{"id":5066,"date":"2015-02-27T19:40:39","date_gmt":"2015-02-27T22:40:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=5066"},"modified":"2016-06-04T20:53:49","modified_gmt":"2016-06-04T23:53:49","slug":"politicas-de-massas-reforma-agraria-e-nacionalizacao-da-exploracao-do-petroleo-no-mexico-na-epoca-de-cardenas-entre-1934-1940um-modelo-para-hugo-chaves-e-evo-morales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=5066","title":{"rendered":"Pol\u00edticas de Massas, Reforma Agr\u00e1ria e Nacionaliza\u00e7\u00e3o da Explora\u00e7\u00e3o do Petr\u00f3leo no M\u00e9xico na \u00c9poca de C\u00e1rdenas entre 1934-1940:um modelo para Hugo Chaves e Evo Morales?"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Lazaro-Cardenas-10b-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5068\" title=\"Lazaro Cardenas 10b\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Lazaro-Cardenas-10b-.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Lazaro-Cardenas-10b-.jpg 510w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Lazaro-Cardenas-10b--300x247.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><\/a>Ival de Assis Cripa<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resumen\/ Abstract (<a title=\"Ver\" href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=5299\" target=\"_blank\">Ver<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final dos anos 90 e o in\u00edcio da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI na Am\u00e9rica Latina foram momentos importantes de avan\u00e7o de governos democr\u00e1ticos e populares, comprometidos com a melhoria das condi\u00e7\u00f5es materiais das camadas populares no continente. Desse processo faz parte a elei\u00e7\u00e3o de Michele Bachelet no Chile para seu primeiro mandato \u2013uma mulher, ex-presa e exilada pol\u00edtica, cujo pai morreu na pris\u00e3o, durante a ditadura Pinochet-, <!--more-->a elei\u00e7\u00e3o de Evo Morales na Bol\u00edvia, \u00e0 frente de um movimento intitulado MAS (movimento ao socialismo), a elei\u00e7\u00e3o de Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela e a elei\u00e7\u00e3o de Luis In\u00e1cio Lula da Silva no Brasil em 2002 pelo Partido dos Trabalhadores.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Bol\u00edvia e na Venezuela, gerada nos anos 90 a partir da nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural e do programa de reforma agr\u00e1ria do \u00a0governo de Evo Morales, bem como a disputa pelo controle das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, entre as classes dominantes venezuelanas e o governo de Hugo Ch\u00e1vez, fazem parte do processo de luta de classes nesses dois pa\u00edses pelo uso dos recursos naturais e da terra em benef\u00edcio dessas classes dominantes, ou em prol do investimento em pol\u00edticas sociais por esses dois governos, visando conquistar o apoio das camadas populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a incompreens\u00e3o do presente nasce fatalmente da ignor\u00e2ncia do passado, como afirma Marc Bloch, \u201ctalvez n\u00e3o seja \u00fatil esfor\u00e7armo-nos por compreender o passado se nada sabemos do presente.\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn2\">[2]<\/a> Por tais motivos, uma pesquisa sobre os desafios do governo C\u00e1rdenas como a que realizamos, ao abordar a nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e a reforma agr\u00e1ria, precisa levar em considera\u00e7\u00e3o que os governos de Evo Morales e Hugo Ch\u00e1vez e seus sucessores vivenciaram e vivenciam contradi\u00e7\u00f5es e dilemas que tamb\u00e9m foram vivenciados pelo governo de L\u00e1zaro C\u00e1rdenas no M\u00e9xico entre 1934 e 1940. Tratam-se de \u201crealidades aparentadas\u201d, para usar uma express\u00e3o de Marc Bloch, haja vista que \u201c(&#8230;) n\u00e3o h\u00e1 verdadeiro conhecimento sem um certo teclado de compara\u00e7\u00e3o. Contanto, est\u00e1 claro, que o confronto incida sobre realidades ao mesmo tempo diferentes e, contudo, aparentadas.\u201d <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o risco do anacronismo, pesadelo dos historiadores, \u201cpecado capital contra o m\u00e9todo, do qual basta apenas o nome para constituir uma acusa\u00e7\u00e3o infamante, a acusa\u00e7\u00e3o \u2013em suma\u2013 de n\u00e3o ser um historiador, j\u00e1 que se maneja o tempo e os tempos de maneira err\u00f4nea.\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn4\">[4]<\/a> Todavia, ao evitar o anacronismo, diz Loraux, os historiadores correm o risco de serem entravados e impedidos de aud\u00e1cia, ao contr\u00e1rio dos antrop\u00f3logos que recorrem sem perturba\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica da analogia: \u201cDe fato, tal censura impede qualquer considera\u00e7\u00e3o de um \u2018outro tempo\u2019 no interior do tempo dos historiadores.\u201d <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn5\">[5]<\/a> Ao fazer o \u201celogio do anacronismo\u201d, Nicole Loraux convida os historiadores \u201ca se colocar \u00e0 escuta de nosso tempo de incertezas apegando-se a tudo que ultrapassa o tempo da narra\u00e7\u00e3o ordenada: aos embalos assim como as ilhotas de imobilidade que negam o tempo na hist\u00f3ria, mas que fazem o tempo da hist\u00f3ria.\u201d <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostar\u00edamos de elucidar que n\u00e3o se trata, nesse artigo, de realizar um estudo comparado sobre as experi\u00eancias de nacionaliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais no M\u00e9xico e na Bol\u00edvia, nem sobre a luta em torno do controle da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Venezuela e no M\u00e9xico. Se o of\u00edcio dos historiadores consiste, segundo Marc Bloch, em \u201cir ao passado com quest\u00f5es do presente\u201d e voltar ao presente \u201ccom base no que se compreendeu do passado\u201d, o que pretendemos \u00e9 estabelecer alguns la\u00e7os de inteligibilidade entre \u00e9pocas distintas, haja vista que \u201cA incompreens\u00e3o do presente nasce fatalmente da ignor\u00e2ncia do passado. Mas talvez n\u00e3o seja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">mais \u00fatil esfor\u00e7armo-nos por compreender o passado, se nada sabemos do presente\u201d.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn7\">[7]<\/a> Trata-se de n\u00e3o estabelecer uma divis\u00e3o do trabalho entre os historiadores, tomados como um \u201cpunhado de antiqu\u00e1rios ocupados por deleite macabro, em desenfaixar os deuses mortos; de outra soci\u00f3logos, economistas, publicistas: os \u00fanicos exploradores de coisas vivas&#8230;\u201d <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn8\">[8]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I-O controle da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Venezuela e a nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural na Bol\u00edvia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto para o governo de Hugo Ch\u00e1vez, como para o governo de Evo Morales, o petr\u00f3leo e o g\u00e1s foram mobilizados como recursos pol\u00edticos nos projetos de ambos os candidatos, visando implementar pol\u00edticas p\u00fablicas redistributivistas. Na Venezuela, o controle da ind\u00fastria petroleira era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica. Uma parte significativa do conflito entre Ch\u00e1vez e a classe pol\u00edtica da oposi\u00e7\u00e3o ocorreu pelo controle do recurso petrol\u00edfero. Ch\u00e1vez, desde o in\u00edcio de sua gest\u00e3o, compreendeu que sua sobreviv\u00eancia pol\u00edtica estava vinculada ao comportamento dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e a retomada do controle regulat\u00f3rio legal da atividade da ind\u00fastria petrol\u00edfera pelo Estado. Na pol\u00edtica externa, buscou a recupera\u00e7\u00e3o internacional dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e da capacidade negociadora da OPEP, fazendo com essa organiza\u00e7\u00e3o volta-se a definir os pre\u00e7os internacionais de petr\u00f3leo, como era entre 1974 e 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esses objetivos, Ch\u00e1vez realizou algumas visitas pragm\u00e1ticas e arriscadas a alguns pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. Foram pol\u00eamicas visitas \u00e0 Sadam Hussein e Mohamar Kadafi. De forma complementar, promoveu uma coaliz\u00e3o com a R\u00fassia e com a Noruega, visando fortalecer os pre\u00e7os internacionais de petr\u00f3leo. No plano interno, Ch\u00e1vez tentou devolver ao Estado a capacidade regulat\u00f3ria da ind\u00fastria petrol\u00edfera. Entre os anos 80 e 90, sucessivos governos na Venezuela implementaram a pol\u00edtica de apertura petroleira, dando mais autonomia \u00e0 estatal Petr\u00f3leos da Venezuela, para gerenciar sem fiscaliza\u00e7\u00e3o de outros \u00f3rg\u00e3os oficiais, contratos com empresas multinacionais, a administra\u00e7\u00e3o de refinarias e postos de gasolina no exterior (25 mil postos s\u00f3 nos EUA!!). A PDVSA criou filiais no exterior (nos EUA, a Citgo). Criou-se, nesse per\u00edodo uma estatal com absoluta autonomia de outras ag\u00eancias estatais, como o Minist\u00e9rio de Minas