, dirigido pelos EUA imperialista, somado \u00e0 Europa p\u00f3s-guerra dividida e com o estado de bem-estar-social; e do outro lado um Estado <em>Oper\u00e1rio Degenerado<\/em>, dirigido pela burocracia stalinista de Moscou, que influenciava o movimento oper\u00e1rio internacional (TROTSKY, 2005). Essa dualidade, conhecida tamb\u00e9m como bipolaridade, ou Guerra Fria, propiciava mais \u00e2nimo na luta de classes em \u00e2mbito internacional, e como fato culminante desse ascenso dos movimentos dos explorados temos a Revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa de Cuba em janeiro de 1959, que expropriou a burguesia daquela ilha, levando mais \u00e2nimo de luta a toda Am\u00e9rica Latina, e o Brasil tamb\u00e9m sofreu essa influ\u00eancia. \u00c9 nesse contexto que vivia a classe trabalhadora no pa\u00eds quando veio o golpe de 1964. Nesse sentido, para quebrar essa ofensiva da classe explorada, o estado burgu\u00eas buscaria usar todos os recursos, n\u00e3o somente os repressivos, mas tamb\u00e9m os da mentira, censura, confus\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o, distor\u00e7\u00e3o, convencimento etc., e para isso contou com o <em>colaboracionismo<\/em> da imprensa burguesa. Podemos verificar isso desde o come\u00e7o da ditadura, por exemplo, em um local com grande popula\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, a cidade de Santos, no estado de S\u00e3o Paulo, onde se localizava o principal porto do pa\u00eds:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\"><strong>Greve \u00e9 crime contra a democracia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Em comunicado expedido ontem \u00e0 noite e que divulgamos em destaque noutro local, a Capitania dos Portos convoca os trabalhadores do porto ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Estas linhas visam a chamar a aten\u00e7\u00e3o para esse apelo, que rigorosamente n\u00e3o caberia ser secundado por um coment\u00e1rio. Mas, preferimos insistir com os trabalhadores do porto pra que atendam \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 muita gente enganada quanto \u00e0 extens\u00e3o do direito de greve, que n\u00e3o \u00e9 o que ocorre mais na situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de fato, uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Nela, o direito de greve n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Por que n\u00e3o subsiste?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">N\u00e3o subsiste porque estamos em uma luta, que \u00e9 uma luta de vida e de morte pela sobreviv\u00eancia da democracia, uma luta cuja a dimens\u00e3o desborda da rotina das condi\u00e7\u00f5es normais. Quem entra em greve, hoje, principalmente nos servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e9 como se fosse um sabotador, o inimigo das finalidades pelas quais os ex\u00e9rcitos de liberta\u00e7\u00e3o nacional est\u00e3o lutando, e uma tal posi\u00e7\u00e3o anti-revolucion\u00e1ria, antidemocr\u00e1tica, implica consequ\u00eancias que come\u00e7am na perda autom\u00e1tica de emprego<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Queremos, no interesse dos pr\u00f3prios trabalhadores de toda a Baixada Santista, chamar a aten\u00e7\u00e3o para este ponto que \u00e9 muito delicado, pois sabemos que, subterraneamente, reclama-se a greve e a greve geral contra o movimento de liberta\u00e7\u00e3o do desgoverno em que o ex-presidente Goulart vinha mantendo a na\u00e7\u00e3o. Os que tentarem pela sabotagem, que a greve representa, sob qualquer modalidade, combater o movimento democratizador, dever\u00e3o estar cientes de que correm o risco de sofrer todas as consequ\u00eancias. Ser\u00e1 como pegar em armas contra as for\u00e7as da liberta\u00e7\u00e3o nacional que, em S\u00e3o Paulo, obedecem ao comando do general Amaury Kruel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Insistimos neste ponto \u2013 n\u00e3o subsiste o direito de greve na situa\u00e7\u00e3o atual. O grevista \u00e9 inimigo da democracia e da liberdade, as quais estamos buscando recuperar, neste grave momento. (A Tribuna. Santos, 02.04.1964. p.4).