{"id":7101,"date":"2022-08-15T20:14:41","date_gmt":"2022-08-15T23:14:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7101"},"modified":"2023-06-28T12:22:26","modified_gmt":"2023-06-28T15:22:26","slug":"a-gripe-espanhola-nas-memorias-de-pedro-nava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7101","title":{"rendered":"A Gripe espanhola nas mem\u00f3rias de Pedro Nava"},"content":{"rendered":"\n<p>Francisco Carlos Ribeiro<a id=\"_ednref1\" href=\"#_edn1\">[1]<\/a> Olga Brites<a id=\"_ednref2\" href=\"#_edn2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-1024x404.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7239\" width=\"664\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-1024x404.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-300x118.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-768x303.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-1536x606.jpg 1536w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-2048x807.jpg 2048w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-ariadna-1568x618.jpg 1568w\" sizes=\"auto, (max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo tem por objetivo compreender, pelo olhar memorial\u00edstico do m\u00e9dico e escritor brasileiro Pedro Nava (1903-1984), como o governo de Venceslau Br\u00e1s (1914-1918), a medicina daquela \u00e9poca e as pessoas comuns da cidade do Rio de Janeiro, enfrentaram os desafios sanit\u00e1rios provocados pela Gripe Espanhola de 1918. O fio condutor do estudo est\u00e1 centralizado no volume \u201cCh\u00e3o de ferro\u201d, publicado em 1976, onde Nava conta com detalhes o cotidiano carioca durante a pandemia de 1918. Ao longo de sua inquietante narra\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de palavras e frases que demonstram seu assombro diante daquela triste situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, Pedro Nava, como testemunha da hist\u00f3ria, apresentou os horrores que assistiu e sofreu em sua adolesc\u00eancia. Com seu habitual vocabul\u00e1rio exuberante, busca sensibilizar seus leitores, talvez na tentativa de conscientiz\u00e1-los para que as mazelas do passado n\u00e3o voltassem a ocorrer no futuro. Contudo, ao se comparar os acontecimentos de 2019 com os de 1918, percebe-se uma grande semelhan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao despreparo dos governantes e da popula\u00e7\u00e3o em geral sobre como lidar com a pandemia do SARS-CoV-2.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gripe Espanhola; Mem\u00f3rias; Pandemia; Pedro Nava; Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>The Spanish Flu in the Memories of Of Pedro Nava<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>The article aims to understand, through the memoiristic look of the Brazilian physician and writer Pedro Nava (1903-1984), how the government of Venceslau Br\u00e1s (1914-1918), the medical science of that time and the common people of the city of Rio de Janeiro, faced the health challenges caused by the 1918 Spanish flu. The guiding thread of the study is centralized in the volume \u201cCh\u00e3o de ferro\u201d, published in 1976, where Nava recollects details of daily life in Rio de Janeiro during the 1918 pandemic, by using words and phrases that demonstrate his distraught at that appalling situation in public health. In his narrative, Pedro Nava becomes an eyewitness who presents the horrors that he witnessed and experienced in his teenage years. With his usual exuberant vocabulary, he seeks to touch his readers, perhaps in an attempt to engage them so that the ills of the past will not happen again. However, when comparing the events of 2019 with those of 1918, a great similarity can be seen in relation to the unpreparedness of government officials and the general population on how to deal with the SARS-CoV-2 pandemic.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Spanish flu; Memoirs; Pandemic; Pedro Nava; Public health.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group has-white-background-color has-background\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group has-small-font-size\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Al\u00e9m da fome, da falta de rem\u00e9dios, de m\u00e9dicos, de tudo, <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>as folhas noticiavam o n\u00famero nunca visto dos doentes e <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>das cifras pavorosas dos obitu\u00e1rios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Pedro Nava.<\/em><em><\/em><\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>O presente estudo visa, nesse momento que ainda colhemos consequ\u00eancias da crise sanit\u00e1ria provocada pelo SARS-CoV-2, compreender pelo olhar memorial\u00edstico de Pedro Nava (e de algumas pesquisas hist\u00f3ricas especializadas), como o governo, a medicina e as pessoas comuns, enfrentaram os desafios da pandemia provocada pela Gripe Espanhola de 1918. Antes, por\u00e9m, de apresentarmos a tem\u00e1tica espec\u00edfica desse artigo, examinaremos abaixo como forma de pre\u00e2mbulo, uma breve an\u00e1lise sobre as rela\u00e7\u00f5es entre Memorialismo e Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo memorialista \u00e9 uma testemunha da Hist\u00f3ria, todavia, sem exercer as atividades de um historiador, pois n\u00e3o trabalha com fontes diversificadas, que demonstrem evid\u00eancias das diferentes experi\u00eancias sociais. Pedro Nava em suas mem\u00f3rias, trabalhou como um engenhoso arquiteto de suas lembran\u00e7as, partindo do que viu, ouviu e sentiu, buscando interpretar e entender o passado que viveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Massaud Mois\u00e9s, oscilando entre <em>a<\/em> <em>autobiografia <\/em>(reconstitui\u00e7\u00e3o do passado que pressup\u00f5e a veracidade dos fatos), <em>o di\u00e1rio<\/em> (relato e coment\u00e1rio dos fatos de um dia) e <em>a confiss\u00e3o<\/em> (narrativa em que se extravasa os sentimentos vividos em certas situa\u00e7\u00f5es), o texto memorial\u00edstico se distingue pela reda\u00e7\u00e3o na primeira pessoa do singular, objetivando assim, certificar o leitor, que a reconstitui\u00e7\u00e3o dos acontecimentos descritos, foram realmente vivenciados pelo seu autor. Como narrativa pessoal, ele se apresenta com uma <em>vigorosa subjetividade<\/em>, pois nele, \u00e9 o autor-lembrador quem seleciona o que vai ser contado, na ordem em que julgar apropriada e com as palavras e express\u00f5es que achar adequadas<a id=\"_ednref3\" href=\"#_edn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-02-camiones-mortuorios.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7245\" width=\"528\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-02-camiones-mortuorios.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-02-camiones-mortuorios-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Gripe-espanola-02-camiones-mortuorios-768x550.