e Hidrocarburetos, ao qual ela deveria estar subordinada. A estatal, com uma crescente autonomia frente ao Estado, come\u00e7a a implementar uma pol\u00edtica petroleira que ia al\u00e9m dos interesses nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cr\u00edticas de Ch\u00e1vez \u00e0 Empresa apontavam a cria\u00e7\u00e3o de um Estado dentro do estado. Contra essa situa\u00e7\u00e3o, ele decretou a Lei Org\u00e2nica dos Hidrocarburetos Gasosos em setembro de 1999, pela qual o Estado retoma a gest\u00e3o do g\u00e1s natural e em 2001 a Lei dos Hidrocarburetos. Isso gerou um confronto com setores da PDVSA, beneficiados pela pol\u00edtica anterior. A partir de ent\u00e3o, o conflito entre a oposi\u00e7\u00e3o e o governo, ao menos entre 2002 e 2003, deu-se em torno da disputa pelo controle da PVSA. O governo e a oposi\u00e7\u00e3o foram medindo for\u00e7a at\u00e9 que, ap\u00f3s uma gigantesca passeata organizada pela oposi\u00e7\u00e3o em 11 de abril de 2002 (um pouco antes, Ch\u00e1vez destituiu publicamente o presidente da PDVSA e os seus altos cargos gerenciais). A passeata culminou com um golpe, que durou 48 horas, uma tentativa da oposi\u00e7\u00e3o de tirar Ch\u00e1vez do poder por qualquer meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ironicamente o objetivo de derrubar Ch\u00e1vez n\u00e3o foi conseguido, mas terminada a greve a economia ficou gravemente danificada (queda de mais de 20% do PIB), com o fechamento de v\u00e1rias empresas privadas, m\u00e9dias e pequenas e desemprego de 15 a 20%. O resultado da tentativa do golpe foi a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para o controle institucional no Executivo e no Legislativo quase absoluto por parte dos Chavistas. O referendo presidencial significou, para a oposi\u00e7\u00e3o, uma oportunidade de participa\u00e7\u00e3o efetiva nessas inst\u00e2ncias para derrotar Ch\u00e1vez. Como Ch\u00e1vez se defendeu? Com uma pol\u00edtica redistributivista de renda de enorme efic\u00e1cia e impacto social, para a qual a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve alternativa ou meios para contra-atacar, e que acabaria assegurando em definitivo a vit\u00f3ria do presidente Ch\u00e1vez no referendo que pretendia revogar seu mandato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a greve petroleira de 2003, o governo implementou o programa conhecido como \u201cmissiones\u201d, que s\u00e3o planos sociais emergenciais com impacto positivo entre amplos setores populares e parte dos setores de classe m\u00e9dia: 1) o programa de sa\u00fade bairro adentro, pelo qual m\u00e9dicos cubanos prestavam consultas di\u00e1rias e davam plant\u00e3o nos bairros populares; 2) o programa mercal, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de feira popular, com mais de 20 produtos da cesta b\u00e1sica \u00e0 pre\u00e7os subsidiados; 3) o programa de distribui\u00e7\u00e3o gratuita de alimenta\u00e7\u00e3o pronta para a popula\u00e7\u00e3o que vive em condi\u00e7\u00f5es de indig\u00eancia. A longo prazo, elaborou tamb\u00e9m um programa de educa\u00e7\u00e3o em tr\u00eas n\u00edveis, estimulando o reingresso na escola, a alfabetiza\u00e7\u00e3o de mais de 1 milh\u00e3o e 500 mil pessoas, o reingresso no segundo grau e a cria\u00e7\u00e3o da universidade Bolivariana, que propunha incorporar 500 mil estudantes sem vaga no setor p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O petr\u00f3leo desempenhou um papel de grande import\u00e2ncia, pois as estrat\u00e9gias redistributivistas dependiam dele. Foi criado na PDVSA o fundo de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, para financiar os projetos citados e as obras de infraestrutura no pa\u00eds. A pol\u00edtica redistributivista foi um divisor de \u00e1guas nas rela\u00e7\u00f5es entre o governo e a oposi\u00e7\u00e3o, porque seus efeitos paralisaram a oposi\u00e7\u00e3o e diminu\u00edram seu espa\u00e7o no Congresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Bol\u00edvia, os recursos gerados a partir dos hidrocarburetos tamb\u00e9m desempenham, como na Venezuela, um papel importante para a compreens\u00e3o dos \u00faltimos acontecimentos da sua hist\u00f3ria pol\u00edtica recente. A Bol\u00edvia possui uma reserva de 108 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s natural, sendo a segunda maior reserva de g\u00e1s da Am\u00e9rica do Sul depois da Venezuela. Para um pa\u00eds cujo PIB \u00e9 de 8,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, trata-se de uma importante fonte de dividendos. Na d\u00e9cada de 90, a produ\u00e7\u00e3o de hidrocarburetos foi o segmento mais din\u00e2mico da sua economia, concentrando em 1994, 32,3% das atividades econ\u00f4micas da Bol\u00edvia. Se houve um crescimento econ\u00f4mico na Bol\u00edvia de 3,6% e da renda per capita de 1,3%, em 2004, em parte deve-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, ao aumento do consumo privado e do investimento p\u00fablico, bem como o ajuste fiscal. Mas o motivo principal a ser considerado, para essas melhorias, foi o aumento da demanda externa de g\u00e1s natural e petr\u00f3leo, paralelo \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os internacionais do barril de petr\u00f3leo. O setor de hidrocarburetos apresentou um crescimento de exporta\u00e7\u00f5es de 68%, beneficiado pelo aumento da demanda de g\u00e1s natural boliviano, principalmente do Brasil e pela abertura do mercado argentino, a partir do segundo semestre de 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento da demanda externa e dos pre\u00e7os internacionais dos hidrocarburetos viabilizou a implementa\u00e7\u00e3o de um projeto de desenvolvimento nacional coadunado com as necessidades locais de crescimento estrutural e social. Contudo, a aparente recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em 2004 n\u00e3o teve efeitos sociais significativos. A taxa de desemprego nas \u00e1reas urbanas continuaria naquela \u00e9poca em n\u00edveis elevados (8,7%) e no setor informal, o \u00edndice de desemprego era de 63,6% em 2004. Os \u00edndices de pobreza continuariam crescendo no ritmo de 85 mil pessoas por ano. Como em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o criou uma pol\u00edtica capaz de frear o ajuste fiscal e a redu\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico nos setores de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico e prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criou-se, ent\u00e3o, uma situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio, em que o crescimento econ\u00f4mico na Bol\u00edvia n\u00e3o vinha acompanhado da eleva\u00e7\u00e3o de \u00edndices sociais de desenvolvimento. Existem no pa\u00eds dois importantes gasodutos, que conduzem o produto para o Brasil e garantem a maior parte da exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s: um gasoduto, com capacidade de 30 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios e o segundo com 2,4 milh\u00f5es de MCD. Contudo, para La Paz eram exportados apenas 0,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 90, a Bol\u00edvia havia adotado um modelo de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais, visando valorizar o patrim\u00f4nio das mesmas a partir da associa\u00e7\u00e3o com capital privado. Na pr\u00e1tica, companhias p\u00fablicas foram entregues ao controle de capitais externos. A empresa YPFB (Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales Bolivianos), foi distribu\u00edda entre os cons\u00f3rcios Enron-Shell, \u00e0 BP-Amoco e a Repsol-YPF, com a mudan\u00e7a da lei dos hidrocarburetos, o que diminuiu a cobran\u00e7a dos impostos sobre os recursos naturais 50%, para 18%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O governo C\u00e1rdenas, a reforma agr\u00e1ria e a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no M\u00e9xico: um modelo seguido por Ch\u00e1vez e Morales? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de estarmos nos referindo \u00e0 contextos pol\u00edticos bem distintos, o da Am\u00e9rica Latina do final do s\u00e9culo XX e da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI e a gest\u00e3o presidencial de L\u00e1zaro C\u00e1rdenas no M\u00e9xico (1934-1940), o governo C\u00e1rdenas viveu contradi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es vivenciadas por Evo Morales na Bol\u00edvia, que enfrentou interesses internos e externos contr\u00e1rios \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural, visando investir os recursos da exporta\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural\u00a0 na melhoria das condi\u00e7\u00f5es materiais das camadas populares na Bol\u00edvia. Na Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez ao quebrar com o monop\u00f3lio da exporta\u00e7\u00e3o do Petr\u00f3leo exercido pelas classes dominantes venezuelanas, buscou usar esses recursos na implementa\u00e7\u00e3o de programas sociais que garantissem a constitui\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia pol\u00edtica que lhe dessem respaldo pol\u00edtico para enfrentar a oposi\u00e7\u00e3o das classes dominantes venezuelanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o temos base emp\u00edrica para afirmar que gest\u00e3o cardenista serviu de modelo para a Bol\u00edvia e a Venezuela, a semelhan\u00e7a entre os dilemas enfrentados pelo governo C\u00e1rdenas e por esses governos, apesar de estarem inseridos em contextos hist\u00f3ricos bem distintos, merece um exame mais aprofundado. Acreditamos que a recupera\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia da gest\u00e3o cardenista pode ajudar a compreender os dilemas e impasses dos governos de Evo Morales na Bol\u00edvia e de Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No M\u00e9xico, a nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e a reforma agr\u00e1ria, foram a\u00e7\u00f5es logradas gra\u00e7as ao apoio de camponeses, oper\u00e1rios, intelectuais, mulheres, partidos pol\u00edticos de esquerda e centro esquerda e sindicatos comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia no campo pol\u00edtico mexicano dos anos 30 do s\u00e9culo XX.