<\/p>\n\n\n\n<p>O jornal <em>A Tribuna<\/em>, da cidade de Santos, com essa mat\u00e9ria exposta na coluna <strong>COMENT\u00c1RIOS<\/strong>,por v\u00e1rios pontosn\u00e3o deixa nenhuma d\u00favida que estava ao lado dos militares golpistas. Primeiramente, o Presidente Jo\u00e3o Goulart, deposto, havia sido eleito pelo voto, e t\u00e3o pouco tinha algum compromisso com o comunismo; era um grande latifundi\u00e1rio riograndense, que, devido \u00e0 for\u00e7a do movimento oper\u00e1rio e popular o qual apontamos, fazia algumas reformas, conhecidas como programa de <em>Reformas de Base<\/em>. O jornal, al\u00e9m de apoiar o golpe civil-militar, distorce completamente os fatos: o movimento que estava acabando com a parca democracia burguesa que havia no pa\u00eds era justamente o movimento golpista, que iria impingir 21 anos de ditadura ferrenha \u00e0 sociedade brasileira, com maior preju\u00edzo aos trabalhadores. Ap\u00f3s v\u00e1rios am\u00e1lgamas, o jornal <em>A Tribuna<\/em> chama os trabalhadores a se resignar com o quadro instalado, a voltar ao trabalho e abster-se de sua greve, considerada j\u00e1 naquele momento como um movimento de sabotagem. Ocorre que os trabalhadores, como explica SANTOS (2020, p.85), estavam em movimento legal de campanha salarial, uma vez que a empresa, Companhia Docas de Santos, concession\u00e1ria da explora\u00e7\u00e3o do Porto de Santos, havia recebido tarifa para realizar o reajuste salarial que tinha se comprometido a executar perante os trabalhadores, e agora de forma oportunista se recusava a efetuar; e o jornal passa a chamar os trabalhadores de sabotadores, inimigos da democracia, e outros in\u00fameros termos pejorativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha narrativa constru\u00edda pelo jornal <em>A Tribuna<\/em>, o impacto mais negativo erguido pelo mesmo seria desacreditar o Sindicato dos Oper\u00e1rios Portu\u00e1rios de Santos, fazendo a popula\u00e7\u00e3o crer que naquele espa\u00e7o se realizavam as maiores confabula\u00e7\u00f5es contra o pa\u00eds na cidade. Deste modo, o coro aos golpistas pela interven\u00e7\u00e3o no sindicato \u00e9 estampado em cada p\u00e1gina, se cria socialmente esse grande inimigo a ser combatido com toda energia, pois dali \u00e9 que sai toda a \u201calgazarra\u201d contra a p\u00e1tria amada. Nesse sentido, no dia 02 de abril, na p\u00e1gina 20 de <em>A Tribuna<\/em>, como se pode observar no anexo 01, sai a foto da sede do sindicato ocupada por militares privados como medida protetora da ordem na cidade. Se diz na manchete que foi o \u00fanico sindicato a sofrer interdi\u00e7\u00e3o, contudo isso foi mais uma mentira. Como se pode observar no anexo 02, na mesma edi\u00e7\u00e3o do jornal, p\u00e1gina 08, mostra-se que em v\u00e1rios outros sindicatos h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para nomea\u00e7\u00e3o de interventores, pois o que passa a ocorrer nesses primeiros dias de abril em toda Baixada Santista \u00e9 uma infinidade de interdi\u00e7\u00f5es em todos os sindicatos da regi\u00e3o, com a nomea\u00e7\u00e3o de novas diretorias. Essas novas diretorias, por conseguinte, ser\u00e3o correia de transmiss\u00e3o dos interesses da patronal e do Estado ditatorial no ceio das organiza\u00e7\u00f5es classistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse quadro iria se construir uma forte parceria entre sindicalistas bi\u00f4nicos\/ditadura\/patronal, no movimento sindical do pa\u00eds, situa\u00e7\u00e3o que levou esse sindicalismo a ser chamado de \u201csindicalismo pelego\u201d, e que gerou um preju\u00edzo enorme para a classe trabalhadora em seu poder de organiza\u00e7\u00e3o e autonomia. Se olharmos por uma linha do horizonte temporal, esse tipo de sindicalismo pelego, tendo no Estado e na patronal os ditames do que seriam os \u201cinteresses dos trabalhadores\u201d, foi implementado no Brasil com Get\u00falio Vargas em 1930, e naquele momento de in\u00edcio de s\u00e9culo XX a experi\u00eancia aut\u00f4noma do movimento oper\u00e1rio no Brasil mal chegava a duas d\u00e9cadas. Os 15 anos de governo Vargas (1930\/45) esfacelaram essa recente organiza\u00e7\u00e3o classista independente. Em 1945, quando saiu Vargas do governo e se iniciou um novo movimento sindical, o mesmo foi interrompido em menos de duas d\u00e9cadas de reorganiza\u00e7\u00e3o, ou seja, em 1964, situa\u00e7\u00e3o que perdurou no pa\u00eds at\u00e9 o in\u00edcio de 1980, quando se construiu a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT). Portanto, o relativamente jovem (1910) movimento oper\u00e1rio brasileiro nunca teve uma tr\u00e9gua para sua auto-organiza\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o