{"id":3308,"date":"2012-08-08T10:19:25","date_gmt":"2012-08-08T13:19:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=3308"},"modified":"2012-08-09T08:02:19","modified_gmt":"2012-08-09T11:02:19","slug":"mobilidade-social-e-repressao-um-imigrante-arabe-na-politica-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=3308","title":{"rendered":"Mobilidade social e repress\u00e3o: um imigrante \u00e1rabe na pol\u00edtica regional"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">Um estudo de caso no interior de S\u00e3o Paulo, Brasil*<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maria Nicolau**<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3309 alignright\" title=\"MariaNicolau\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"286\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau.jpg 756w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau-220x300.jpg 220w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau-751x1024.jpg 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cidade do interior de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, S\u00e3o Paulo, pretendo pontuar a atmosfera da hist\u00f3ria, essa que Chartier nos diz: \u201cque \u00e9 a poeira das percep\u00e7\u00f5es\u201d. [1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O protagonista dessa hist\u00f3ria \u00e9 o senhor Miguel Jorge Nicolau, que trilhou caminhos entre o p\u00fablico e o privado, cuja fam\u00edlia de imigrantes \u00e1rabe-libaneses chegou ao Brasil em abril de 1910.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miguel Namen, seu sogro, partiu da cidade de Tr\u00edpoli, no L\u00edbano, em busca de um lugar para plantar, al\u00e9m de produtos agr\u00edcolas, seus ideais pol\u00edticos. Queria um lugar onde n\u00e3o sofresse mais a intoler\u00e2ncia dos poderosos, como acontecia em sua terra natal.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>Santo do Pinhal e S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, Miguel Namen come\u00e7ou uma nova hist\u00f3ria que, como a de muitas outras fam\u00edlias imigrantes, transformou para sempre a agricultura e a hist\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia dessa fam\u00edlia na politica nacional teve inicio desde a vinda dos pais de Miguel Jorge, que se casaram e vieram para o Brasil, e em seguida a vinda do sogro. Jorge Nicolau nasceu em 20 de maio de 1893 e casou-se com Maria Namen, do mesmo lugar, uma aldeia de Kalhat, Tr\u00edpoli, L\u00edbano, em 27 de fevereiro de 1894. Eles tinham 15 e 16 anos, respectivamente, quando vieram para o Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3309\" title=\"MariaNicolau\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau.jpg\" alt=\"\" width=\"385\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau.jpg 756w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau-220x300.jpg 220w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau-751x1024.jpg 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foto da Fam\u00edlia Nicolau. Ano 1923.\u00a0 Acervo pessoal de Maria Nicolau. (Miguel Jorge Nicolau \u00e9 o primeiro da esquerda para a direita) <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">O Brasil foi seu porto seguro. Em Santo Ant\u00f4nio do Jardim, cidade das videiras, localizada entre Esp\u00edrito <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao aportarem em terras brasileiras tornaram-se part\u00edcipes da \u201cimigra\u00e7\u00e3o em cadeia (&#8230;) respons\u00e1vel por enormes parcelas de imigra\u00e7\u00e3o s\u00edria e libanesa (&#8230;), irm\u00e3o puxando irm\u00e3o, filhos, primos, pais, tios av\u00f3s, conterr\u00e2neos, conhecidos, (&#8230;)\u201d [2]\u00a0que chegavam ao pa\u00eds naqueles anos. Tal aventura come\u00e7ara a partir dos relatos do sogro, ou seja, \u201chaviam imigrado com base em decis\u00f5es razoavelmente bem informadas a respeito de aonde ir, onde encontrar trabalho, e que tipo de trabalho os esperaria (&#8230;)\u201d. [3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s passarem pelos tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos na Casa do Imigrante, dirigiram-se, primeiramente, para Santo Ant\u00f4nio do Jardim, e em seguida, para o interior do estado de S\u00e3o Paulo, uma pequena cidade denominada S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, onde se estabeleceram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro moraram no por\u00e3o de uma padaria e dormiam no borralho [4] muito pr\u00f3ximo ao forno. Quando o beb\u00ea com seu choro feriu o ar pela primeira vez em 20 de maio de 1911 foi nessa padaria cujo nome era <em>Maximina<\/em>, dentre o cheiro dos p\u00e3es assados e do ar abafado daquele por\u00e3o. Nascia o personagem cuja vida \u00e9 aqui analisada e fez parte da pol\u00edtica regional e foi reprimido, e, que recebeu o nome de Miguel Jorge Nicolau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s cinco meses, a pequena fam\u00edlia se mudou para uma pequena casa de esquina, situada na avenida principal da cidade, onde viveram por 76 anos. Quando se mudaram, o fizeram por quest\u00f5es de conterraneidade, passando a estreitar as rela\u00e7\u00f5es com familiares j\u00e1 instalados na vizinhan\u00e7a, compondo assim la\u00e7os de solidariedade cuja economia familiar tornava-se forte, garantia a preserva\u00e7\u00e3o de sua cultura de origem e resultava, pelo enriquecimento econ\u00f4mico, na inser\u00e7\u00e3o social em uma sociedade altamente conservadora, como era a de pequenas cidades provincianas do interior do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senhor Jorge abriu um neg\u00f3cio comercial, pequeno, e logo se iniciou nas lidas citadinas enquanto mascateava produtos trazidos do L\u00edbano, importados de outros pa\u00edses ou confeccionados nas f\u00e1bricas que come\u00e7avam a ser instaladas na regi\u00e3o. Depois de economizar bastante dinheiro e com muitos relacionamentos consolidados por sua rotina de mascate, comprou terras, exercendo tamb\u00e9m a atividade de lavrador. A montagem de um armaz\u00e9m o liberou da atividade de mascatear, passando assim a se dedicar tamb\u00e9m ao com\u00e9rcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isto adentrou a dois ramos da economia a produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria e o com\u00e9rcio na cidade, enquanto mantinha o quotidiano da vida centrado na fam\u00edlia, compondo assim uma base est\u00e1vel e s\u00f3lida de fixa\u00e7\u00e3o na nova terra. N\u00e3o por acaso, conforme afirma o historiador, como muitos outros imigrantes libaneses, dispunham de uma \u201cloja na frente e casa nos fundos\u201d.