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn9\">[9]<\/a> Por outro lado, o apoio das massas camponesas e oper\u00e1rias no M\u00e9xico foi conquistado gra\u00e7as ao avan\u00e7o dos direitos sociais e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das classes trabalhadoras no M\u00e9xico, garantidos a partir de a\u00e7\u00f5es no campo econ\u00f4mico como a reforma agr\u00e1ria e a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo que permitiram esses avan\u00e7os na \u00e1rea social do M\u00e9xico dos anos 30.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A utiliza\u00e7\u00e3o do termo populista, aplicado de C\u00e1rdenas, Vargas e Per\u00f3n nos anos 30, assim como o governo de Hugo Ch\u00e1vez, tende a simplificar a an\u00e1lise desses governos. Para compreender a for\u00e7a das massas na cena pol\u00edtica do M\u00e9xico nos anos 30, acreditamos que seja necess\u00e1rio fugir das no\u00e7\u00f5es de \u201cirracionalidade\u201d ou \u201cmanipula\u00e7\u00e3o\u201d das mesmas por um l\u00edder \u201cpopulista\u201d. O conceito de populismo foi utilizado, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina, para expressar o fen\u00f4meno de emerg\u00eancia das classes populares na vida pol\u00edtica dos pa\u00edses deste continente, a partir da d\u00e9cada de trinta. Mas, algumas vertentes de interpreta\u00e7\u00e3o, conceberam a presen\u00e7a das massas na cena pol\u00edtica pelas \u201cno\u00e7\u00f5es de <em>manipula\u00e7\u00e3o<\/em> e de <em>atraso<\/em> das classes populares, sem levar em conta as diferentes formas de luta e de controle social que ocorreram no s\u00e9culo XX\u201d.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1934 e 1938, o governo C\u00e1rdenas foi capaz de implementar a pol\u00edtica de massas para solucionar os conflitos dentro da ordem estabelecida. Ele conseguiu unificar camponeses, militares, intelectuais, professores, acumulando for\u00e7as para implementar um amplo programa de reformas sociais que garantiu as principais conquistas dos trabalhadores mexicanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pol\u00edticas de massas foram, nos anos trinta, uma das maneiras de evitar a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mesmas, por parte dos Estados capitalistas, diante da crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica dos anos trinta.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn11\">[11]<\/a> Onde havia condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, foi poss\u00edvel conceder alguns direitos e realizar um programa de reformas sociais para as massas, aplacando seu descontentamento. Tratava-se de uma estrat\u00e9gia mais ampla, para tentar solucionar os conflitos sociais, dentro da ordem estabelecida. A defesa da unifica\u00e7\u00e3o de camponeses e oper\u00e1rios, junto a outros segmentos da sociedade, em prol da implementa\u00e7\u00e3o de um programa de reformas sociais durante o governo C\u00e1rdenas, foi uma das faces da pol\u00edtica de massas do cardenismo. N\u00e3o se tratava de evitar a Revolu\u00e7\u00e3o popular, pois ela j\u00e1 havia eclodido h\u00e1 mais de vinte anos no M\u00e9xico. C\u00e1rdenas, quando se dirigiu \u00e0s massas, o fez em defesa da consolida\u00e7\u00e3o dos ideais e promessas da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana. Procurou estabelecer um di\u00e1logo com as camadas populares para firmar um compromisso com as \u201cconquistas sociais da Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, como dizia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A unifica\u00e7\u00e3o das massas para a constitui\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus discursos, C\u00e1rdenas apela \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o oper\u00e1rio-camponesa, com outros segmentos da sociedade mexicana: classes m\u00e9dias, intelectuais, comunidades ind\u00edgenas e mulheres, definindo pap\u00e9is e estabelecendo o lugar e o car\u00e1ter da participa\u00e7\u00e3o de cada grupo social. Esses segmentos foram os principais alvos dos discursos de C\u00e1rdenas, desde a campanha presidencial, em que apelava para a sua unifica\u00e7\u00e3o em prol de sua obra revolucion\u00e1ria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">contamos com o entusiasmo e a boa vontade das massas prolet\u00e1rias; com o idealismo da juventude, com\u00a0 o desejo de libera\u00e7\u00e3o das classes\u00a0 ind\u00edgenas, com o trabalho cada dia mais fecundo da mulher mexicana,\u00a0 em fim com o af\u00e3 de coopera\u00e7\u00e3o de todos os setores que comp\u00f5em nossa nacionalidade.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn12\">[12]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o aos camponeses, tratava-se de entregar-lhes terras e conquistar seu apoio. Consciente da import\u00e2ncia do apoio campon\u00eas e de seus compromissos com tal segmento social, C\u00e1rdenas afirma: <em>Entregarei aos camponeses o mauser com que fizeram a Revolu\u00e7\u00e3o, para que a defendam, o ejido e a escola.<\/em><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn13\">[13]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entregar as armas aos camponeses foi a estrat\u00e9gia para enfrentar as for\u00e7as conservadoras da lideran\u00e7a mais autorit\u00e1ria da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, encarnada na figura do general Calles que se autodenominava o <em>Chefe M\u00e1ximo da Revolu\u00e7\u00e3o. <\/em>Ap\u00f3s tomar posse em 1934,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>C\u00e1rdenas n\u00e3o desconhecia os problemas da popula\u00e7\u00e3o, nem o descr\u00e9dito em que haviam ca\u00eddo os governos anteriores (\u2026) Por isso decidiu iniciar sua gest\u00e3o com o apoio de um grupo alheio as fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas organizadas at\u00e9 ent\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o para vencer resist\u00eancias e oposi\u00e7\u00f5es seria uma educa\u00e7\u00e3o de novo tipo, \u2018socialista\u2019, base do progresso, apoio a industrializa\u00e7\u00e3o e eixo da economia<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a elei\u00e7\u00e3o de C\u00e1rdenas pelo PNR n\u00e3o seria poss\u00edvel sem o apoio da CCM (Confedera\u00e7\u00e3o dos Camponeses Mexicanos) e da CGOCM (Confederaci\u00f3n General de los Obreros y Campesinos de M\u00e9xico). A CCM, especialmente, foi criada em 1933 para atender as demandas camponesas por terra e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e tamb\u00e9m para viabilizar a elei\u00e7\u00e3o de um candidato agrarista pelo PNR, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 linha conservadora adotada por Calles e seu grupo, unificando camponeses e oper\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ser eleito, C\u00e1rdenas apelou \u00e0s massas, convocando-as para a forma\u00e7\u00e3o de <em>uma frente \u00fanica dos trabalhadores, <\/em>\u201cum ato de solidariedade com o programa ideol\u00f3gico da Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmando que o programa educacional colocado em pr\u00e1tica visava garantir a melhoria das condi\u00e7\u00f5es materiais e espirituais de vida dos trabalhadores: \u201c(&#8230;) a educa\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 implantada, segue o prop\u00f3sito de organizar\u00a0 todos os trabalhadores do pa\u00eds, o Estado, dentro um esp\u00edrito socialista, estimulando as classes (&#8230;), reconhecendo os justos direitos que t\u00eam\u00a0 de sindicalizarse os oper\u00e1rios.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao papel do Estado, coloca em pr\u00e1tica seu programa de governo, o <em>Plan Sexenal<\/em> era indispens\u00e1vel para: \u201ca forma\u00e7\u00e3o de uma economia nacional dirigida e regulada pelo Estado, que libere\u00a0 o M\u00e9xico do car\u00e1ter de pa\u00eds de econom\u00eda colonial, campo de explora\u00e7\u00e3o do\u00a0 trabalho humano (&#8230;) A forma\u00e7\u00e3o de uma economia propria nos livrar\u00e1 deste\u00a0 g\u00eanero de capitalismo\u201d.