{"id":2986,"date":"2012-06-11T14:53:51","date_gmt":"2012-06-11T17:53:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=2986"},"modified":"2012-08-11T08:15:10","modified_gmt":"2012-08-11T11:15:10","slug":"imperialismo-e-anticomunismo-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=2986","title":{"rendered":"Imperialismo e Anticomunismo na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h3>A Primeira Fase da Guerra Fria no Brasil*<\/h3>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Lilian Marta Grisolio Mendes**<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Krushev-Castro-03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2996\" title=\"Krushev Castro 03\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Krushev-Castro-03.jpg\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Krushev-Castro-03.jpg 701w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Krushev-Castro-03-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><em>El\u00a0l\u00edder\u00a0cubano Fidel Castro y el\u00a0sovi\u00e9tico\u00a0Nikita Jrushov. Su acercamiento fue uno de los puntos m\u00e1s\u00a0\u00e1lgidos de la Guerra Fr\u00eda durante la crisis de los misiles. (N.E.)\\<br \/>\n<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o per\u00edodo de paz come\u00e7ara sob a o signo do medo. A partir da\u00ed, e durante muito tempo, prevaleceu o imagin\u00e1rio de perversos comunistas \u00e0 espreita, espi\u00f5es perigosos infiltrados e a amea\u00e7a constante da Terceira Guerra Mundial. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado imediato do que havia ocorrido no desenrolar da guerra. Os Aliados representavam ao mesmo tempo as for\u00e7as do capitalismo do Ocidente, defendido tanto pelos Estados Unidos como pela Inglaterra, e o socialismo sovi\u00e9tico, caracterizado pelo stalinismo. Finda a guerra em 1945 inicia-se a passos largos o confronto entre inimigos outrora aliados. A uni\u00e3o que aparentemente era harm\u00f4nica, e visivelmente contradit\u00f3ria, apesar do combate ao mesmo inimigo, desapareceu rapidamente a partir das novas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, desde 1945, com o fim oficial da guerra, as transforma\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio pol\u00edtico eram evidentes. O ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica Get\u00falio Vargas, apesar de colaborar com os Aliados, desagradava cada vez mais Washington por suas atitudes consideradas nacionalistas. At\u00e9 ent\u00e3o, Vargas teve apoio estadunidense sem restri\u00e7\u00f5es, por\u00e9m neste novo contexto Washington entendia que era mais adequado se distanciar do Brasil, isto \u00e9, n\u00e3o estabelecer uma atitude ativa de colabora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que o governo se adequasse aos novos tempos. De fato, \u00e9 com certa agilidade, em 29 de outubro de 1945, que este processo se iniciava. Era dado um golpe que destitu\u00eda Vargas do cargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Getulio-Vargas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3002 alignleft\" title=\"Getulio Vargas\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Getulio-Vargas.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Getulio-Vargas.jpg 258w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Getulio-Vargas-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>El presidente brasile\u00f1o Getulio Vargas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada redemocratiza\u00e7\u00e3o, apesar das in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es, foi percebida exclusivamente atrav\u00e9s da campanha para as elei\u00e7\u00f5es de 1945. Surgem novos partidos: o PSD (Partido Social Democr\u00e1tico) com muitos elementos do antigo governo; o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) ligado as organiza\u00e7\u00f5es sindicais e trabalhadores urbanos; a UDN (Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional) formada basicamente por opositores do Vargas [1] e o PCB (Partido Comunista Brasileiro) que voltava da ilegalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os principais candidatos foram dois militares o General Eurico Gaspar Dutra, pelo PSD e Brigadeiro Eduardo Gomes pela UDN. Na campanha, Dutra assumia uma postura moderada de continuidade do governo Vargas em oposi\u00e7\u00e3o aos comunistas. O pr\u00f3prio Vargas em nega\u00e7\u00e3o a candidatura de Eduardo Gomes, seu opositor direto, pede ao PTB o voto no general.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o acordo entre PSD e PTB para alavancar a campanha de Dutra, ocorreu em dois de dezembro de 1945, as elei\u00e7\u00f5es \u00e0 presid\u00eancia que o elegeu com mais de 54% dos votos, contra 33% do candidato da UDN. Em terceiro lugar, sem campanha e candidato desconhecido ficou o candidato dos comunistas. O engenheiro Yedo Fiuza. Em 31 de janeiro de 1946, Dutra assume a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Representando mudan\u00e7a sem altera\u00e7\u00e3o da ordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Eurico-Gaspar-Dutra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3003 alignleft\" title=\"Eurico Gaspar Dutra\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Eurico-Gaspar-Dutra.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Eurico-Gaspar-Dutra.jpg 1855w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Eurico-Gaspar-Dutra-300x242.jpg 300w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Eurico-Gaspar-Dutra-1024x828.