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Caminh\u00e3o funer\u00e1rio Foto do Acervo Casa Oswaldo Cruz (COC\/Fiocruz) <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Toda essa subjetividade, por\u00e9m, deixa o conte\u00fado memorial\u00edstico mais pr\u00f3ximo do texto narrativo ficcional, do que em rela\u00e7\u00e3o ao historiogr\u00e1fico. Isso se deve, porque ao contar suas lembran\u00e7as, o autor n\u00e3o tem a preocupa\u00e7\u00e3o de ser fiel a trama do que narra, pois, a fidelidade que busca, est\u00e1 na transmiss\u00e3o de suas percep\u00e7\u00f5es do que descrever\u00e1<a id=\"_ednref4\" href=\"#_edn4\">[4]<\/a>. Ele quer t\u00e3o somente \u201c<em>retratar suas impress\u00f5es dos fatos e n\u00e3o focar estritamente nesses fatos<\/em>\u201d<a id=\"_ednref5\" href=\"#_edn5\">[5]<\/a>. Assim, \u201cfalseado\u201d pelas nevoas da mem\u00f3ria do passado, o texto memorialista \u201c<em>transfigura-se como se parecesse inventado<\/em>\u201d<a id=\"_ednref6\" href=\"#_edn6\">[6]<\/a>, em meio a din\u00e2mica dos v\u00e1rios fluxos e refluxos das lembran\u00e7as de seu narrador.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, no exerc\u00edcio de recorda\u00e7\u00e3o de suas experi\u00eancias, o memorialista \u201c<em>nos entrega uma galeria de fantasmas<\/em>\u201d <a id=\"_ednref7\" href=\"#_edn7\">[7]<\/a> agitados pelo fogo e pelas sombras de sua \u00e9poca. A bruxuleante veracidade de sua narrativa, deve ser procurada mais no vivencial, do que no documental dos acontecimentos. Sob essa perspectiva, o memorialismo funciona \u201c<em>como uma nova forma de <\/em>[se]<em> viver o passado<\/em>\u201d<a id=\"_ednref8\" href=\"#_edn8\">[8]<\/a>, onde o autor se torna uma esp\u00e9cie de senhor de sua exist\u00eancia, determinando <em>in vitam<\/em> o material a ser utilizado na constru\u00e7\u00e3o de sua imagem futura, atrav\u00e9s da consolida\u00e7\u00e3o de suas reminisc\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer o invent\u00e1rio dos arquivos silenciosos<a href=\"#_edn9\" id=\"_ednref9\">[9]<\/a> de suas mem\u00f3rias, o narrador permite que as <em>lembran\u00e7as naturais<\/em> conjugadas as <em>recorda\u00e7\u00f5es requisitadas<\/em> transitem pelas alamedas de suas experi\u00eancias, trazendo de volta \u201c<em>um tempo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais<\/em>\u201d <a href=\"#_edn10\" id=\"_ednref10\">[10]<\/a>, mas que pode ser recuperado, reconstru\u00eddo e registrado. Assim, com a aus\u00eancia do exame de provas documentais, o memorialismo permite a escrita da hist\u00f3ria, com ou sem certezas absolutas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 curioso perceber que, ao mesmo tempo em que o memorialista reconstr\u00f3i seu passado atrav\u00e9s de sua narrativa, ela por sua vez, tamb\u00e9m o reconstr\u00f3i, fazendo-o compreender que os seres humanos s\u00e3o sujeitos de sua trajet\u00f3ria, e n\u00e3o meros produtos dos acontecimentos que ocorrem ao seu redor. \u00c9 esse <em>entendimento de reconstru\u00e7\u00e3o<\/em> que desperta no historiador, o interesse pelo estudo do memorialismo, para torn\u00e1-lo sua fonte de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/2.-Manoel-Peregrino-da-Silva-examinando-doente-durante-a-Gripe-Espanhola-1918.-Morro-da-Mangueira-Rio-de-Janeiro-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz-1024x717.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7244\" width=\"525\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/2.-Manoel-Peregrino-da-Silva-examinando-doente-durante-a-Gripe-Espanhola-1918.-Morro-da-Mangueira-Rio-de-Janeiro-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/2.-Manoel-Peregrino-da-Silva-examinando-doente-durante-a-Gripe-Espanhola-1918.-Morro-da-Mangueira-Rio-de-Janeiro-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz.jpg 1143w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto do Acervo Casa Oswaldo Cruz (COC\/Fiocruz) <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, foi o Visconde de Taunay (1843-1899), quem inaugurou o g\u00eanero memorial\u00edstico com a escrita de suas <em>Mem\u00f3rias<\/em>, publicadas postumamente em 1908. Depois dele outros escritores tamb\u00e9m se aventuraram nesse g\u00eanero como os romancistas Graciliano Ramos (<em>Mem\u00f3rias do c\u00e1rcere<\/em>), Jos\u00e9 Lins do Rego (<em>Meus verdes anos<\/em>) e Erico Verissimo (<em>Solo de clarineta<\/em>). No entanto, foi o m\u00e9dico Pedro Nava, com seus volumes de mem\u00f3rias, <em>Ba\u00fa de ossos<\/em> (1972), <em>Bal\u00e3o cativo<\/em> (1973), <em>Ch\u00e3o de ferro<\/em> (1976), <em>Beira-mar<\/em> (1978), <em>Galo das trevas<\/em> (1981) e <em>O c\u00edrio perfeito<\/em> (1983), al\u00e9m do inacabado <em>Cera das almas<\/em>, quem alcan\u00e7ou at\u00e9 agora, o maior prest\u00edgio art\u00edstico e liter\u00e1rio junto ao p\u00fablico e a cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em Minas Gerais, Pedro da Silva Nava (1903-1984), foi m\u00e9dico por profiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m ilustrador e escritor por voca\u00e7\u00e3o. Juntamente com o amigo Carlos Drummond de Andrade, fez parte de um grupo de jovens ligados ao movimento modernista, que mantinha contato com os vanguardistas Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e M\u00e1rio de Andrade, para quem Nava posteriormente, ilustrou o romance <em>Macuna\u00edma<\/em> (1928).<\/p>\n\n\n\n<p>Exerceu a carreira m\u00e9dica com profunda dedica\u00e7\u00e3o, clinicando em Minas Gerais (Juiz de Fora e Belo Horizonte), S\u00e3o Paulo (Monte Apraz\u00edvel) e no Rio de Janeiro, onde estabeleceu seu consult\u00f3rio em definitivo. Ao longo dos seus cinquenta anos de trabalho, destacou-se por ter sido o introdutor da reumatologia na medicina brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Poeta bissexto<a href=\"#_edn11\" id=\"_ednref11\">[11]<\/a>, autor de artigos m\u00e9dicos, professor universit\u00e1rio, Nava esperou chegar aos sessenta e quatro anos, para dar in\u00edcio \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de suas mem\u00f3rias, e com isso deixar de ser uma simples personalidade liter\u00e1ria coadjuvante do modernismo, para se tornar um escritor maduro e respeitado. \u201c<em>Nava parecia aguardar o seu momento, sabendo que era<\/em> <em>preciso primeiro viver para depois narrar<\/em>\u201d<a href=\"#_edn12\" id=\"_ednref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deixa de ser surpreendente, que em fevereiro de 1968, no in\u00edcio de um ano de agudas manifesta\u00e7\u00f5es populares, que desejavam futuras mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais no Brasil (e no mundo), que um m\u00e9dico indo para a fase final de uma carreira bem-sucedida, se voltasse para o passado de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Com um estilo hiperb\u00f3lico, artisticamente elegante e \u201c<em>por demais exuberante<\/em>\u201d<a id=\"_ednref13\" href=\"#_edn13\">[13]<\/a>, Nava conseguiu tra\u00e7ar em sua narrativa, um amplo painel da&nbsp;cultura brasileira&nbsp;do&nbsp;s\u00e9culo XX, incluindo tradi\u00e7\u00f5es familiares e cultura popular. Monumental em seu escopo temporal (quase dois s\u00e9culos), em suas dimens\u00f5es f\u00edsicas (tr\u00eas mil p\u00e1ginas), em sua riqueza vocabular, e principalmente em sua erudi\u00e7\u00e3o, as mem\u00f3rias de Pedro Nava relatam n\u00e3o s\u00f3 as efemeridades de sua vida, mas tamb\u00e9m as suas reflex\u00f5es sobre as circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas em que viveu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/3.-Distribuicao-de-alimentos-no-Instituto-de-Protecao-e-Assistencia-a-Infancia.-1918.-Rio-de-Janeiro.-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz-1024x715.