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn16\">[16]<\/a> Ap\u00f3s os primeiros seis meses de governo, C\u00e1rdenas conseguiu mudar o clima pol\u00edtico do pa\u00eds \u2013 n\u00e3o havia mais censura na imprensa e seus opositores podiam se manifestar livremente, as greves resolviam-se sem interven\u00e7\u00e3o do governo, pois pela primeira vez as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias gozavam de ampla liberdade. O movimento oper\u00e1rio recebeu um enorme est\u00edmulo do chefe do executivo e converteu-se em fator decisivo do poder de C\u00e1rdenas nos embates com Calles. Os sindicatos mexicanos mais importantes uniram-se num comit\u00ea de defesa prolet\u00e1ria em apoio \u00e0 C\u00e1rdenas, amea\u00e7ando realizar uma greve geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiro o solo, depois o subsolo: a reforma agr\u00e1ria e a nacionaliza\u00e7\u00e3o da<\/strong><em> <strong>e<\/strong><\/em><strong>xplora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo<\/strong><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 30, segundo dados apresentados por Gilly, o M\u00e9xico com seus quase 17 milh\u00f5es de habitantes, era um pa\u00eds em que 70,2% da popula\u00e7\u00e3o trabalhava no campo. Parte desses camponeses (26,2%) viviam em \u201cpueblos\u201d, de 200 mil habitantes, ou (23,1%) de 500 mil habitantes. A maioria das pequenas comunidades estava sem escola, e mais de 20% dela s\u00f3 falava o idioma ind\u00edgena e 60%, trabalhava nas terras em regime comunal.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn17\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a eclos\u00e3o do movimento revolucion\u00e1rio, podemos discernir tr\u00eas momentos: o primeiro, da campanha de Madero, em 1910, at\u00e9 a queda de Carranza em 1920; o segundo, entre os governos de Obreg\u00f3n, Calles e o <em>Maximato<\/em> (1920-1935); e o terceiro, durante a gest\u00e3o cardenista (1934-1940). Durante o primeiro per\u00edodo, a quest\u00e3o agr\u00e1ria foi discutida apenas pelos grupos revolucion\u00e1rios que estavam em luta, mas o conflito agr\u00e1rio n\u00e3o foi solucionado. No segundo per\u00edodo, passa-se do plano te\u00f3rico para a a\u00e7\u00e3o, mas as divis\u00f5es dos latif\u00fandios s\u00e3o pouco expressivas e as a\u00e7\u00f5es moderadas. Somente durante o governo C\u00e1rdenas, a estrutura fundi\u00e1ria foi modificada e o latif\u00fandio foi desmontado em grande parte. O artigo 27 da Constitui\u00e7\u00e3o de 1917 fixava claramente que os <em>ejidos <\/em>deveriam ser restitu\u00eddos \u00e0s comunidades que haviam perdido suas terras: \u201cLos pueblos, rancher\u00edas, comunidades que carezcan de tierras y aguas, o no las tengan en cantidad suficiente para las necesidades de su poblaci\u00f3n, tendr\u00e1n derecho a que se les dote de ellas, tom\u00e1ndolas\u00a0 de las propiedades\u00a0 inmediatas, respetando siempre la peque\u00f1a propiedad.\u201d <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn18\">[18]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do artigo 27 da Constitui\u00e7\u00e3o Mexicana ter sido redigido no governo de Carranza, n\u00e3o houve avan\u00e7os na quest\u00e3o agr\u00e1ria durante seu mandato; pouco mais de 170 mil hectares foram repartidos. J\u00e1 no governo de Obreg\u00f3n, foram divididos 1.557.983 hectares, quase dez vezes mais, que nos anteriores. Mas segundo dados apresentados por Medin, em 1930 existiam 70.9222.065 hectares de terras distribu\u00eddas em latif\u00fandios com mais de 10 mil hectares. Durante o governo Calles (1924-1928), al\u00e9m da distribui\u00e7\u00e3o das terras aumentar, incrementaram-se o cr\u00e9dito agr\u00edcola e os investimentos em obras de irriga\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, Calles era contra a organiza\u00e7\u00e3o comunal dos camponeses em <em>ejidos <\/em>e preferia apoiar a pequena propriedade familiar e os grandes terratenentes. Muitas iniciativas positivas de Calles foram limitadas pela descaracteriza\u00e7\u00e3o progressiva de seu regime que, da defesa do interesse popular, passou a satisfazer, tamb\u00e9m, dos interesses das novas oligarquias pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais, formadas por muitas das lideran\u00e7as revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os movimentos regionais, segundo Gilly, eram uma media\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que a voz fragmentada dos camponeses nos <em>pueblos<\/em> fosse ouvida com um s\u00f3 clamor no pa\u00eds: a luta pela terra. Das alian\u00e7as regionais sustentadas por camponeses, a \u00fanica que teve condi\u00e7\u00f5es de conquistar um governo em \u00e2mbito nacional foi a do grupo de L\u00e1zaro C\u00e1rdenas, em Michoac\u00e1n. Fora chefe de opera\u00e7\u00f5es militares em v\u00e1rias regi\u00f5es e participou de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es militares, mantendo boas rela\u00e7\u00f5es no ex\u00e9rcito. Em Michoac\u00e1n, entre 1928 e 1932, formulou seu programa agrarista de alian\u00e7a com a CRMT (Confedera\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Mexicana do Trabalho), de uma maneira bastante diferenciada do agrarismo conservador do General Cedillo e do radicalismo agr\u00e1rio dos socialistas, em que a base do programa era a alian\u00e7a com os camponeses em defesa do Estado Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 30, n\u00e3o s\u00f3 em Michoac\u00e1n, mas em outras regi\u00f5es como Quer\u00e9taro, Tlaxcala, Chiapas, Guerrero, Estado do M\u00e9xico, Zacatecas e Tamaulipas, diz Gilly, os l\u00edderes e os caciques apareciam como mediadores entre suas clientelas de camponeses e o poder, formalizando pactos entre as organiza\u00e7\u00f5es camponesas e os governos. Ainda que sujeitos \u00e0 media\u00e7\u00e3o dessas lideran\u00e7as que desvirtuavam suas reivindica\u00e7\u00f5es, o campesinato estava t\u00e3o mobilizado, que, em janeiro de 1934, o governo foi obrigado a criar o <em>Departamento Agr\u00e1rio<\/em> e estipular o primeiro c\u00f3digo agr\u00e1rio, simplificando a legisla\u00e7\u00e3o referente \u00e0 reforma agr\u00e1ria. C\u00e1rdenas, ao assumir a presid\u00eancia, pautou seu programa agr\u00e1rio pela defesa do <em>ejido<\/em> e adotou uma pol\u00edtica agrarista pr\u00f3pria, com objetivo de liquidar, de vez, com o latif\u00fandio, diferenciando-se de seus antecessores. Quando apresentou seu programa de governo \u00e0 na\u00e7\u00e3o, <em>el plan sexenal<\/em>, afirmou que um dos pontos principais era o <em>programa agr\u00e1rio<\/em>, que consistia na distribui\u00e7\u00e3o das terras para todos os camponeses:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>Que haya tierra para todos en cantidad suficiente, no s\u00f3lo para resolver el problema econ\u00f3mico\u00a0 en cada familia, mejorando su alimentaci\u00f3n, su vestuario, su alojamiento y permiti\u00e9ndole la educaci\u00f3n de los ni\u00f1os y aun de los adultos, sino para que aumente la producci\u00f3n agr\u00edcola (&#8230;) Quiere la Revoluci\u00f3n que los productos de cada ejido vayan a los mercados de consumo a fin de ayudar a la Rep\u00fablica entera a lograr un nivel superior de vida<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente era favor\u00e1vel ao investimento nas obras de irriga\u00e7\u00e3o, cr\u00e9dito e educa\u00e7\u00e3o para os camponeses e defendia a luta contra o latif\u00fandio, em favor dos <em>ejidos<\/em> e da pequena propriedade. Em termos de ritmo e de propor\u00e7\u00f5es, a reforma agr\u00e1ria cardenista foi uma verdadeira proeza, pois um enorme contingente de camponeses, antes marginalizados, tiveram seus direitos reconhecidos. Tratava-se de modificar o sistema de propriedade: \u201cLa agricultura es una de nuestras mayores riquezas (&#8230;) Nada se cambiar\u00e1 en ella, sin embargo, si su aspecto m\u00e1s extenso y m\u00e1s hondo, el sistema de propiedad de la tierra, no se termina de cambiar.\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn20\">[20]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito antes da nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, a reforma agr\u00e1ria alterava as rela\u00e7\u00f5es entre as massas e os donos do capital, nacionais e estrangeiros. A revolu\u00e7\u00e3o na posse da terra e o desenvolvimento econ\u00f4mico entre 1934 e 1940, deram-se em decorr\u00eancia da press\u00e3o pol\u00edtica das massas oper\u00e1rias e camponesas, na cena pol\u00edtica. Tzvi Medin teve clareza de que a ascens\u00e3o de C\u00e1rdenas representou um novo elenco de for\u00e7as sociais composta por oper\u00e1rios, camponeses e classes m\u00e9dias em um bloco de poder em defesa dos seus interesses e contra os interesses do capital exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outubro de 1936, frente um conflito entre camponeses e as \u201cguardas brancas\u201d, contratadas pelos \u201cterratenientes\u201d, o governo federal lan\u00e7ou o programa de reforma agr\u00e1ria de La Laguna:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>El problema ejidal de La Laguna es el m\u00e1s serio que resuelve hoy el r\u00e9gimen de la  Revoluci\u00f3n. La fuerte organizaci\u00f3n de los capitalistas propietarios y su oposici\u00f3n constante a que sus propiedades se reduzcan al l\u00edmite se\u00f1alado por el C\u00f3digo