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dutra fue presidente de Brasil tras derrocar a Vargas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma elei\u00e7\u00e3o, 320 parlamentares foram eleitos: 177 do PSD, 87 da UDN, 24 do PTB e 15 do PCB. \u00c9 com esse cen\u00e1rio pol\u00edtico que o PSD se aproxima da UDN oferecendo dois minist\u00e9rios j\u00e1 evidenciando o avan\u00e7o conservador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ava ali um governo conservador, com fei\u00e7\u00f5es liberais, mergulhado em contradi\u00e7\u00f5es e falsas expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao apoio que os Estados Unidos daria ao Brasil. \u00a0\u00a0No in\u00edcio do governo Dutra, em 1946, o grande problema econ\u00f4mico das autoridades era com a infla\u00e7\u00e3o. A princ\u00edpio existia uma cren\u00e7a generalizada na ajuda financeira direta dos Estados Unidos, que com o tempo come\u00e7ou a se transformar em decep\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o. De qualquer modo, o debate no pa\u00eds se pautava na indaga\u00e7\u00e3o de quais os rumos da pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira no p\u00f3s-guerra. Essencialmente havia duas vertentes que disputavam o controle das orienta\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos projetos era defendido pelo industrial paulista Roberto Simonsen, a <em>grosso modo,<\/em> propugnava a colabora\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o do Estado para al\u00e7ar o capitalismo brasileiro e alcan\u00e7ar a industrializa\u00e7\u00e3o. Assim, a solu\u00e7\u00e3o estava menos no capital privado atuando livremente, e mais no capital p\u00fablico direcionado pelo Estado. Simonsen liderava o grupo que sugeria a cria\u00e7\u00e3o de um <em>Plano Marshall para a Am\u00e9rica Latina.<\/em> Com a vinda do General Marshall ao Brasil, em 1947, o pedido para tal programa foi respondido com a afirma\u00e7\u00e3o de que o desenvolvimento da regi\u00e3o se daria, diferentemente do europeu, com a colabora\u00e7\u00e3o entre os grupos privados e os cidad\u00e3os, ou seja, era preciso buscar o capital privado (FAUSTO, 2007, p. 85).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro projeto defendido por Eugenio Gudin, membro do Conselho T\u00e9cnico de Economia e Finan\u00e7as, em linhas gerais defendia uma economia liderada pela iniciativa privada que favorecesse a entrada de capital estrangeiro. Era opositor da prote\u00e7\u00e3o e de qualquer interven\u00e7\u00e3o estatal, ou seja, menos regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado. Conforme Rosemary Thorp, University Reader em Economia da Am\u00e9rica Latina, <em>\u201cGudin liderava uma s\u00f3lida fac\u00e7\u00e3o neoliberal, que embora n\u00e3o se opusesse a industrializa\u00e7\u00e3o per se, era contr\u00e1ria firmemente \u00e0 prote\u00e7\u00e3o\u201d. <\/em>(THORP, 2005, p. 99)<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme o economista Pedro Paulo Zahluth Bastos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>\u201c<\/em><em>A lideran\u00e7a de Simonsen e Gudin em meio a seus pares, a import\u00e2ncia dos temas tratados e a clareza de seus argumentos ajudariam a consolidar duas das matrizes ideol\u00f3gicas amplas que orientariam controv\u00e9rsias na economia pol\u00edtica do p\u00f3s-guerra, sem constituir projetos acabados, mas em permanente reelabora\u00e7\u00e3o dentro de um quadro geral j\u00e1 antecipado naquela controv\u00e9rsia: <span style=\"text-decoration: underline;\">desenvolvimentistas vs. liberais, ou industrialistas vs. monetaristas<\/span>\u201d.<\/em> (BASTOS, 2004, p.106, grifo nosso)<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, o governo Dutra depositou todas as suas cartas numa nova pol\u00edtica econ\u00f4mica por parte dos EUA, de fato, inexistente. O tamanho da esperan\u00e7a desse conv\u00eanio como \u201caliado especial\u201d que resultaria em auxilio econ\u00f4mico, foi do mesmo tamanho da desilus\u00e3o quando da percep\u00e7\u00e3o que o capital estrangeiro n\u00e3o chegaria como imaginado. Disto resultou que <em>\u201cas pol\u00edticas acabaram por consolidar-se em torno de uma mistura infeliz das duas posi\u00e7\u00f5es\u201d <\/em>(BASTOS, 2004, p.106), essencialmente por que a postura pol\u00edtica pensada para este momento n\u00e3o condizia com a realidade do novo mundo capitalista. O mundo p\u00f3s-guerra era perturbador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse per\u00edodo entraria para hist\u00f3ria pelas reviravoltas econ\u00f4micas, poucas atitudes pr\u00e1ticas de resolu\u00e7\u00e3o dos problemas financeiros internos e nenhuma concretiza\u00e7\u00e3o das esperan\u00e7as de apoio estadunidense. Nas palavras de Gerson Moura um <em>\u201calinhamento sem recompensa\u201d<\/em> (THORP, 2005, p. 126).<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que a cren\u00e7a de que a solu\u00e7\u00e3o dos problemas brasileiros estava na ajuda estadunidense gerou uma expectativa que se apresentava em forma de alinhamento ideol\u00f3gico e pol\u00edtico. O governo Dutra entendia que o alinhamento pol\u00edtico provaria o comprometimento do Brasil e isso traria os investimentos desejados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Combater o comunismo, repreender as exig\u00eancias dos movimentos oper\u00e1rios e insistir na nova configura\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do pa\u00eds seriam atrativos perfeitos para os amigos estadunidenses. Evidentemente que esses elementos se aliam ao medo que a tradicional classe dominante brasileira tinha da crescente organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, das greves e das reivindica\u00e7\u00f5es. Vale destacar dois pontos sobre essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, ressaltar