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7246\" width=\"516\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/3.-Distribuicao-de-alimentos-no-Instituto-de-Protecao-e-Assistencia-a-Infancia.-1918.-Rio-de-Janeiro.-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz-1024x715.jpg 1024w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/3.-Distribuicao-de-alimentos-no-Instituto-de-Protecao-e-Assistencia-a-Infancia.-1918.-Rio-de-Janeiro.-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/3.-Distribuicao-de-alimentos-no-Instituto-de-Protecao-e-Assistencia-a-Infancia.-1918.-Rio-de-Janeiro.-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz-768x537.jpg 768w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/3.-Distribuicao-de-alimentos-no-Instituto-de-Protecao-e-Assistencia-a-Infancia.-1918.-Rio-de-Janeiro.-Acervo-Casa-de-Oswaldo-Cruz.jpg 1145w\" sizes=\"auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Foto do Acervo Casa Oswaldo Cruz (COC\/Fiocruz) <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E foi nesse emaranhado de reminisc\u00eancias, que Nava promoveu um retorno temporal aos idos de 1918, quando o Brasil e o mundo, perplexos, sofreram as assustadoras calamidades da <em>gripe espanhola<\/em>. Seu eu-narrador, n\u00e3o s\u00f3 evocou as pessoas, os sofrimentos e as mortes, mas tamb\u00e9m a falta de orienta\u00e7\u00e3o dos governos, das fam\u00edlias e da pr\u00f3pria medicina, para sa\u00edrem do tortuoso labirinto que a <em>influenza<\/em> os conduziu.<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhado de um riqu\u00edssimo vocabul\u00e1rio, o trabalho memorial\u00edstico de Nava, tamb\u00e9m revelou seu gosto pelo pormenor, com a preocupa\u00e7\u00e3o de apresentar a complexidade das situa\u00e7\u00f5es e das pessoas que viu sofrer, tornando \u201c<em>bem vivos os fatos, as situa\u00e7\u00f5es, as personagens e suas atitudes<\/em>\u201d<a href=\"#_edn14\" id=\"_ednref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo que ora se inicia, est\u00e1 fundamentado no trecho que Pedro Nava destinou a gripe espanhola, no cap\u00edtulo <em>Rua Major \u00c1vila<\/em>, do livro <em>Ch\u00e3o de ferro<\/em>. Quanto a sua estrutura narrativa, a pesquisa seguiu o mesmo itiner\u00e1rio adotado por Nava: a chegada da doen\u00e7a, a velocidade de transmiss\u00e3o, os dramas sociais causados pela pandemia como a fome, a falta de rem\u00e9dios, a estafa dos m\u00e9dicos, o n\u00famero de mortos, os cemit\u00e9rios sobrecarregados, at\u00e9 a culminante descri\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia familiar que ele sofreu quando a <em>influenza<\/em> bateu \u00e0 porta de sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>As express\u00f5es \u201cgripe espanhola\u201d, \u201cinfluenza espanhola\u201d ou simplesmente \u201cespanhola\u201d surgiram para designar a pandemia que assolou o mundo em 1918. Na \u00e9poca partiu-se da err\u00f4nea suposi\u00e7\u00e3o de que a Espanha fosse o ber\u00e7o da doen\u00e7a, ou de que ela tivesse sido o pa\u00eds com o maior n\u00famero de v\u00edtimas no mundo. Hoje, por\u00e9m, acredita-se que a mol\u00e9stia tenha se desenvolvido na realidade, nos campos de treinamento militar no interior dos Estados Unidos<a href=\"#_edn15\" id=\"_ednref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, as primeiras pessoas que ca\u00edram doentes e morreram de <em>influenza<\/em> foram as que fizeram parte da Miss\u00e3o M\u00e9dica Brasileira<a id=\"_ednref16\" href=\"#_edn16\">[16]<\/a>, que seguia no navio <em>La Plata<\/em> para a Europa, a fim de prestar ajuda humanit\u00e1ria nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. O 1\u00ba tenente m\u00e9dico da Marinha, M\u00e1rio Kr\u00f6eff<a id=\"_ednref17\" href=\"#_edn17\">[17]<\/a>, descreveu em seu relat\u00f3rio de bordo os dif\u00edceis momentos em que a Miss\u00e3o enfrentou em seu itiner\u00e1rio rumo a Fran\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Ao sair de Dakar, mal o barco se fizera ao largo, foi ele de repente, infestado por um mal desconhecido, revelando logo o seu car\u00e1ter epid\u00eamico. Sentiram-se atacados de forma grave todos os membros de nossa comitiva, os tripulantes e os recrutas senegaleses, que vinham amontoados nos por\u00f5es, desde o porto anterior. Em pouco o navio j\u00e1 se tornara hospital flutuante, lotado de gente sem diagn\u00f3stico, e sem tratamento&#8230;<a href=\"#_edn18\" id=\"_ednref18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Principiando seu relato a partir da\u00ed, Pedro Nava fez uma narra\u00e7\u00e3o inicial quase cronol\u00f3gica, sobre a g\u00eanese da doen\u00e7a entre n\u00f3s: a sa\u00edda do <em>La Plata<\/em> para a Europa (18\/08), a infec\u00e7\u00e3o dos tripulantes em Serra Leoa (29\/08), o sepultamento mar\u00edtimo dos primeiros mortos (09\/09), a chegada ao Rio de Janeiro do navio <em>Demerara<\/em> com enfermos a bordo (14\/09), o envio dos primeiros telegramas do <em>La Plata<\/em> informando sobre a enfermidade (22\/09), o comunicado oficial da presen\u00e7a de <em>influenza<\/em> entre os membros da Miss\u00e3o (27\/09), a cria\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o de assist\u00eancia domiciliar e de socorro a popula\u00e7\u00e3o (30\/09), a chegada da embarca\u00e7\u00e3o <em>Royal Transport<\/em> repleta de contaminados, e a ado\u00e7\u00e3o oficial das medidas de \u201c<em>profilaxia indiscriminada<\/em>\u201d nos portos de todo o pa\u00eds (03\/10)<a id=\"_ednref19\" href=\"#_edn19\">[19]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Avan\u00e7ando em sua narrativa, Nava informa que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">as provid\u00eancias das autoridades abriram os olhos do povo e [a] este se explicou certas anomalias que vinham sendo observadas na vida urbana; tr\u00e1fego rareado, cidade vazia e meio morta, casas de divers\u00e3o pouco cheias, condu\u00e7\u00f5es sempre f\u00e1ceis, as regatas, as partidas de <em>water-polo <\/em>e futebol quase sem assistentes, as corridas do Derby e do Jockey com os aficionados reduzidos ao ter\u00e7o<a href=\"#_edn20\" id=\"_ednref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nava admite que s\u00f3 percebeu a exist\u00eancia do \u201ctro\u00e7o\u201d, em uma segunda-feira de meados do m\u00eas de outubro, quando ao chegar no col\u00e9gio, encontrou apenas onze alunos dos quarenta e seis de sua turma de terceiro ano. Relata que no mesmo dia, \u00e0s duas horas da tarde, o chefe de disciplina interrompeu a aula que assistia, e ap\u00f3s trocar algumas palavras com seu professor, declarou que as demais aulas tamb\u00e9m estavam suspensas. Conta que em seguida, ele orientou a todos os alunos para que voltassem para as suas casas \u201c<em>o mais depressa poss\u00edvel\u201d <\/em>e \u201c<em>que n\u00e3o <\/em>[nos]<em> demor\u00e1ssemos na rua\u201d<\/em> <a id=\"_ednref21\" href=\"#_edn21\">[21]<\/a>. Por \u00faltimo, informou que, a partir daquele dia, o col\u00e9gio permaneceria fechado por tempo indefinido.