{"id":101,"date":"2006-02-25T20:52:07","date_gmt":"2006-02-25T22:52:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=101"},"modified":"2012-07-19T15:24:18","modified_gmt":"2012-07-19T18:24:18","slug":"o-ideario-iluminista-e-a-pratica-liberal-na-america-latina-dimensoes-intelectuais-da-subordinacao-e-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=101","title":{"rendered":"O Ide\u00e1rio Iluminista e a Pr\u00e1tica Liberal na Am\u00e9rica Latina:"},"content":{"rendered":"<h3>Dimens\u00f5es Intelectuais da Subordina\u00e7\u00e3o e Depend\u00eancia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vera Lucia Vieira<a title=\"Ver\" href=\"http:\/\/adhilac.com.ar\/?p=1634\"> (Ver)<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2006\/02\/Francois-Babeuf-02-02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2609 alignleft\" title=\"Francois Babeuf 02 -02\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2006\/02\/Francois-Babeuf-02-02.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"362\" \/><\/a><em> Izquierda: Fran\u00e7ois-No\u00ebl Babeuf, conocido como <\/em>Gracchus Babeuf<em> (1760-1797). Impuls\u00f3 la Conspiraci\u00f3n de los Iguales: \u00abNo queremos la igualdad escrita en una tabla de madera, la queremos en nuestras casas, bajo nuestros techos.\u00bb Fue ejecutado en Vend\u00f4me.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os movimentos sociais que caracterizaram a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa influenciaram as esferas pol\u00edtica, econ\u00f4mica e ideol\u00f3gica em todas as regi\u00f5es do mundo que, de alguma forma, estiveram ligadas ao continente europeu. <!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como na Fran\u00e7a, tais mudan\u00e7as, em suas especificidades, expressaram a insatisfa\u00e7\u00e3o das heterog\u00eaneas classes sociais existentes em cada regi\u00e3o. A supress\u00e3o da antiga ordem na Fran\u00e7a repercutiu nas mais diversas lutas sociais em curso em cada rinc\u00e3o do mundo e o ide\u00e1rio revolucion\u00e1rio franc\u00eas passou a fundamentar o pensamento de suas lideran\u00e7as e a alimentar o sonho dos mais incautos. Assim, a concep\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as nos aparelhos administrativo e jur\u00eddico, as defini\u00e7\u00f5es dos ideais, a pr\u00f3pria reordena\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais de poder no mundo s\u00e3o realizadas sob a \u00e9gide da liberdade, igualdade, seguran\u00e7a e propriedade indicados na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem. Em v\u00e1rias regi\u00f5es, a supress\u00e3o de privil\u00e9gios passou a significar n\u00e3o apenas a extin\u00e7\u00e3o de direitos de linhagem (nem sempre existentes em muitas delas), mas a nega\u00e7\u00e3o dos governos coloniais vigentes. Na Am\u00e9rica Latina, tais preceitos advieram em um momento em que explodiam os movimentos independentistas e, inicialmente, os privilegiados a serem depostos eram os que representavam as metr\u00f3poles em cada pa\u00eds em gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se observa, no entanto, \u00e9 que tal ide\u00e1rio revolucion\u00e1rio n\u00e3o corresponde \u00e0s caracter\u00edsticas da concretude social, em que pese a sua divulga\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o, o que nos leva a refletir sobre a fun\u00e7\u00e3o social que cumprem os discursos que popularizam a id\u00e9ia de que vivemos sob o signo dos direitos universais humanidade. Isso porque os ideais n\u00e3o se constroem na subjetividade do sujeito, mas nas constantes transforma\u00e7\u00f5es do meio no qual ele qual se relaciona, subjetiva-se e objetiva-se \u2013 portanto, tais ideais t\u00eam de ser compreendidos na realidade particular que os circundam, como constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica humana. No caso da Fran\u00e7a,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\"><em>o individualismo cr\u00edtico, a liberdade e a igualdade entre todos os homens, a universalidade das leis, a toler\u00e2ncia e o direito \u00e0 propriedade privada, (&#8230;) constitu\u00edram aquilo que poder\u00edamos qualificar de denominador comum do pensamento iluminista<\/em> (GOLDMANN, 1976:8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed as lutas s\u00e3o consoantes ao processo de desenvolvimento da filosofia das Luzes, a qual concebe a id\u00e9ia de que todo conhecimento \u00e9 apreens\u00edvel pela consci\u00eancia individual \u2013 logo, o indiv\u00edduo ganha sua devida autonomia, em condi\u00e7\u00f5es de igualdade perante a lei, resultante das novas formas de os sujeitos se relacionarem e pensarem suas pr\u00e1ticas sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O surgimento do Iluminismo se fundamenta na emerg\u00eancia da burguesia, que necessita tomar o poder pol\u00edtico, destruir os privil\u00e9gios anteriores e elevar ao mercado internacional a livre concorr\u00eancia, garantir a igualdade de oportunidades no acesso aos recursos e benesses do Estado, preservar o direito \u00e0 propriedade liberta dos dom\u00ednios medievais, ordenar uma justi\u00e7a com os par\u00e2metros militares-estatais que lhe garantissem a seguran\u00e7a necess\u00e1ria \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da nova ordem; em seguida, no per\u00edodo napole\u00f4nico, divulgar a fraternidade como justificativa para a guerra movida contra a Europa, ou seja, de liberta\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos pelas monarquias e defesa das \u201cfronteiras naturais\u201d da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ant\u00edtese deste ide\u00e1rio temos a realidade francesa p\u00f3s-revolucion\u00e1ria, com seus desdobramentos na Europa, que indicamos a partir do questionamento apresentado por PILBEAM (1995): as altera\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es sociais foram a mudan\u00e7a de maior impacto deste processo ou n\u00e3o passaram de mera ret\u00f3rica pol\u00edtica? Efetivamente, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o considerarmos que a radicalidade que possibilitou \u00e0 burguesia europ\u00e9ia libertar-se das amarras que a impediam de concorrer ao mercado internacional em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com a Inglaterra garantiu um significado particular aos direitos humanos, distanciando-os em muito dos preceitos universais propalados. O que, ali\u00e1s, j\u00e1 se expressa nas palavras que v\u00e3o sendo acrescidas \u00e0 declara\u00e7\u00e3o inicial: direitos humanos, que passam a ser dos cidad\u00e3os e submetidos aos ditames da lei. E, como diria Danton, a lei garante as condi\u00e7\u00f5es da desigualdade. Estes reducionismos, aos quais se acrescem as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 livre express\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, considerados amea\u00e7adores da ordem p\u00fablica, caracterizam o conservadorismo do s\u00e9culo XIX, no qual as rep\u00fablicas rec\u00e9m-institu\u00eddas ser\u00e3o consolidadas via autocracia ou regimes militares. Ou, conforme Hobsbawm:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\"><em>o burgu\u00eas liberal cl\u00e1ssico de 1789 (&#8230;) n\u00e3o era um democrata, mas sim um devoto do constitucionalismo, um Estado secular com liberdades civis e garantias para a empresa privada e um governo de contribuintes e propriet\u00e1rios<\/em> (HOBSBAWM, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, os ideais revolucion\u00e1rios que se expandem da Fran\u00e7a a todo o continente europeu j\u00e1 possuem a marca desta guinada hist\u00f3rica. Quando se restauram os Bourbons no poder, em 1815, fica expl\u00edcita a t\u00f4nica do pr\u00f3ximo per\u00edodo, isto \u00e9, a articula\u00e7\u00e3o entre a burguesia e a nobreza, em face da amea\u00e7a dos descamisados\/trabalhadores\/oper\u00e1rios. A partir da\u00ed, as subleva\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XIX \u2013 que se iniciam, geralmente, com as mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias contra as arbitrariedades dos monarcas e a perman\u00eancia de imposi\u00e7\u00f5es feudais aos camponeses <a href=\"file:\/\/\/C:\/1_Carolina\/1_Texto\/Ariadna\/2010\/Ariadna%20Historica\/Historia\/O%20ideario%20iluminista%20e%20a%20pratica%20liberal%20vera%20lucia%20vieira.htm#_note-2\"><sup>2<\/sup><\/a> \u2013 resultam na limita\u00e7\u00e3o dos direitos humanos \u00e0s necessidades da burguesia.  