Agrario han venido provocando agitaciones, queriendo por medio de la prensa y por distintos medios estorbar la acci\u00f3n agraria del Gobierno<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn21\">[21]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lan\u00e7ar o programa de reforma agr\u00e1ria de La  Laguna, segundo Gilly, C\u00e1rdenas preparou uma resposta para o problema, n\u00e3o no terreno militar, mas no terreno social. Afirmou melhor sua posi\u00e7\u00e3o entre os camponeses, que era a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, e entre os militares, ciente de que, um presidente mexicano, ou se afirma nos dois primeiros anos de gest\u00e3o, ou nunca mais. Sua a\u00e7\u00e3o em La Laguna foi exemplar, pois era uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica em que os camponeses acumulavam experi\u00eancias por longas d\u00e9cadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>sabiam como se trabalha, como se luta, o que esperar da vida e do futuro. Eram diaristas e eram camponeses. Queriam sal\u00e1rios e ao mesmo tempo queriam terras e \u00e1gua(&#8230;) haviam se envolvido com Villa ou com Carranza. Era no cora\u00e7\u00e3o de La Laguna onde, na mar\u00e9 alta de 1914, haviam firmado o pacto de Torre\u00f3n, aquele que em sua \u2018clausula de ouro\u2019 prometia a divis\u00e3o das terras<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn22\">[22]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O programa cardenista pressupunha um itiner\u00e1rio para colocar em pr\u00e1tica o artigo 27 da Constitui\u00e7\u00e3o, diz Gilly, em que primeiro deveria ser expropriado o solo, depois o subsolo. Para faz\u00ea-lo, o apoio das massas camponesas e oper\u00e1rias era fundamental: \u201cLos trabajadores de la f\u00e1brica y los del campo, que est\u00e1n unidos por comunes intereses de clase, no deben luchar aislados, ni establecer pugnas entre s\u00ed, que vengan a extorsionar a unos por exigencia de otros.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00e1rdenas esperou com paci\u00eancia, at\u00e9 que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o fosse a a\u00e7\u00e3o do governo que, num s\u00f3 golpe, sem utilizar armas, mas com o apoio das massas camponesas, expropriaria as grandes fazendas na regi\u00e3o, ampliando sua base social entre os camponeses e dividindo as for\u00e7as pol\u00edticas que se opunham ao seu programa agr\u00e1rio. O governo dos Estados Unidos protestou contra as expropria\u00e7\u00f5es das terras de propriedade norte-americana no vale Yaqui. Na verdade, o centro do problema era o artigo 27 da Constitui\u00e7\u00e3o, que abordava a quest\u00e3o da terra e do petr\u00f3leo, ou seja, do solo e do subsolo, para usar a express\u00e3o de Gilly. O artigo 27, desde sua aprova\u00e7\u00e3o foi recha\u00e7ado pelos Estados Unidos, em termos de pol\u00edtica internacional. Aquilo que C\u00e1rdenas denominava uma interpreta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da lei, em defesa da soberania, caberia ao Estado dirigir a divis\u00e3o das terras e a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>La ingerencia del Estado en la direcci\u00f3n superior de la econom\u00eda nacional, es, por ambos cap\u00edtulos, una funci\u00f3n de orden p\u00fablico; en lo social garantizar autonom\u00eda econ\u00f3mica a los pueblos dotados; y en lo econ\u00f3mico, al cuidar que no se reduzca el volumen global de la producci\u00f3n agr\u00edcola, en detrimento del consumo y del comercio exterior<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn24\">[24]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conflito petroleiro surgiu, em princ\u00edpio, como consequ\u00eancia do choque entre as companhias e o movimento oper\u00e1rio, representado pelo <em>Sindicato de Trabalhadores Petroleiros de la Rep\u00fablica Mexicana<\/em> (STPRM), filiado \u00e0 CROM. Em 26 de julho de 1936, foi fixado pelas <em>Juntas de Conciliaci\u00f3n y Arbitraje<\/em> um contrato de trabalho coletivo em que se elevassem os sal\u00e1rios e presta\u00e7\u00f5es. As companhias n\u00e3o aceitaram o acordo. C\u00e1rdenas, sempre que necess\u00e1rio, conteve a a\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, mas nesse caso apoiou e usou-o em prol da luta pela independ\u00eancia econ\u00f4mica. Ao se pronunciar perante o Senado para tratar do problema, afirmou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>El gobierno considera que vive momentos de especial importancia en su magn\u00edfica oportunidad para que el pa\u00eds pueda colocarse en una posici\u00f3n de verdadera independencia pol\u00edtica y econ\u00f3mica, frente a la intervenci\u00f3n\u00a0 constante que en nuestros asuntos han querido tener las compa\u00f1\u00edas petroleras. \u00c9stas quieren intervenir en la situaci\u00f3n pol\u00edtica y econ\u00f3mica del pa\u00eds y eso no podemos admitirlo. El articulo 27 y toda la legislaci\u00f3n, obligan al gobierno a quitar privilegios indebidos a las compa\u00f1\u00edas, que siempre han querido hacer uso de su fuerza econ\u00f3mica<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn25\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o artigo 27 da Constitui\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de 1917, tal prerrogativa dava ao Estado o direito de intervir na explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais dispon\u00edveis, todas as vezes que o interesse p\u00fablico fosse afetado. Aos poucos, o conflito caracterizado pelo confronto entre oper\u00e1rios e empresas estrangeiras passou a ser entre empresas petroleiras e governo, em defesa da <em>soberania nacional<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>Las compa\u00f1\u00edas no han seguido una actitud de conciliaci\u00f3n, precisamente apoyadas en su situaci\u00f3n de privilegio. Han restringido sus operaciones de cr\u00e9dito, que representan un movimiento anual de treinta a cuarenta millones y esto ha ocasionado ciertos trastornos que podr\u00edan considerarse graves si no fueran artificiales. M\u00e1s estamos en posibilidad y as\u00ed lo considero, de afrontar patri\u00f3ticamente esta oposici\u00f3n que ellas representan. Ser\u00e1 un buen paso del que saldr\u00e1 beneficiado el pa\u00eds, pues cuenta el Ejecutivo con apoyo del pueblo y con la colaboraci\u00f3n de las c\u00e1maras<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn26\">[26]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00e1rdenas, na noite em que decidiu expropriar as companhias de petr\u00f3leo, recordou junto com o general Francisco M\u00fagica a a\u00e7\u00e3o das companhias de petr\u00f3leo em \u201cla Huasteca Varaceruzana\u201d, quando foi chefe militar na regi\u00e3o: \u201cAcu\u00e9rdese de las verg\u00fcenzas que sufren los ciudadanos mexicanos cuando transitan por favor, por las brechas que llaman suyas las compa\u00f1\u00edas; hasta la fecha no hay una ley formal y bien estudiada que trate de remediar esta ignominia.\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn27\">[27]<\/a><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo C\u00e1rdenas apoiava-se no compromisso com o bem-estar social das massas; no momento que as empresas n\u00e3o respeitavam a lei e recusavam pagar os aumentos salariais, o pacto social estava amea\u00e7ado. O problema de aumento de sal\u00e1rios passou a ser, ent\u00e3o, tomado como uma quest\u00e3o de <em>soberania nacional<\/em>. As companhias n\u00e3o aceitavam as demandas dos oper\u00e1rios e estes n\u00e3o aceitavam as contrapropostas das empresas, tornando necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o do governo, atrav\u00e9s da <em>Junta Federal de Concilia\u00e7\u00e3o e Arbitragem<\/em>. Um grupo de peritos selecionado pela junta, foi incumbido de verificar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das empresas para ver se elas estavam em condi\u00e7\u00f5es de satisfazer as exig\u00eancias dos oper\u00e1rios. A per\u00edcia constatou que as principais companhias operantes no pa\u00eds eram parte de um grupo norte-americano ou ingl\u00eas e que, al\u00e9m de obterem alta lucratividade, pagavam baixos sal\u00e1rios aos empregados mexicanos, discriminados com rela\u00e7\u00e3o aos norte-americanos que gozavam de isen\u00e7\u00e3o fiscal. Uma vez que as empresas n\u00e3o aceitavam pagar o aumento aos trabalhadores, um estudo da comiss\u00e3o \u201cFue favorable a los trabajadores, se\u00f1alando que las empresas pueden cubrir el aumento de veintes\u00e9is millones trescientos mil pesos (&#8230;) y se niegan a obedecer el fallo de la Suprema Corte y las disposiciones de autoridades responsables que han intervenido en el problema.