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de setembro de 1918, a cidade do Rio de Janeiro, possu\u00eda uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 910.710 habitantes, sendo que 697.543 eram moradores da zona urbana e 213.167 dos sub\u00farbios e da zona rural. Segundo estimativas oficiais, a <em>espanhola<\/em> matou em torno de 15.000 pessoas, dentre os cerca de 600.000 infectados que fez, ou seja 66% da popula\u00e7\u00e3o municipal foi atingida por ela<a id=\"_ednref22\" href=\"#_edn22\">[22]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Rapidamente, o Rio se tornou um vasto hospital, vendo-se a beira de um colapso. A velocidade de cont\u00e1gio fora extremamente r\u00e1pida, pois o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o era curto, deixando um elevado n\u00famero de contaminados letais. Os sintomas eram variados, desde uma simples zoeira nos ouvidos, at\u00e9 surdez, cefaleias, hipertermia simples com \u201c<em>calafrios, hemorragias, urinas, v\u00f4mitos sangu\u00edneos acompanhados por \u2018perturba\u00e7\u00f5es nos nervos <\/em><em>card\u00edacos, infec\u00e7\u00f5es nos intestinos, pulm\u00f5es e meninges<\/em>\u2019\u201d<a id=\"_ednref23\" href=\"#_edn23\">[23]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a velocidade da transmiss\u00e3o, Nava afirma que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">era apavorante a rapidez com que ela ia da invas\u00e3o ao apogeu, em poucas horas, levando a v\u00edtima \u00e0s sufoca\u00e7\u00f5es, \u00e0s diarreias, \u00e0s dores lancinantes, ao letargo, ao coma, \u00e0 uremia, \u00e0 sincope e \u00e0 morte em algumas horas ou poucos dias. Aterrava a velocidade do cont\u00e1gio e o n\u00famero de pessoas que estavam sendo acometidas<a href=\"#_edn24\" id=\"_ednref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de diminuir a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, o Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio publicou nos principais jornais do pa\u00eds, uma s\u00e9rie de an\u00fancios batizados de \u201cconselhos ao povo\u201d, com as seguintes orienta\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Evitar aglomera\u00e7\u00f5es, principalmente \u00e0 noite. N\u00e3o fazer visitas. Tomar cuidados higi\u00eanicos com o nariz e a garganta: inala\u00e7\u00f5es de vaselina mentolada, gargarejos com \u00e1gua e sal, com \u00e1gua iodada, com \u00e1cido c\u00edtrico, tanino e infus\u00f5es contendo tanino, como folhas de goiabeira e outras. Tomar, como preventivo, internamente, qualquer sal de quinino nas doses de 25 a 50 centigramas por dia, e de prefer\u00eancia no momento das refei\u00e7\u00f5es. Evitar toda a fadiga ou excesso f\u00edsico. O doente, aos primeiros sintomas, deve ir para a cama, pois o repouso auxilia a cura e afasta as complica\u00e7\u00f5es e cont\u00e1gio. N\u00e3o deve receber, absolutamente, nenhuma visita. Evitar as causas de resfriamento, \u00e9 de necessidade tanto para os s\u00e3os, como para os doentes e os convalescentes. \u00c0s pessoas idosas devem aplicar-se com mais rigor ainda todos esses cuidados<a href=\"#_edn25\" id=\"_ednref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, segundo Nava, com o passar do tempo, o \u201c<em>espantoso j\u00e1 n\u00e3o era a quantidade de doentes, mas o fato de estarem quase todos doentes e impossibilitados de ajudar, tratar, transportar comida, vender g\u00eaneros, aviar receitas, exercer, em suma, os misteres indispens\u00e1veis \u00e0 vida coletiva<\/em>\u201d<a id=\"_ednref26\" href=\"#_edn26\">[26]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os jornais denunciavam tamb\u00e9m a escassez de alimentos, com relatos de ataques aos armaz\u00e9ns, as padarias e as vendas. Grupos de \u201c<em>esfaimados e convalescentes esqu\u00e1lidos, roubando e tossindo<\/em>&#8230; <em>de<\/em> <em>fam\u00edlias inteiras desamparadas<\/em>\u201d<a id=\"_ednref27\" href=\"#_edn27\">[27]<\/a>, enquanto se comentavam dos privil\u00e9gios da \u201c<em>classe alta e do Governo<\/em>\u201d, onde poucos eram atingidos pela pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da poss\u00edvel descren\u00e7a de algum de seus leitores sobre o que estava narrando, Nava pergunta: \u201c<em>Seria verdade<\/em>?\u201d Mas, como testemunha da Hist\u00f3ria, ele responde:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Era. Posso testemunhar contando o que passei, o que passamos, na casa em que estava \u2014 pura e simplesmente fome. Conheci essa companheira pardacenta. Lembro que depois de um dia de pir\u00e3o de farinha, de outro engambelado com restos de cerveja, vinho, licores e azeite \u2014 do alvorecer do terceiro, sem caf\u00e9 da manh\u00e3 nem nada&#8230;<a href=\"#_edn28\" id=\"_ednref28\">[28]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Defronte da morosidade do Governo Federal na administra\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria, o pre\u00e7o dos alimentos e dos rem\u00e9dios foram inflacionados e superfaturados. A situa\u00e7\u00e3o passou a ser encarada pela opini\u00e3o p\u00fablica, como fruto do descaso, da neglig\u00eancia e da incompet\u00eancia do presidente Wenceslau Br\u00e1s<a id=\"_ednref29\" href=\"#_edn29\">[29]<\/a>, e do seu diretor de sa\u00fade p\u00fablica Carlos Seidl<a id=\"_ednref30\" href=\"#_edn30\">[30]<\/a>. Ambos passaram a ser acusados abertamente de n\u00e3o possu\u00edrem uma estrat\u00e9gia de a\u00e7\u00e3o para combater a pandemia. \u201c<em>O grau de desorganiza\u00e7\u00e3o a que foi submetida a cidade, impedindo o prosseguimento de sua vida normal, foi usado pela imprensa, levando<\/em> [os dois, a uma] <em>grande perda de poder social e pol\u00edtico<\/em>\u201d<a id=\"_ednref31\" href=\"#_edn31\">[31]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado desse desgaste, no dia 17 de outubro Seidl pediu em v\u00e3o a censura dos jornais, e no dia 18 o pa\u00eds assistiu a sua substitui\u00e7\u00e3o por Carlos Chagas<a id=\"_ednref32\" href=\"#_edn32\">[32]<\/a>, que no dizer de Nava, \u201c<em>fez as \u00fanicas coisas poss\u00edveis na emerg\u00eancia: dotar a cidade do maior n\u00famero de leitos para os desamparados<\/em>\u201d<a id=\"_ednref33\" href=\"#_edn33\">[33]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A medicina, em busca de uma resposta para a mol\u00e9stia, viu seus profissionais se dividirem em uma heterogeneidade de diagn\u00f3sticos. Na verdade, a sabedoria m\u00e9dica se viu impotente para solucionar a crise sanit\u00e1ria que a desafiava. Segundo Nava, sem um conhecimento aprofundado da fisiopatologia da <em>influenza espanhola<\/em>, os m\u00e9dicos receitavam code\u00edna (para a dor), terpina (para a expectora\u00e7\u00e3o), benzoato de s\u00f3dio (para a higieniza\u00e7\u00e3o), p\u00f3s de Dower (para a febre), po\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica de Todd (para a tonifica\u00e7\u00e3o)<a id=\"_ednref34\" href=\"#_edn34\">[34]<\/a> e o quinino (para quase tudo).