que por mais que houvesse essa interpreta\u00e7\u00e3o do alinhamento em troca de investimento, esse interesse nunca existiu verdadeiramente por parte dos Estados Unidos que desde o fim da guerra se preocupou menos com a Am\u00e9rica Latina, e muito mais com os ganhos poss\u00edveis na reconstru\u00e7\u00e3o da Europa e com o imprescind\u00edvel combate ao poder sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, \u00e9 v\u00e1lido lembrar que analisar esse per\u00edodo passa, necessariamente, pela compreens\u00e3o do significado do anticomunismo na cultura pol\u00edtica brasileira. O anticomunismo brasileiro foi marcado pelas influ\u00eancias estrangeiras, com destaque evidente para os Estados Unidos, entretanto, existiram situa\u00e7\u00f5es singulares no Brasil que contribu\u00edram para a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio pr\u00f3prio \u00e0 din\u00e2mica da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/JFK-Kubitschek-Brasil-1962.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2999\" title=\"JFK Kubitschek Brasil 1962\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/JFK-Kubitschek-Brasil-1962.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/JFK-Kubitschek-Brasil-1962.jpg 570w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/JFK-Kubitschek-Brasil-1962-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>La Guerra Fr\u00eda dur\u00f3 varias\u00a0d\u00e9cadas.\u00a0Aqu\u00ed\u00a0el<\/em><em> presidente brasile\u00f1o Kubitschek y el presidente estadounidense Kennedy durante la\u00a0implementaci\u00f3n\u00a0de la Alianza para el Progreso. 1962. (N.E)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, o anticomunismo \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o imediata ao advento do bolchevismo. Os pa\u00edses capitalistas dedicaram todos os esfor\u00e7os no combate efetivo contra os comunistas, e no Brasil, pa\u00eds tradicionalmente consumidor de produtos e valores estrangeiros, n\u00e3o foi diferente. Em nosso pa\u00eds a divulga\u00e7\u00e3o negativa do comunismo come\u00e7ou pela imprensa que acompanhava a opini\u00e3o dos jornais europeus, e mais diretamente, dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos apontar dois momentos distintos dessas influ\u00eancias no Brasil. Nas d\u00e9cadas de 20 e 30 havia uma forte inspira\u00e7\u00e3o do anticomunismo europeu, fundamentalmente o franc\u00eas. Com as mudan\u00e7as ap\u00f3s a Segunda Guerra e a bipolariza\u00e7\u00e3o mundial, a influ\u00eancia estadunidense se faz notar pela utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala de autores considerados verdadeiros manuais do anticomunismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o <em>\u201canticomunismo tornou-se uma tradi\u00e7\u00e3o, em outras palavras, configurou-se como fen\u00f4meno estrutural\u201d<\/em> (MOTTA, 2002, p. 279). Nessa perspectiva, vale ressaltar o estudo de Leandro Konder sobre as distor\u00e7\u00f5es da teoria marxista no in\u00edcio do s\u00e9culo no Brasil:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\">\u201c<em>No come\u00e7o dos anos 30, a \u2018recep\u00e7\u00e3o\u2019 das id\u00e9ias de Marx no Brasil se realizava em condi\u00e7\u00f5es marcadas por uma conjun\u00e7\u00e3o de diversos fatores extremamente adversos, desfavor\u00e1veis \u00e0 compreens\u00e3o dos aspectos mais dial\u00e9ticos do pensamento da filosofia alem\u00e3\u201d. <\/em>(KONDER, 2009, p. 19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, h\u00e1 muito o anticomunismo mobilizava as pol\u00edticas p\u00fablicas, institui\u00e7\u00f5es religiosas e a imprensa num combate ardente. Portanto, a sociedade brasileira a muito j\u00e1 havia aprendido a odiar e temer os comunistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Dutra foi o receptor imediato das novas concep\u00e7\u00f5es e influ\u00eancia que as For\u00e7as Armadas, por ocasi\u00e3o da Segunda Guerra Mundial, receberam do contato com a Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional estadunidense. Depois da participa\u00e7\u00e3o na guerra ocorreu um estreitamento dos la\u00e7os entres os militares brasileiros e o ex\u00e9rcito dos Estados Unidos gerando uma alian\u00e7a n\u00e3o apenas t\u00e9cnica de forma\u00e7\u00e3o e m\u00e9todos, como tamb\u00e9m ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse contexto que ocorre uma reorganiza\u00e7\u00e3o militar no Brasil em conson\u00e2ncia com o modelo estadunidense. <em>\u201cCriou-se um Estado-Maior das For\u00e7as Armadas, reorganizou-se o Minist\u00e9rio Guerra e criou-se a Escola Superior de Guerra \u2013 tudo dentro dos padr\u00f5es norte-americanos\u201d<\/em> (MOURA, 1991, p. 67). Evidentemente que o novo governo do general Dutra n\u00e3o s\u00f3 fortaleceu o papel dos militares, como igualmente, a rela\u00e7\u00e3o entre os ex\u00e9rcitos dos dois pa\u00edses. (SODR\u00c9, 2010)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Identificamos que todo esse contexto pol\u00edtico interno somado aos eventos internacionais, unido ainda, a tradicional postura anticomunista sempre existente no Brasil, intensificaram n\u00e3o apenas o discurso de ataques aos comunistas como a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas efetivas para o desaparecimento destes do cen\u00e1rio nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1947 o Brasil viveu uma sucess\u00e3o de eventos que de maneira direta ou indireta culminou na consolida\u00e7\u00e3o de um tipo de discurso anticomunista que construir\u00e1 as bases de justificativa da maior ruptura democr\u00e1tica do s\u00e9culo XX, o golpe militar de 1964. O ajustamento do governo brasileiro aos interesses da maior pot\u00eancia mundial, que deliberadamente buscou o controle e a hegemonia no p\u00f3s-guerra, n\u00e3o gerou os dividendos desejados, mas provocou o surgimento de uma na\u00e7\u00e3o que aprendeu a amar o <em>American way of life.