[5]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u201cPelas caracter\u00edsticas do neg\u00f3cio de que dependiam para viver, eram praticamente for\u00e7ados a se socializar, a entrar em contato com as pessoas de uma rua, de um bairro, de um povoado, de uma regi\u00e3o rural do interior do Brasil\u201d. [6]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vinda de outros parentes e conterr\u00e2neos ampliava a possibilidade de crescerem junto ao n\u00facleo familiar, compondo assim o que se denomina uma col\u00f4nia de estrangeiros, no caso uma col\u00f4nia libanesa. Um perto do outro, casas vizinhas, a proximidade cujos la\u00e7os de solidariedade lhes possibilitavam constituir minorias \u00e9tnicas com forte inser\u00e7\u00e3o social decorrente do r\u00e1pido enriquecimento econ\u00f4mico e das atividades comerciais que os punha em contato direto com um publico diverso do da comunidade de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o primog\u00eanito da fam\u00edlia completa cinco anos de idade a fam\u00edlia j\u00e1 possu\u00eda n\u00e3o mais uma pequena propriedade rural, mas uma fazenda, com muitos hectares e, al\u00e9m de uma pequena leiteria, possu\u00edam o armaz\u00e9m, \u201cFlor de Maio\u201d, cuja loja ficava na frente da moradia, sediada nos fundos do mesmo pr\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da pouca idade o filho Miguel trabalhava na loja, ora ajudando a m\u00e3e, ora o pai. Era um \u201cmoleque\u201d que trabalhava sobre um caixote para alcan\u00e7ar o balc\u00e3o e poder atender os fregueses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00abEra uma loja de roupa, de cereais, cada parte era uma coisa&#8230; Trabalhava l\u00e1 o Miguel, ele era molequinho ainda e arrumava um caix\u00e3ozinho para ele subir porque ele n\u00e3o alcan\u00e7ava o balc\u00e3o, para trabalhar e ajudar. E a dona Maria, fazia tudo, coitada&#8230;, ela lavava, ela passava, ela cozinhava, ela trabalhava no balc\u00e3o, e a fam\u00edlia dela morava no Santo Ant\u00f4nio do Jardim.\u00bb [7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1923, j\u00e1 rapaz, o vemos assumindo com o pai o gerenciamento da fazenda que haviam adquirido, localizada no sul de Minas Gerais, regi\u00e3o circunvizinha ao Vale do Ribeira, n\u00facleo de v\u00e1rias outras fazendas situadas na fronteira e que compunham o n\u00facleo principal da riqueza do pa\u00eds: o gado e o caf\u00e9. Foi desta regi\u00e3o, composta pelo interior de S\u00e3o Paulo com o sudeste mineiro que emergiram os principais l\u00edderes pol\u00edticos que dominaram o cen\u00e1rio nacional no per\u00edodo denominado pela historiografia brasileira de primeira rep\u00fablica e cuja pol\u00edtica ficou conhecida como \u201ccaf\u00e9 com leite\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos oito aos doze anos de idade, Miguel trabalhou muito e dormia muito pouco Se olharmos atentamente a foto que inicia este artigo, podemos observar na express\u00e3o facial do menino Miguel, o olhar cansado. Conforme ressalta Chris Orwig, \u201cna fotografia de pessoas, primeiro somos atra\u00eddos pelo rosto. Um contato visual, honesto e aut\u00eantico cria uma conex\u00e3o e faz com que o observador olhe uma vez, e ent\u00e3o olhe novamente\u201d. [8]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na pr\u00e9-adolesc\u00eancia, com seus 12 anos de idade, Miguel era um rapaz alto, ereto, em cujo rosto se inscrevia sobrancelhas negras, com um nariz afilado, bochechas avermelhadas pelo clima da regi\u00e3o do sul de Minas, onde trabalhava. Contudo, em seu rosto estava estampado o tra\u00e7o principal dessa labuta sem fim, e, sob as olheiras do cansa\u00e7o, o olhar determinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem o conheceu naquela \u00e9poca viu seus primeiros passos de transi\u00e7\u00e3o do campo da Fazenda \u201cBoa Esperan\u00e7a\u201d para a urbanidade de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista. \u00c9 nesse contexto que se situa a \u00e9poca em que a fotografia acima foi tirada e que reproduzimos aqui enquanto fonte que nos possibilita \u201cfazer reviver os personagens do passado (&#8230;) nas fotografias, assim como trazer um significado \u00e0queles cen\u00e1rios do passado\u201d [9],\u00a0conforme prop\u00f5e Kossoy. [10]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal foto, tirada em um est\u00fadio, conforme era comum na \u00e9poca, nos retrata, n\u00e3o apenas uma fam\u00edlia da d\u00e9cada de 1920, mas as caracter\u00edsticas da imigra\u00e7\u00e3o, o trabalho e a sobreviv\u00eancia destes personagens, seus valores e aspira\u00e7\u00f5es. \u00c9, portanto, a express\u00e3o do \u201canjo da hist\u00f3ria\u201d, citado por Walter Benjamin, \u201cseu rosto est\u00e1 dirigido para o passado\u201d.[11]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um sentimento de nostalgia nos invade ao contemplarmos um peda\u00e7o de vida que nos diz respeito, como afirma o autor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">(&#8230;) \u00abquando contemplamos aquelas fotos guardadas, de pessoas queridas, ou nossas pr\u00f3prias fotografias do passado, essa contempla\u00e7\u00e3o de um peda\u00e7o de vida que nos diz respeito e que foi desperta em n\u00f3s uma emo\u00e7\u00e3o por um reviver de algo que nos pertence. (&#8230;) instala-se em n\u00f3s um conflito irresolv\u00edvel e angustiante: ao mesmo tempo em que a fotografia do passado nos torna acess\u00edvel uma parte de n\u00f3s mesmos, onde, pela emo\u00e7\u00e3o, temos acesso ao que foi ela torna-nos presente a experi\u00eancia dolorosa do irrecuper\u00e1vel. Neste sentido, o conv\u00edvio prazeroso com essas imagens \u00e9 mesclado com um sentimento de impot\u00eancia perante uma finitude: \u00e9 o prazer e a dor que s\u00e3o vividos