II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-309 alignleft\" title=\"Guillotina a Luis XVI- Museo Berlin\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/Guillotina-a-Luis-XVI-Museo-Berlin.png\" alt=\"Guillotina a Luis XVI- Museo Berlin\" width=\"369\" height=\"206\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Luis XVI es llevado a la guillotina. Grabado. Bode Museum. Berl\u00edn<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa exercer\u00e1 influ\u00eancia intelectual e pol\u00edtica sobre a Am\u00e9rica, sendo fator decisivo a impulsionar as independ\u00eancias, principalmente a partir da invas\u00e3o da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica por Napole\u00e3o. A Fran\u00e7a ser\u00e1 a primeira a perder suas col\u00f4nias: em 1763 perde o Canad\u00e1 para a Inglaterra e concede a Luisi\u00e2nia para a Espanha e, apesar de recuper\u00e1-la em 1800, vende essa regi\u00e3o para os Estados Unidos em 1803. Depois, as col\u00f4nias inglesas, descontentes com a pol\u00edtica repressiva e influenciadas pelos ideais de igualdade dos revolucion\u00e1rios franceses, entram em conflito com a metr\u00f3pole pela sua independ\u00eancia. A guerra termina em 1793, com a forma\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. As guerras de independ\u00eancia nas Am\u00e9ricas ocorreram entre 1783 e 1825, sendo que at\u00e9 a independ\u00eancia dos Estados Unidos, em 1783, Am\u00e9rica e Europa faziam parte de um mesmo conjunto, com a integra\u00e7\u00e3o efetuada atrav\u00e9s do Pacto Colonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tropas napole\u00f4nicas invadiram a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica em 1807. A fam\u00edlia real portuguesa transferiu-se para o Brasil, transformando-o em capital do Imp\u00e9rio; nesse contexto, os brasileiros \u201cacostumaram-se\u201d com a autonomia e n\u00e3o aceitar\u00e3o que lhes seja tirada, processo que culmina com a proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia em 1822. J\u00e1 os pa\u00edses da Am\u00e9rica espanhola, apesar de terem eliminado a administra\u00e7\u00e3o metropolitana em 1814, passaram por uma guerra civil com os legalistas e s\u00f3 terminaram seus processos de independ\u00eancia em 1824. Todos esses movimentos descolonizantes t\u00eam bases ideol\u00f3gicas no Iluminismo e na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, nas id\u00e9ias de liberdade e igualdade de direitos, mas j\u00e1 em sua forma conservadora, isto \u00e9, conforme os interesses da burguesia que tinha ascendido ao poder no lugar da aristocracia. Assim, os ideais de igualdade e liberdade estavam restritos pela lei, que assumia a primazia sobre os direitos igualit\u00e1rios pelos quais ainda continuar\u00e3o lutando os correligion\u00e1rios de Babeuf.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As condi\u00e7\u00f5es vigentes nas col\u00f4nias, particularmente as latino-americanas, no s\u00e9culo XIX, prenunciam, entretanto, o distanciamento que se verificar\u00e1 entre o discurso e a pr\u00e1tica, no que tange \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o dos preceitos liberais, a tal ponto que transformar\u00e3o tal ide\u00e1rio em um mero proselitismo, de tal forma inculcado no pensamento pol\u00edtico que vige at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fatores das mais diversas ordens podem ser apontados como fundantes para tal distanciamento, sejam os resultantes das contradi\u00e7\u00f5es internas, sejam os receptivos \u00e0s influ\u00eancias externas. Neste pequeno espa\u00e7o de um artigo vamos nos deter em identificar apenas a influ\u00eancia que este pensamento conservador europeu exerceu na constitui\u00e7\u00e3o dos Estados latino-americanos, que ser\u00e3o tomados enquanto totalidade na regi\u00e3o, em que pesem as particularidades que se evidenciam quando fixamos nosso olhar na especificidade hist\u00f3rica de cada um de seus pa\u00edses. Isto \u00e9 poss\u00edvel porque s\u00e3o reconhecidas as rela\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas entre seus capitalismos dependentes, subordinados ou h\u00edper-tardios, gestados a partir da coloniza\u00e7\u00e3o ibero-americana. Bem assim, nota-se a quase coincid\u00eancia na periodicidade de seus processos independentistas, que se efetivam ao longo do s\u00e9culo XIX e, sob a \u00e9gide do liberalismo, transformam-se, via de regra, em rep\u00fablicas assumidas ou implantadas via ditaduras ao longo do s\u00e9culo XX, alternadas com t\u00edmidos processos de democratiza\u00e7\u00e3o, fr\u00e1geis por sua curta gesta\u00e7\u00e3o, por sua pouca sustenta\u00e7\u00e3o pela sociedade civil e pela profunda desigualdade social que mant\u00e9m milh\u00f5es exclu\u00eddos do acesso a qualquer bem produzido socialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o tamb\u00e9m distinguidas pelos especialistas as similaridades que ocorrem no interior das contradi\u00e7\u00f5es entre