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande primeira inser\u00e7\u00e3o de peso do Brasil em 1947 foi a elei\u00e7\u00e3o de Osvaldo Aranha como Presidente do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU em fevereiro de 1947. Aranha reconhecidamente um pol\u00edtico, nas palavras de Moura, <em>\u201ccampe\u00e3o da causa americana\u201d <\/em>(MOURA, 1991, p. 62), enquanto chefiou o Itamaraty, de 1938 a 1944 teve melhor percep\u00e7\u00e3o dos interesses estadunidenses. Assim, apesar de seu alinhamento era bem realista sobre os reais interesses atr\u00e1s das disputas internacionais. O famoso jornalista norte-americano Drew Pearson, escreveu uma coluna especial sobre o brasileiro Osvaldo Aranha tecendo os mais elogiosos adjetivos[2]. Essa coluna foi publicada tamb\u00e9m no Brasil pela prestigiada revista de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro, em 03 de janeiro de 1948, e salientava:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>\u201c\u00c9 prov\u00e1vel que a m\u00e9dia dos leitores de jornais n\u00e3o pense no ex-Ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil como \u2018americano\u2019, j\u00e1 que temos o mau h\u00e1bito de julgar que s\u00f3 os norte-americanos s\u00e3o americanos. Mas n\u00e3o s\u00f3 Aranha \u00e9 um grande americano \u2013 seja do norte ou do sul \u2013 como tamb\u00e9m \u00e9 um dos maiores amigos dos Estados unidos. (&#8230;) A ONU, \u00e0s vezes titubeante, saiu de todas as provas sempre mais forte e s\u00f3lida gra\u00e7as ao fato de ter como timoneiro o h\u00e1bil Aranha\u201d<\/em> (O Cruzeiro, 03. 01. 1948)<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, Aranha protagonizou duas situa\u00e7\u00f5es que evidenciavam as contradi\u00e7\u00f5es de nossa pol\u00edtica externa \u00e0 \u00e9poca. Essa contradi\u00e7\u00e3o pode ser explicada pelas discord\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento do Brasil entre o conservador Raul Fernandes, chefe do Itamaraty e a delega\u00e7\u00e3o do Brasil na ONU.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que Oswaldo Aranha ser\u00e1 reeleito para a II Assembleia Geral, em setembro de 47, sem o voto da delega\u00e7\u00e3o brasileira. A segunda situa\u00e7\u00e3o foi a substitui\u00e7\u00e3o da Pol\u00f4nia no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Os Estados Unidos que apoiava a Ucr\u00e2nia mudou seu voto para a \u00cdndia. Oswaldo Aranha manteve seu voto na Ucr\u00e2nia alegando n\u00e3o saber da mudan\u00e7a dos EUA. Essa ocorr\u00eancia gerou indigna\u00e7\u00e3o em Raul Fernandez que defendia a ideia de que dever\u00edamos votar sempre com os Estados Unidos e absolutamente contra o bloco sovi\u00e9tico, sem exce\u00e7\u00f5es. Foi acusado por Raul de \u201cruss\u00f3filo\u201d e de violar as tradi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do Brasil (BANDEIRA, 2007). Conforme citado por Muniz Bandeira, Aranha alegou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cnunca demos um voto aos russos que n\u00e3o houvesse sido pedido pelos americanos e com eles combinado \u2013 justificou Aranha. E aduziu: Tornarmos (&#8230;) <span style=\"text-decoration: underline;\">mais realistas que o rei<\/span> seria uma impertin\u00eancia\u201d (BANDEIRA, 2007, p. 433).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como veremos o conservadorismo do Dutra se apresentava para al\u00e9m das expectativas estadunidenses, e em diversos momentos, parafraseando Oswaldo Aranha, foi <em>mais realista que o rei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O festejado diplomata, em consequ\u00eancia dessa situa\u00e7\u00e3o atribulada, n\u00e3o participar\u00e1 do importante encontro que se realizou no Rio de Janeiro entre agosto e setembro de 1947, A <em>Confer\u00eancia Interamericana para a Manuten\u00e7\u00e3o da Paz e da Seguran\u00e7a<\/em> que procurou resolu\u00e7\u00f5es a quest\u00f5es sobre a defesa do continente. Foi neste encontro que se assinou o <em>TIAR \u2013 Tratado de Assist\u00eancia Rec\u00edproca do Rio de Janeiro<\/em> que regulamentava o chamado exerc\u00edcio da leg\u00edtima defesa individual ou coletivo, conforme documento em que os pa\u00edses \u201c<em>concordam em que um ataque armado, por parte de qualquer Estado, contra um Estado Americano, ser\u00e1 considerado como um ataque contra todos\u201d.<strong>[3]<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em>Este acordo \u00e9 aqui apreendido como selamento da ades\u00e3o oficial, apesar das in\u00fameras demonstra\u00e7\u00f5es de alinhamento e subservi\u00eancia, a Guerra Fria. Para os Estados Unidos que neste momento tem suas aten\u00e7\u00f5es voltadas para a Europa e poss\u00edvel expansionismo russo, o <em>TIAR<\/em> representava uma pol\u00edtica de cuidado para n\u00e3o perder o tradicional apoio latino americano. De fato, para os estadunidense n\u00e3o era significativo o interesse pol\u00edtico e econ\u00f4mico em rela\u00e7\u00e3o a Am\u00e9rica Latina. Por\u00e9m perder o apoio, ou at\u00e9 mesmo, diminuir sua influ\u00eancia n\u00e3o seria adequado. O momento era de demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe aqui ressaltar que 35 anos mais tarde o TIAR se mostrou uma fal\u00e1cia do ponto de vista da uni\u00e3o dos povos americanos em caso de agress\u00e3o no epis\u00f3dio das Ilhas Malvinas. No confronto entre Argentina e Inglaterra, a falta de apoio dos Estados