simultaneamente, a vida de um passado que se torna presente, a morte de um passado que n\u00e3o volta mais. [12]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante ressaltar que o \u201cpassado que n\u00e3o volta mais\u201d pode ser recuperado, pode ser narrado, pode ser contado, pois no oficio do historiador temos essa possibilidade, conforme apontada por Benjamin [13], embora eivadas de subjetividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sem o elo emocional entre as imagens e seu receptor, a subjetividade n\u00e3o pode ser negada, \u00e9 algo inerente \u00e0 realidade humana, conforme aponta Kossoy:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">(&#8230;) \u00abpaisagens, cen\u00e1rios ou personagens com os quais n\u00e3o tivemos contato, que nos s\u00e3o estranhos, n\u00f3s vamos traz\u00ea-los \u00e0 vida para entendermos quem foram essas pessoas e o que representam esses cen\u00e1rios. [&#8230;] nesta procura de significado mais profundo, est\u00e1 presente, de alguma maneira, um compromisso subjetivo (e emocional), mesmo que os recursos usados para a interpreta\u00e7\u00e3o sejam dados objetivos. [14]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que a foto n\u00e3o revela \u00e9 o fato de que Miguel n\u00e3o era apenas um trabalhador da ro\u00e7a. Obteve tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cont\u00e1bil, al\u00e9m de outros cursos de administra\u00e7\u00e3o, a que se acresciam os conhecimentos adquiridos de sua viv\u00eancia enquanto comerciante na loja de seu pai. Uma das entrevistas, sua parente, assim se refere a esta trajet\u00f3ria de Miguel:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u00ab(&#8230;) Ele progrediu e ele fez muito. O seu pai abriu um armaz\u00e9m na fazenda, l\u00e1 em cima do \u00f3leo. Trabalhou 4 a 5 anos l\u00e1. Ele matava porco, vendia toucinho e vendia os produtos, vendia a mercadoria, trabalhou muito o seu pai (&#8230;)\u00bb. [15]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PTB em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 1937, em que Miguel assiste e vivencia a instaura\u00e7\u00e3o do Estado Novo e se inicia na vida pol\u00edtica, desde que seu pai, o senhor Jorge, ao alimentar como tamb\u00e9m passa exigir do trabalho suado de Miguel, na ro\u00e7a, na loja e demais lugares. A demanda tamb\u00e9m tem reflexos no comercio, na lavoura e na agricultura. Posteriormente como contador, \u00e9 que seu perfil com a pol\u00edtica vai se desdobrar [16].<strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) \u00e9 o partido com o qual Miguel vai se identificar e realizar o seu exerc\u00edcio pol\u00edtico. Fundado em 15 de maio de 1945, tinha como uma das bandeiras de seu ide\u00e1rio defender o capital nacional com uma agenda favor\u00e1vel ao desenvolvimento do trabalho, o que, segundo tal ide\u00e1rio, correspondia \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o [17].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal fun\u00e7\u00e3o social que o PTB cumpriu naquele per\u00edodo, conforme a historiografia aponta, foi por um lado, quebrar a hegemonia do Partido Comunista Brasileiro (PCB) sobre os oper\u00e1rios e os trabalhadores em geral. Por outro, contrapor-se \u00e0 tradicional Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN) que surgira em 1945 [18] e que aglutinava amplos setores das oligarquias agr\u00e1rias mais conservadoras do pa\u00eds. A UDN surgiu originalmente como uma frente, ou seja, arregimentava um grande grupo de pol\u00edticos unidos pela oposi\u00e7\u00e3o ao regime do Estado Novo de Get\u00falio Vargas e a toda e qualquer doutrina origin\u00e1ria de seu governo [19].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liga\u00e7\u00e3o desse descendente de \u00e1rabes com o PTB levanta suspeita dos fazendeiros tradicionais da regi\u00e3o, os antigos coron\u00e9is e donos de amplas glebas de terras mineiras e paulistas. Tais personagens, pertencentes \u00e0 oligarquia rural e alguns dos quais s\u00e3o udenistas, tamb\u00e9m o desconsideram por quest\u00f5es culturais: \u201cafinal quem era aquele filho de imigrantes turcos e, ainda mais, trabalhador da ro\u00e7a?\u201d, para reproduzirmos uma express\u00e3o muito comum naqueles idos de 1950 que, embora fosse tamb\u00e9m fazendeiro, ficava do lado dos trabalhadores?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o esses trabalhadores que v\u00e3o ocupar o papel de protagonistas, considerando-se suas reivindica\u00e7\u00f5es que expressavam as contraposi\u00e7\u00f5es com a dos fazendeiros que os exploravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1941 tais reivindica\u00e7\u00f5es se multiplicavam em decorr\u00eancia dos sal\u00e1rios mal pagos, sem assist\u00eancia m\u00e9dica ou qualquer outro direito. A n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o dos preceitos da Legisla\u00e7\u00e3o Trabalhista (CLT) era obstada por v\u00e1rios fatores. Um deles diz respeito a um aspecto cultural, pois muitos dos donos das f\u00e1bricas eram integrantes das oligarquias rurais cuja mentalidade escravocrata considerava tais direitos um absurdo. Estes tinham ainda em sua mem\u00f3ria o preceito de que, ao contratarem um trabalhador estavam lhe fazendo um favor, tirando-o da rua e da indig\u00eancia e, portanto, n\u00e3o precisavam pagar nada a ele. Pelo contr\u00e1rio, o devedor era o assalariado. O fato da CLT n\u00e3o ser extensiva aos trabalhadores do campo, contribu\u00eda como mais um incentivo a tal arb\u00edtrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trajet\u00f3ria de vida de Miguel parece ter sido o que o impulsionou a se engajar com mais tenacidade na defesa dos trabalhadores e n\u00e3o na luta que expressava a mentalidade e os interesses dos donos das terras, das f\u00e1bricas e do poder pol\u00edtico na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3315\" title=\"MariaNicolau02\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau02.jpg\" alt=\"\" width=\"478\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau02.jpg 995w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau02-300x191.