golpe civil-militar de 1964 iniciava com toda for\u00e7a uma persegui\u00e7\u00e3o a esse praticamente rec\u00e9m-organizado movimento oper\u00e1rio independente \u2013 dizemos independente sem entrar no debate a respeito do papel do colaboracionismo sindical\/patronal realizado pelas organiza\u00e7\u00f5es stalinistas no pa\u00eds, principalmente o PCB. Essa persegui\u00e7\u00e3o seria realizada primeiro contra os dirigentes sindicais, que foram presos \u00e0s centenas na Baixada Santista. O papel que o jornal <em>A Tribuna<\/em> realizou nesse processo foi de colaborar para a constru\u00e7\u00e3o da imagem negativa do dirigente sindical, e esse l\u00edder oper\u00e1rio passaria a ser criminalizado com uma intensidade nunca vista antes. Adjetivos negativos foram criados e reprisados massivamente a cada mat\u00e9ria editada; distor\u00e7\u00f5es, censuras e mentiras foram utilizadas por esse meio de comunica\u00e7\u00e3o para criar e real\u00e7ar a imagem negativa do dirigente sindical. Por exemplo, at\u00e9 uma simples express\u00e3o de opini\u00e3o, que a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o at\u00e9 aquele momento n\u00e3o imputava como crime (qual o regime social mais prop\u00edcio \u00e0 sociedade?), para o jornal <em>A Tribuna<\/em> era conte\u00fado delituoso, que merecia mat\u00e9rias para denunciar, demonizar e criminalizar o opinante.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais fatos podem ser observados no anexo 03, em outra mat\u00e9ria do dia 04 de abril de 1964, p\u00e1gina 20: <em>\u201cPol\u00edcia apreende material de propaganda comunista na sucursal \u2018Novos Rumos\u2019\u201d<\/em>. Na mat\u00e9ria s\u00e3o narradas as dilig\u00eancias do Dops a sindicalistas da cidade e \u00e0 imprensa oper\u00e1ria. No caso do jornal <em>Novos Rumos<\/em>, produzido pelo PCB na regi\u00e3o, h\u00e1 toda uma descri\u00e7\u00e3o que criminaliza a imprensa oper\u00e1ria, dizeres no sentido de como foi encontrado farto material subversivo, a respeito da exist\u00eancia de uma tipografia clandestina, etc. \u00c9 not\u00f3rio como se vai construindo todo um enredo que colabora com a aceita\u00e7\u00e3o do golpe como medida medicamentosa; o golpe, chamado de <em>revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/em>, estaria trazendo o pa\u00eds \u00e0 luz novamente, da\u00ed a necessidade de apoi\u00e1-lo para o bem comum da p\u00e1tria. At\u00e9 os quadros de pensadores, dirigentes e revolucion\u00e1rios que estavam pendurados na parede da imprensa oper\u00e1ria <em>Novos Rumos<\/em> foram motivo de narrativa desconstrutiva, como se fossem pessoas ex\u00f3genas, inadequadas \u00e0 cultura brasileira. Nessa dilig\u00eancia se narra a pris\u00e3o de gente notadamente esquerdista, ou seja, a mat\u00e9ria leva \u00e0 ideia de que um grupo de pescadores havia feito uma excelente pescaria: no caso, a pol\u00edcia havia conseguido dar uma grande redada e conseguido livrar a sociedade santista de gente e material criminosos, ou seja, o golpe estava promovendo uma higieniza\u00e7\u00e3o da Baixada Santista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, ao se observar a linha jornal\u00edstica de <em>A Tribuna<\/em>, percebe-se o constructo de a\u00e7\u00f5es evidentemente autorit\u00e1rias: destitui\u00e7\u00e3o de diretorias sindicais eleitas e estabelecimento de interventores; pris\u00e3o em massa de trabalhadores e ativistas; ocupa\u00e7\u00e3o militar ou lacre de espa\u00e7os oper\u00e1rios; confisco; censura aos fatos reais; proibi\u00e7\u00e3o de todo tipo de imprensa oper\u00e1ria etc. Essas a\u00e7\u00f5es passam a ser uma rotina naturalizada pelo jornal <em>A Tribuna<\/em> como necess\u00e1rias, justas e profil\u00e1ticas diante dos males que o pa\u00eds estava enfrentando. Esse pensamento, essa ideologia geral n\u00e3o poderia ser constru\u00edda pelos golpistas sem a colabora\u00e7\u00e3o da imprensa, ainda mais em uma regi\u00e3o em que o movimento oper\u00e1rio era muito atuante.