<\/p>\n\n\n\n<p>A quantidade de quinino<a id=\"_ednref35\" href=\"#_edn35\">[35]<\/a>, que se tornou o rei dos medicamentos durante a pandemia, logo passou a ser controlada com maior rigidez, devido ao uso abusivo dessa subst\u00e2ncia pela popula\u00e7\u00e3o enferma. Muitos \u201c<em>utilizavam altas doses, ocorrendo assim desmaios em plena rua, sendo muitas pessoas confundidas com mortos, e levadas para serem sepultadas ainda vivas, conforme relatos estarrecedores difundidos como verdadeiras lendas urbanas, durante e ap\u00f3s a epidemia gripal<\/em>\u201d<a id=\"_ednref36\" href=\"#_edn36\">[36]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A desconfian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o frente \u00e0 medicina acad\u00eamica oficial, fez com que ela procurasse as suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es para a mol\u00e9stia. Pedro Nava registra que, a fraqueza muscular e \u201c<em>os colapsos eram tratados a ess\u00eancia de canela, \u00f3leo canforado, cafe\u00edna&#8230; Ou ent\u00e3o, com o velho \u00e1lcool: champanha, vinho do Porto ou a altern\u00e2ncia, cada duas horas \u2014 ora dum cop\u00e1zio de leite, ora duma palangana<\/em> [tigela grande] <em>de grog<\/em> [bebida alco\u00f3lica quente feita \u00e0 base de rum, \u00e1gua e a\u00e7\u00facar] <a id=\"_ednref37\" href=\"#_edn37\">[37]<\/a>. Ocorre, contudo, que muitos m\u00e9dicos se utilizavam dessas mesmas pr\u00e1ticas populares de cura.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se assim, que em 1918 n\u00e3o houve a predomin\u00e2ncia de uma pr\u00e1tica terap\u00eautica oficial ou popular, mas que \u201c<em>no \u00e1pice da epidemia as duas falas tornaram-se aliadas para o tratamento da popula\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d<a href=\"#_edn38\" id=\"_ednref38\">[38]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pedro Nava, por\u00e9m, observa que,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">f\u00f3rmulas industriais bestas fizeram verdadeiras fortunas. Os jornais proclamavam as excel\u00eancias do <em>Contratosse <\/em>e do <em>Quinium Labarraque<\/em>. Na busca de uma medica\u00e7\u00e3o eficaz, de um preventivo que valesse, apelou-se at\u00e9 para a vacina\u00e7\u00e3o jenneriana [vacina contra a var\u00edola]!<a href=\"#_edn39\" id=\"_ednref39\">[39]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, portanto, se desenvolveu um com\u00e9rcio lucrativo, com a divulga\u00e7\u00e3o em jornais de rem\u00e9dios pr\u00f3prios para outras enfermidades, mas indicados como se fossem tamb\u00e9m adequados para a <em>influenza<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">A l\u00f3gica que dirigia o discurso propagand\u00edstico era ditada antes pela busca do lucro do que pela preven\u00e7\u00e3o e cura dos gripados, da\u00ed a incorpora\u00e7\u00e3o nos an\u00fancios tanto do ide\u00e1rio m\u00e9dico oficial quanto o da medicina popular, na expectativa de maximalizar a venda dos produtos apresentados&#8230; O que geralmente ocorria era a adapta\u00e7\u00e3o de antigos an\u00fancios \u00e0s necessidades surgidas com a gripe espanhola, procedendo-se \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o do discurso propagand\u00edstico e a consequente redefini\u00e7\u00e3o ou extens\u00e3o das propriedades terap\u00eauticas dos produtos anunciados. Somente a partir dessa opera\u00e7\u00e3o, que tinha como objetivo seduzir o receptor da mensagem, \u00e9 que se tornou vi\u00e1vel o an\u00fancio como espec\u00edfico para o combate da Influenza de drogas como o Maleitosan que tanto a marca de venda quanto d\u00e9cadas de propagandiza\u00e7\u00e3o haviam popularizado como um rem\u00e9dio pr\u00f3prio para o combate \u00e0 mal\u00e1ria<a href=\"#_edn40\" id=\"_ednref40\">[40]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os rem\u00e9dios foram t\u00e3o disputados quanto os alimentos, mas, na opini\u00e3o cr\u00edtica de Pedro Nava, a sua falta n\u00e3o agravou muito a situa\u00e7\u00e3o dos enfermos, pois levando-se em considera\u00e7\u00e3o os tratamentos oferecidos pela medicina da \u00e9poca, ningu\u00e9m sabia direito o que receitar para combater a <em>espanhola.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aos olhos da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 situa\u00e7\u00e3o de despreparo estava cada vez mais clara, visto que ela percebia que n\u00e3o havia por parte do governo, uma estrat\u00e9gia para socorrer os doentes. Essa falta de condi\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, j\u00e1 era h\u00e1 muito, de conhecimento geral do p\u00fablico, mas, com a pandemia se tornaram ainda mais escancaradas, ululantes e revoltantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Os hospitais e as reparti\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica do Rio de Janeiro, funcionavam em uma situa\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria, mas n\u00e3o somente para os enfermos. Os m\u00e9dicos tamb\u00e9m tinham sua cota de problemas e sacrif\u00edcios pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os doutores viviam exaustos. Come\u00e7avam \u00e0s cinco da manh\u00e3 e varavam o dia examinando, receitando, comendo do que havia nos arm\u00e1rios dos doentes, entravam trabalhando noite adentro e chegavam em casa meia-noite, uma da madrugada<a href=\"#_edn41\" id=\"_ednref41\">[41]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se pode ver no gr\u00e1fico a seguir, em realidade as verbas destinadas a sa\u00fade p\u00fablica decresciam no pa\u00eds desde 1914.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Gr\u00e1fico 1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"619\" height=\"395\" src=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Grafico-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7242\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Grafico-1.jpg 619w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Grafico-1-300x191.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Fonte: Preparado pelos autores, 2020<\/strong><a href=\"#_edn42\" id=\"_ednref42\">[42]<\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se claramente a falta de compromisso por parte do Governo Federal em rela\u00e7\u00e3o a sa\u00fade p\u00fablica. Em 1918, o or\u00e7amento previsto de 50:000$000, foi insuficiente, pois s\u00f3 no primeiro semestre foi gasto o valor de 66:418$974<a id=\"_ednref43\" href=\"#_edn43\">[43]<\/a>, ou seja, quando a pandemia chegou em setembro, o or\u00e7amento j\u00e1 estava estourado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o testemunho de Nelson Ant\u00f4nio Freire, contempor\u00e2neo de Nava, \u201c<em>a assist\u00eancia p\u00fablica n\u00e3o servia para nada, era apenas figurativa. Caso algu\u00e9m passasse mal no meio da rua ficava dependendo ou da ajuda dos transeuntes, ou passava a vergonha de ser socorrido ou pelo cambur\u00e3o da brigada policial, ou pelo rabec\u00e3o de alguma funer\u00e1ria<\/em>\u201d<a href=\"#_edn44\" id=\"_ednref44\">[44]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, lentamente, as ruas da \u201ccidade maravilhosa\u201d se transformaram em um mar de cad\u00e1veres insepultos, pois n\u00e3o havia coveiros suficientes para enterrar todos corpos, como tamb\u00e9m n\u00e3o havia caix\u00f5es em n\u00famero satisfat\u00f3rio para todos os f\u00e9retros. Nunca se tinha visto tanta viol\u00eancia viral a um s\u00f3 tempo. De uma maneira cir\u00fargica, Nava tamb\u00e9m aponta a fal\u00eancia do servi\u00e7o funer\u00e1rio da capital federal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">As funer\u00e1rias n\u00e3o davam vaz\u00e3o \u2014 havia falta de caix\u00f5es. Quando ata\u00fade havia, n\u00e3o tinha quem os transportasse e eles iam para o cemit\u00e9rio \u00e0 m\u00e3o, de burro sem rabo, arrastados, ou atravessados nos t\u00e1xis. No fim os corpos iam em caminh\u00f5es, misturados uns aos outros, diziam que \u00e0s vezes vivos, junto com