Unidos a favor da causa Argentina, comprovou que o <em>TIAR<\/em> era uma consolida\u00e7\u00e3o do poder de influ\u00eancia estadunidense durante a crescente bipolariza\u00e7\u00e3o do mundo[4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a sess\u00e3o de encerramento o Presidente Truman chegou ao Brasil em setembro de 1947 recebido com honras e festejado pela imprensa. Talvez a boa recep\u00e7\u00e3o de Truman tenha come\u00e7ado a ser articulada muito antes disso. Mais exatamente no come\u00e7o do ano, quando em maio de 1947, depois de muitas articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas o PCB foi colocado novamente na ilegalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PCB, como j\u00e1 nos referimos alhures, sempre sofreu persegui\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o. A Igreja Cat\u00f3lica proclamava no Manifesto do Episcopado Brasileiro sobre a A\u00e7\u00e3o Social: <em>\u201cA luta de classes \u00e9 abomin\u00e1vel aos olhos de Deus porque divide os homens sob o signo do \u00f3dio, da viol\u00eancia e da morte\u201d<\/em> (FAUSTO, 2007, p. 425). Na mem\u00f3ria ainda recente o Levante de 1935 figurava como o melhor exemplo das inten\u00e7\u00f5es mal\u00e9ficas dos comunistas. Como veremos a estrat\u00e9gia de atacar o Levante de 35 foi bem eficaz, pois posteriormente &#8211; em 1947 &#8211; serviu de argumento para a cassa\u00e7\u00e3o do Partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PCB conseguiu burlar por algum tempo os \u00e2nimos exaltados. Sendo que nas palavras do ainda Ministro de Get\u00falio Vargas, General Dutra, em abril de 1945, teriam seus direitos garantidos desde que se mantivessem dentro dos preceitos pol\u00edticos instaurados, alinhados a democracia, obedientes as autoridades e principalmente que abrissem m\u00e3o dos processos revolucion\u00e1rios (REZENDE, 2006, p. 57).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, em 23 de maio de 1945, o PCB era legalizado e deveria andar nos trilhos. E andou. Abrandou o discurso num momento de crise intensa na pol\u00edtica brasileira, numa clara estrat\u00e9gia de autopreserva\u00e7\u00e3o. E alinhado com as orienta\u00e7\u00f5es do Partido Internacional, controlado pelos stalinistas, aderiu aos princ\u00edpios de que o partido deve dirigir e n\u00e3o ser dirigido pelas massas. Assim, com prud\u00eancia, apoiando a \u201cdemocracia\u201d conseguiu permanecer no cen\u00e1rio pol\u00edtico mesmo ap\u00f3s o golpe contra Vargas e participar das elei\u00e7\u00f5es de dezembro de 45.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para angariar fundos para a campanha realizou-se em S\u00e3o Paulo um jogo amistoso entre Corinthians e Palmeiras com renda destinada ao MUT (Movimento Unificador dos Trabalhadores). O MUT foi criado em abril de 45 pelo PCB como uma organiza\u00e7\u00e3o intersindical para todo o Brasil. \u201c<em>Seus dirigentes eram membros do PCB, e era comum o MUT realizar arrecada\u00e7\u00e3o de fundos em eventos do partido\u201d,<strong>[5]<\/strong> <\/em>afirma Aldo Rabelo que escreveu a obra Palmeiras versus Corinthians \u2013 1945: O Jogo Vermelho. O jogo aconteceu no Pacaembu, em 13 de outubro de 1945, arrecadou CR$ 114.464,00 e terminou com o placar de 3 a 1 para o Palmeiras. Nesta elei\u00e7\u00e3o Lu\u00eds Carlos Prestes foi eleito senador e mais 14 deputados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1946, o PCB possu\u00eda oito jornais di\u00e1rios, duas editoras e seu principal jornal em circula\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro vendia cerca de 30 mil exemplares, um fen\u00f4meno para a \u00e9poca. Possu\u00eda cerca de 200 mil filiados. Com o tempo aumentou a aproxima\u00e7\u00e3o com os movimentos dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que o cen\u00e1rio internacional come\u00e7ou a mudar.\u00a0 Internamente come\u00e7am a eclodir greves e o PCB passou apoia-las o que deu in\u00edcio a grandes desentendimentos na Assembleia Constituinte. O inicio da repress\u00e3o foi marcado pelo fechamento de sedes do partido. Em resposta, o Partido organizou uma festa em comemora\u00e7\u00e3o a um ano de legalidade ocorrida no Rio de janeiro em maio de 1946. No mesmo ano come\u00e7aram a ser exonerados funcion\u00e1rios do governo e do ex\u00e9rcito que tivessem qualquer liga\u00e7\u00e3o com o Partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril de 1947, foi aberta a sess\u00e3o no Tribunal Superior Eleitoral que deliberou por tr\u00eas votos contra dois a cassa\u00e7\u00e3o do PCB. Em 10 de maio de 1947, foi formalizada a obrigatoriedade da extin\u00e7\u00e3o das atividades do Partido Comunista no Brasil. Logo surgiu a press\u00e3o para uma posi\u00e7\u00e3o clara do governo sobre a quest\u00e3o dos mandatos dos pol\u00edticos comunistas. Em junho do mesmo ano, o PSD pediu para que o TSE se pronunciasse em rela\u00e7\u00e3o aos mandatos. O objetivo era cassar os representantes eleitos no \u00faltimo pleito. No entanto, o TSE entendeu que n\u00e3o havia nada na Constitui\u00e7\u00e3o que desse poder a entidade para tomar tal decis\u00e3o criando um embate que se arrastaria por meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrementes, outra batalha se formava agora nas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do Brasil com a URSS. Com rela\u00e7\u00f5es rompidas desde 1917, o Brasil se v\u00ea obrigado a restabelecer o di\u00e1logo em vista do seu interesse de estar nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a Segunda Guerra ao lado dos Aliados. Assim, ap\u00f3s 28 anos da revolu\u00e7\u00e3o bolchevique o Brasil passava a reconhecer a URSS. Para os Estados Unidos era importante a presen\u00e7a de mais um aliado fiel nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o e por isso intermediam a retomada das rela\u00e7\u00f5es. Mario Pimentel Brand\u00e3o, pol\u00edtico conservador do Estado Novo, foi enviado a Moscou em junho de 46 e ficou conhecido pelas suas reclama\u00e7\u00f5es sobre Moscou que considerava um lugar imundo e atrasado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nenhum momento, desde o reestabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, houve qualquer demonstra\u00e7\u00e3o de vontade pol\u00edtica real que possamos encontrar nos documentos. O Brasil n\u00e3o chegou a ter sede pr\u00f3pria e nem mesmo um int\u00e9rprete da l\u00edngua russa.