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso do jornal <em>A Cidade de Santos<\/em>, de propriedade do Grupo Folha, fundado em julho de 1967, na cidade de Santos, \u00e9 muito elucidativo para se verificar a colabora\u00e7\u00e3o dos meios de imprensa hegem\u00f4nicos com a ditatura, conforme destaca SANTOS (2020, p. 87) em seu trabalho sobre a repress\u00e3o na Cia. Docas de Santos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Acusa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">A acusa\u00e7\u00e3o esteve a cargo do promotor Henrique Vailati Filho. Baseou seu pedido de condena\u00e7\u00e3o nos movimentos grevistas que eclodiram na Baixada antes da Revolu\u00e7\u00e3o, bem como no depoimento do chefe da divis\u00e3o do pessoal da Companhia Docas de Santos, Sr. Saulo Pires Vianna. Aparteado pelo advogado Eraldo Aur\u00e9lio Franzese, o promotor acabou por reconhecer que \u201cna verdade as provas eram falhas, mas existiam\u201d. Confessou que era seu dever sustentar o pedido de condena\u00e7\u00e3o de todos, com exce\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s Go\u00eds, contra quem n\u00e3o houve a m\u00ednima prova. (Relat\u00f3rio reservado n\u00ba 232 de 21.09.1967)<\/p>\n\n\n\n<p>Esse relat\u00f3rio do Dops \u2013 que segue na \u00edntegra no anexo 04 \u2013, um documento sigiloso, saiu como mat\u00e9ria do jornal <em>A Cidade de Santos<\/em>, no dia 21 de setembro de 1967, p\u00e1gina 06. A quest\u00e3o \u00e9: como isso p\u00f4de acontecer? \u00c9 de conhecimento p\u00fablico que os arquivos do Dops e de todo aparelho repressivo s\u00f3 foram abertos parcialmente \u00e0 pesquisa muito tempo depois da abertura pol\u00edtica, e por meio de muita press\u00e3o popular. Nesse sentido, n\u00e3o resta d\u00favida que os agentes policiais eram ao mesmo tempo jornalistas do Grupo Folha, pois o relat\u00f3rio e a mat\u00e9ria veiculada s\u00e3o os mesmos, grafia e gram\u00e1tica, ou os jornalistas eram frequentadores desse espa\u00e7o policial, o que n\u00e3o modifica em subst\u00e2ncia o colaboracionismo desse grupo de imprensa com a ditadura civil-militar de 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz Kushnir observa, em seu trabalho de doutorado, que os meios de imprensa do pa\u00eds se misturaram de tal forma com a ditadura civil-militar de 1964 que se confundiam com ela. Nesse sentido, uma boa parte dos profissionais que passaram a trabalhar nos \u00f3rg\u00e3os de imprensa eram policiais, e dessa forma a ditadura, al\u00e9m de controlar melhor o que poderia ser veiculado, trabalhava com os chamados <em>Gansos<\/em> \u2013 termo que passou a ser usado no jornalismo brasileiro, pois o ganso, uma ave de pesco\u00e7o longo, consegue ver do outro lado, ou mais longe, por levantar sua cabe\u00e7a a uma altura que as demais aves n\u00e3o conseguem. Assim, esses jornalistas\/policiais poderiam saber em primeira m\u00e3o a not\u00edcia; ver o que poderia ser veiculado e vigiar os demais jornalistas. O jornal <em>A Cidade de Santos<\/em> colaborou dessa forma com a ditadura ao ter em seu pessoal esses gansos. Desse modo, nesse espa\u00e7o jornal\u00edstico se gabaritaram no colaboracionismo os jornalistas Ant\u00f4nio Aggio Jr. e Horley Antonio Destro, que, depois de 2 anos na dire\u00e7\u00e3o do jornal <em>A Cidade de Santos<\/em>, foram transferidos para a capital paulista, para dirigir o jornal <em>Folha da Tarde<\/em>, do mesmo Grupo Folha. A partir de 1969, com o AI-5, o jornal <em>Folha da Tarde<\/em> passou a ser conhecido em S\u00e3o Paulo como o jornal de maior tiragem, e isso, como explica Kushnir, n\u00e3o se deve ao fato de aquele jornal ser o de maior venda, mas, sim, por possuir o maior n\u00famero de policiais (tiras) trabalhando disfar\u00e7adamente ou n\u00e3o em sua reda\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Pensar o jornalismo sem observar as classes sociais e a sua luta \u00e9 um pensar estreito, simpl\u00f3rio e idealista, e isso faz conceber uma sociedade sempre em evolu\u00e7\u00e3o, conceber que, na medida do crescimento da conscientiza\u00e7\u00e3o, do fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es burguesas, da participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil e da democracia, se chegar\u00e1 a uma sociedade justa e a um jornalismo comprometido com a verdade e neutro. Esse tipo de vis\u00e3o \u00e9 a que mais perpassa nossa escola de imprensa, a pr\u00f3pria imprensa e os profissionais dos dias de hoje. E basta darmos uma simples olhada em como os fatos s\u00e3o narrados, constru\u00eddos e divulgados na m\u00eddia no cotidiano que notamos exemplos dessa vis\u00e3o. Vejamos o caso recente da morte da Rainha Elizabeth II da Inglaterra em setembro de 2022. A rainha foi tida pela imprensa como espl\u00eandida, moderna, a mais elegante, arrojada, guardi\u00e3 