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu armaz\u00e9m, onde de tudo se vendia, tamb\u00e9m constavam os produtos b\u00e1sicos para os trabalhadores, principalmente o arroz. Com a infla\u00e7\u00e3o galopante daquele per\u00edodo, o custo do saco desta mercadoria acabava por ficar inacess\u00edvel aos trabalhadores. Assim, Miguel o vendia por um pre\u00e7o que n\u00e3o incorporava a infla\u00e7\u00e3o do m\u00eas. As fotos abaixo s\u00e3o um exemplo da fila que se formava mensalmente para a aquisi\u00e7\u00e3o do arroz e de outras mercadorias conforme se pode ver na foto acima e na de baixo. Era o arroz mais barato da cidade, ao custo de 7,20. O fato de ser tamb\u00e9m o dono da fazenda que as produzia eliminava o custo do intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1944, j\u00e1 com 33 anos de idade, bem amadurecido e informado, e se relacionando com os grupos pol\u00edticos de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, ele inicia sua vida pol\u00edtica propriamente dita. No ano seguinte, o pa\u00eds entrava na era p\u00f3s Vargas com uma democracia institu\u00edda, depois de 15 anos de ditadura.\u00a0 Nos anos anteriores, Miguel havia constru\u00eddo uma rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00f3lida e de amizade com Get\u00falio Vargas e quando este se candidata \u00e0 presid\u00eancia novamente, passa a apoi\u00e1-lo, fundando o primeiro diret\u00f3rio do partido PTB em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista[20].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3316\" title=\"MariaNicolau03\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau03.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau03.jpg 1363w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau03-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau03-1024x664.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando assume a presid\u00eancia do PTB getulista em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista ele tinha 35 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O local em que as reuni\u00f5es deste partido ocorriam era o pr\u00e9dio de sua propriedade. Tal pr\u00e9dio funcionava tamb\u00e9m como sede de muitas outras organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem hoje passa pelo majestoso edif\u00edcio \u201cFlamboyant\u201d,[21] situado na Pra\u00e7a Coronel Joaquim Jos\u00e9, numero 176, n\u00e3o imagina a hist\u00f3ria daquele lugar. Hoje o pr\u00e9dio serve de resid\u00eancia para 14 fam\u00edlias sanjoanenses. Um dia foi o quartel general de muitas pol\u00edticas e eventos sociais. Neste endere\u00e7o havia ensaios da banda municipal, funcionava a Escola de Com\u00e9rcio, al\u00e9m de servir como entreposto comercial para a venda de alimentos a pre\u00e7os populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3317\" title=\"MariaNicolau04\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau04.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau04.jpg 749w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau04-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MariaNicolau04-678x1024.jpg 678w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Edif\u00edcio \u201cFlamboyant\u201d foi um dia a sede do PTB. Um partido que levantou bandeiras sociais e populares e serviu de refer\u00eancia para a hist\u00f3ria de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, al\u00e9m de dar as diretrizes para v\u00e1rios dos objetivos alcan\u00e7ados pelo senhor Miguel Jorge na pol\u00edtica. Deste pr\u00e9dio tamb\u00e9m floresceram orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para o Brasil e aos brasileiros, a partir do momento em que Miguel foi eleito deputado estadual por tal legenda. Por isso, sinto orgulho do \u201cFlamboyant\u201d. Um dia, o antigo pr\u00e9dio do PTB representou uma semente popular [22].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o fato de atrair multid\u00f5es de trabalhadores \u00e0 porta de seu pr\u00e9dio, ou recebendo doa\u00e7\u00f5es de alimento, ou comprando o arroz mais barato da cidade, tornaram este filho de imigrantes turcos, fazendeiro, comerciante e rec\u00e9m-ingresso na pol\u00edtica, alvo de vigil\u00e2ncia das for\u00e7as repressivas que o colocou como suspeito de atividades comunistas, como expressava um relat\u00f3rio de um agente do DOPS:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">(&#8230;) Miguel Jorge Nicolau, conseguiu tamb\u00e9m por interm\u00e9dio da C.O.F.A.P. e da C.O.A.P., o arroz que \u00e9 vendido ao pre\u00e7o de Cr $ 8,00 (oito cruzeiros) por quilo, distribui\u00e7\u00e3o ou venda, que \u00e9 somente feita aos Associados das tr\u00eas associa\u00e7\u00f5es, (&#8230;), duas vezes por semana, (&#8230;), sendo que dentro de poucos dias, ainda ser\u00e1 vendido a pre\u00e7os reduzido e da mesma maneira que o arroz, o tecido popular, feij\u00e3o e outras cousas. Com a atitude tomada por Miguel Jorge Nicolau, na venda do arroz, obriga a tamb\u00e9m a Prefeitura a vender no Mercado Municipal arroz ao pre\u00e7o de Cr$ 8,00 por quilo (&#8230;) [23].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal suspeita se acentua quando ele funda, nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1950, o jornal que serviu para veicular a legenda do PTB que fora fundado em 15 de maio de 1945, no sobradinho do sal\u00e3o de barbeiro na Pra\u00e7a Tiradentes, localizado no Rio de Janeiro, nos informa Maria Victoria Benevides [24]. Esta o considera um partido \u201cnovo\u201d, fora do esquema olig\u00e1rquico e capaz de aglutinar as novas for\u00e7as sociais, surgido do impulso da industrializa\u00e7\u00e3o, com o aparecimento do oper\u00e1rio urbano e os sindicatos. Cumpria tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de se contrapor \u00e0 \u201camea\u00e7a comunista\u201d sobre o proletariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Benevides ainda nos aponta que o PTB foi \u201ca inspira\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica declarada era o Partido Trabalhista Ingl\u00eas\u201d [25] e era tamb\u00e9m a atra\u00e7\u00e3o por ser o \u201cpartido de Get\u00falio\u201d, pai dos pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A suspei\u00e7\u00e3o de que Miguel era subversivo n\u00e3o passou despercebido de seus colegas de legenda