\u00a0 No Brasil, igualmente o embaixador sovi\u00e9tico, Jacob Suritz, reclamava da falta de aten\u00e7\u00e3o dispensada a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MAPA-OTAN-03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2989\" title=\"MAPA OTAN 03\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MAPA-OTAN-03.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MAPA-OTAN-03.jpg 709w, https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/MAPA-OTAN-03-300x148.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o restrita e eivada de preconceitos em rela\u00e7\u00e3o aos russos fez com que o Brasil n\u00e3o conseguisse nem vislumbrar possibilidades de ganhos, nem diplom\u00e1ticos e nem t\u00e3o pouco comerciais. De fato, a retomada das rela\u00e7\u00f5es em 1945 entre Brasil e URSS pode ser entendida no m\u00e1ximo como uma acaso das circunst\u00e2ncias, mais especificamente os interesses que uniam o Brasil aos Estados Unidos ap\u00f3s a guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que em nenhum momento o governo e os respons\u00e1veis pela pol\u00edtica externa brasileira estiveram imbu\u00eddos de tal tarefa, muito pelo contr\u00e1rio, a vis\u00e3o de que os comunistas eram seres ardilosos e violentos, prontos para dar o bote, como no Levante de 35, nunca desapareceu. Depois de in\u00fameros epis\u00f3dios de acusa\u00e7\u00f5es, embates e den\u00fancias, ocorreu a piora das rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses, impulsionada ainda mais com a cassa\u00e7\u00e3o do Partido Comunista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imprensa russa come\u00e7a uma ofensiva contra o governo brasileiro. Em 10 de outubro de 1947, o embaixador brasileiro encaminha ao governo sovi\u00e9tico uma exig\u00eancia de retrata\u00e7\u00e3o. A resposta negativa gerou a confort\u00e1vel condi\u00e7\u00e3o de rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas em 21 de outubro de 1947. Assim, ap\u00f3s 16 meses da reestabelecimento desconfort\u00e1vel das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a URSS o Brasil retomava a sua tradicional condi\u00e7\u00e3o anticomunista.\u00a0 A grande ironia deste epis\u00f3dio foi o fato de que os Estados Unidos foram contr\u00e1rios a esse rompimento, alegando que ataques ao presidente estadunidense por parte da imprensa eram absolutamente normais e jamais considerados motivos suficientes para desencadear problemas diplom\u00e1ticos. Assim, em 1947, ano em que a Guerra Fria estava sendo constru\u00edda, o Brasil se antecipou aos demais pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse \u00ednterim, as a\u00e7\u00f5es para a cassa\u00e7\u00e3o dos parlamentares comunistas era ferrenha. Depois de longa batalha que durou meses, em 7 de janeiro de 1948, por 169 votos a favor e 74 contra, formalizava-se a cassa\u00e7\u00e3o dos mandatos dos representantes eleitos do Poder Legislativo. Ap\u00f3s a resolu\u00e7\u00e3o da extin\u00e7\u00e3o dos mandatos, no \u00faltimo dia de sess\u00e3o, Greg\u00f3rio Bezerra, j\u00e1 cassado, pronunciou seu \u00faltimo discurso onde acusava o governo Dutra de incompet\u00eancia por achar que o problema do Brasil seria resolvido combatendo comunistas. Destarte, a pol\u00edtica do governo Dutra foi marcada pelo conservadorismo extremado. Suas a\u00e7\u00f5es foram pautadas pela necessidade de afastar o perigo vermelho. Essa amea\u00e7a russa foi a justificativa que balizou a cassa\u00e7\u00e3o do PCB, dos seus representantes e o rompimento com a URSS. \u00c9 v\u00e1lido dizer que o governo Dutra colocou o discurso anticomunista j\u00e1 existente no Brasil em conson\u00e2ncia com o modelo estadunidense daquela nova fase, a Guerra Fria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concordamos com a constata\u00e7\u00e3o de Motta que <em>\u201c<\/em><em>O anticomunismo n\u00e3o precisava ser importado dos Estados Unidos, ele j\u00e1 existia previamente e possu\u00eda aderentes inflamados\u201d <\/em>(MOTTA, 2007, p. 236). O que acrescentamos nessa assertiva, \u00e9 que a partir de 1947, ocorreu uma reinven\u00e7\u00e3o do anticomunismo brasileiro que tomou fei\u00e7\u00f5es mais americanizadas, sem, no entanto perder suas caracter\u00edsticas. Entra em conformidade com uma esp\u00e9cie de modelo ideol\u00f3gico que perduraria por toda Guerra Fria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comunistas que articulam tomar os meios de comunica\u00e7\u00e3o para dominar o cidad\u00e3o comum criam mecanismo de infiltra\u00e7\u00e3o nos lares, comunistas ateus infi\u00e9is, sem valores crist\u00e3os, portanto perversos e cru\u00e9is, comunistas sedutores que usam de artimanhas para penetrar na consci\u00eancia dos cidad\u00e3os. Tudo isso parece um discurso exacerbado e fantasioso. Concedia aos comunistas poderes especiais como de um <em>super-her\u00f3i do mal<\/em>, \u00e9 claro. Em contrapartida, a acusa\u00e7\u00e3o de que existiu