o conservadorismo e o progressismo, entre o internacionalismo econ\u00f4mico e os nacionalismos pol\u00edticos ou nos debates sobre a rela\u00e7\u00e3o indiv\u00edduo\/coletividade levados a cabo pelo liberalismo. \u00c9 tamb\u00e9m reconhecido que as bandeiras dos trabalhadores, que foram consolidadas pela nova ordena\u00e7\u00e3o de for\u00e7as sem ruptura no per\u00edodo p\u00f3s-independ\u00eancias, restringiram-se \u00e0quelas que interessavam \u00e0 burguesia, como a aboli\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o &#8211; dadas as necessidades da nova ordem capitalista em curso &#8211; e a amplia\u00e7\u00e3o do direito de voto que garantia maior possibilidade de integrar a burguesia na representa\u00e7\u00e3o parlamentar, atrav\u00e9s dos mecanismos constitucionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob a \u00e9gide da igualdade de todos perante a lei, manifestas as desigualdades pelo m\u00e9rito e n\u00e3o mais por nascimento (mas mantidas e justificadas, \u00e9 evidente), o s\u00e9culo XIX, tanto na Europa quanto na Am\u00e9rica, implantou, sob o discurso dos ideais revolucion\u00e1rios, os princ\u00edpios do liberalismo calcado na defesa dos direitos naturais, liderado por Locke e os elaboradores da Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia norte-americana e da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, segundo a qual ao governo competiria afirmar os direitos \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 propriedade. Implantou tamb\u00e9m os preceitos do liberalismo utilitarista dos seguidores de Jeremy Bentham, que mesclavam seu racionalismo ao empirismo ingl\u00eas, exigindo do governo a prova utilitarista da promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que resultassem no \u00abmaior bem para o maior n\u00famero\u201d, express\u00e3o do que passou a ser o preceito da igualdade. Nesta l\u00f3gica p\u00f4de-se proclamar o retorno de Lu\u00eds XVIII como uma: <em> <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\"><em>for\u00e7a conservadora, aquele que conhece a constitui\u00e7\u00e3o perfeita, da qual ele sondou as bases, penetrou o segredo e perante a qual declarava que esta n\u00e3o permitiria nenhum tipo de mudan\u00e7a.<\/em> (BONALD, 1796).<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_344\" aria-describedby=\"caption-attachment-344\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-344\" title=\"Stuart Mill\" src=\"http:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/Stuart-Mill1.png\" alt=\"Stuart Mill, fil\u00f3sofo y economista ingles\" width=\"240\" height=\"340\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-344\" class=\"wp-caption-text\">Stuart Mill, fil\u00f3sofo y economista ingles<\/figcaption><\/figure><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo a ilimitada liberdade de express\u00e3o de Stuart Mill (1806-73), definida em seu <em>Ensaio sobre a Liberdade<\/em> (que afirmava a soberania da pessoa sobre si mesma, com a autoridade do Estado intervindo apenas para impedir danos entre os membros da comunidade), viu-se implementada de forma restrita, dadas a manuten\u00e7\u00e3o das leis que coibiam a livre express\u00e3o dos trabalhadores e a restri\u00e7\u00e3o ao voto feminino e \u00e0s \u00abmassas despreparadas\u00bb, conforme propositura de Alexis de Toqueville (1805-59), que ponderava sobre o risco de ocorrer uma tirania destas sobre uma minoria, cerceando a compet\u00eancia natural das elites para dirigirem a sociedade de forma ordenada e processual.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px; text-align: justify;\"><em>O contraste entre a brandura das teorias e a viol\u00eancia dos atos, que foi uma das mais estranhas caracter\u00edsticas da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, n\u00e3o surpreender\u00e1 a quem se lembrar que esta Revolu\u00e7\u00e3o foi preparada pelas classes mais civilizadas da na\u00e7\u00e3o e executada pelas classes mais incultas e rudes <\/em><span style=\"text-align: justify;\">(TOQUEVILLE, s\/d). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">Complementarmente, a ordem legal aprimorou a Lei de Chapellier que, promulgada pela rea\u00e7\u00e3o termidoriana de 1794, cassava a liberdade de express\u00e3o dos trabalhadores, as greves e o seu direito de associa\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios s\u00e3o os autores que acabam por justificar, com suas teorias, tais medidas. Quando Adam Smith propunha a destrui\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es internas, advogava n\u00e3o apenas que isto era necess\u00e1rio para possibilitar um livre com\u00e9rcio entre as na\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m para a instaura\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o internacional do trabalho. A teoria de Malthus sobre a rela\u00e7\u00e3o alimento versus crescimento populacional, apresentada em 1798, fazia com que os industriais e os parlamentares europeus conclu\u00edssem que seria inconveniente melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida e os sal\u00e1rios dos oper\u00e1rios, para que n\u00e3o produzissem filhos em n\u00famero superior ao que pudessem alimentar. Ricardo, por sua vez, quando elaborou a \u00ablei de ferro dos sal\u00e1rios\u00bb, sustentava que estes deveriam permanecer no n\u00edvel necess\u00e1rio \u00e0 subsist\u00eancia, para que os oper\u00e1rios n\u00e3o ficassem estimulados a ter muitos filhos, gerando um excesso insuport\u00e1vel de trabalhadores.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, assim como na Europa, consolidou-se o direito \u00e0 propriedade individual, o que contraditava a tradi\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es cacicadas, cuja luta pela preserva\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o coletiva da terra j\u00e1 durava s\u00e9culos e perdurar\u00e1 at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo n\u00e3o se altera, no entanto. Do ponto de vista de suas rela\u00e7\u00f5es internacionais, anteriormente \u00e0s independ\u00eancias, como propriedades das metr\u00f3poles, as col\u00f4nias tinham seus direitos de liberdade no mercado mundial reduzidos, e esta condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 modificada com as independ\u00eancias pol\u00edticas. Pelo contr\u00e1rio, a l\u00f3gica que se processa nestes movimentos tender\u00e1 a acentuar tais depend\u00eancias e\/ou subordina\u00e7\u00f5es, conforme j\u00e1 estudado por muitos autores. Do ponto de vista interno, conforme estudo de ROBINSON e ACEMOGLU (1998), a principal distin\u00e7\u00e3o entre a Am\u00e9rica Latina e a Europa \u00e9 a maior desigualdade da primeira, o que for\u00e7ou a democracia a chegar cedo, embora altamente inst\u00e1vel, j\u00e1 que aumentou o custo potencial da democracia para as elites e as estimulou a organizar golpes contra ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhando a Europa, embora a pr\u00e1tica social seja a do liberalismo, o ide\u00e1rio propagado \u00e9 o da Ilustra\u00e7\u00e3o. Conforme an\u00e1lise apresentada por Viotti a este respeito, \u201cos colonos viam a realidade \u00e0 sua volta atrav\u00e9s das lentes da ilustra\u00e7\u00e3o\u201d (VIOTTI, 1990:38) e os esfor\u00e7os dos intelectuais que fundam as bases do pensamento pol\u00edtico latino-americano ajudam a propagar o liberalismo travestido de Ilustra\u00e7\u00e3o. Assim, se inicialmente o interesse eram as lutas contra a metr\u00f3pole, gradativamente v\u00e3o assumindo os contornos dos interesses de classe, o que se evidencia na continuidade das lutas que camponeses, trabalhadores urbanos e negros promovem contra antigos colonos, hoje propriet\u00e1rios e donos do poder pol\u00edtico, com os quais haviam realizado as lutas pela independ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consolida-se, assim, pari passu \u00e0 depend\u00eancia econ\u00f4mica, uma forma de depend\u00eancia intelectual que, particularmente no caso do Brasil, gesta um ide\u00e1rio sobre a concretude social estranhado de suas condi\u00e7\u00f5es objetivas. A concretiza\u00e7\u00e3o deste estranhamento se observa at\u00e9 os dias atuais, e de tal forma est\u00e1 enraizado na constitui\u00e7\u00e3o de nosso pensamento que praticamente nos impede de formularmos (ou reconhecermos como v\u00e1lidas) teorias gestadas a partir de nossa efetividade social, enfoque que nos possibilitaria olhar os preceitos desenvolvidos em outras regi\u00f5es de forma aut\u00f4noma, sem negar as necess\u00e1rias interdepend\u00eancias em suas formula\u00e7\u00f5es, particularmente neste mundo globalizado. Nesta \u00f3tica, e cada vez com maior incid\u00eancia, dada a facilidade das comunica\u00e7\u00f5es, promovemos reflex\u00f5es calcados em teorias ou metodologias que expressam necessidades particulares dos pa\u00edses nas quais emergem e de tal forma esta epistemologia est\u00e1 enraizada que nos habituamos a ver na