\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn28\">[28]<\/a><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conjuntura internacional era favor\u00e1vel ao M\u00e9xico, pois os Estados Unidos precisavam manter boas rela\u00e7\u00f5es nas suas fronteiras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>Las circunstancias no han sido propicias, por la presi\u00f3n internacional y por problemas internos. Pero hoy que las condiciones son diferentes, que el pa\u00eds no registra luchas armadas y que est\u00e1 en puerta una nueva guerra mundial, y que Inglaterra y Estados Unidos hablan frecuentemente en favor de las democracias y de respeto a la soberan\u00eda de los pa\u00edses, es oporturno ver si los gobiernos que as\u00ed se manifiestan cumplen al hacer uso de sus derechos de soberan\u00eda<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn29\">[29]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 18 de mar\u00e7o de 1938, o governo C\u00e1rdenas deu um passo importante em defesa da independ\u00eancia econ\u00f4mica e nacionalizou as companhias de petr\u00f3leo. Para ele, tratava-se n\u00e3o mais de uma quest\u00e3o trabalhista, mas de uma quest\u00e3o de <em>dignidade do M\u00e9xico e de patriotismo das massas<\/em> que deveriam apoi\u00e1-lo: \u201cHe hablado al pueblo pidiendo su respaldo, no s\u00f3lo por la reivindicaci\u00f3n de la riqueza petrolera, sino por la dignidad de M\u00e9xico que pretenden burlar extranjeros que han obtenido grandes beneficios de nuestros recursos naturales, y que abusan consider\u00e1ndose ajenos a los problemas del pa\u00eds\u2026\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn30\">[30]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo justificava-se pelos seguintes motivos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>Las compa\u00f1\u00edas petroleras han gozado durante muchos a\u00f1os, lo m\u00e1s de su existencia, de grandes privilegios para su desarrollo y expansi\u00f3n; franqu\u00edas aduanales; de exenciones fiscales y de prerrogativas innumerables, y cuyos factores de privilegios unidos a la prodigiosa potencialidad de los mantos petrol\u00edferos que la naci\u00f3n les concesion\u00f3, muchas veces contra su voluntad y contra el derecho p\u00fablico, significan casi la totalidad del verdadero capital de que se habla (&#8230;) \u00bfEn cu\u00e1l centro de actividad petrol\u00edfera, en cambio, no existe una polic\u00eda privada destinada a salvaguardar intereses particulares, ego\u00edstas y alguna vez ilegales? De estas agrupaciones, autorizadas o no por el gobierno, hay muchas historias de atropellos, de abusos y de asesinatos siempre en beneficio de las empresas (&#8230;).<\/em><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn31\">[31]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 22 de mar\u00e7o, o governo assumiu dois compromissos, o de n\u00e3o continuar expropriando outras empresas e o de pagar indeniza\u00e7\u00f5es \u00e0s companhias de petr\u00f3leo: \u201cC\u00e1rdenas estava buscando por diversas vias uma diminui\u00e7\u00e3o das press\u00f5es. Uma pol\u00edtica de enfrentamento crescente poderia incidir sobre a fragilidade de alguns de seus apoios, radicalizar outras for\u00e7as para ir mais longe, pondo em perigo a unidade 18 de mar\u00e7o e arriscar a deixar que a condu\u00e7\u00e3o do conflito escapasse ao seu controle\u201d.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn32\">[32]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expropria\u00e7\u00e3o petroleira, segundo Gilly, ficou marcada no imagin\u00e1rio coletivo como um momento m\u00e1gico da vida nacional, \u201cno imagin\u00e1rio coletivo, era a revanche da guerra do Texas e do tratado de Guadalupe Hidalgo, a recupera\u00e7\u00e3o do subsolo das m\u00e3os de quem a menos de um S\u00e9culo havia levado a metade do solo herdado da Nova Espanha\u201d.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn33\">[33]<\/a> O presidente Roosevelt reconheceu a legitimidade da a\u00e7\u00e3o do governo mexicano, pois sua maior preocupa\u00e7\u00e3o era a manuten\u00e7\u00e3o da unidade no continente americano e C\u00e1rdenas sabia que a conjuntura internacional lhe permitia dar um passo importante em defesa da independ\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a venda de petr\u00f3leo mexicano C\u00e1rdenas afirmou: \u201cSi los pa\u00edses dem\u00f3cratas nos cierran sus mercados, nosotros no cerramos los pozos (&#8230;) M\u00e9xico vender\u00e1 su petr\u00f3leo al cliente que primero lo solicite y que mejor pague, ya que si se les hab\u00eda dado preferencia a los pa\u00edses dem\u00f3cratas eran \u00e9stos quienes no se presentaban a adquirirlo.\u201d<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn34\">[34]<\/a> C\u00e1rdenas n\u00e3o postulava uma ruptura definitiva, mas sim uma reordena\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com o capital exterior:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>La inversi\u00f3n de capital extranjero en M\u00e9xico ser\u00e1 provechosa si los inversionistas se ajustan a las leyes y obran de buena fe en nuestro pa\u00eds con un sentido verdaderamente humano para sus trabajadores. El capital extranjero podr\u00eda hacer inversiones en la instalaci\u00f3n de plantas sider\u00fargicas, de abonos para la agricultura, en la miner\u00eda y en otras distintas industrias, as\u00ed como en financiar obras que puede realizar el propio gobierno.<\/em><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn35\">[35]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no M\u00e9xico visava reformular as rela\u00e7\u00f5es com o capital estrangeiro, submetendo-o aos \u201cinteresses nacionais\u201d, haja vista que as companhias de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo consideravam M\u00e9xico uma col\u00f4nia de extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, em que ao pagar baixos sal\u00e1rios e obter\u00a0 isen\u00e7\u00e3o de impostos, alcan\u00e7avam alta lucratividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governos de Hugo Ch\u00e1vez e de Evo Morales, assim como o governo C\u00e1rdenas, mobilizaram a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, como recursos pol\u00edticos para realizar suas promessas de campanha. Na Venezuela, o controle da ind\u00fastria petroleira era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica, Ch\u00e1vez compreendeu que sua sobreviv\u00eancia pol\u00edtica estava atrelada ao comportamento dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para contribuir com a recupera\u00e7\u00e3o internacional dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e da capacidade negociadora da OPEP, Ch\u00e1vez realizou algumas visitas pragm\u00e1ticas e arriscadas a alguns pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. Foram as pol\u00eamicas visitas \u00e0 Sadam Hussein e Mohamar Kadafi. De forma complementar, promoveu uma coaliz\u00e3o com a R\u00fassia e com a Noruega, visando fortalecer os pre\u00e7os internacionais de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os anos de 2002 e 2003, o conflito entre a oposi\u00e7\u00e3o e o governo deu-se em torno da disputa pelo controle da PVSA, que passaram a medir for\u00e7as at\u00e9 que, ap\u00f3s uma gigantesca passeata organizada pela oposi\u00e7\u00e3o em 11 de abril de 2002, a oposi\u00e7\u00e3o deu um golpe que durou 48 horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo de derrubar Ch\u00e1vez n\u00e3o foi conseguido e terminada a greve a economia ficou gravemente danificada: queda de mais de 20% do PIB, fechamento de v\u00e1rias empresas privadas, m\u00e9dias e pequenas e desemprego de 15 a 20%. O resultado da tentativa do golpe foi a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para o controle institucional no Executivo e no Legislativo, quase absoluto por parte dos Chavistas. O referendo presidencial significou, para a oposi\u00e7\u00e3o, sua \u00faltima oportunidade de participa\u00e7\u00e3o efetiva nessas inst\u00e2ncias e de derrotar Ch\u00e1vez. Como Ch\u00e1vez se defendeu? Com uma pol\u00edtica redistributivista de renda de enorme efic\u00e1cia e impacto social, para a qual a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha naquele momento, alternativa ou meios para contra-atacar, e que acabaria assegurando em definitivo a vit\u00f3ria do presidente Ch\u00e1vez no referendo que pretendia revogar seu mandato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a greve petroleira de 2003, o governo implementou o programa conhecido como \u201cmissiones\u201d, que foram planos sociais emergenciais com impacto positivo entre amplos setores populares e parte dos setores de classe m\u00e9dia: 1) o programa de sa\u00fade bairro adentro, pelo qual m\u00e9dicos cubanos prestavam consultas di\u00e1rias e davam plant\u00e3o nos bairros populares; 2) o programa mercal, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de feira popular, com mais de 20 produtos da cesta b\u00e1sica \u00e0 pre\u00e7os subsidiados; 3) o programa de distribui\u00e7\u00e3o gratuita de alimenta\u00e7\u00e3o pronta para a popula\u00e7\u00e3o que vive em condi\u00e7\u00f5es de indig\u00eancia. A longo prazo, o programa de educa\u00e7\u00e3o em tr\u00eas n\u00edveis, estimulando o reingresso na escola, a alfabetiza\u00e7\u00e3o de mais de 1 milh\u00e3o e 500 mil pessoas, o reingresso no segundo grau e a cria\u00e7\u00e3o da Universidade Bolivariana, que propunha incorporar 500 mil estudantes sem vaga no setor p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O petr\u00f3leo cumpriu um papel de grande import\u00e2ncia, pois as estrat\u00e9gias redistributivistas dependiam