os mortos. Havia troca de cad\u00e1veres podres por mais frescos, cada qual querendo se ver livre do ente querido que come\u00e7ava a inchar, a empestar<a href=\"#_edn45\" id=\"_ednref45\">[45]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Freire, do mesmo modo, testemunhou em suas lembran\u00e7as, o impacto psicossocial que a pandemia significou para aquela gera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">Foi uma coisa pavorosa! &#8230; O pior de tudo \u00e9 que estava morrendo gente aos borbot\u00f5es, e o governo dizia nas ruas e nas folhas, que a gripe era benigna. Certo dia, as folhas noticiaram mais de quinhentos \u00f3bitos, e mesmo assim a gripe era benigna, benigna, benigna. As mortes eram tantas que n\u00e3o se dava conta do sepultamento dos corpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">O servi\u00e7o [funer\u00e1rio] era lento, e a\u00ed tinha hora que o ar come\u00e7ava a empestear; os corpos come\u00e7avam a inchar e apodrecer. Muitos come\u00e7aram a jogar os cad\u00e1veres em via p\u00fablica. Quando a assist\u00eancia p\u00fablica vinha recolher os cad\u00e1veres, havia trocas dos podres por mais frescos, era um cen\u00e1rio mefistof\u00e9lico&#8230;. Na minha rua, da janela, se via um oceano de cad\u00e1veres<a href=\"#_edn46\" id=\"_ednref46\">[46]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tentar sanar o d\u00e9ficit do n\u00famero de coveiros, foram contratados <em>sepulteiros amadores<\/em> (com sal\u00e1rios vantajosos), e tamb\u00e9m recrutados <em>detentos do sistema prisional<\/em>. Sobre a conduta dos presidi\u00e1rios, boatos alarmantes eram divulgados diuturnamente, aterrorizando ainda mais a popula\u00e7\u00e3o. De acordo com Nava,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">descreviam-se os criminosos cortando dedos aos cad\u00e1veres, rasgando-lhes as orelhas para roubar os brincos, os an\u00e9is, as medalhas e os cord\u00f5es que tinham sido esquecidos. \u00c0s mo\u00e7as mortas, arrancavam as capelas e levantavam as mortalhas para ver as partes. Que curravam as mais frescas antes de enterr\u00e1-las&#8230;. Referia-se que, se no meio de monturo de mortos aparecia algum agonizante mandado por engano, acabavam-no a golpes de p\u00e1 na cabe\u00e7a ou mais simplesmente, enterravam-no vivo&#8230; ou queimaram-nos aos mont\u00f5es nos fundos do cemit\u00e9rio<a href=\"#_edn47\" id=\"_ednref47\">[47]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Nava encerra seu relato sobre naqueles dias de 1918, contando as agruras pessoais pelas quais passou, bem como a trag\u00e9dia familiar que vivenciou, daquilo que por um tempo foi chamado pelo governo de um \u201csimples resfriado\u201d benigno<a href=\"#_edn48\" id=\"_ednref48\">[48]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Descreve com afli\u00e7\u00e3o sua contamina\u00e7\u00e3o pela <em>influenza<\/em>, a febre, o quinino e a dieta absoluta, que consistiu de \u00e1gua e ch\u00e1 o dia inteiro, com direito apenas a \u201c<em>um copo <\/em><em>de leite bem a\u00e7ucarado e engrossado com araruta<\/em>\u201d. Foram dias de alucina\u00e7\u00f5es, suor, v\u00f4mitos e de muita diarreia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s sua recupera\u00e7\u00e3o, surpreso, tomou conhecimento de que sua prima Nair, que morava na mesma casa que ele, estava esqu\u00e1lida, agonizante&#8230; extinguindo-se como um p\u00f4r do sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-background-color has-background has-small-font-size\">A porta da Nair estava aberta, parei, olhei e fiquei aterrado. N\u00e3o era a mo\u00e7a radiosa que eu conhecia. Aquela pessoa discreta que n\u00e3o gargalhava e que apenas sorria; que n\u00e3o alteava a voz, que cochichava, &#8230;; a pele de cam\u00e9lia, os l\u00e1bios de p\u00e9tala vermelha, os cabelos prodigiosos \u2013 tudo mudara e era como se eu a visse outra, como se outro ente, outra coisa, uma esp\u00e9cie de dem\u00f4nio estivesse entaipado dentro dela&#8230;, tomada da <em>influ\u00eancia<\/em>, seus cabelos tinham perdido o brilho e o suor colava-os \u00e0s t\u00eamporas escavadas; os olhos brilhavam, mas como brasa, da vermelhid\u00e3o do que fora o seu branco e estavam estranhamente desviados, como num estrabismo; tinha as p\u00e1lpebras inchadas, as narinas inchadas, as ma\u00e7\u00e3s do rosto carmesins e contrastando com a palidez da testa, do contorno da boca e dos l\u00e1bios gretados e de cor azulada&#8230; Doce mo\u00e7a, repousa em paz<a href=\"#_edn49\" id=\"_ednref49\">[49]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Nava encerrou aqui seu curto relato sobre a gripe espanhola de 1918. Ao longo de sua expressiva narra\u00e7\u00e3o, burilou mais frases de assombro do que de indigna\u00e7\u00e3o ou revolta. Em contida como\u00e7\u00e3o, como testemunha da hist\u00f3ria, procurou talvez, sensibilizar e advertir as futuras gera\u00e7\u00f5es, sobre os horrores do passado que assistiu, para que eles n\u00e3o voltassem a ocorrer novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, pelo que se percebe pelos notici\u00e1rios de hoje, parece que os fantasmas de 1918, n\u00e3o assustaram suficientemente os vivos de 2020-2021. Por\u00e9m, \u201c<em>aqueles dias, &#8230;, ningu\u00e9m que os tenha vivido poder\u00e1 jamais esquec\u00ea-los<\/em>\u201d<a href=\"#_edn50\" id=\"_ednref50\">[50]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AGUIAR, Joaquim A. <em>Espa\u00e7os da mem\u00f3ria: um estudo sobre Pedro Nava<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edusp, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>BERTOLLI FILHO, Cl\u00e1udio. <em>A gripe espanhola em S\u00e3o Paulo: epidemia e sociedade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>BERTUCCI-MARTINS, Liane Maria. Entre doutores e para leigos: fragmentos do discurso m\u00e9dico na influenza de 1918. <em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade &#8211; Manguinhos<\/em>, vol. 12, jan-abr, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>DAMACENA NETO, Leandro C. A \u201cmedicina popular\u201d durante a epidemia de gripe espanhola de 1918 no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo. <em>Revista Hist\u00f3rica Online<\/em>, vol. 22, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>FERREIRA, Elenice Silva. A mem\u00f3ria como objeto de an\u00e1lise e como fonte de pesquisa em Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o: uma abordagem epistemol\u00f3gica. <em>Revista Binacional Brasil-Argentina: Di\u00e1logos Entre \u00e0s Ci\u00eancias<\/em>, v. 4, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>GEDOZ, Sueli; COSTA-HUBES, Terezinha da Concei\u00e7\u00e3o. A leitura do g\u00eanero discursivo mem\u00f3rias liter\u00e1rias a partir de um olhar bakhtiniano. <em>Signum: estudos da linguagem<\/em>, Londrina, v. 13, n. 2, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>GOULART, Adriana C. Revisitando a espanhola: a gripe pand\u00eamica de 1918 no Rio de Janeiro. <em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade &#8211; Manguinhos<\/em>, vol. 12, jan-abr, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>GURGEL, Cristina B. F. M. 1918: A miss\u00e3o m\u00e9dica brasileira na Europa. <em>Boletim da FCM<\/em>. Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas, vol. 9, n\u00ba 7, fev. 