concretude que vivemos, como em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00e9culo XIX, princ\u00edpios que n\u00e3o vivenciamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais influ\u00eancias se revelam nas diversas \u00e1reas de desenvolvimento do conhecimento. No Brasil, por exemplo, os sistemas de ensino n\u00e3o incorporam conhecimentos sobre a Am\u00e9rica Latina, mas reconhecemos a Europa como o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o. Conforme j\u00e1 apontado por diversos autores, nossos pedagogos conhecem a pedagogia, mas s\u00e3o incapazes de nomear ou reconhecer qualquer educador ou corrente de pensamento educacional latino-americano at\u00e9 os dias atuais, ou mesmo brasileiros, se referido ao s\u00e9culo XIX. Mesmo os jornais de grande circula\u00e7\u00e3o s\u00f3 passaram a noticiar sobre a Am\u00e9rica Latina a partir dos problemas apresentados com a consolida\u00e7\u00e3o do Mercosul ou da Alca, ou quando de algum golpe de Estado ou acirramento de lutas sociais, permanentemente criminalizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal subordina\u00e7\u00e3o tem sido apontada por v\u00e1rios autores e \u00e9 percept\u00edvel em balan\u00e7os historiogr\u00e1ficos que resgatam as influ\u00eancias predominantes em determinadas ordens de estudos. Tomamos como exemplo, ao acaso, um balan\u00e7o historiogr\u00e1fico sobre <em>o poder<\/em>, associado \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com o Estado, no texto organizado por Ciro Flamarion CARDOSO (1997). Sobre o tema, um de seus autores destaca a historiografia que reconhecemos como predominante e que nos influencia diretamente. Neste sentido, recupera desde os <em>iluministas<\/em> do s\u00e9culo XVIII, passando pelos <em>rom\u00e2nticos<\/em> do s\u00e9culo XIX, at\u00e9 a <em>escola met\u00f3dica<\/em> (de Ranke, tamb\u00e9m denominada cientificismo ou positivista), mostrando que, apesar de suas diferen\u00e7as, n\u00e3o s\u00f3 <em>mantiveram as abordagens da rela\u00e7\u00e3o do poder com o pol\u00edtico<\/em>, como ampliaram esta rela\u00e7\u00e3o, chegando esta \u00faltima escola \u00e0 \u201csupremacia da hist\u00f3ria pol\u00edtica \u2013 narrativa, factual, linear \u2013 levada ao seu apogeu nos meios acad\u00eamicos em geral\u201d. Destaca que esta tend\u00eancia permanecer\u00e1 ainda por muito tempo (at\u00e9 a terceira parte da d\u00e9cada de 20), apesar das <em>posturas de Marx e Engels, Tocqueville, Burckhardt, Dilthey<\/em>, que, de formas diferentes e antag\u00f4nicas, introduziram em suas abordagens a an\u00e1lise do pol\u00edtico como integrante das rela\u00e7\u00f5es sociais, com a inclus\u00e3o de quest\u00f5es relativas ao social e ao ideol\u00f3gico: lutas, movimentos sociais e revolu\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s este per\u00edodo os estudos produzidos, particularmente por <em>Gramsci, Luk\u00e1cs, Escola de Frankfurt<\/em>, assim como <em>Hobsbawm, Anderson<\/em>, Hill e outros,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 30px;\"><em>recolocaram no plano da escrita a hist\u00f3ria, o poder, o pol\u00edtico e a pol\u00edtica, aprofundando a franca rejei\u00e7\u00e3o entre os marxistas pela hist\u00f3ria pol\u00edtica tradicional com seus chamados fatos, seus conhecidos atores, enfim, sua aliena\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfatiza, a seguir, a <em>import\u00e2ncia de Foucault<\/em> para o desenvolvimento de estudos sobre o reconhecimento \u201cde poderes em lugares hist\u00f3ricos pouco conhecidos \u2013 fam\u00edlia, escola, asilos, pris\u00f5es, hospitais, pol\u00edcia, oficinas, f\u00e1bricas etc., em suma, no quotidiano de cada indiv\u00edduo ou grupo social\u201d, seguido de <em>Peter Burke<\/em>, que assinala a descoberta da \u201ccultura pol\u00edtica\u201d, assim como da <em>antropologia<\/em>, que introduz o dom\u00ednio das representa\u00e7\u00f5es sociais e de suas conex\u00f5es com as pr\u00e1ticas sociais, colocando como priorit\u00e1rias as problem\u00e1ticas do simb\u00f3lico (imagin\u00e1rios sociais, mem\u00f3rias coletivas, mentalidades). Perguntamos a professores do ensino b\u00e1sico se vivemos em uma democracia, e todos responderam que sim. A seguir, perguntamos o que \u00e9 a democracia, n\u00e3o apenas como direito pol\u00edtico, mas como <em>valor universal<\/em>. Ante suas respostas, indagamos se as condi\u00e7\u00f5es apontadas existem no Brasil e, em face da negativa, voltamos a inquirir: se voc\u00ea percebe a contradi\u00e7\u00e3o, porque afirma que vivemos em uma democracia? Resposta: porque existe em tese, mas n\u00e3o na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ocorre \u00e9 que, com tal tradi\u00e7\u00e3o, as formula\u00e7\u00f5es de autores p\u00f3s-modernos como JAMESON (1996) nos parecem destitu\u00eddas de novidade, quando afirmam que, na era da globaliza\u00e7\u00e3o, desenvolvemos uma capacidade de \u201ccriar cogni\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es, que d\u00e3o mais \u00eanfase \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, colocando a realidade e a concretude do objeto de forma secund\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong><span style=\"text-align: justify;\">ACEMOGLU, Daron, ROBINSON, James A. (1998). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Desenvolvimento Pol\u00edtico na Am\u00e9rica Latina &#8211; Algumas Observa\u00e7\u00f5es Preliminares<\/em><span style=\"text-align: justify;\">, Abril. Massachussetts Institute of Technology, Departamento de Economia, E52-371, Cambridge, Massachussetts 02319, e-mail daron@mit.edu(***) University of Southern California, Departamento de Economia, Los Angeles, California, 90089, e-mail: jarobins@usc.edu<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">CARDOSO, Ciro Flamarion (org.) (1997). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Dom\u00ednios da Hist\u00f3ria<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Rio de Janeiro, Campus.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">CHASIN, J. (1989). \u00abMarx no Tempo da <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Gazeta Renana<\/em><span style=\"text-align: justify;\">\u00ab. In: MARX, K. <\/span><em style=\"text-align: justify;\">A Burguesia e a Contra-Revolu\u00e7\u00e3o<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. S\u00e3o Paulo, Ensaio.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">COLE, G. H. D. (1975). Historia del Pensamiento Socialista. M\u00e9xico, Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">DARTON, R. (1998). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">O Lado Oculto da Revolu\u00e7\u00e3o. Mesmer e o Fim do Iluminismo na Fran\u00e7a<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. S\u00e3o Paulo, Cia das Letras.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">HOBSBAWM, E. (1986). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">A Era das Revolu\u00e7\u00f5es \u2013 1789-1848<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Rio de Janeiro, Paz e Terra.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">MARX, K. (1983). \u00abO que \u00e9 a Comuna?\u201d In: FERNANDES, F. (org.). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Marx e Engels &#8211; Hist\u00f3ria<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Col. Grandes Cientistas Sociais n\u00b0 36. S\u00e3o Paulo, \u00c1tica.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">PILBEAM, Pamela M. (1995). \u201cEuropean Society in Revolution\u201d, <\/span><em style=\"text-align: justify;\">in: Themes in Modern European History<\/em><span style=\"text-align: justify;\"> \u2013 1780-1830. New York, Ed. Routldge, Chapter 10.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">RUD\u00c9, G. (1982). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Ideologia e Protesto Popular<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Rio de Janeiro, Zahar.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">_________ (1988). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">La Europa Revolucion\u00e1ria ( 1783-1815) <\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Madrid, Siglo XXI.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">SKOPOL, T. (1985). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Estados e Revolu\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Lisboa, Ed. Presen\u00e7a.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">SMITH, A. (1876). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Uma Indaga\u00e7\u00e3o sobre a Natureza e as Causas da Riqueza da Na\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">SOBOUL, A. (1976). \u00abUtopia e Revolu\u00e7\u00e3o Francesa\u00bb, <\/span><em style=\"text-align: justify;\">in: <\/em><span style=\"text-align: justify;\"> DROZ, J., <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3ria Geral do Socialismo<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Lisboa, Horizonte Universit\u00e1rio.