e nem dos companheiros na Assembleia legislativa do Estado, onde Miguel tinha cadeira ap\u00f3s ser eleito deputado estadual. O debate que se instaura expressa as posi\u00e7\u00f5es de classe e os antagonismos sociais. Enquanto alguns de seus pares saem em sua defesa, pois tais acusa\u00e7\u00f5es significariam a cassa\u00e7\u00e3o de seu mandato, sua expuls\u00e3o da vida p\u00fablica e, provavelmente, sua pris\u00e3o, outros a aproveitam para atacarem o PTB de forma geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defesa dos acusados e do pr\u00f3prio partido precisava ser p\u00fablica e ir diretamente aos acusadores, j\u00e1 que n\u00e3o cabia processo formal para garantir tal direito aos acusados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A oportunidade ocorre em 1954 quando autores pol\u00edticas de alto escal\u00e3o compareceram ao ato de cria\u00e7\u00e3o do Instituto da Aposentadoria e Pens\u00f5es dos Comerci\u00e1rios (IAPC). O ent\u00e3o presidente deste instituto preside a nova comiss\u00e3o de sua reestrutura\u00e7\u00e3o e nada mais do que a filha do falecido Get\u00falio Vargas, a ent\u00e3o deputada federal, declara que o PTB se firma como (&#8230;) vanguarda das reivindica\u00e7\u00f5es populares, dedicando-se predominantemente \u00e0 politiza\u00e7\u00e3o popular (&#8230;) e que a legenda est\u00e1 a disposi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes oper\u00e1rios (&#8230;). Por outro lado, o deputado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u201cHerbert Levy \u2013 fiel \u00e0 sua cruzada antigetulista \u2013 afirma que (&#8230;) dirigente oper\u00e1rio Miguel Jorge Nicolau, do PTB de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, tem ficha de \u201csimpatizante comunista\u201d, nos registros do DOPS (&#8230;). O vigilante udenista chega a afirmar que com o PTB, \u201cmarchamos para a sindicaliza\u00e7\u00e3o peronista\u201d (ACD, 16.2.1954)\u201d [26].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal contexto transparece tamb\u00e9m nas not\u00edcias do jornal <em>O Munic\u00edpio<\/em>, atrav\u00e9s do qual Miguel divulga sua defesa, atrav\u00e9s do jornalista que o coordena. Este jornal existia na cidade desde os anos 40, cujo propriet\u00e1rio, Walter Luhmann, o vendeu em 1956 para um grupo, composto por Miguel Jorge Nicolau, Durval Nicolau que era irm\u00e3o de Miguel, Ito Amorim, jornalista, H\u00e9lio Correa da Fonseca, chefe de reda\u00e7\u00e3o, Wilson Gomes, Jos\u00e9 Lopes e Manuel Assun\u00e7\u00e3o Ribeiro; esses dois, vereadores pelo PTB. Em 1962, Miguel, j\u00e1 no parlamento, como deputado estadual, compra dos demais s\u00f3cios as quotas tornando-se o \u00fanico propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal jornal serviu, no per\u00edodo de 1956 at\u00e9 1964, de veiculo partid\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o de sua hegemonia pol\u00edtica pessoal e para a do partido, o PTB. Pode ser tomado \u201ccomo express\u00e3o de interesses sociais, buscando identificar esses interesses, os interlocutores a que se dirige o tratamento dispensado aos temas em pauta, e a articula\u00e7\u00e3o entre eles\u201d, e eu diria ainda como express\u00e3o do debate pol\u00edtico quando havia processos eleitorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed abundam not\u00edcias a respeito deste l\u00edder trabalhista, representante da regi\u00e3o no Estado, assim como sobre sua atua\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o e como era visto pelos udenistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, quando Herbert Levy, um udenista da regi\u00e3o, inicia uma campanha para impugnar a candidatura de Miguel a deputado, a refuta\u00e7\u00e3o a tais acusa\u00e7\u00f5es \u00e9 feita atrav\u00e9s do jornal. A propaganda difamat\u00f3ria e a pecha de comunismo eram o mote das acusa\u00e7\u00f5es capitaneadas pelos udenistas e assim o jornal <em>O Munic\u00edpio <\/em>as contesta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">Quando Miguel Jorge Nicolau que tanto vem trabalhando pela sua terra natal conseguiu trazer arroz para ser vendido aos trabalhadores por 7,20 e 8,20, suavizando assim a ang\u00fastia de centenas de lares, a Herbert Levy n\u00e3o teve considera\u00e7\u00e3o alguma com os trabalhadores beneficiados. Da tribuna da C\u00e2mara Federal, atacou violentamente o amigo do povo que \u00e9 Miguel Jorge Nicolau e o fornecimento daquele alimento. Na hora de votar, o trabalhador e o sanjoanense, recuzar\u00e1 a c\u00e9lula que contiver o nome do inimigo dos trabalhadores: Herbert Levy, ainda para sua maior condena\u00e7\u00e3o elemento da udn.[27]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A querela se estende por meses, conforme se denota da leitura do jornal, particularmente em sua coluna \u201cNotas a Margem\u201d, assinada pelo jornalista, Wilson Gomes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">(&#8230;) n\u00e3o nos atemorizam processos e amea\u00e7as de vingan\u00e7a. Vinte anos de imprensa e j\u00e1 enfrentamos barreiras dif\u00edceis, mas nunca nos afastamos da verdade e da lealdade. Perseguir e processar s\u00e3o sempre o que nos oferecem os que combatem a liberdade de imprensa e de opini\u00e3o, (&#8230;) no caso do processo de impugna\u00e7\u00e3o do registro desse cidad\u00e3o (<strong>Miguel Jorge<\/strong>, grifo meu), afirmou que ao partido do Sr. Levy s\u00f3 interessava atingir o sanjoanense. Arrisque-se o Sr. Herbert Levy a processar-nos e provaremos, sem olvidar os que arrombam cofres (&#8230;) [28].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dimens\u00e3o pol\u00edtica de tal discuss\u00e3o se observa tamb\u00e9m quando da instala\u00e7\u00e3o de uma agencia do IAPI em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, para a qual compareceu novamente a filha de Vargas, a deputada federal Ivete Vargas, que ressalta, em seus discursos, a atua\u00e7\u00e3o de Miguel na prefeitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">(&#8230;) foi inaugurada (&#8230;) a agencia local do Instituto de Aposentadoria e Pens\u00f5es dos Industri\u00e1rios, (&#8230;) servir esta regi\u00e3o, trata-se de mais uma conquista do atual prefeito (&#8230;) com a presen\u00e7a do senhor Ministro do Trabalho e da deputada Ivete Vargas [29].