uma orquestra\u00e7\u00e3o no combate ao comunismo, comandada pelos Estados Unidos tamb\u00e9m s\u00e3o taxadas de exageradas. No entanto, s\u00e3o in\u00fameras evid\u00eancias da exist\u00eancia de um modelo pol\u00edtico e ideol\u00f3gico encontrado em diferentes esferas nas na\u00e7\u00f5es alinhadas ao capitalismo estadunidense para combater o perigo vermelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, elaborou-se um aparato institucional, demonstrando uma enorme capacidade de organiza\u00e7\u00e3o no combate ao comunismo, que utilizava as informa\u00e7\u00f5es rapidamente trazidas dos Estados Unidos para servir como base de a\u00e7\u00e3o. Foi o caso da cria\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o que mantinha as autoridades brasileiras constantemente atualizadas com informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades comunistas nos Estados Unidos (VALIM, 2006, p. 132). <em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente podemos observar esse modelo ideol\u00f3gico nos filmes aterrorizantes e de demoniza\u00e7\u00e3o dos comunistas transformando-os em perigosos vampiros ou alien\u00edgenas, como nos filmes hollywoodianos O Planeta Vermelho ou Vampiro de Almas. Os exemplos citados anteriormente nos fornecem bons argumentos do modo de atua\u00e7\u00e3o em que se opera a penetra\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica imperialista e o anticomunismo no in\u00edcio da Guerra Fria no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. <em>Presen\u00e7a dos Estados Unidos no Brasil (dois s\u00e9culos de Hist\u00f3ria)<\/em>, Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1973.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BASTOS, Pedro Paulo Zahluth. <em>O presidente desiludido: a campanha liberal e o p\u00eandulo de pol\u00edtica econ\u00f4mica no governo Dutra (1942-1948)<\/em> in: Hist\u00f3ria econ\u00f4mica e Hist\u00f3ria de empresas VII, 2004, p. 99-135, 2004. Dispon\u00edvel em:\u00a0 http:\/\/www.portaideias.com.br\/clientes\/hbphe2\/images\/stories\/Bastos. Acesso em 04 de outubro de 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BENEVIDES, Maria Victoria. <em>A UDN e o UDENISMO &#8211; Ambiguidades do liberalismo brasileiro (1945-1965)<\/em>, SP: Paz e Terra, 1981.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>________________________. <em>O PTB e o Trabalhismo \u2013 partido e sindicato em S\u00e3o Paulo (1945-1964)<\/em>. S\u00e3o Paulo, Brasiliense, 1989.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CHOMSKY, Noam. <em>Controle da m\u00eddia<\/em>. Rio de Janeiro, Graphia, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>HOBSBAWM, Eric. <em>A Era das Revolu\u00e7\u00f5es 1789-1848<\/em>. Trad. Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________. <em>Era dos Extremos: o breve s\u00e9culo XX 1914-1991<\/em>. Trad. Marcos Santarrita. S\u00e3o Paulo, Cia das Letras, 1995.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________. Sobre Hist\u00f3ria. S\u00e3o Paulo, Cia das Letras, 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>KONDER, Leandro. <em>A derrota da dial\u00e9tica: a recep\u00e7\u00e3o das ideais de Marx no Brasil, at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 30.<\/em> S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MOTTA, Rodrigo Patto S\u00e1. <em>Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil<\/em>, S\u00e3o Paulo: Perspectiva: FAPESP, 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MOURA, G. <em>Sucessos e Ilus\u00f5es: rela\u00e7\u00f5es internacionais do Brasil durante e ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial<\/em>, RJ: FGV, 1991.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MUNHOZ, Sidnei J. <em>Debatendo as origens da Guerra Fria.<\/em> In: SILVA, Francisco C. Teixeira da,\u00a0 et al. Dicion\u00e1rio do S\u00e9culo XX: Guerras &amp; Revolu\u00e7\u00f5es (Eventos, Id\u00e9ias &amp; Institui\u00e7\u00f5es). Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PEDRO, Antonio. <em>O Imperialismo Sedutor<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, 2000.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PEIXOTO, Fernando. <em>Hollywood: epis\u00f3dios da histeria anticomunista<\/em>. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1991.<\/p>\n<p>REBELO, Aldo. <em>Palmeiras X Corinthians, 1945: o jogo vermelho.<\/em> S\u00e3o Paulo, Ed. Unesp, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>REZENDE, Renato Arruda. <em>1947, O ano em que o Brasil foi mais realista que o rei: o fechamento do PCB e o rompimento das rela\u00e7\u00f5es Brasil-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Hist\u00f3ria, Universidade Federal da Grande Dourados, 2006, 115p.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SELLERS, Charles; MAY, Henry; McMILLEN, Neil R. <em>Uma reavalia\u00e7\u00e3o\u00a0 da Hist\u00f3ria dos Estados Unidos<\/em>, Trad. Ruy Jungmann, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1990.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SODR\u00c9, Nelson Werneck. <em>Hist\u00f3ria Militar do Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SYRETT, Harold C. (org) <em>Documentos hist\u00f3ricos dos Estados Unidos<\/em>, Trad. Oct\u00e1vio Mendes Cajado, S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1960.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>THORP, Rosemary. <em>As economias latino-americanas 1939- 1950<\/em>. In: Col. Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina, vol. VI, A Am\u00e9rica Latina ap\u00f3s 1930: Economia e Sociedade\/ org. Leslie Bethel, trad. Geraldo Gerson de Souza. S\u00e3o Paulo, Edusp, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VALIM, Alexandre Busko. <em>Imagens Vigiadas: Um a hist\u00f3ria social do cinema no alvorecer da Guerra Fria (1945-1954),<\/em> Universidade Federal Fluminense. Niter\u00f3i. RJ. Tese Doutorado. 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* <\/strong>El presente trabajo ha sido presentado en el Congreso Internacional de la Asociaci\u00f3n de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe (ADHILAC Internacional) \u201cLa formaci\u00f3n de los Estados latinoamericanos y su papel en la historia del continente\u201d realizado del 10 al 12 de octubre de 2011 en el Hotel Granados, Asunci\u00f3n, Paraguay, organizado por Repensar en la historia del Paraguay, Instituto de Estudios Jos\u00e9 Gaspar de Francia, Asociaci\u00f3n de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe, Centro Cultural de la Cooperaci\u00f3n \u201cFloreal Gorini\u201d (Argentina). Entidad Itaip\u00fa Binacional. Mesa:\u00a0<em>Movilidad social y construcciones institucionales: consideraciones en torno al saldo hist\u00f3rico de los estados latinoamericanos y caribe\u00f1os <\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">**Doutora em Hist\u00f3ria Social pela PUC-SP, Professora do curso de Hist\u00f3ria, Sociedade e Cultura &#8211;\u00a0 Lato Sensu da PUC-SP e UNIBAN. Atualmente desenvolve pesquisa sobre o americanismo no\u00a0 N\u00facleo de Estudos de Pol\u00edtica, Hist\u00f3ria e Cultura (POLITHICULT\/CNPq &#8211; PUC-SP).<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p>[1] A UDN surgiu como uma frente ampla de oposi\u00e7\u00e3o contra o Estado Novo, fundada em abril de 1945. Segundo Maria Vict\u00f3ria Benevides\u00a0<em>\u201c(&#8230;) formou, plasmou e reuniu os diversos grupos que se comporiam no partido da \u2018eterna vigil\u00e2ncia\u2019 (&#8230;) um movimento agregador das mais diferentes tend\u00eancias pol\u00edticas e ra\u00edzes hist\u00f3ricas. (&#8230;) Estes podem ser situados em cinco categorias, que n\u00e3o ser\u00e3o r\u00edgidas ou exaustivas, mas que indicam, t\u00e3o proximamente quanto poss\u00edvel, as origens, as posi\u00e7\u00f5es e as alian\u00e7as: As oligarquias destronadas com a revolu\u00e7\u00e3o de 30; Os antigos aliados de Get\u00falio, marginalizados depois de 30 ou em 37; Os que participaram do Estado Novo e se afastaram antes de 45; Os grupos liberais com uma forte identifica\u00e7\u00e3o regional e As esquerdas\u201d.<\/em> Cf. BENEVIDES, 1981. Acrescentamos ainda que alguns nomes que aderiram a UDN s\u00e3o intelig\u00edveis se n\u00e3o compreendido no complexo jogo pol\u00edtico do fim do Estado Novo. Assim, \u00e9 o caso da ades\u00e3o de Arthur Bernardes, Adhemar de Barros, Jo\u00e3o Mangabeira ou de Oswaldo Aranha todos que de alguma maneira participaram do movimento que formatou a UDN.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[2] PEARSON, D. Desordens comunistas no Brasil.\u00a0<strong>O Cruzeiro<\/strong>, v. I, 03 jan. 1948, p. 24.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[3] Dispon\u00edvel no site do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores em\u00a0http:\/\/www2.mre.gov.br\/dai\/home.htm<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[4] Cabe ainda destacar que no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, o ent\u00e3o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Celso Lafer, proferiu o seguinte discurso invocando o TIAR na XXIV Reuni\u00e3o dos Ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da OEA :\u00a0<em>\u201c<\/em><em>Estamos todos confrontados com uma amea\u00e7a direta \u00e0 seguran\u00e7a hemisf\u00e9rica. N\u00e3o se trata apenas de externar condol\u00eancias ou oferecer palavras de consolo a um pa\u00eds amigo por eventos tr\u00e1gicos. Os Estados Unidos da Am\u00e9rica n\u00e3o foram os \u00fanicos a sofrer com os ataques terroristas do dia 11 de setembro. Todos nos sentimos atacados. Todos fomos atingidos. O mundo n\u00e3o \u00e9 o mesmo desde aquela manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira. Nosso hemisf\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Com amplo respaldo dos demais Estados-partes, meu pa\u00eds, o Brasil, tomou a iniciativa de invocar o Tratado Interamericano de Assist\u00eancia Rec\u00edproca porque a excepcional gravidade dos ataques, e a discuss\u00e3o de seus desdobramentos, justificam o recurso ao nosso mecanismo hemisf\u00e9rico de seguran\u00e7a coletiva\u201d. Dispon\u00edvel em:<\/em>http:\/\/www2.mre.gov.br\/dai\/home.htm. Entretanto h\u00e1 um consenso entre especialistas que o chamado TIAR, desde a Guerra das Malvinas entre Argentina e Inglaterra, mostrou sua inoper\u00e2ncia e fragilidade frente aos interesses das pot\u00eancias mundiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>[5] Dispon\u00edvel em\u00a0http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/esporte\/ult92u726236.shtml<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N.E. Nota de la Editora.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ariadna Tucma Revista Latinoamericana. N\u00ba . 7. Marzo 2012-Febrero 2013 \u2013 Volumen I<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Publicado por \u00a9www.ariadnatucma.com.ar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contacto: info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Fase da Guerra Fria no Brasil* Lilian Marta Grisolio Mendes** &nbsp; El\u00a0l\u00edder\u00a0cubano Fidel Castro y el\u00a0sovi\u00e9tico\u00a0Nikita Jrushov. Su acercamiento fue uno de los puntos m\u00e1s\u00a0\u00e1lgidos de la Guerra Fr\u00eda durante la crisis de los misiles. 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