dos recursos gerados pela exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. Foi criado na PDVSA, o fundo de Desenvolvimentos Econ\u00f4mico e Social para financiar os projetos citados e as obras de infraestrutura no pa\u00eds. A pol\u00edtica redistributivista foi um divisor de \u00e1guas nas rela\u00e7\u00f5es entre o governo e a oposi\u00e7\u00e3o, porque seus efeitos paralisaram a oposi\u00e7\u00e3o e diminu\u00edram seu espa\u00e7o no Congresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Bol\u00edvia os recursos gerados a partir dos hidrocarburetos tamb\u00e9m desempenham, como na Venezuela, um papel importante para a compreens\u00e3o dos \u00faltimos acontecimentos da sua hist\u00f3ria pol\u00edtica recente. A Bol\u00edvia possui uma reserva de 108 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s natural, sendo a segunda maior reserva de g\u00e1s da Am\u00e9rica do Sul depois da Venezuela. Para um pa\u00eds cujo PIB \u00e9 de 8,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, trata-se de uma importante fonte de dividendos. Na d\u00e9cada de noventa, a produ\u00e7\u00e3o de hidrocarburetos foi o segmento mais din\u00e2mico da sua economia, concentrando em 1994, 32,3% das atividades econ\u00f4micas da Bol\u00edvia. Se houve um crescimento econ\u00f4mico na Bol\u00edvia de 3,6% e da renda per capita de 1,3%, em 2004, em parte dele deve-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, ao aumento do consumo privado e do investimento P\u00fablico, bem como o ajuste fiscal. Mas, o motivo principal a ser considerado, para essas melhorias, foi o aumento da demanda externa de g\u00e1s natural e petr\u00f3leo, paralelo \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os internacionais do barril de petr\u00f3leo. O setor de hidrocarburetos apresentou um crescimento de exporta\u00e7\u00f5es de 68%, beneficiado pelo aumento da demanda de g\u00e1s natural boliviano, principalmente do Brasil e pela abertura do mercado argentino, a partir do segundo semestre de 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 90, a Bol\u00edvia adotou um modelo de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais, visando valorizar o patrim\u00f4nio das mesmas a partir da associa\u00e7\u00e3o com capital privado. Na pr\u00e1tica, companhias p\u00fablicas foram entregues aos capitais externos. A empresa YPFB (Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales Bolivianos), foi distribu\u00edda entre os cons\u00f3rcios Enron-Shell, \u00e0 BP-Amoco e a Repsol-YPF, com a modifica\u00e7\u00e3o da lei dos hidrocarburetos, fazendo com que as arrecada\u00e7\u00f5es dos impostos sobre os recursos naturais diminu\u00edssem de 50%, para 18%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como na Venezuela no governo de Hugo Ch\u00e1vez, na Bol\u00edvia a gest\u00e3o dos recursos de hidrocarburetos tornou-se um tema central para a oposi\u00e7\u00e3o e os movimentos sociais que levaram Morales ao poder, demandando de sua gest\u00e3o o retorno do controle dos recursos dos hidrocarburetos para o Estado. A nacionaliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s boliviano foi, na verdade, o atendimento de determinadas promessas de campanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como ocorreu na pol\u00edtica mexicana nos anos 30, durante a gest\u00e3o cardenista e em v\u00e1rios outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina como o Brasil e a Argentina, o final do s\u00e9culo XX foi marcado pela emerg\u00eancia de novos personagens na cena pol\u00edtica latino-americana. Segundo Tullo Vigevani:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>Os \u00faltimos anos do s\u00e9culo XX e a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI trazem sinais claros, simbolizam a emerg\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es que anteriormente n\u00e3o tiveram acesso ao Estado, ou tiveram de forma bastante limitada. Como acontece em outros continentes, essa emerg\u00eancia apresenta-se, sobretudo como um grito de resgate da dignidade. Independentes dos seus desdobramentos, a emerg\u00eancia dos novos movimentos sociais na Am\u00e9rica Latina possui uma tremenda for\u00e7a simb\u00f3lica. A simbologia vale para figuras pol\u00edtica e ideologicamente t\u00e3o d\u00edspares como Lula da Silva, no Brasil, e Alejandro Toledo, no Peru. Se o acesso ao Estado por parte dessas popula\u00e7\u00f5es se tornar\u00e1 realidade e se consolidar\u00e1 em formas democr\u00e1ticas est\u00e1veis, com institui\u00e7\u00f5es fortes, \u00e9 outra quest\u00e3o que apenas o futuro poder\u00e1 responder<\/em>.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn36\">[36]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos afirmar ainda que a crise econ\u00f4mica mundial, iniciada em 2008 e o rebaixamento dos pre\u00e7os internacionais do Petr\u00f3leo tenham comprometido definitivamente o avan\u00e7o das conquistas sociais e pol\u00edticas das classes populares no continente latino-americano. Quando termin\u00e1vamos a reda\u00e7\u00e3o desse artigo, dados levantados na imprensa apontam que a situa\u00e7\u00e3o do governo de Rafael Correa no Equador \u00e9 semelhante \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia e da Venezuela: \u201cDesde o come\u00e7o do ano, o governo iniciou uma s\u00e9rie de ajustes para conter o impacto da queda do pre\u00e7o internacional de petr\u00f3leo na economia do Equador. Na \u00faltima d\u00e9cada, o pa\u00eds chegou a crescer 8% ao ano, apoiado na exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas. Com isso, ampliou pol\u00edticas de assist\u00eancia social e fez investimentos que permitiram reduzir a pobreza de 45% a 25% desde 2007\u201d. <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_edn37\">[37]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Tullo Vigevani, somente no futuro pr\u00f3ximo (seu artigo foi escrito no ano 2000), poderemos avaliar concretamente as poss\u00edveis melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como o Brasil, Bol\u00edvia, Venezuela, Argentina, entre outros, ou se tratam-se de conquistas tempor\u00e1rias. Para ele, pode ser que ocorram vantagens sociais tempor\u00e1rias, devido \u00e0s circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas especificamente favor\u00e1veis, uma vez que o Estado possa agir aumentando a distribui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios e de recursos, como sa\u00fade, ensino, sa\u00fade etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da gest\u00e3o cardenista no M\u00e9xico, durante os anos 30, expressa um desafio ainda n\u00e3o resolvido pelos governos comprometidos com o acesso ao poder das camadas populares na Am\u00e9rica Latina: <em>a efetiva\u00e7\u00e3o<\/em> de pol\u00edticas sociais <em>est\u00e1veis e duradouras<\/em>, tais como o aumento da renda e da produtividade que depende da capacidade do Estado, do crescimento econ\u00f4mico, de pol\u00edticas industriais e de ci\u00eancia e tecnologia, combinados com o combate \u00e0 desigualdade social e a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref1\">[1]<\/a> Todas as refer\u00eancias ao contexto latino-americano do final do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do XXI e \u00e0 Bol\u00edvia e \u00e0 Venezuela contempor\u00e2nea tomaram por base os seguintes autores: VIGEVANI, Tullo. <em>Os Novos paradoxos Latino-Americano<\/em>s; KRAUSE, Enrique. <em>Os dilemas da democracia no M\u00e9xico<\/em>; HUNEEUS, Carlos. <em>As elei\u00e7\u00f5es no Chile: continuidade ou mudan\u00e7a?<\/em> URQUIDI, Vivian D\u00e1villa e Rafael Duarte Villa. <em>Venezuela e Bol\u00edvia: legitimidade, petr\u00f3leo e neopopulismo<\/em>. IN: POL\u00cdTICA EXTERNA, Vol. 14, N. 4, Mar\u00e7o\/Abril\/Maio 2006; VILLA, Rafael Duarte.<em> Venezuela: mudan\u00e7as pol\u00edticas na era Ch\u00e1vez. <\/em>In: <span style=\"text-decoration: underline;\">Revista do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados<\/span>\/USP, volume 19, n\u00famero 55 Setembro\/Dezembro 2005; SADER, Emir. <em>Bol\u00edvia: a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-pleb\u00e9ia<\/em>. In: MARGEM ESQUERDA, <em>Ensaios marxistas<\/em>, n. 7, 2006, S\u00e3o Paulo, editorial Boitempo.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref2\">[2]<\/a> BLOCH, Marc. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria<\/em>. Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 4\u00aa. Ed, SD, p. 42.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref3\">[3]<\/a> BLOCH, Marc. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria<\/em>. Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 4\u00aa. Ed, SD, p. 41.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref4\">[4]<\/a> Loraux, Nicole. <em>Elogio do Anacronismo<\/em>. IN:<em> Tempo e Hist\u00f3ria. <\/em>Adauto Novaes, Organizador. CIA das Letras\\Secretaria Municipal de Cultura de S\u00e3o Paulo, 1992, p.57.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref5\">[5]<\/a> Loraux, Nicole.\u00a0<em>Elogio do Anacronismo<\/em>. IN:<em> Tempo e Hist\u00f3ria. <\/em>Adauto Novaes, Organizador. CIA das Letras\\Secretaria Municipal de Cultura de S\u00e3o Paulo, 1992, p.57.