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1958 o PTB j\u00e1 contava com seis deputados estaduais eleitos, sendo que tr\u00eas deles pertenciam ao que Ivete Vargas identificava como a \u201cala extrema nacionalista\u201d (Miguel Jorge, Rocha Filho e Luciano Lepera), que apoiavam na \u00e9poca a campanha presidencial pelo PTB,[30] cujo candidato Jo\u00e3o Goulart. Destes seis, Miguel foi o terceiro mais votado, com 7782 votos[31].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O Munic\u00edpio<\/em><\/strong><strong> como ve\u00edculo partid\u00e1rio do PTB. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornal <em>O Munic\u00edpio <\/em>contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica que transformou o PTB em partido hegem\u00f4nico na cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o, al\u00e9m de veicular o pensamento de seus propriet\u00e1rios. Ou seja, conforme diz a teoria, tal jornal foi, de fato e deve ser tomado como \u201cexpress\u00e3o de interesses sociais, buscando identificar esses interesses, os interlocutores a que se dirigem, o tratamento dispensado aos temas em pauta e a articula\u00e7\u00e3o entre eles.\u201d [32]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel desvendar o papel da imprensa no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais, na medida em que \u201cessa imprensa veicula id\u00e9ias, conceitos, propostas que s\u00e3o engendradas pela pr\u00e1xis social dos grupos cujos interesses defendem constituindo-se, ela pr\u00f3pria, numa dessas pr\u00e1ticas\u201d.[33] Nesse sentido, diz Khoury, \u201ca import\u00e2ncia da imprensa para a pesquisa hist\u00f3rica se amplia consideravelmente\u201d [34].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u201cpelo seu car\u00e1ter de formadora de opini\u00e3o, sendo a imprensa, porta-voz de interesses muito objetivos de classes sociais (&#8230;), ela procura formular para toda a sociedade uma determinada vis\u00e3o de mundo (&#8230;), no esfor\u00e7o de mobilizar a opini\u00e3o p\u00fablica em torno de seus diferentes projetos pol\u00edticos (&#8230;)\u201d [35].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, o jornal <em>O Munic\u00edpio<\/em>, \u201ccomo qualquer documento foi produzido em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas definidas\u201d[36] e segue uma historicidade que implica em trazer para uma conjuntura e problem\u00e1tica que se investiga, os desdobramentos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos, articulando a an\u00e1lise no campo das lutas sociais. Nesse caso o jornal de propriedade de Miguel Jorge Nicolau expressa a linguagem constitutiva do social, sua historia social no sentido mais amplo, por exemplo, dos movimentos pol\u00edticos e sociais, as conjunturas e processos econ\u00f4micos, e os movimentos culturais em torno dos quais a imprensa se articula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um jornal [37] publicado semanalmente, com uma periodicidade anual e em suas p\u00e1ginas se observa que era tamb\u00e9m um porta-voz dos trabalhadores e da sociedade civil. A coluna fixa era assinada por Wilson Gomes \u201cNotas a Margem\u201d que pertencia ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e expressava a opini\u00e3o do jornal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua tiragem n\u00e3o se restringia \u00e0 cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o, circulando pela regi\u00e3o, incluindo as cidades de: Agua\u00ed, \u00c1guas da Prata, Esp\u00edrito Santo do Pinhal e Santo Ant\u00f4nio do Jardim, da\u00ed sua fundamental import\u00e2ncia na consolida\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria pol\u00edtica desse descendente de \u00e1rabes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FONTES:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNOTAS A MARGEM\u201d. Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 22 de setembro de 1954, n \u00ba 3179, primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 INAUGURADA UMA AGENCIA DO IAPI. Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 7 de setembro de 1957, n \u00ba 3455, primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018P\u00cdLULAS POL\u00cdTICAS\u2019 Jornal \u201c<em>O Munic\u00edpio<\/em>\u201d<strong>, <\/strong>em<strong>. <\/strong>S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 15 de agosto de 1954, n\u00ba3145, p.3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMORREU GET\u00daLIO VARGAS\u201d. Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 29 de agosto de 1954, n\u00ba3144, primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFIA\u00c7\u00c3O E TECELAGEM S\u00c3O JO\u00c3O\u201d. Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 25 de dezembro de 1956, n \u00ba 3390 na se\u00e7\u00e3o 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMENSAGEM AO POVO DE S\u00c3O JO\u00c3O\u201d. Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 31 de dezembro de 1956, n \u00ba 3891 p.3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cESTEVE NO RIO TRATANDO DO GRAVE PROBLEMA DA ENERGIA EL\u00c9TRICA DESTA ZONA\u201d, Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 15 de agosto de 1956, n\u00ba 3355, primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NASSER &amp; NICOLAU, Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 31 de dezembro de 1956, n\u00ba 3891, p.3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ENTREVISTA com Matilde Miguel Jacob pela autora do presente projeto, em 12 de janeiro de 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BIBLIOGRAFIA:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENEVIDES, M. Victoria. <em>O PTB e o trabalhismo. Partido e Sindicato em S\u00e3o Paulo: 1945 \u2013 1964. <\/em>Editora Brasiliense, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENJAMIN, Walter. O Narrador<em>.<strong> <\/strong><\/em>In:<em> Obras escolhidas<\/em><strong>.<\/strong><em> <\/em>Vol. 1. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica. Ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENJAMIN, Walter. Sobre o Conceito da hist\u00f3ria<em>.