da democracia ao se alistar nas for\u00e7as militares inglesas na II Guerra Mundial e por a\u00ed vai, sendo ressaltadas tantas e tantas outras qualidades da monarca. A verdade \u00e9 que o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, que n\u00e3o acabou \u2013 a rainha \u00e9 prova disso \u2013, embora dele s\u00f3 reste hoje a sombra do que foi no passado, foi um dos Imp\u00e9rio mais sanguin\u00e1rios que o mundo j\u00e1 teve, e no entanto a imprensa construiu outra figura desse fato real. A pr\u00f3pria rainha, quando esteve no Brasil nos anos 1960, brindou junto com os militares, os mesmos militares que torturaram, que estavam envolvidos com o desaparecimento de pessoas, que ergueram a coisa mais escabrosa que se possa imaginar, a <em>Casa da Morte<\/em>, resid\u00eancia de tortura no estado do Rio de Janeiro, de onde somente saiu uma pessoa viva \u2013 os que ali entravam para ser mortos sob tortura tinham como recep\u00e7\u00e3o um varal na entrada da casa, em que a carne seca dos detentos que ali eram mortos era exposta em fitas; ou seja, um horror, e era com esse tipo de gente que a rainha brindava, mas a imprensa conta outra hist\u00f3ria dessa mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, na constru\u00e7\u00e3o das not\u00edcias e dos fatos jornal\u00edsticos, a exist\u00eancia da refer\u00eancia de classe \u00e9 norteadora do que se vai produzir enquanto narrativa hist\u00f3rica. O que pudemos observar nesta breve pesquisa a respeito destes dois jornais, <em>A Tribuna <\/em>e<em> A Cidade de Santos<\/em>, \u00e9 que as not\u00edcias ali produzidas e veiculadas em massa colaboraram imensamente para um constructo positivo da ditadura. Justificaram as arbitrariedades, a censura, os assassinatos, amainaram os espantos, naturalizaram a superexplora\u00e7\u00e3o que a classe trabalhadora santista passou a sofrer sem poder reclamar melhor o valor da venda de sua for\u00e7a de trabalho. A ditadura de 1964 n\u00e3o poderia sobreviver por tanto tempo se n\u00e3o contasse com a colabora\u00e7\u00e3o desses meios de imprensa, que criaram e multiplicaram a ideologia anticomunista. \u00c9 claro que n\u00e3o foi s\u00f3 a imprensa que colaborou, a igreja tradicional tamb\u00e9m apoiou a ditadura, mas, pelo peso que naquele momento a imprensa escrita possu\u00eda (a televisiva ainda era pequena), seu apoio foi fundamental para a estabiliza\u00e7\u00e3o da ditadura por 21 anos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pequena imprensa, oper\u00e1ria ou alternativa, possu\u00eda uma enorme desvantagem econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos grandes grupos, al\u00e9m de ser perseguida juridicamente, e dessa forma n\u00e3o podia concorrer com a imprensa burguesa pois era marginal, embora possu\u00edsse grandes jornalistas como Herm\u00ednio Sacchetta, cr\u00edticos como Mario Pedrosa, diretores como Mill\u00f4r Fernandes, cartunistas como Fortuna e Henfil, dentre tantos excelentes profissionais do meio. Assim, pudemos ver n\u00e3o somente a colabora\u00e7\u00e3o da grande imprensa com ditadura, mas tamb\u00e9m o sufocamento da imprensa alternativa ou classistas; quando termina a ditadura nossa imprensa \u00e9 um grande monop\u00f3lio, ou oligop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o, dividido entre as grandes fam\u00edlias brasileiras conforme a regi\u00e3o de mando de cada uma delas. Mesmo com a elei\u00e7\u00e3o do PT e Lula a presidente do Brasil em 2002, o quadro do controle da not\u00edcia no pa\u00eds n\u00e3o mudou, e, pelo contr\u00e1rio, por \u201cironia\u201d, no governo Lula foi o momento em que mais se fechou as chamadas \u201cr\u00e1dios piratas\u201d, ou alternativas, modo mais justo de as chamar. Lula nesse momento poderia ter mudado as regras de concess\u00f5es, ter tornado mais democr\u00e1tica a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, autorizando que sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais pudessem ter concess\u00f5es de r\u00e1dio e TV, mas negou esse direito a essas entidades e, por exemplo, permitiu que as igrejas abrissem v\u00e1rios canais de r\u00e1dio e TV.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>HOUAISS, Ant\u00f4nio; VILLAR, Mauro de Salles. <em>Dicion\u00e1rio Houaiss da l\u00edngua portuguesa<\/em>. 