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>LE GOFF, Jacques. <em>Hist\u00f3ria e mem\u00f3ria<\/em>. Campinas: Ed. UNICAMP, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTINS, Nilce Sant\u2019Anna. Aspectos estil\u00edsticos de Ch\u00e3o de ferro (Mem\u00f3rias\/3), Pedro Nava. <em>L\u00edngua e Literatura<\/em>, vol. 5, 1976.<\/p>\n\n\n\n<p>MOIS\u00c9S, Massaud. <em>Dicion\u00e1rio de termos liter\u00e1rios<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Cultrix, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>NAVA, Pedro. <em>Ch\u00e3o de ferro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>NERUDA, Pablo. <em>Confesso que vivi<\/em>. S\u00e3o Paulo: C\u00edrculo do Livro, s\/d.<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Sheila dos S. Memorialismo: fic\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria, literatura. Alfenas<strong>: <\/strong><em>Revista (Entre Par\u00eanteses)<\/em>, vol. 2, n\u00ba 5, 2016.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>NOTAS<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Francisco Carlos Ribeiro \u00e9 Doutor em Hist\u00f3ria Social pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP). Pesquisador do N\u00facleo de Estudos de Hist\u00f3ria Social da Cidade (Nehsc) da PUC-SP. <\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_edn2\" href=\"#_ednref2\">[2]<\/a> Olga Brites \u00e9 Doutora em Hist\u00f3ria Social pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP). Professora do Departamento de Hist\u00f3ria da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP). <\/p>\n\n\n\n<p>[3] MOIS\u00c9S, Massaud. <em>Dicion\u00e1rio de termos liter\u00e1rios<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Cultrix, 2004, p. 46-47, 83-84, 121-122, 279-280.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[4]<\/a> GEDOZ, Sueli; COSTA-HUBES, Terezinha da Concei\u00e7\u00e3o. A leitura do g\u00eanero discursivo mem\u00f3rias liter\u00e1rias a partir de um olhar bakhtiniano. <em>Signum: estudos da linguagem<\/em>, Londrina, v. 13, n. 2, 2010, p. 264.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\">[5]<\/a> SILVA, Sheila dos S. Memorialismo: fic\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria, literatura. Alfenas<strong>: <\/strong><em>Revista (Entre Par\u00eanteses)<\/em>, vol. 2, n\u00ba 5, 2016, p. 11.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\" id=\"_edn6\">[6]<\/a> MOIS\u00c9S, Massaud. <em>Idem<\/em>, p. 280.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_edn7\" href=\"#_ednref7\">[7]<\/a> NERUDA, Pablo. <em>Confesso que vivi<\/em>. S\u00e3o Paulo: C\u00edrculo do Livro, s\/d, p.7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref8\" id=\"_edn8\">[8]<\/a> SILVA, Sheila dos S. <em>Idem<\/em>, p. 14.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref9\" id=\"_edn9\">[9]<\/a> LE GOFF, Jacques. <em>Hist\u00f3ria e mem\u00f3ria<\/em>. Campinas: Ed. UNICAMP, 1996, p. 109.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref10\" id=\"_edn10\">[10]<\/a> FERREIRA, Elenice Silva. A mem\u00f3ria como objeto de an\u00e1lise e como fonte de pesquisa em Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o: uma abordagem epistemol\u00f3gica. <em>Revista Binacional Brasil-Argentina: Di\u00e1logos Entre \u00e0s Ci\u00eancias<\/em>, v. 4, 2015, p. 22.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref11\" id=\"_edn11\">[11]<\/a> Seu poema <em>O defunto<\/em> foi inclu\u00eddo por Manuel Bandeira na <em>Antologia dos poetas brasileiros bissextos contempor\u00e2neos<\/em>, publicado no Rio de Janeiro, por Z\u00e9lio Valverde, em 1946.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref12\" id=\"_edn12\">[12]<\/a> AGUIAR, Joaquim A. <em>Espa\u00e7os da mem\u00f3ria: um estudo sobre Pedro Nava<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edusp, 1998, p. 15.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref13\" id=\"_edn13\">[13]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 30.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref14\" id=\"_edn14\">[14]<\/a> MARTINS, Nilce Sant\u2019Anna. Aspectos estil\u00edsticos de Ch\u00e3o de ferro (Mem\u00f3rias\/3), Pedro Nava. <em>L\u00edngua e Literatura<\/em>, vol. 5, 1976, p. 336.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref15\" id=\"_edn15\">[15]<\/a> GOULART, Adriana C. <em>Idem<\/em>, p. 155.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref16\" id=\"_edn16\">[16]<\/a> A Miss\u00e3o M\u00e9dica Brasileira, era formada por 10 diretores de servi\u00e7o na categoria de tenente-coronel; 20 chefes de enfermaria no grau de capit\u00e3o, 29 m\u00e9dicos na classe de 1\u00ba tenente; 8 auxiliares como 2\u00b0 tenentes e 15 doutorandos na mesma patente; uma delega\u00e7\u00e3o do corpo de sa\u00fade do Ex\u00e9rcito com 5 representantes e outra da Marinha com 6 oficiais; e com um contingente de 31 soldados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref17\" id=\"_edn17\">[17]<\/a> <em>M\u00e1rio Kr\u00f6eff<\/em>(1891-1983) foi pioneiro no combate ao c\u00e2ncer no Brasil. Fundou o Centro de Cancerologia (1938), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Assist\u00eancia aos Cancerosos (1939), o Servi\u00e7o Nacional de C\u00e2ncer (1941), um hospital e asilo para cancerosos, que mais tarde se tornou o Hospital M\u00e1rio Kr\u00f6eff (1944) e a Sociedade Brasileira de Cancerologia (1946).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref18\" id=\"_edn18\">[18]<\/a> GURGEL, Cristina B. F. M. 1918: A miss\u00e3o m\u00e9dica brasileira na Europa. <em>Boletim da FCM<\/em>. Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas, vol. 9, n\u00ba 7, fev. 2014, p. 1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref19\" id=\"_edn19\">[19]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Ch\u00e3o de ferro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 97-98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref20\" id=\"_edn20\">[20]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Idem<\/em>, p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref21\" id=\"_edn21\">[21]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Ibidem<\/em>, p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref22\" id=\"_edn22\">[22]<\/a> GOULART, Adriana C. Revisitando a espanhola: a gripe pand\u00eamica de 1918 no Rio de Janeiro. <em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade &#8211; Manguinhos<\/em>, vol. 12, jan-abr, 2005, p. 105.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref23\" id=\"_edn23\">[23]<\/a> GOULART, Adriana C. <em>Idem<\/em>, p. 108.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref24\" id=\"_edn24\">[24]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref25\" id=\"_edn25\">[25]<\/a> BERTUCCI-MARTINS, Liane Maria. Entre doutores e para leigos: fragmentos do discurso m\u00e9dico na influenza de 1918. <em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade &#8211; Manguinhos<\/em>, vol. 12, jan-abr, 2005, p. 146.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref26\" id=\"_edn26\">[26]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref27\" id=\"_edn27\">[27]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref28\" id=\"_edn28\">[28]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref29\" id=\"_edn29\">[29]<\/a> <em>Wenceslau Br\u00e1s<\/em> (1868-1966) foi o 9\u00ba presidente do Brasil entre 1914 e 1918. Seu mandato foi marcado pelo fim da Guerra do Contestado (1912-1916), a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as Greves Oper\u00e1rias de 1917 e a pandemia da Gripe Espanhola em 1918.