<strong> <\/strong><\/em>In: <em>Obras escolhidas<\/em><strong>.<\/strong><em> <\/em>Vol. 1. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica. Ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CEATEAU, Michel de. <em>A Escrita da Hist\u00f3ria<\/em><strong>. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Forense Universit\u00e1ria, 2\u00ba edi\u00e7\u00e3o, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CRUZ, Heloisa; PEIXOTO, M. Ros\u00e1rio da C., <em>Na Oficina do Historiador: Conversas sobre Hist\u00f3ria e Imprensa, <\/em>em <em>Revista <\/em><em>Projeto <\/em><em>Hist\u00f3ria<\/em>, S\u00e3o Paulo, n\u00ba 35, pp. 255 \u2013 272. Dezembro 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">http:\/\/www.dhi.uem.br\/publicacoesdhi\/dialogos\/volume01\/vol6_mesa2.htm \u2013 P\u00e1gina da Universidade Estadual de Maring\u00e1 \u2013 Departamento de Hist\u00f3ria \u2013 Afinidades eletivas entre a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN) e as For\u00e7as Armadas Brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KOSSOY, Boris. <em>Realidades e Fic\u00e7\u00f5es na Trama Fotogr\u00e1fica<\/em><strong>.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEITE, Miriam Moreira. <em>Retratos de Fam\u00edlia<\/em>: Leitura da Fotografia Hist\u00f3rica.\u00a0 S\u00e3o Paulo, FAPESP, 1993. 192 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NICOLAU, Maria. <em>Anais Eletr\u00f4nicos do 1\u00ba Congresso Internacional de Hist\u00f3ria Regional Mercosul: integra\u00e7\u00e3o e desencontros<\/em>, em 28 a 30 de setembro de 2011, Passo Fundo, RS, pp. 1804 \u2013 1809.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORWIG, Chris. <em>Poesia Visual:<\/em> Um guia para inspira\u00e7\u00e3o e criatividade fotogr\u00e1fica.\u00a0 Los Angeles, Alta Books Editora, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RELAT\u00d3RIO, 09-12-53. <em>Aesp, setor Deops, n\u00ba 123.675.<\/em> fls. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRUZZI, Oswaldo. <em>S\u00edrios e Libaneses<\/em>. Narrativas de hist\u00f3ria e cultura.<strong> <\/strong>S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. S\u00e9rie Lazuli Imigrantes do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIEIRA, M.; PEIXOTO, Ros\u00e1rio; KULCSAR, Rosa; KHOURY, Yara A.; <em>A Imprensa como fonte para a pesquisa hist\u00f3rica<\/em>, <em>Revista Projeto Hist\u00f3ria<\/em>, n\u00ba 3, S\u00e3o Paulo, PUC-SP, 1984 (pp. 47 \u2013 54).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WILLIAMS, Raymond.<em> Cultura<\/em><strong>. <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o de L\u00f3lio Louren\u00e7o de Oliveira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* El presente trabajo ha sido presentado en el Congreso Internacional de la Asociaci\u00f3n de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe (ADHILAC Internacional) \u201cLa formaci\u00f3n de los Estados latinoamericanos y su papel en la historia del continente\u201d realizado del 10 al 12 de octubre de 2011 en el Hotel Granados, Asunci\u00f3n, Paraguay, organizado por Repensar en la historia del Paraguay, Instituto de Estudios Jos\u00e9 Gaspar de Francia, Asociaci\u00f3n de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe, Centro Cultural de la Cooperaci\u00f3n \u201cFloreal Gorini\u201d (Argentina). Entidad Itaip\u00fa Binacional. Mesa:\u00a0<em>Vida cotidiana, mentalidades, identidad y diversidad y su reflejo en los Estados latinoamericanos y caribe\u00f1os.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">** Graduada em Letras Ingl\u00eas, pela PUC-SP. Mestranda em Historia Social pela PUC-SP. Bolsista pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento Pessoal de N\u00edvel Superior \u2013 CAPES (Modalidade II). Este artigo faz parte da pesquisa de mestrado em desenvolvimento no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o PUC-SP, sob a orienta\u00e7\u00e3o da professora doutora Vera L\u00facia Vieira<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] CERTEAU, Michel. <em>A Escrita da Hist\u00f3ria<\/em>. S\u00e3o Paulo: Forense Universit\u00e1ria, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2008, p.71.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[2] TRUZZI, Oswaldo. <em>S\u00edrios e Libaneses<\/em><strong>. <\/strong>Narrativas de hist\u00f3ria e cultura.<strong> <\/strong>S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005, 43. S\u00e9rie Lazuli Imigrantes do Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[3] TRUZZI, 2005, p. 44.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[4] Borralho = \u00e9 um brasido coberto de cinzas que espalhava um calor insuport\u00e1vel do forno e ficava muito pr\u00f3ximo ao local onde a fam\u00edlia, por falta de op\u00e7\u00e3o, dormia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[5] TRUZZI, 2005, p. 45.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[6] TRUZZI, 2005, p.46.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[7] Entrevista com<em> Matilde Jorge Jacob<\/em> concedida \u00e0 autora desta pesquisa, em 12 de janeiro de 2002. A entrevistada tinha 85 anos, morava em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, era senhora da casa, trabalhava com culin\u00e1ria \u00e1rabe, fazendo quibes, esfihas, langhbargim, e outros pratos para com\u00e9rcio em uma \u2018Kiberia\u2019, que funciona no mesmo endere\u00e7o de sua resid\u00eancia, at\u00e9 hoje. Matilde era prima de Miguel, foi casada com Miguel Jacob Namen, teve quatro filhos: Nanhim, Nabih, Nege e Miguelzinho.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[8] ORWIG, Chris. <em>Poesia Visual<\/em>: Um guia para inspira\u00e7\u00e3o e criatividade fotogr\u00e1fica.\u00a0 Los Angeles: Alta Books Editora, 2010.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[9] KOSSOY, 2002, p. 7.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[10] KOSSOY, Boris. <em>Realidades e Fic\u00e7\u00f5es na Trama Fotogr\u00e1fica. <\/em>S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2002.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[11] BENJAMIN, Walter. Sobre o Conceito da hist\u00f3ria<em>.<strong> <\/strong><\/em>In<em>: Obras escolhidas<\/em><strong>.<\/strong><em> <\/em>Vol. 1. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica. Ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987, p. 226.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[12] KOSSOY, 2002, p. 10.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[13]BENJAMIN, Walter. O Narrador<em>.<strong> <\/strong><\/em>In: <em>Obras escolhidas<\/em><strong>.<\/strong><em> <\/em>Vol. 1. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica. Ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[14] KOSSOY, 2002, p. 10-11.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[15] Entrevista com Matilde Jorge Jacob concedida \u00e0 autora desta pesquisa, em 12 de janeiro de 2002.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[16] NICOLAU, Maria. Anais Eletr\u00f4nicos do 1\u00ba Congresso Internacional de Hist\u00f3ria Regional Mercosul: integra\u00e7\u00e3o e desencontros, em 28 a 30 de setembro de 2011, Passo Fundo, RS, pp. 1804 \u2013 1809.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[17] Ibidem.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[18] Ser\u00e1 extinto em 27 de outubro de 1965, com o fechamento dos partidos e das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil durante a ditadura militar.<\/p>\n<p>NOTA: somente esse item <em>O PTB em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista<\/em> foi publicado nos Anais referidos acima.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[19] http:\/\/www.dhi.uem.br\/publicacoesdhi\/dialogos\/volume01\/vol6_mesa2.htm \u2013 P\u00e1gina da Universidade Estadual de Maring\u00e1 \u2013 Departamento de Hist\u00f3ria \u2013 Afinidades eletivas entre a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN) e as For\u00e7as Armadas Brasileiras.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[20] NICOLAU, Maria, 2011, p. 1807.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[21] O \u2018Flamboyant\u2019 = flor que \u00e9 encontrada nas \u00e1rvores da pra\u00e7a e tamb\u00e9m em cidades praianas \u2013 pode sugerir as mais diversas divaga\u00e7\u00f5es sobre significados: com o extravagante, o espalhafatoso, como seria a sua tradu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua inglesa.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[22] NICOLAU, Maria, 2011, p. 1809.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[23] RELAT\u00d3RIO, 09-12-53. <em>Aesp, setor Deops, n\u00ba 123.675.<\/em> fls. 2.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[24] BENEVIDES, M. Victoria. <em>O PTB e o trabalhismo. Partido e Sindicato em S\u00e3o Paulo: 1945 \u2013 1964. <\/em>Editora Brasiliense, 1989, pp. 42 -43.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[25] Idem, p. 42.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[26] Ibidem, p. 54.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[27] Jornal \u201c<em>O Munic\u00edpio<\/em>\u201d<strong>, <\/strong>em \u2018<em>P\u00edlulas Pol\u00edticas<\/em>\u2019<strong>. <\/strong>S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 15 de agosto de 1954, n\u00ba3145, p.3.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[28] Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em <em>\u201cNotas a Margem\u201d<\/em>. S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 22 de setembro de 1954, n \u00ba 3179, primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[29] Jornal <em>\u201cO Munic\u00edpio\u201d<\/em>, em <em>\u00c9 inaugurada uma agencia do IAPI.<\/em> S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, 7 de setembro de 1957, n \u00ba 3455, primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[30] BE NEVIDES, M. Victoria, p. 67.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[31] Ibidem, p. 78.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[32] VIEIRA, M.; PEIXOTO, Ros\u00e1rio; KULCSAR, Rosa; KHOURY, Yara A.; <em>A Imprensa como fonte para a pesquisa hist\u00f3rica<\/em>, <em>Revista Projeto Hist\u00f3ria<\/em>, n\u00ba 3, S\u00e3o Paulo, PUC-SP, 1984 (pp. 47 \u2013 54).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[33] Ibidem, p. 48.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[34] Ibidem, p. 48 \u2013 49.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[35] Idem.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[36] Idem, p. 49.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[37] A an\u00e1lise a seguir segue a linha de roteiro de an\u00e1lise do artigo publicado por CRUZ, Heloisa; PEIXOTO, M. Ros\u00e1rio da C., <em>Na Oficina do Historiador: Conversas sobre Hist\u00f3ria e Imprensa, <\/em>em Revista Hist\u00f3ria, S\u00e3o Paulo, n\u00ba 35, pp. 255 \u2013 272. Dezembro 2007.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ariadna Tucma Revista Latinoamericana. N\u00ba \u00a07. Marzo 2012-Febrero 2013 \u2013 Volumen III<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><br \/>\n<strong>Publicado por \u00a9www.ariadnatucma.com.ar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contacto: info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo de caso no interior de S\u00e3o Paulo, Brasil* Maria Nicolau** Na cidade do interior de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, S\u00e3o Paulo, pretendo pontuar a atmosfera da hist\u00f3ria, essa que Chartier nos diz: \u201cque \u00e9 a poeira das percep\u00e7\u00f5es\u201d. [1] &nbsp; O protagonista dessa hist\u00f3ria \u00e9 o senhor Miguel Jorge Nicolau, que trilhou &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=3308\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abMobilidade social e repress\u00e3o: um imigrante \u00e1rabe na pol\u00edtica regional\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":78,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,3],"tags":[42,294,295],"class_list":["post-3308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencias-sociales","category-historia","tag-brasil","tag-inmigracion","tag-libano","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/78"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3308"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3410,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions\/3410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}