1\u00aa ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00caNIN, Vladimir Ilitch. <em>O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o: o que pensa o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>LE\u00d3N, Trotsky. <em>A revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda: o que \u00e9 e para onde vai a URSS<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Instituto Jos\u00e9 Lu\u00eds e Rosa Sundermann, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>KUSHNIR, Beatriz. <em>C\u00e3es de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/em>. 1\u00aa ed. ver. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Adriana Gomes; NETO, Ant\u00f4nio Fernandes. <em>Cia. Docas de Santos eternamente em ber\u00e7o espl\u00eandido. Responsabilidade empresarial na repress\u00e3o aos trabalhadores na Baixada Santista<\/em>. S\u00e3o Paulo: Sundermann, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, H\u00e9lio; CARNEIRO, Maria C. Ribas. <em>As Crises e as Reformas<\/em>. Rio de Janeiro: Tr\u00eas, 1975.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>ANEXOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-1 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"556\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01-556x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7296\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01-556x1024.jpg 556w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01-163x300.jpg 163w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01-768x1414.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01-834x1536.jpg 834w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01-1112x2048.jpg 1112w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-01.jpg 1180w\" sizes=\"auto, (max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-center is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-2 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"272\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-02-272x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7297\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-02-272x1024.jpg 272w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-02-80x300.jpg 80w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-02-408x1536.jpg 408w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-02-544x2048.jpg 544w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-02.jpg 559w\" sizes=\"auto, (max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"903\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-03-1024x903.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7298\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-03-1024x903.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-03-300x265.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-03-768x678.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-03.jpg 1299w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"702\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-04-702x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7299\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-04-702x1024.jpg 702w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-04-206x300.jpg 206w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-04-768x1120.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-04-1053x1536.jpg 1053w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-04.jpg 1299w\" sizes=\"auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"701\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-05-701x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7300\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-05-701x1024.jpg 701w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-05-205x300.jpg 205w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-05-768x1122.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-05-1051x1536.jpg 1051w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-grupo-05.jpg 1299w\" sizes=\"auto, (max-width: 701px) 100vw, 701px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando S\u00e9rgio Damasceno* Ant\u00f4nio Pereira de Oliveira** Resumo: O golpe civil-militar de 1964 instaurou no Brasil uma ditadura que perdurou 21 anos, pondo fim a um per\u00edodo de parca democracia burguesa no pa\u00eds, per\u00edodo esse em que as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e camponesas se constru\u00edam e se fortaleciam em todo territ\u00f3rio nacional. 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