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref6\">[6]<\/a> Loraux, Nicole.\u00a0<em>Elogio do Anacronismo<\/em>. IN:<em> Tempo e Hist\u00f3ria. <\/em>Adauto Novaes, Organizador. CIA das Letras\\Secretaria Municipal de Cultura de S\u00e3o Paulo, 1992, p.68.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref7\">[7]<\/a> BLOCH, Marc. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria<\/em>. Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 4\u00aa. Ed, SD, p. 42.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref8\">[8]<\/a> BLOCH, Marc<em>. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria.<\/em> Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 4\u00aa. Ed, SD, p. 39.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref9\">[9]<\/a> A Discuss\u00e3o sobre a hist\u00f3ria pol\u00edtica mexicana e as a\u00e7\u00f5es do governo C\u00e1rdenas fundamentam-se em: CRIPA, Ival de Assis. <em>O Vento das Reformas, L\u00e1zaro C\u00e1rdenas e a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana (1934-1940).<\/em> Paco Editorial,\u00a0 Jundia\u00ed, S. Paulo, Brasil, 2013.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref10\">[10]<\/a> Debert Grin, Guita. \u201cIdeologia e populismo&#8230;.\u201d. S\u00e3o Paulo, T. A. Queiroz,\u00a0 1979, p.13.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref11\">[11]<\/a> Capelato entende essas experi\u00eancias como formuladoras de uma nova cultura pol\u00edtica \u2013 pol\u00edtica de massas \u2013 que se concretizaram em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. A crise do liberalismo no in\u00edcio do s\u00e9culo, \u201cforjou a busca de solu\u00e7\u00f5es alternativas para a quest\u00e3o social, em muitos pa\u00edses, como o Brasil e posteriormente a Argentina, em que a solu\u00e7\u00e3o foi a configura\u00e7\u00e3o de um Estado intervencionista\u201d. Capelato, Maria Helena. Multid\u00f5es em.Cena: a<em> Propaganda Pol\u00edtica no Varguismo e no Peronismo<\/em>\u201dCampinas, Papirus, 1999, p. 141.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref12\">[12]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. Discurso del candidato del PNR a la Presidencia de la Rep\u00fablica, al Pueblo Tabasque\u00f1o. Emiliano Zapata, Tabasco, 6\/03\/34, Palavras e Documentos P\u00fablicos, pp. 116-17. (Grifo nosso).<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref13\">[13]<\/a> Idem, pp. 128-129. Grifo nosso. Ejido, em espanhol, prov\u00e9m da palavra exitus (sa\u00edda) e significa \u201cparcela ou unidade territorial estabelecida pela lei, n\u00e3o menor que dez hectares\u201d. Segundo Marco Ant\u00f4nio Villa, \u00e9 um termo criado ap\u00f3s a conquista, denominando as \u00e1reas lim\u00edtrofes dos povoados, que exploravam a pecu\u00e1ria e a lenha, \u201cAp\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, passou a designar a parcela de terra entregue pelo governo ao campon\u00eas que det\u00eam o usufruto, mas n\u00e3o a propriedade plena. H\u00e1 ejidos coletivos quando a comunidade explora coletivamente as terras dotadas pelo governo\u201d, Villa, Marco Ant\u00f4nio. \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana\u201d. S\u00e3o Paulo, \u00c1tica, 1993, pp.75-6.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref14\">[14]<\/a> Sosa, Raquel E., \u201cLos C\u00f3digos Ocultos del Cardenismo\u201d . M\u00e9xico, Plaza y Valdes editores, 1996, p. 29.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref15\">[15]<\/a> Idem, pp.136-137.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref16\">[16]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. \u201cDiscursos del Candidato del PNR a la Presidencia de la Rep\u00fablica, en v\u00edsperas de las elecciones para renovaci\u00f3n de los poderes federales\u201d. Durango, 30\/06\/34, Palavras e Documentos Publicos p. 132. Grifos nossos.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref17\">[17]<\/a> Dados extra\u00eddos de Gilly, Adolfo. \u201cEl Cardenismo, Una Utopia Mexicana\u201d. Cal y Arena, M\u00e9xico, D. F. , 1994, p. 190.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref18\">[18]<\/a> Artigo 27 da Constitui\u00e7\u00e3o de 1917, extra\u00eddo de C\u00f3rdova, A. , 1973, p. 486.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref19\">[19]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. \u201cDiscurso del candidato del PNR a la Presidencia de la Rep\u00fablica, al pueblo de Durango, Dgo, 27 de J\u00fanio de 1934. \u201cPlavras\u00a0 e Documentos P\u00fablicos\u201d, p. 129.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref20\">[20]<\/a> \u00cddem.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref21\">[21]<\/a> Apuntes, p. 359.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref22\">[22]<\/a> Gilly, A. , op. cit, p. 211.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref23\">[23]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. \u201cMensaje al pueblo yucateco\u201d. \u00a0M\u00e9rida, Yuc., 16 de Deciembre de 1939. \u201cPlavras e Doc&#8230;.\u201d, p. 253.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref24\">[24]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. Mensaje a la naci\u00f3n del presidente de la  Rep\u00fablica. Torre\u00f3n, Coah., 30 de noviembre de 1936. \u201cPlavras e Doc&#8230;.\u201d p. 321.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref25\">[25]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. Palabras del presidente de la Rep\u00fablica a Los Senadores para Agradecerles su Solidaridad hacia diversos actos del Gobierno, M\u00e9xico D. F. , 8 de Marzo de 1938. \u201cPalavras e Documentos P\u00fablicos&#8230;..\u201d p. 281 (grifos nossos).<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref26\">[26]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. Palabras del presidente de la Rep\u00fablica a Los Senadores para Agradecerles su Solidaridad hacia diversos actos del Gobierno, M\u00e9xico D. F. , 8 de Marzo de 1938. \u201cPalavras e Documentos P\u00fablicos&#8230;..\u201d , p. 282.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref27\">[27]<\/a> CERMLC, Fondo Francisco J. M\u00fagica. Citado por Gilly, A. , 1994, p. 223.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref28\">[28]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. APUNTES, 9 de Marzo de 1938, p. 386.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref29\">[29]<\/a> \u00cddem, p. 387.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref30\">[30]<\/a> \u00cddem, 19 de marzo de 1938, p. 391.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref31\">[31]<\/a> Mensaje a la Naci\u00f3n del Presidente de la Rep\u00fablica con motivo de la Expropiaci\u00f3n Petrolera. * M\u00e9xico, D. F. 18 de Marzo de 1938, pp. 282-283.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref32\">[32]<\/a> Gilly, A. , op. Cit., p. 101.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref33\">[33]<\/a> Idem, p. 260.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref34\">[34]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. Versi\u00f3n period\u00edstica de la respuesta del presidente de la  Rep\u00fablica a preguntas de corresponsales extranjeros. (Texto publicado en El Nacional.), M\u00e9xico,\u00a0 D. F. 27 de julio de 1938.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref35\">[35]<\/a> C\u00e1rdenas, L\u00e1zaro. \u201cRespuestas del presidente de la Rep\u00fablica a Preguntas del Periodista norteamericano H. R. Knickerboker Sobre la Expropiaci\u00f3n Petrolera. M\u00e9xico, D. F., Enero de 1939. p. 342.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref36\">[36]<\/a> VIGEVANI, Tullo. Os Novos paradoxos Latino-Americanos. IN: POL\u00cdTICA EXTERNA, Vol. 14, N. 4, mar\u00e7o\/Abril\/Maio 2006.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Carolina\/01-CARO-2012\/1_Texto\/Ariadna\/2014\/Volumen%20II\/Ival\/VERSION%20FINAL%20IVAL.doc#_ednref37\">[37]<\/a> COLOMBO, Sylvia.<em> Equador vive onda de Manifesta\u00e7\u00f5es que exigem a sa\u00edda de Rafael Correa.<\/em> Folha de S. Paulo, 12 de Julho de 2015.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nota de la editora:<\/strong> Este articulo fue actualizado en julio de 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ariadna Tucma Revista Latinoamericana. N\u00ba 9. Marzo 2014 \u2013 Febrero 2015. Volumen II<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Publicado por \u00a9www.ariadnatucma.com.ar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contacto: info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>INDICE (<a title=\"VER\" href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=4068\" target=\"_blank\">VER<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ival de Assis Cripa Resumen\/ Abstract (Ver) &nbsp; O final dos anos 90 e o in\u00edcio da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI na Am\u00e9rica Latina foram momentos importantes de avan\u00e7o de governos democr\u00e1ticos e populares, comprometidos com a melhoria das condi\u00e7\u00f5es materiais das camadas populares no continente. 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