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">_________ (s\/d). \u00abDa Utopia \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o: Babeuf e a Conjura dos Iguais\u00bb. <\/span><em style=\"text-align: justify;\">In: <\/em><span style=\"text-align: justify;\"> DROZ, J. <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3ria Geral do Socialismo<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Lisboa, Horizonte Universit\u00e1rio<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">TOQUEVILLE, A. (s\/d). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">O Antigo Regime e a Evolu\u00e7\u00e3o<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. Bras\u00edlia, Ed. UnB.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">VIOTTI, Em\u00edlia da Costa (1990), In: COGGIOLA, Oswaldo (org.). <\/span><em style=\"text-align: justify;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e seu Impacto na Am\u00e9rica Latina<\/em><span style=\"text-align: justify;\">. S\u00e3o Paulo, Edusp.<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\"><\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">(1) Este art\u00edculo fue publicado en Crisorio, Carolina, Gonz\u00e1lez Arana, Roberto y Guerra Vilaboy, Sergio: Primer Encuentro de ADHILAC Argentina. Am\u00e9rica Latina 1804-2004. CD Rom noviembre de 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">(2) Insurrei\u00e7\u00e3o na Sic\u00edlia, em janeiro de 1848, \u00e0 qual sucedeu a revolu\u00e7\u00e3o de Paris, em fevereiro. A partir de mar\u00e7o, sublevaram-se Berlim, Hungria e \u00c1ustria pela aboli\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o e pela independ\u00eancia nacional, concomitante a Mil\u00e3o, Veneza, Viena pela unifica\u00e7\u00e3o italiana. Em sua esteira espocou o descontentamento alem\u00e3o contra o governo absolutista de Frederico Guilherme IV da Pr\u00fassia. Embora industrialmente mais avan\u00e7ada que a Fran\u00e7a, sua burguesia n\u00e3o era t\u00e3o combativa e o movimento contra o despotismo iniciou-se com as manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de Col\u00f4nia, em mar\u00e7o do mesmo ano, pela mesma peti\u00e7\u00e3o francesa de \u00bbdireito ao trabalho\u00bb, estendendo-se a seguir para Berlim. Na seq\u00fc\u00eancia, o levante pela independ\u00eancia na Hungria conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o das \u00ableis de mar\u00e7o\u00bb, que aboliam a servid\u00e3o e promoviam uma s\u00e9rie de reformas pol\u00edticas de interesse dos liberais, at\u00e9 ser engolido pelo ex\u00e9rcito russo em 1849. Este pa\u00eds, ali\u00e1s, segue percurso semelhante, ainda mais tardiamente, pois apenas em 1861 a servid\u00e3o ser\u00e1 abolida, sob o dom\u00ednio do czar Alexandre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\"><\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ariadna Tucma Revista Latinoamericana. Vol. 1 a 4. 2006-2009<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><strong>Publicado por \u00a9www.ariadnatucma.com.ar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">info@ariadnatucma.com.ar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dimens\u00f5es Intelectuais da Subordina\u00e7\u00e3o e Depend\u00eancia Vera Lucia Vieira (Ver) Izquierda: Fran\u00e7ois-No\u00ebl Babeuf, conocido como Gracchus Babeuf (1760-1797). Impuls\u00f3 la Conspiraci\u00f3n de los Iguales: \u00abNo queremos la igualdad escrita en una tabla de madera, la queremos en nuestras casas, bajo nuestros techos.\u00bb Fue ejecutado en Vend\u00f4me. Os movimentos sociais que caracterizaram a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa influenciaram &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/?p=101\" class=\"more-link\">Seguir leyendo<span class=\"screen-reader-text\"> \u00abO Ide\u00e1rio Iluminista e a Pr\u00e1tica Liberal na Am\u00e9rica Latina:\u00bb<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,3],"tags":[42,38,43],"class_list":["post-101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencias-sociales","category-historia","tag-brasil","tag-historia-de-america-latina","tag-iluminismo","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=101"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2610,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/101\/revisions\/2610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ariadnatucma.com.ar\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}