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref30\" id=\"_edn30\">[30]<\/a> <em>Carlos Seidl<\/em> (1867-1929) \u00e9 considerado um dos mais eminentes sanitaristas brasileiros. Foi Diretor Geral de Sa\u00fade P\u00fablica (Ministro da Sa\u00fade) entre 1912 e 1918, pedindo demiss\u00e3o do cargo por ocasi\u00e3o da Gripe Espanhola. No livro <em>A prop\u00f3sito da pandemia de 1918: fatos e argumentos irrespond\u00edveis<\/em> (1919), ele narra suas experi\u00eancias pessoais e os problemas que enfrentou durante a pandemia de influenza.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref31\" id=\"_edn31\">[31]<\/a> GOULART, Adriana C. <em>Ibidem<\/em>, p. 120.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref32\" id=\"_edn32\">[32]<\/a> <em>Carlos Chagas<\/em> (1878-1934) foi um m\u00e9dico sanitarista que se destacou com a descoberta do protozo\u00e1rio <em>Trypanosoma cruzi<\/em> e pela <em>Tripanossom\u00edase americana<\/em> (conhecida como Doen\u00e7a de Chagas). Durante a gripe espanhola ele e sua fam\u00edlia ficaram doentes, mas como diretor de Sa\u00fade P\u00fablica criou um servi\u00e7o especial de 27 postos de atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, e mais 5 hospitais de campanha.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref33\" id=\"_edn33\">[33]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref34\" id=\"_edn34\">[34]<\/a> <em>Po\u00e7\u00e3o de Todd<\/em> \u00e9 uma mistura de 5 g de tintura de&nbsp;canela,&nbsp;40 g de aguardente, 30&nbsp;g&nbsp;de xarope simples e 75 g de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref35\" id=\"_edn35\">[35]<\/a> <em>Quinino<\/em>&nbsp;(C<sub>20<\/sub>H<sub>24<\/sub>N<sub>2<\/sub>O<sub>2<\/sub>) \u00e9 um&nbsp;alcaloide&nbsp;que tem fun\u00e7\u00f5es&nbsp;antit\u00e9rmicas,&nbsp;antimal\u00e1ricas&nbsp;e&nbsp;analg\u00e9sicas. Ele \u00e9 extra\u00eddo da&nbsp;quina, e consiste em um p\u00f3 branco, inodoro e de gosto amargo, \u00e9 uma subst\u00e2ncia utilizada no tratamento de mal\u00e1ria e arritmias card\u00edacas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref36\" id=\"_edn36\">[36]<\/a> DAMACENA NETO, Leandro C. A \u201cmedicina popular\u201d durante a epidemia de gripe espanhola de 1918 no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo. <em>Revista Hist\u00f3rica Online<\/em>, vol. 22, 2007, p. 3.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref37\" id=\"_edn37\">[37]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref38\" id=\"_edn38\">[38]<\/a> DAMACENA NETO, Leandro C. <em>Idem<\/em>, p. 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref39\" id=\"_edn39\">[39]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref40\" id=\"_edn40\">[40]<\/a> BERTOLLI FILHO, Cl\u00e1udio. <em>A gripe espanhola em S\u00e3o Paulo: epidemia e sociedade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2003, p.162-163.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref41\" id=\"_edn41\">[41]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref42\" id=\"_edn42\">[42]<\/a> Os valores est\u00e3o em milh\u00f5es de contos de r\u00e9is. Ver: GOULART, Adriana C. <em>Op. cit.<\/em>, p. 136.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref43\" id=\"_edn43\">[43]<\/a> GOULART, Adriana C. <em>Op. cit.<\/em>, p. 136.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref44\" id=\"_edn44\">[44]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 106.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref45\" id=\"_edn45\">[45]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p.100.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref46\" id=\"_edn46\">[46]<\/a> GOULART, Adriana C. <em>Op. cit.<\/em>, p. 109.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref47\" id=\"_edn47\">[47]<\/a> NAVA, Pedro. <em>Op. cit.<\/em>, p. 100.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref48\" id=\"_edn48\">[48]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref49\" id=\"_edn49\">[49]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 102.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref50\" id=\"_edn50\">[50]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 100.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><em>Ariadna Tucma Revista Latinoamericana. N\u00ba 13\/14. <\/em><em>Marzo 2019 \u2013 Diciembre 2022<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Publicado por \u00a9www.ariadnatucma.com.ar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contacto: info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=6960&amp;action=edit\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-admin\/post.php?post=6960&amp;action=edit\" target=\"_blank\">INDICE<\/a> &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">ARIADNA TUCMA Revista Latinoamericana<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">ISSN 1853-9467 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">Revista de la Asociaci\u00f3n de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe (ADHILAC)<strong> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">www.adhilac.com.ar <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">info@adhilac.com.ar <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color has-background\" style=\"color:#147aa6;background-color:#fdf7f1;font-size:16.5px\">@AdhilacInfo<\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">ARIADNA TUCMA Revista Latinoamericana<\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">ISSN 1853-9467 <\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">Revista de la Asociaci\u00f3n de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe (ADHILAC)<strong> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">www.adhilac.com.ar <\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">info@adhilac.com.ar <\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#fdf7f1;color:#147aa6;font-size:16.5px\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-center\">@AdhilacInfo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Carlos Ribeiro[1] Olga Brites[2] Resumo O artigo tem por objetivo compreender, pelo olhar memorial\u00edstico do m\u00e9dico e escritor brasileiro Pedro Nava (1903-1984), como o governo de Venceslau Br\u00e1s (1914-1918), a medicina daquela \u00e9poca e as pessoas comuns da cidade do Rio de Janeiro, enfrentaram os desafios sanit\u00e1rios provocados pela Gripe Espanhola de 1918. O &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=7101\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abA Gripe espanhola nas mem\u00f3rias de Pedro Nava\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,560],"tags":[583,584,586,585,587],"class_list":["post-7101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia","category-letras-literatura","tag-gripe-espanola","tag-pandemia","tag-pedro-nava","tag-salud-publica","tag-saude-publica","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7101"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7361,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7101\/revisions\/7361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}